"Temos esta Esperança como âncora da alma, firme e segura, a qual adentra o santuário interior, por trás do véu, onde Jesus que nos precedeu, entrou em nosso lugar..." (Hebreus 6.19,20a)
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terça-feira, 8 de julho de 2014

A VIDA DEVOCIONAL por Osmar Ludovico

Um dos pilares da experiência cristã é a vida devocional, isto é, o cultivo de uma relação de intimidade com Deus através da leitura bíblica e da oração. Na recomendação de Jesus Cristo, a vida devocional acontece no quarto de portas fechadas, no secreto, longe do público e das distrações.

A vida devocional é um privilégio extraordinário para os que creem. Na antiga aliança, só o sumo sacerdote, uma vez por ano, tinha acesso à presença de Deus no Santo dos Santos, no templo de Jerusalém. Porém, no momento em que Jesus Cristo morre na cruz, o Evangelho relata que o véu que dava acesso ao Senhor foi rasgado de alto a baixo – e lemos no livro de Hebreus que, agora, podemos entrar confiadamente na sala do trono pelo novo e vivo caminho no sangue de Cristo.

Deus não está mais no templo de Jerusalém, edificação feita por mãos humanas. Agora, ele habita no coração do homem e da mulher que nele creem e, assim, nosso corpo se tornou o templo do Espírito Santo. Este é o mistério de Cristo em nós; assim foi abolido o sacerdócio como privilégio dos levitas e, no Filho de Deus, o sacerdócio se tornou universal e inclui todos os crentes. Apesar disso, o que temos visto na Igreja é um retrocesso, pois o lugar do encontro com Deus se tornou o templo no domingo; a adoração é intermediada pela banda e pelo dirigente do louvor, e Deus fala através de pregadores ungidos. Além disso, levamos nossas orações para intercessores que, supostamente, têm poder.

O resultado é uma geração de crentes que dependem de intermediários na sua relação com Deus. Ao invés da leitura bíblica pessoal, ouvimos sermões, e no lugar da oração pessoal, aquela que se desnuda diante do Senhor, fazemos nossos pedidos na reunião de oração. É por isso que existem tão pouco santos e profetas entre nós, e tantos crentes imaturos e instáveis. Santo não é aquele que não peca mais, mas o que sabe que é um grande pecador e vive quebrantado e na dependência do Espírito Santo. E profeta não é aquele que adivinha o futuro, mas denuncia o mal e anuncia o juízo, sem preocupação em agradar aos outros.

A vida devocional ficou em segundo plano, e sem uma relação pessoal com Deus a ênfase recai na vida comunitária, no programa, no culto – em parte porque nos tornamos pessoas inquietas e agitadas que não conseguem parar, e em parte porque achamos que Deus só fala conosco através de pastores. Mas também negligenciamos a vida devocional porque achamos improdutiva e perda de tempo e buscamos experiências espirituais eufóricas e entregamo-nos ao ativismo religioso.

Sabemos que Deus habita o mais alto e santo lugar nos céus, mas também habita o coração do contrito e do abatido de espírito. Procuramos o Altíssimo nos mais altos céus – mas ele está muito mais perto de nós, no nosso coração. Encontramos o Senhor mais facilmente quando descemos, e não quando subimos; descemos ao nosso coração para encontrá-lo por trás da nossa maldade e da nossa agitação. A casa do Pai é o nosso próprio coração: por isso, voltar para à casa do Pai é retornar ao nosso próprio coração. Ali, ouvimos sua palavra e lhe respondemos com nossas orações. Esta é uma descrição da vida devocional. Em outras palavras, podemos dizer que é o cultivo de uma amizade com Deus no recôndito do nosso coração. Nossa vida se torna, então, um caminho com Cristo até Cristo, um caminho em direção ao nosso próprio coração, onde o Senhor nos aguarda apesar das nossas agitações e preocupações. Aquietamo-nos para encontrá-lo e, quando o encontramos, estamos prontos para encontrar outros.

Sabemos da importância dos frutos na vida cristã: fruto de arrependimento, fruto do Espírito e fruto de boas obras. Todavia, a parte mais importante de uma árvore é a raiz. A árvore pode ter um tronco magnífico e folhas viçosas, mas se a raiz estiver afetada, seus frutos serão ruins e ela pode até morrer. Pois a vida devocional é raiz que precisa estar coberta, no escuro, nas profundezas. Se ela é saudável, alimentando-se da seiva viva e bebendo dos mananciais de águas puras, então não precisamos nos preocupar com os frutos – eles, certamente, virão e serão bons.

Precisamos resgatar o ensino e a prática do sacerdócio universal dos crentes e o vinculo de intimidade com Deus através da leitura bíblica e da oração no secreto.

http://www.cristianismohoje.com.br/colunas/osmar-ludovico/encontramos-o-senhor-mais-facilmente-quando-descemos-e-nao-quando-subimos

domingo, 20 de janeiro de 2013

DO FRACASSO À REALIZAÇÃO - Osmar Ludovico


"Bem-aventurados (muito mais que felizes) os pobres em espírito, pois deles é o Reino dos céus".
(Mateus 5.3)
Para meus amigos do coração...
CRISES E PERDAS fazem parte da existência humana. Podem acontecer na família, no trabalho ou na igreja. De repente, por razões que estão fora de nosso controle, fracassamos e nos vemos diante da dor e do sofrimento. Pode ser uma separação, uma enfermidade grave, essas crises surgem sem razão plausível; outras, por nossa culpa e responsabilidade.

No universo evangélico existe a idéia errônea de que o cristão não sofre. Basta seguir os princípios bíblicos para tudo dar certo. Quando alguém fracassa, tendemos a achar que essa pessoa não está andando nos caminhos do Senhor. Quando acontece conosco chegamos a pensar que Deus nos abandonou.

O fracasso é o fim irreparável de um determinado projeto no qual colocamos muita expectativa e energia, mas que afunda, quebra e não tem mais cura ou conserto.

Quando fracassamos, o mundo desaba sobre nós e nos vemos diante de duas possibilidades: admitir e aceitar nossa limitação, nos humilhando diante do Senhor e buscando sua ajuda; ou negar, esconder e fugir na tristeza, nos vícios, no ativismo, e no ressentimento, em vez de enfrentar.

Ao aceitarmos o conceito do fracasso, inicia-se um processo de retomada da vida e de condução à realização autêntica. O aprendizado principal é o fim da ilusão de onipotência e de autonomia. Essas duas palavras descrevem aquilo que a Bíblia chama de pecado. A onipotência (ou desejo de ser igual a Deus) é se achar forte o suficiente para enfrentar qualquer situação na vida; é a autoconfiança e a prepotências exagerados. A autonomia é pretensão de não precisar de ninguém, achando-se adequado e capacitado para resolver tudo sozinho.

O pecado nos leva a usar Deus e as pessoas para a realização de projetos pessoais sem reconhecermos a colaboração e a ajuda decisivas que recebemos para alcançá-los. O arrependimento é a dolorosa desconstrução dessa ilusão de onipotência e autonomia que herdamos com o pecado original. A pedagogia de Deus, por intermédio do fracasso, da dor e do sofrimento, coloca-nos diante de nossa finitude e nossa fragilidade para, então, nos quebrantarmos e dependermos dEle.

Nesse processo, emerge de nossas fraquezas uma força ainda desconhecida, e assim nos tornamos feridos capazes de curar – em outras palavras, consoladores que oferecem o que receberam de Deus no dia da angustia e do sofrimento. Toda realização e todo sucesso na vida deixam de ser conquistas pessoais para serem compartilhados, tornando-se motivo de glória ao Senhor da vida e gratidão às pessoas que nos ajudaram.

Na Bíblia, são muitos os exemplos de homens que fracassaram, foram restaurados e usados por Deus:

+ Jacó queria ser primogênito. Para isso, manipulou o irmão Esaú. Fugiu da parentela, vagou durante anos como exilado e fugitivo até que se tornou Israel, pai das doze tribos do povo eleito;
+ Moisés matou um egípcio e, perseguido por Faraó, escondeu-se no deserto por quarenta anos antes de se tornar o grande libertador de Israel;
+ Paulo, após sua conversão, fracassou na primeira empreitada ministerial em Damasco e fugiu na calada da noite. Passou dez anos no deserto, anônimo, antes que Barnabé o procurasse e Deus o usasse como missionário e teólogo;
+ Pedro, que se acovardou negou Cristo três vezes no dia da crucificação, humilhou-se e chorou quando seu olhar cruzou com o do Salvador; a partir daí, tornou-se líder principal da igreja nascente.

Na historia recente, conhecemos a saga de Nelson Mandela, que amargou 27 anos no cárcere antes de se tornar presidente da África do Sul e por fim à odiosa política do apartheid.

Aqueles que experimentam o fracasso podem conhecer melhor o Deus que restaura e cura.

Entre o fracasso, a plena realização e a vocação há um caminho que passa por luto, lamento, reconhecimento da finitude e da fragilidade humanas, confissão dos pecados da autonomia e da onipotência e consagração ao Senhor. Só então se pode experimentar uma profunda mudança espiritual, emocional, relacional e existencial.

Vivemos uma nova vida baseada em humildade, dependência de Deus e serviço ao próximo, estabelecendo vínculos profundos e duradouros no núcleo familiar, no contexto da igreja e da sociedade. As situações de fracasso, intensa inadequação, dor e humilhação são, portanto, transformadas nas mãos de Deus, e a vida ao lado dele se torna mais intensa, frutífera e abundante.
Extraído do livro “MEDITATIO”, de Osmar Ludovico
São Paulo, Mundo Cristão – 2007 , Páginas 87-89.
"Cada instante contigo Senhor
Que passo aos teus pés
Eu sou mais feliz..."
http://www.youtube.com/watch?v=TM0k2wDNTU0

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

OS ADULTOS E AS CRIANÇAS NA FÉ por Osmar Ludovico

Vivemos um momento de grande expansão da Igreja 'Evangélica' no Brasil. Um crescimento sem precedentes alcançando todo o Brasil. Caminhamos pelas principais avenidas das grandes cidades e nos deparamos com muitas igrejas, novas e antigas denominações. Nas pequenas cidades também, no campo, na praia, em todo lugar encontramos crentes. Ligamos o rádio e a TV, e são incontáveis os programas que anunciam o Evangelho. Há convertidos desde as camadas mais humildes da população até as mais abastadas. O movimento evangélico é visto como um segmento que movimenta milhões de reais no mercado editorial, fonográfico e de outros bens e serviços religiosos.

Urge, no entanto, um alerta quanto à qualidade, profundidade e alcance social deste movimento. Um deles diz respeito à leitura da Bíblia. Sabemos que crescemos no amor e no conhecimento de Deus através do estudo e aplicação das Sagradas Escrituras. O que vemos é uma oferta extraordinária de cultos, reuniões, seminários, conferências e encontros, em todo lugar, todos os dias da semana. Isto não significa que o povo está sendo instruído adequadamente nas Escrituras. Senão vejamos: a maior parte dos crentes depende de líderes e pastores que lhe expliquem a Palavra. Esta é uma necessidade premente para novos convertidos, mas o que dizer dos crentes com cinco, dez ou mesmo vinte anos de vida cristã?

Existe a idéia de que Deus fala primeiro e através de homens e mulheres que estudaram num Seminário Teológico e receberam alguma ordenação formal. Estes líderes treinados nas línguas originais, na exegese, na hermenêutica e homilética se tornam intérpretes da Palavra de Deus para a maior parte dos crentes. E passam a impressionar muito mais pela sua oratória, retórica e erudição do que pelo conteúdo e pela vida.

De um lado, vemos crentes que se acomodam sem desenvolver uma prática pessoal de estudo bíblico para que Deus fale com eles diretamente. Tornam-se dependentes de líderes para lerem suas Bíblias, só ouvem a voz de Deus de segunda mão, e não mais cultivam uma relação pessoal com Aquele que pode falar diretamente com eles através de sua Palavra. Do outro lado, vemos pastores e líderes que pregam e ensinam seis, sete vezes por semana e se tornam profissionais da Palavra. Depois de dez, vinte anos fazendo isso, já não lêem mais a Bíblia para si mesmos e não precisam sequer orar para preparar um sermão.

Então retornamos àquilo que a Reforma pretendeu reformar, o clericalismo. Apesar de nos acharmos diferentes da Igreja Católica, não somente temos nossos sacerdotes cuja oração e revelação são praticamente inatingíveis para a maior parte dos crentes, como também temos nossa hierarquia com bispos e apóstolos. O mesmo fenômeno ocorre no louvor, onde a figura do dirigente ocupa este lugar de intermediação entre Deus e os homens.

Acontece, então, como nos ensina a Bíblia, que crentes há um certo tempo, que poderiam se nutrir de alimento sólido, permanecem tomando leite. O alimento sólido é para o adulto, que sai de casa, vai para a feira, escolhe os ingredientes, volta, prepara, cozinha e leva a refeição à mesa, considerando uma dieta balanceada de proteínas, carboidratos, sais minerais e vitaminas. O leite, não, é uma mamadeira dada por alguém, fácil de digerir, alimento para crianças. Quando não temos uma vida devocional pessoal, de oração e estudo das Escrituras, transferimos para os líderes a função de nos nutrir.
E assim continuamos tomando mamadeira.

É tempo de a Igreja ensinar que não precisamos de intermediários para ouvir a voz de Deus. Reconhecemos nossos pastores e líderes como aqueles que Deus levanta para orientar e guiar, e cuja função principal é a de amadurecer os crentes, tornando-os adultos na fé. Que não sejamos mais infantis, dependendo da instrução e dos limites de líderes, mas cresçamos como adultos, andando com nossas próprias pernas na fé, na esperança e no amor.

Osmar Ludovico, extraído do livro “MEDITATIO”, de São Paulo, Mundo Cristão – 2007 , Páginas 146-148.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

SALMOS por Osmar Ludovico


Já faz muito tempo que Santo Agostinho escreveu: “Tu nos fizeste para Ti mesmo, ó Senhor, e o nosso coração é inquieto até que encontre em Ti o repouso”. Viemos de Deus e retornamos a Deus, este é o destino humano.

Lá no fundo do nosso coração existe uma sede que só Deus pode verdadeiramente saciar. São muitos os atalhos que nos anestesiam, como, por exemplo, o ativismo e o consumismo. Mas existe no coração humano a saudade de um amor verdadeiro, uma busca por transcendência e eternidade, e o desejo de um mundo justo e pacífico. É um vazio que só Deus pode preencher.

Vivemos um período de crise, um mundo sem valores, invadido pelo materialismo e de incertezas quanto ao futuro. Muitos se voltam para a religião, buscam alguma forma de espiritualidade. São homens e mulheres tateando em busca de Deus, lotando igrejas, consumindo livros religiosos e também buscando respostas em novas e antigas religiões. Surgiu um mercado religioso envolvendo milhões de fiéis, movimentando muito dinheiro.As conseqüências se fazem sentir na igreja evangélica histórica, herdeira da Reforma. Já não sabemos orar como convém. Só sabemos pedir; nossas orações se resumem a petições sem fim. Não nos lembramos de agradecer, muito menos de confessar nossos pecados.
Começamos perguntando qual o sentido da oração. Para muitos, é um ato religioso praticado comunitariamente. Para outros, um meio de fazer Deus promover nosso conforto. Para outros, ainda, uma catarse emocional. Para nós, cristãos, a oração é uma elevação de nossa alma em direção a Deus.


“O fim principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre”, diz o primeiro artigo do Catecismo Reformado. Madame Guyon, mística francesa, escreve que a experiência da oração possibilita estar com Deus para sempre em divina união. Tereza D’Ávila ora: “Que nada te perturbe, que nada te apavore, tudo passa, só Deus não muda. A paciência tudo alcança. Quem tem Deus, nada lhe falta, só Deus basta”.


Sim, é verdade. Quanto mais amamos a Deus, menos necessidades urgentes e circunstanciais teremos.

O que significa para nós buscar a Deus na oração? Um Deus vivo e pessoal, que se relaciona, mas que ao mesmo tempo é infinito e eterno? Como superar essa distância entre o Criador e o ser criado, entre o eterno e o temporal, entre o infinito e o finito? Como entrar em contato com Ele, que não é um igual, mas o Deus vivo, Criador dos céus e da terra? Aquele que não pode ser aprisionado por uma definição racional, Aquele que as palavras todas não conseguiriam descrever. Como orar para aquele que sabe tudo de nós? “Adonai, tu me sondas e me penetras. Penetras meu repouso, meu despertar e discernes de longe meu desígnio. Avalias meu caminho e meu emparelhamento, freqüentas todas as minhas estradas. Não, a palavra não está na minha língua e tu já penetras toda, Adonai” Sl 139.1-4 (tradução de André Chouraqui em Louvores II, Imago Editora).


Aprendemos a orar com Salmos. Nesse livro, Davi, Core, Moisés, nos conduzem ao centro da oração: o temor, o desejo, os afetos, a realidade humana.

Temor
não é medo que afasta, mas uma profunda reverência e respeito diante dAquele que não compreendemos completamente, dAquele que se revela, mas que continua envolto no mistério, pois não suportaríamos sua presença plena. É o inefável, o inominável, o inescrutável.

O desejo porque fazemos contato com aquela saudade infinita escondida no nosso coração e lançamos sobre Deus toda a nossa busca existencial e espiritual como o náufrago se agarra à bóia.

O afeto porque Deus é amor, é Trindade Santa – Pai, Filho e Espírito Santo intimamente ligados e interpenetrados. Deus que subsiste em si mesmo amando entre os três, e desejando que o amemos e que vivamos amorosamente entre nós.

E finalmente porque tudo isso se situa além do racional e do cognitivo. A oração é poesia, é cântico. É feita de metáforas como alguém que, tendo visitado um país estranho e desconhecido, só pode contar aquilo que viu através de comparações.



Assim, somos convidados por Deus a orar e, assim fazendo, nos unir a Ele. Um convite para nos acercar dEle com temor, com desejo, com afeto, com poesia, com a realidade de nossa vida. Sem esperar nada em troca, apenas para celebrar a Sua existência e o privilégio de sermos amados apesar de nossas iniqüidades.

Osmar Ludovico
http://www.revistaenfoque.com.br/index.php?edicao=78&materia=968
...
"Guarda-me, ó Deus, pois em ti me refugio. Ao Senhor declaro: Tu és o meu Senhor; não tenho bem nenhum além de ti...”
Grande será o sofrimento dos que correm atrás de outros deuses. Não participarei dos seus sacrifícios de sangue, e os meus lábios nem mencionarão os seus nomes...
Senhor, tu és a minha porção e o meu cálice; és tu que garantes o meu futuro. Bendirei o Senhor, que me aconselha; na escura noite o meu coração me ensina!
Sempre tenho o Senhor diante de mim. Com ele à minha direita, não serei abalado. Por isso o meu coração se alegra e no íntimo exulto; mesmo o meu corpo repousará tranqüilo, porque tu não me abandonarás no sepulcro nem permitirás que o teu santo veja corrupção.
Tu me farás conhecer a vereda da vida, a alegria plena da tua presença, eterno prazer à tua direita".
Salmo 16

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

A MARAVILHOSA GRAÇA E A SÉTIMA ARTE - Postado em maio e reeditado

"Alguém vai dizer: Eu posso fazer tudo o que quero. Pode, sim, mas nem tudo é bom para você. Eu poderia dizer: Posso fazer qualquer coisa. Mas não vou deixar que nada me domine... outros dizem assim: Podemos fazer tudo o que queremos. Sim, mas nem tudo é bom. Nem tudo traz beneficio, pelo contrário..." Tradução livre de I Coríntios 6.12 e 10.23

É difícil dizer quando alguma deixa de ser boa, mesmo que por princípio a coisa em si seja inofensiva, incapaz de causar dano ou mal. A linha pode ser muito tênue entre uma coisa e outra, para alguns pode ser questão apenas de ponto de vista ou de interpretação. Virtude ou vício? Bom ou ruim? Benéfico ou maléfico?

Estou num dilema destes. Tenho tido uma prática que até algumas anos atrás era motivo de disciplina, e até de afastamento da comunidade religiosa, quando o sujeito era flagrado nela. Tinha gente que se achava escolhida por Deus para vigiar os irmãos e coibí-la. Pode ser só neura minha, mas vou confessar a você e depois você me dá a sua opinião e conselho.

Ultimamente esta prática tem sido cada vez mais constante, as vezes todos os dias da semana, inclusive o dia santo. A minha dificuldade é lembrar o dia que passei sem exercitá-la, esta semana foi no domingo e na terça, dia de Ceia e de reunião do grupo pequeno. Relendo o que escrevi até aqui, e sabendo que este texto foi esboçado a quase dois meses, estou me dando conta da gravidade da situação.

Fazendo uma avaliação honesta posso dizer que isso virou um hábito, me dei conta que estou virando um cinéfilo. Não passo um dia ser olhar os lançamentos, os horários de exibição, quando passo na frente de minha locadora e estou sem condições de parar, observo os posteres para saber as novidades, até o carrinho de DVD caolho (pirata) está chamando a minha atenção.

Esta semana quase perco a aula de Teologia Prática, a única que estou cursando e a que me falta para conclusão do curso, e olhe que não tenho direito a mais nenhuma falta. Tudo aconteceu porque uma reunião na igreja foi cancelada, então resolvi olhar na programação o filme que poderia ser encaixado, O Homem de Ferro estava lá me esperando pela segunda vez.

Eu ainda não sei onde o Homem de Ferro vai me ajudar com a teologia, mas talvez dê para relacioná-lo com a Carta de Paulo aos Efésios 6.10-18. Vou te dar uma lista do que assisti em uma semana para se ter uma ideia do estou falando, e que tipo de filme chama minha atenção, nesta lista com certeza está faltando algum que não veio a memória.

Vistos:

House - SKY
Homem de ferro 2 - Cinema
Alice no país das maravilhas - Cinema
Os fantasmas de Scrooge - DVD
Garota fantástica - DVD
Defendor - DVD
House - SKY

Para serem vistos:

Mãos Talentosas, Percy Jackson, Criação, Bons Costumes...

Tudo que foi dito acima foi uma introdução e uma espécie de gabarito/currículo para dizer o seguinte: quero lhe indicar três filmes que impactaram a minha vida, e que têm muito em comum. Eu os chamo de a triologia do Bem contra a injustiça - JORNADA PELA LIBERDADE, O GRANDE DEBATE & INVICTUS.

1- Todos invocam a Graça de Deus e estão encharcados por Ela, isso sem serem necessariamente filmes religiosos feitos por religiosos (é uma Graça invisível, mas não imperceptível, assim como Deus é);

2- todos tratam da questão da injustiça sendo confrontada por aqueles que não deixaram de crer e de lutar até o fim, mesmo quando tudo dizia que era impossível;

3- um tem haver com outro no sentido da história linear, como são filmes baseados em fatos históricos, tudo começa com William Wilbeforce lutando contra a escravidão num país que tinha sua economia altamente dependente deste sistema e termina com Mandela reconstruindo uma nação com o poder do perdão, o único que acaba com o ciclo maldito da injustiça.

Você aceita um desafio?

Assista na sequência estes três filmes, se você não for impactado pela coragem, fé, e ousadia, nos momentos em que a aflição, o sofrimento, a humilhação e a dor são cruciantes e parecem insuportáveis, e ver que aparentemente do nada há um poder que os levanta da prostração e os fazem triunfar. Se você assistí-los e não lhe fizer bem, nem renovar uma ponta de Esperança na sua existência, pode mandar a conta...

BM

JORNADA PELA LIBERDADE - A surpreendente, extraordinária, e maravilhosa Graça na vida de um homem comum




O GRANDE DESAFIO - O debate do século



INVICTUS - O poder do Perdão



No mesmo tom:

http://ancoradalma.blogspot.com/2010/02/invictus-o-poder-do-perdao.html

A Teologia de Avatar

Osmar ludovico - Cinema, um olhar crítico


Novas indicações de filmes com Graça:

Mãos talentosas - com Cuba Good Junior (bom demais)

Jornada Pela Justiça - The Wronged Man (Excelente)