"Temos esta Esperança como âncora da alma, firme e segura, a qual adentra o santuário interior, por trás do véu, onde Jesus que nos precedeu, entrou em nosso lugar..." (Hebreus 6.19,20a)
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sábado, 1 de agosto de 2020

Casamento em Resistência e Submissão | Por Maurício Avoletta Júnior

Stat Crux Dum Volvitur Orbis
(A Cruz permanece intacta enquanto o mundo dá voltas)

Há uma coletânea de cartas e sermões de Dietrich Bonhoeffer, o teólogo alemão que morreu em um campo de concentração nazista, chamada Resistência e Submissão. Nela, somos apresentados a escritos de um Bonhoeffer que, mais do que uma figura de resistência ao nazismo, tornou-se um exemplo de resistência à sociedade secularizada. Ele vivenciou o pior do ser humano e sentiu na pele os males do secularismo, mas, ainda assim, se posicionou como parte da resistência.

Da Igreja primitiva à Igreja Confessante da segunda grande guerra, sempre fomos resistência a algum aspecto da cultura vigente. Fomos, por diversas vezes, resistência ao Estado, às culturas pagãs, às perseguições e, mais recentemente, ao secularismo. Contudo, embora nossa resistência seja dinâmica, nossa submissão não é; ela sempre foi e sempre será ao senhorio de Cristo. Resistimos ao tempo e nos submetemos à vontade de Deus.

Hoje em dia, um dos modos de resistência e subversão sistêmica é o casamento. Em uma cultura hedonista e egocêntrica, escolher, deliberadamente, viver em função de uma outra pessoa é a maior ofensa ao sistema e ao Zeitgeist. Desejar, como casal, conformar-se à imagem de Cristo, mais do que um ato de resistência, é incitar uma revolução nas bases de uma sociedade moribunda.

O casamento é a figura sacramental do relacionamento de Jesus Cristo com sua noiva, a Igreja. É nele que somos moldados e transformados segundo a boa, perfeita e agradável vontade de Deus. É nele que somos guiados por Nosso Senhor à santidade. Mais do que um relacionamento baseado em sentimentos, paixões e desejos sexuais, o casamento é um relacionamento baseado na caridade, no amor. Não o amor cor de rosa e hollywoodiano, mas o verdadeiro amor que se doa e busca o bem do outro em primeiro lugar.

Em uma época onde adultos agem como adolescentes e adolescentes agem como crianças, escolher amadurecer e viver os planos de Deus é optar pela subversão. Desejar uma vida ordinária e comum em detrimento de uma extraordinária, cheia de aventuras e de situações propícias para a divulgação em redes sociais, é nadar contra a correnteza de um mundo secularizado e sem esperanças.

A subversão de Bonhoeffer foi submeter-se ao senhorio de Cristo, num mundo onde todos estavam se submetendo às ideologias. A subversão de nossa época é mostrar que existem valores eternos e inegociáveis. É mostrar que nossa existência é submissa à vontade de Deus e não às tendências do momento. De fato, a vida do cristão sempre foi e sempre será, até a volta de Nosso Senhor, marcada de resistências ao espírito de nossas respectivas épocas e submissão ao senhorio de Cristo.

Maurício Avoletta Junior, 25 anos. Congrega na Igreja Batista Fonte de Sicar (SP). Formado em Teologia pela Mackenzie, estudante de filosofia e literatura (por conta própria); apaixonado por livros, cinema e música; escravo de Cristo, um pessimista em potencial e um futuro “seja o que Deus quiser”.

quinta-feira, 25 de julho de 2019

A SALVAÇÃO TODA por Elben César

A SALVAÇÃO TODA


Estamos cometendo uma injustiça muito grande. Não passamos para o rebanho as boas novas da salvação (Lc 2.10-11). E, quando passamos, mencionamos apenas partes da salvação e, não, a salvação toda.

A salvação toda cobre o passado, o presente e o futuro do rebanho. É por esta razão que falamos acertadamente que fomos salvos, somos salvos e seremos salvos. Fomos salvos da culpa do pecado, somos salvos do poder do pecado e seremos salvos da presença do pecado. Em termos teológicos, a salvação no passado chama-se justificação, a salvação no presente, santificação e a salvação no futuro, glorificação.

A salvação toda começa quando o pecador, prestes a se afogar, agarra-se à corda que lhe é lançada pela graça de Deus. Então, ele escapa da morte eterna. Mas ainda terá grandes dificuldades dentro dele mesmo e ao seu redor. Quer fazer o bem e não consegue.

Deus novamente vem em seu auxílio e lhe dá meios de graça e o poder do Espírito Santo para sobreviver. Todavia, o pecador, mesmo agradecido, quer mais alguma coisa da parte de Deus. Ele aspira à santidade total, a troca de seu corpo mortal e corruptível por outro não mortal nem corruptível, a troca de seu meio ambiente por novos céus e nova terra. É aí que vai terminar a salvação toda, quando Deus redimir tudo, até a criação, que agora geme e suporta angústias (Rm 8.18-23).

A salvação sem santidade gera escândalo, a salvação sem glorificação gera decepção. A salvação toda inclui o começo, a continuação e a consumação. Não podemos pregar só o começo, nem só a continuação nem só a consumação.

Os pastores precisam anunciar a salvação abrangente e o rebanho precisa desenvolver sua salvação com temor e tremor (Fp 2.12).

Não fique parado!

Se você é vagaroso para crer no Jesus do Evangelho, não fique desanimado nem desista da caminhada. Alguns custam a entender e demoram a crer. A começar com os próprios discípulos do Senhor (Veja a história de Nicanor, em Da Páscoa ao Pentecostes).

Vá em frente. Insista. Reprima a incredulidade e alimente a capacidade de crer. Descomprometa-se com o pecado conhecido, pois o pecado é um entrave à fé. Confesse a Deus suas limitações, sua cerviz dura, sua indisposição para crer, seu orgulho, sua dor. Suplique a misericórdia divina, seu perdão, sua força, sua manifestação. Abra a Bíblia e leia com regularidade, com atenção, com boa vontade, com humildade: “A fé vem por ouvir a mensagem, e a mensagem é ouvida mediante a Palavra de Cristo” (Rm 10.17, NVI). Faça amizade com pessoas que já crêem para receber alguma influência da parte delas. Freqüente uma igreja acolhedora, honesta, onde Jesus é anunciado, seja ela qual for.

Você precisa de cura. Apatia religiosa é doença. Incredulidade é doença. Apego ao pecado é doença. Preconceito é doença. Comece o tratamento. Tenha coragem de começar e coragem de continuar. Talvez você fique completamente bom muito logo. Mas não fique parado.

Por Elben César

terça-feira, 1 de outubro de 2013

NEM DENTRO NEM FORA por Ricardo Barbosa

Blaise Pascal (1623–1662), o grande físico, matemático e teólogo francês, em seus “Pensamentos”, falando sobre a grandeza do homem, afirma o seguinte: “Os estoicos dizem: Tornai a entrar dentro de vós mesmos; é aí que encontrareis o vosso repouso: e isso não é verdadeiro. Outros dizem: Saí e buscai a felicidade divertindo-vos: e isso não é verdadeiro. […] a felicidade não está nem em nós, nem fora de nós; está em Deus, tanto fora como dentro de nós”.

Tenho a impressão de que as tentações mais sutis nos são apresentadas aos pares: ou isto ou aquilo, ou dentro ou fora. Todas as vezes em que optamos por uma, somos levados a negar, ou a minimizar, a outra. Exemplo: Amamos a Deus para então obedecer-lhe ou obedecemos-lhe para então amá-lo? Servimos ao próximo porque esse é o nosso chamado ou precisamos primeiro sentir o chamado para então servir? O que é mais importante: A razão ou a emoção? A convicção ou o sentimento? 

A escolha entre um e outro, ou mesmo a tentativa de valorizar um em detrimento do outro, tem tornado a fé de muitos cristãos morta, levado inúmeros casamentos ao fim, comprometido a ética e a moral e contribuído com uma espiritualidade frágil e confusa. 

Quando Pascal afirma que “a felicidade não está nem em nós, nem fora de nós; está em Deus, tanto fora como dentro de nós”, ele não propõe um equilíbrio entre uma coisa e outra, mas uma compreensão completamente diferente. Ao afirmar que a felicidade está em Deus, ele muda não só o foco da discussão -- dentro ou fora --, mas também o eixo da discussão, afasta o “nós” e coloca “Deus”. 

Quando o apóstolo Paulo afirma que Deus fez convergir todas as coisas em Cristo (Ef 1.10), ele reconhece que em Cristo encontramos a síntese, a unidade, de todas as coisas. A felicidade não está nem dentro, nem fora de nós, mas nele. A verdade não é isso ou aquilo, mas ele. Em Cristo, o amor e a obediência são uma coisa só, a fé e as obras nunca estão dissociadas. As convicções e os sentimentos estão alinhados e a mente e as emoções não são realidades distintas e, muitas vezes, paradoxais. 

A fé que temos em Cristo nos revela um novo jeito de ser e de perceber as coisas. Em Cristo, Paulo considerava-se livre, mesmo estando acorrentado numa masmorra qualquer do Império Romano. A liberdade não era definida por viver desta ou daquela forma. Ele era tão livre a ponto de escolher ser escravo por amor à Igreja. A fé em Cristo nos confere uma nova identidade que não depende mais de nós, mas dele. Como disse Paulo, “já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim”. Quanto mais estou nele, mais me reconheço pleno e real. 

A vida do Filho estava no Pai. O Pai era a fonte integradora de todas as coisas. A violência do mundo não fazia sentido, mas a confiança e a entrega do Filho ao Pai fizeram com que seu amor pelo ser humano não fosse abalado pela violência que sofreu. Sua segurança ou alegria não eram internas ou externas, mas o próprio Pai. É somente por causa dessa compreensão que Jesus pode dizer, no momento mais crítico de sua existência: “Eu venci o mundo”. Aos olhos de todos, era um derrotado, mas não era assim que ele se via. Quanto mais eu me encontro em Cristo, mais livre e verdadeiro me torno. 

Quanto mais eu vivo nele e por ele, mais seguro me encontro. Minha alegria, confiança, felicidade, dignidade e meu reconhecimento não estão numa coisa ou noutra, nem dentro, nem fora, mas nele, que tudo me proporciona para minha plena realização. 

• Ricardo Barbosa de Sousa é pastor da Igreja Presbiteriana do Planalto e coordenador do Centro Cristão de Estudos, em Brasília. É autor de, entre outros, “A Espiritualidade, O Evangelho e a Igreja”.
http://www.ultimato.com.br/revista/artigos/344/nem-dentro-nem-fora

sábado, 28 de setembro de 2013

PEQUENOS GRUPOS (CÉLULAS) - JUNTOS COMPARTILHANDO A VIDA, A FÉ E O AMOR

Tive o privilégio de ouvir durante a semana estas duas mensagens de Deus. Achei que as duas se completam e tem tudo haver com a proposta de Deus para o pequeno ajuntamento, a igreja de casa em casa - Se puderem assistam do começo ao fim!

Ed René Kivitz - O EVANGELHO TODO PARA O HOMEM TODO


Alcimou Barbosa - ENCONTROS QUE FACILITAM



quarta-feira, 6 de junho de 2012

ENTREGA | Rubem Amorese


Deixe pra lá! Releve! Perdoe!

Tenho percebido que essas são palavras difíceis para algumas pessoas, e fáceis para outras. E o que está por trás dessas atitudes me intriga. 

Parece que algumas pessoas têm uma grande capacidade de “deixar pra lá”, de relevar uma ofensa, de esquecer um agravo. É como se não se apegassem às coisas. Na hora da perda, não sofrem muito. Porém, não lutam tanto pelo que acham importante. Sem luta, não há vitória. 

Outras parecem incapazes de abrir mão. Então, tudo o que a vida lhes tira, produz a dor de um assalto, de uma violência.

Entre estas últimas, as que mais me chamam atenção são aquelas que não “abrem mão” de suas razões. Seja em uma simples conversa, que acaba em discussão, seja em uma questão de direito, apegam-se às suas razões até às lágrimas. E se, após muitas lutas, essas coisas lhes são “tomadas”, entram em desespero de morte. 

As pessoas do primeiro grupo sofrem menos, por não se apegarem demasiadamente. Não lutam tanto, não retêm tanto. Não perdem muito, mesmo quando são abusadas.

Entretanto, conheço gente que é capaz de se lembrar de todas as violências sofridas ao longo da vida. Coisas que lhes foram tiradas, batalhas perdidas, conversas encerradas, desconsiderações, injustiças, votos vencidos, estão todos lá, no depósito de passivos, de haveres, aguardando ressarcimento.

Sim, a vida (que acaba assumindo nomes de pessoas) lhes deve. Se algo nunca foi entregue, então lhes foi tomado. Se nunca foi perdoado, ainda é “dívida ativa”. Se nunca foi esquecido, está registrado para oportuna cobrança.

Talvez uma pessoa assim considere aquele que “deixa pra lá” um leviano. E talvez o que releva e esquece considere aquele que não “abre mão” um infeliz briguento. 

Lembro-me de ter “deixado pra lá” direitos de consumidor, só para não arranjar briga. Porém, lembro-me de ter “pendurado” ofensas, aguardando o pedido de desculpas. Recordo-me de ter dado razão a quem não a tinha, para preservar a amizade, e de ter “aberto mão” da amizade por não achar justo “deixar barato”.

Certa vez, deparei-me com uma frase usada em um curso para noivos: “O que você prefere: ter razão ou ser feliz?” -- como que a dizer que, se eu quisesse ter sempre razão, seria infeliz! Será que essa pergunta não nos ajudaria a definir melhor a qual grupo pertencemos?

Eu confesso: naquele exato momento me descobri preferindo ter razão. E argumentei para mim mesmo que a felicidade, à custa do que é certo, não vale a pena. Senti-me como a formiga invejosa, criticando a alegria “irresponsável” da cigarra.

Nesse momento, ouvi a palavra de Paulo aos coríntios conflagrados: “[...] por que não sofreis, antes, a injustiça? Por que não sofreis, antes, o dano?” (1Co 6.7).

Ocorre-me então que talvez a atitude correta não seja o “deixar pra lá”, mas a entrega. Em vez de esquecer, entrego meus direitos, bens e razões ao reto Juiz. Assim, as coisas não ficarão sem consequência, sem julgamento, sem resposta. Contudo, estarei “deixando pra lá”, em um ato de fé, para ser feliz.

Imagino que, por esse caminho, Deus me acrescentará o orar pelos meus inimigos e me alegrará ao vê-los abençoados.


• Rubem Amorese é presbítero na Igreja Presbiteriana do Planalto, em Brasília, e foi professor na Faculdade Teológica Batista de Brasília por vinte anos. Antes de se aposentar, foi consultor legislativo no Senado Federal e diretor de informática no Centro de Informática e Processamento de Dados do Senado Federal. É autor de, entre outros, Louvor, Adoração e Liturgia e Fábrica de Missionários -- nem leigos, nem santos. ruben@amorese.com.br

sábado, 21 de janeiro de 2012

ALGUÉM SUPERIOR A VOCÊ | Stephen Kanitz

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Lembrem-se! No final do jogo de xadrez, o peão e o Rei voltam para a mesma caixinha.
Viajei uma vez de classe executiva, e ao meu lado um senhor de terno, cara de executivo, lendo a Bíblia.
Achei que fosse um destes bispos de igrejas que visam o lucro viajando com todo o conforto do mundo, mas era na realidade um Vice Presidente de uma empresa subsidiária da Alcoa.
Perguntei porque ele estava lendo a Bíblia.
"Como Vice Presidente de uma grande empresa eu tenho muita influência e poder sobre a vida de milhares de pessoas. Se eu não tomar cuidado, este poder pode subir à minha cabeça, o que causaria muita infelicidade.
Por isto, acho importante ir todo domingo à Igreja, para relembrar que existe uma pessoa mais poderosa e muito mais sábia do que eu."

Eu já ouvi muitas razões para se ir todo domingo à Igreja, mas esta era uma ideia nova.
Achei uma razão muito interessante para ir até uma Igreja toda semana, não para pedir perdão ou pedir ajuda.
Mas como uma forma para que aqueles que comandam o poder tenham o bom senso de baixar a bola, perceber todo domingo o limite da prepotência, fazer semanalmente um ato de humildade e ficar de joelhos como todos nós.
A classe dominante de ontem ainda acreditava em Deus, mas nestes últimos 50 anos foi substituída por outra classe que já não acredita em algo superior a História, que não vai à Igreja mostrar humildade, nem jogar um balde de água fria na arrogância.
A nova classe dominante das universidades, da mídia, dos líderes dos movimentos sociais, dos políticos e da maioria dos intelectuais passaram a acreditar que não há ninguém superior a eles, que eles sabem tudo, que mudarão o mundo sem ter que prestar contas a mais ninguém. Os fins justificam os meios.
Intelectuais mandam cada vez mais nas nossas vidas, achando que são os czares da economia, altruístas da Sociologia, protagonistas da História, endividando países ao seu bel prazer, congelando preços e salários, sequestrando nossa poupança, destruindo o capital social deste país, retirando 38% da renda de seus legítimos donos, e assim por diante.
Como eles sabem tudo, os fins justificam os meios, afinal eles são superiores.
Para os social democratas, como o PSDB, bastava colocar 100 intelectuais em postos chaves, as melhores cabeças deste país, e tudo ficaria resolvido.  
Mal sabem que hoje em dia não basta uma centena de intelectuais para administrar um país.
O número mais próximo seria no mínimo os 12 milhões de membros da chamada classe média, que está sendo deliberadamente destruída pelos intelectuais que não querem competição.
Se você intelectual, que não acredita em Deus, e por isto não quer ir para a Igreja uma vez por semana, para não mostrar aos seus correligionários que acredita que existe algo superior à sua ciência, pelo menos seja humilde como o Vice Presidente da Alcoa.
O sofrido povo do Brasil agradece.

domingo, 1 de janeiro de 2012

LEIAMOS A BÍBLIA!

Após servir 30 anos como pastor, ele concluiu que o analfabetismo bíblico é violento, e afirmou: a Bíblia é o mais vendido, o menos lido e o menos compreendido de todos os livros". 

George Gallup, o mais conhecido pesquisador religioso nos EUA, concorda com a opinião desse desconhecido pastor, e acrescenta: "Reverenciamos a Bíblia, mas não a lemos". Numa recente pesquisa, 64% dos entrevistados informaram que estavam ocupados demais para a leitura da Bíblia. A maioria das famílias tem em média três Bíblias, mas menos da metade dessas pessoas sabem o nome do primeiro livro do Antigo Testamento. Outra pesquisa revelou que 12% dos entrevistados que se denominavam cristãos identificaram a esposa de Nóe como Joana D'arc! 

Qual a solução? Ler a Bíblia! Una-se a mim no compromisso de ler a Bíblia em um ano. Nós precisaremos de aproximadamente 15 minutos para lermos 4 capítulos por dia (Em 300 dias leremos os seus 1189 capítulos). Estamos ocupados demais para isto? 

O objetivo não é a informação, mas a transformação! Alguém resumiu 2 Timóteo 3.16, dizendo: " A Palavra de Deus nos mostra que caminho seguir (Doutrina = Ensino); como retornar ao caminho (correção); e como permanecer nele (instrução na Justiça)". 

A Palavra de Deus é um precioso Presente. Por isso, leiamos durante o próximo ano. 

DCM - Extraído do devocional Nosso Andar Diário dia 31 de Dezembro.

...
"Toda a Escritura nos foi dada por inspiração de Deus e é útil para nos ensinar o que é verdadeiro e para nos fazer compreender o que está errado em nossas vidas; ela nos endireita e nos ajuda a fazer o que é correto. Ela é o meio que Deus utiliza para nos tornar bem preparados em todos os pontos, perfeitamente habilitados para toda boa obra".
2 Timóteo 3.16,17 - Nova Bíblia Viva ( A Bíblia que estou lendo no momento)

Altamente recomendado, CONHEÇA SUA BÍBLIA com Ed René Kivitz: http://ibab.com.br/conhecasuabiblia.php

Primeiro palestra da série de 8 do Conheça sua Bíblia:

Bíblia, palavra de Deus - Parte 1 from IBAB on Vimeo.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

A CONEXÃO DE JOBS | BM

Todo mundo é inspirado por alguém. Modelos nos são essenciais. 

O humano (o animal racional) não é só instinto, ele não vinga se não receber cuidado como alimento e abrigo, e vira bicho se não receber afeto e orientação. Recebemos uma herança bio-psico-social que forma o que somos, somos iguais no contexto, mas diferente no produto. Dividimos a mesma casa, a mesma família, a mesma escola mas no final nos tornamos diferentes, viramos Pessoa(L).

Penso que o que mais nos torna diferentes são os modelos (pessoas que queremos ter a forma e conteúdo) que adotamos. Os pais são para sempre o parâmetro de modelo (mesmo que seja antítese deste), mas nem sempre são o nosso modelo ideal. Aliás o ideal nem sempre é o ideal, mas cada um tem o seu.

Pessoas que nos inspiram são quase sempre modelos para nós. Quase sempre elas nos inspiram por aquilo que fazem e não por aquilo que são. É difícil separar o criador daquilo que ele faz, mas quanto ao material humano é questão de vida fazê-lo.

Conhecemos a história de um governante que assumiu o seu país em caos: a economia devastada por causa da crise mundial, e um povo com orgulho ferido por causa de uma guerra. Em menos de dez anos este governante tornou este país numa super-potência econômica e mundial, devolveu ao povo seu orgulho e lhe deu esperança. Grande feito deste homem, seu nome era Hitler. O que ele fez foi formidável para aquele povo (por um pequeno período de tempo), como ele fez foi detestável, odioso, faltam até palavras para descrever.

Esta semana recebemos com pesar a notícia da morte Steve Jobs, fundador da Apple. Grande foi a repercussão em todos os meios, inclusive nas mídia sociais. Jobs (trabalho?) era um cara admirado por muitos por sua criatividade, liderança inovadora e visão. Uns dos motes de Jobs era que precisamos ter paixão por aquilo que fazemos, e ele estava certo. Jobs falava isto de cátedra, poucos eram tão apaixonados pelo que fazia como ele. A prova é como a Apple se reinventava quando sob sua liderança. 

Jobs Era considerado um gênio, mesmo sem ter concluído uma educação formal, tirou proveito do que tinha as mãos e viveu uma vida muito longe da mediocridade. Foi um cara de muito sucesso e por isso muito admirado!

Sucesso é o selo de aprovação da vida de alguém. Esta é a mentalidade deste século (moderno ou pós-moderno)! Se você é alguém que faz algo bem feito você é provavelmente uma pessoa de sucesso. Não importa muito que tipo de pessoas você é, mas o que você faz. Seu valor como pessoa é determinado quase sempre pelo produto que você apresenta, pela coisa que você faz. É um processo sem volta de coisificação da vida!

Ontem ouvi uma pregação do Levi Araújo na IBAB, o texto foi de Apocalipse 5 a 7. Levi falou muitas coisas, mas pediu que a gente se lembrasse de três (muito difíceis): Confie sempre em Deus, Ore ao Senhor, e Sirva a Deus (servindo as pessoas). Algo que me impressionou com a morte de Jobs foi a sua repercussão e os sentimentos dos que se pronunciaram. Tenho um amigo fã de carteirinha de Jobs, e sei que ele se sentiria triste, me senti assim com Senna. Desde que percebi isto venho tentando relacionar este fato com a fé cristã e com o Reino de Deus.

A legião de Admiradores de Jobs é bem maior do que pensava. Googlezei hoje buscando conhecer um pouco da fé, da espiritualidade de Jobs, percebi que ele como algumas "personalidades" manteve aspectos da vida privada para si e não gostava de se expor, provavelmente com medo de ser mal interpretado ou por conveniência. Bom, eu não descobri se Jobs Confiava sempre em DeusOrava ao Senhor, e Servia a Deus (servindo as pessoas). 

Sim, e eu com isso? (você deve estar se perguntado)

Em relação a Jobs não vale a pena matutar onde ele está agora, só sei que se o seu corpo já não foi queimado, vai virar pó. Quanto ao espírito só Deus sabe se ele estava conectado ao Espírito de Deus. Em relação ao seu legado espero que seja mais Gadgets, espero que a vida dele lhe inspire a ser gente. Pessoa e não coisa.


Quanto ao que Deus pensa sobre sucesso é questão de vida e morte conhecer seu ponto de vista - olhe para Jesus, conheça sua vida e obra que está nas escrituras, veja o selo de aprovação divino que Ele recebeu, morreu numa cruz e foi ressuscitado dentre os mortos para receber o título de Senhor dos senhores e Rei dos reis. 

Jesus foi o único que viveu Confiando sempre em DeusOrando ao Senhor, e Servindo a Deus (servindo as pessoas) sem se desviar disso por nenhum segundo. Por causa da Sua vida derramada Ele nos reconciliou com Deus. "Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas, cada um andava no seu próprio (des)caminho. Mas o Senhor fez cair sobre Ele toda a nossa maldade".


E muito mais, além de nos trazer perdão e paz, Jesus é nosso advogado 24hrs, médico, amigo, e acima de tudo mestre e Senhor. Jesus é nosso modelo e nosso projeto final (Romanos 8.28-30). 

A melhor forma de servir a Deus servindo as pessoas é sendo uma testemunha de Jesus, de Seu amor e de Sua graça,  construindo pontes entre elas e Deus, Orando por elas e apresentando Jesus, aquele que nos ensina a Confiar sempre em DeusOrar ao Senhor, e Servir a Deus (servindo as pessoas). 


Steve Jobs contribuiu muito para as pessoas se  conectarem umas com as outras, mas só a cruz de Jesus nos conecta com O Pai e com nosso próximo, é como diz o poeta: "Jesus é a aliança entre você e eu". E nós como discípulos dEle somos uma conexão de Deus com o mundo. 


sábado, 1 de outubro de 2011

COMO UM BARCO ENCALHADO

"Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas dentro de mim?
Espera em Deus, pois ainda o louvarei pela salvação que há na sua presença".
Salmos 42:5

Em agosto de 1918, um saveiro estava sendo puxado por um rebocador no Rio Niagara quando o cabo se quebrou. As fortes correntezas logo conduziram o barco em direção às cataratas. Quando estava para cair, o barco encalhou em algumas rochas bem acima das quedas. Os dois homens que estavam a bordo foram salvos apenas no dia seguinte. Eles passaram uma noite de terror, pois, esperavam a qualquer momento despencar para a morte. Isso aconteceu faz quase noventa anos e a velha barcaça continua lá, no mesmo lugar até hoje. Jamais aconteceu a queda prevista. Os dois homens se preocuparam por nada.

A esperada queda do barco, que trouxe ansiedade e desespero àqueles homens não aconteceu, da mesma forma que a maioria dos problemas que tiram nossa paz e alegria também não nos atingirão.

Aqueles que aprendem a confiar no Senhor, deixando todo temor à margem, são os que vencem as batalhas da vida e gozam das bênçãos abundantes de Deus. Portanto, não se deixe abater pelas lutas de seu dia-a-dia, enfrente-as com coragem e determinação, pois, a alegria do Senhor será sempre a sua força. A preocupação é como um barco encalhado nas pedras. Ela nunca levará você a lugar algum!

terça-feira, 26 de abril de 2011

POR QUÊ SERÁ QUE VOCÊ CONFESSA A JESUS E CONTINUA SEM DEUS? por Caio Fábio

"Jesus (ressuscitado), aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide (indo, no original), portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século".


Mateus 28.18-20


As garantias de Jesus foram todas. Ele não estaria mais fisicamente presente, mas, em compensação, sem limites de geografia, tempo e espaço, estaria conosco todos os dias, sem jamais nos deixar órfãos, pois, enviaria de Si mesmo, o Espírito Santo, o Consolador, Aquele que Caminha Junto, que habitaria conosco e estaria em nós, revelando a cada dia mais de Jesus, e levando-nos a conhece-Lo em todos os nossos caminhos, crescendo em verdade e graça, andando em amor, conforme o entendimento segundo o Evangelho.

Enquanto isto, como decorrência natural dos efeitos da Palavra da Vida em nós, “indo...” onde quer que fossemos, seríamos Testemunhas de Seu amor e graça, visto que Seu chamado não era para que “déssemos testemunhos”, mas antes para que “fossemos testemunhas”. Antes de ser um chamado para fazer é uma convocação para ser.

Enquanto isto, Ele garantiu que faria sinais, prodígios e maravilhas, confirmando a Palavra vivida e anunciada por nós, sendo que Ele mesmo nos levaria a realizar obras maiores que as Dele, pois, receberíamos do que é Dele, e Nele viveríamos.

Ele também garantiu de que se fôssemos postos em provas, Ele mesmo estaria alí, dando-nos sabedoria, e dizendo-nos o que dizer. E garantiu que pisaríamos com os pés a serpentes e escorpiões, e que subjugaríamos, Nele, todo poder do maligno.

Justamente em razão disso, de Sua Presença, de Seu carinho diário, de Seu amor manifesto como Verdade libertadora, como Graça para ocasião própria, e como poder de Deus em nossos corações, é que Ele manda que andemos com esperança, com fé, olhando para o alto, confessando um futuro de Glória, e até mesmo nos regozijando nas dificuldades desta existência.

Sua ordem, entretanto, era para que todo aquele que dissesse que confiava Nele, manifestasse isto mediante atos de misericórdia, verdade, justiça e amor, que são os conteúdos existenciais do Evangelho.

Isto porque o Evangelho não é um conjunto de história e nem um monte de palavras lindas, mas sim, antes de tudo, é espírito de amor, graça, justiça, paz e misericórdia.

Quem, em qualquer lugar, tiver discernido que Deus é assim, então, não importando quem seja, nem onde esteja, o que saiba ou deixe de saber, tal pessoa terá a Presença com ela.

Porém, se alguém se diz cristão, chama a Jesus de Senhor e Salvador, porém, apesar disso, e em contradição com isto, vive sem amor, compaixão, verdade a começar de si mesmo, justiça bondosa, bondade justa, e o desejo de fazer a misericórdia triunfar sobre o juízo —, então, tal pessoa, mesmo conhecendo as histórias e os ensinos do Evangelho intelectualmente e como uma bela informação, não provará a Presença, pois, o “indo...” acerca do qual Jesus falou quando mandou “fazer discípulos” e contar com Sua presença até o fim dos séculos, não é um movimento geográfico, mas, antes disso, interior, e que põe o individuo, bem antes do que no chão de alguma “missão”, no chão do coração, no qual a viagem verdadeira é feita.

Ora, neste ambiente onde a missão de ser se inicia, o que vale não é saber a história de Jesus, mas viver a história conforme o espírito de Jesus.

O que temos hoje no chamado mundo cristão é um monte de gente carente, doente, sem a experiência de Deus, sem paz, deformadas pelas ambições de falsa espiritualidade, existindo apenas no mundo das performances e das superficialidades, enquanto vivem cheias de inveja; confessando-se santas, enquanto estão taradas; dizendo-se povo de Deus, mas sem conhecer o caminho da pacificação interior; cheias de juízo, e que é do tamanho de sua falta de consciência de justificação na Graça, mediante a fé.

Ora, tais pessoas, como não conhecem a Deus, vivem buscando preencher esse vazio com cultos e mais cultos, com cargos eclesiásticos, com atividades missionárias, com corais, com mil obrigações expiatórias; e entregam-se ao comando espiritual de fabricantes de ídolos cristãos, que são as poções mágicas oferecidas em troca de contribuições em dinheiro, escondendo algo que se disfarça sob a nomenclatura de evangélico, e que é a coisa mais falsa que se poderia criar na Terra em nome de Jesus.

Esta, todavia, também é a razão das pessoas crentes serem tão infelizes, pois, trocaram Jesus pela “igreja”, deixaram o Evangelho, e se entregaram a “doutrinas e mandamentos de homens”.

Para tais pessoas, mesmo que confessem o nome de Jesus, não há paz para o coração. Sim, porque conhecem um nome, mas jamais provaram a Pessoa; e conhecem doutrinas, mas não estão tomadas pelo espírito da Palavra, que é o que se torna vida em nós.

Quando o coração discerne o Evangelho e seu significado Hoje, então, quando lê nos evangelhos a promessa que diz “eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos”, já não a lê como algo distante; e, nem tampouco diferente do significado dessas mesmas palavras para os primeiros discípulos.

Para quem conhece a Deus em espírito e em verdade, conforme Jesus, este Estou Convosco é verdade. E é verdade todos os dias, todas as horas, em todos os caminhos, e até mesmo nos enganos.

E porque Ele está presente, Ele mesmo nos corrige em Seu justo amor. E porque Ele está presente, Ele mesmo é nosso Pastor em todos as veredas. E, assim, aprende-se que não há lugar para fugir de Sua presença. Sim, Ele não só está Presente, mas Sua Presença também nos Persegue.

Quando Ele está presente não há como não viver cheio de muita esperança e alegria; e, sobretudo, olhando para o alto, de onde vem nossa Absoluta Redenção.

Enquanto isto, indo... o nosso próprio caminhar Nele gera novos discípulos, os quais, não nos pertencem, pois, somente a Ele pertencem, visto que foram comprados pelo Seu sangue, e não pelo nosso.

Experimente crer e confiar. Você verá a Tumba de Jesus vazia, e o ouvirá dizer: “Pare de Chorar! Eis que estou com você todos os dias!”

Nele,

Caio

http://www.caiofabio.net/2009/conteudonews.asp?codigo=3

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

OS ADULTOS E AS CRIANÇAS NA FÉ por Osmar Ludovico

Vivemos um momento de grande expansão da Igreja 'Evangélica' no Brasil. Um crescimento sem precedentes alcançando todo o Brasil. Caminhamos pelas principais avenidas das grandes cidades e nos deparamos com muitas igrejas, novas e antigas denominações. Nas pequenas cidades também, no campo, na praia, em todo lugar encontramos crentes. Ligamos o rádio e a TV, e são incontáveis os programas que anunciam o Evangelho. Há convertidos desde as camadas mais humildes da população até as mais abastadas. O movimento evangélico é visto como um segmento que movimenta milhões de reais no mercado editorial, fonográfico e de outros bens e serviços religiosos.

Urge, no entanto, um alerta quanto à qualidade, profundidade e alcance social deste movimento. Um deles diz respeito à leitura da Bíblia. Sabemos que crescemos no amor e no conhecimento de Deus através do estudo e aplicação das Sagradas Escrituras. O que vemos é uma oferta extraordinária de cultos, reuniões, seminários, conferências e encontros, em todo lugar, todos os dias da semana. Isto não significa que o povo está sendo instruído adequadamente nas Escrituras. Senão vejamos: a maior parte dos crentes depende de líderes e pastores que lhe expliquem a Palavra. Esta é uma necessidade premente para novos convertidos, mas o que dizer dos crentes com cinco, dez ou mesmo vinte anos de vida cristã?

Existe a idéia de que Deus fala primeiro e através de homens e mulheres que estudaram num Seminário Teológico e receberam alguma ordenação formal. Estes líderes treinados nas línguas originais, na exegese, na hermenêutica e homilética se tornam intérpretes da Palavra de Deus para a maior parte dos crentes. E passam a impressionar muito mais pela sua oratória, retórica e erudição do que pelo conteúdo e pela vida.

De um lado, vemos crentes que se acomodam sem desenvolver uma prática pessoal de estudo bíblico para que Deus fale com eles diretamente. Tornam-se dependentes de líderes para lerem suas Bíblias, só ouvem a voz de Deus de segunda mão, e não mais cultivam uma relação pessoal com Aquele que pode falar diretamente com eles através de sua Palavra. Do outro lado, vemos pastores e líderes que pregam e ensinam seis, sete vezes por semana e se tornam profissionais da Palavra. Depois de dez, vinte anos fazendo isso, já não lêem mais a Bíblia para si mesmos e não precisam sequer orar para preparar um sermão.

Então retornamos àquilo que a Reforma pretendeu reformar, o clericalismo. Apesar de nos acharmos diferentes da Igreja Católica, não somente temos nossos sacerdotes cuja oração e revelação são praticamente inatingíveis para a maior parte dos crentes, como também temos nossa hierarquia com bispos e apóstolos. O mesmo fenômeno ocorre no louvor, onde a figura do dirigente ocupa este lugar de intermediação entre Deus e os homens.

Acontece, então, como nos ensina a Bíblia, que crentes há um certo tempo, que poderiam se nutrir de alimento sólido, permanecem tomando leite. O alimento sólido é para o adulto, que sai de casa, vai para a feira, escolhe os ingredientes, volta, prepara, cozinha e leva a refeição à mesa, considerando uma dieta balanceada de proteínas, carboidratos, sais minerais e vitaminas. O leite, não, é uma mamadeira dada por alguém, fácil de digerir, alimento para crianças. Quando não temos uma vida devocional pessoal, de oração e estudo das Escrituras, transferimos para os líderes a função de nos nutrir.
E assim continuamos tomando mamadeira.

É tempo de a Igreja ensinar que não precisamos de intermediários para ouvir a voz de Deus. Reconhecemos nossos pastores e líderes como aqueles que Deus levanta para orientar e guiar, e cuja função principal é a de amadurecer os crentes, tornando-os adultos na fé. Que não sejamos mais infantis, dependendo da instrução e dos limites de líderes, mas cresçamos como adultos, andando com nossas próprias pernas na fé, na esperança e no amor.

Osmar Ludovico, extraído do livro “MEDITATIO”, de São Paulo, Mundo Cristão – 2007 , Páginas 146-148.

sábado, 1 de janeiro de 2011

FELIZ ANO NOVO!

O Ano aceitável do Senhor

"O Espírito do SENHOR Deus está sobre mim, porque o SENHOR me ungiu para pregar boas-novas aos quebrantados, enviou-me a curar os quebrantados de coração, a proclamar libertação aos cativos e a pôr em liberdade os algemados; a apregoar o ano aceitável do Senhor..."
(Isaías 61.1-2)

Feliz ano novo! Um próspero ano novo! Cumprimentos, cartões com felicitações. Este é o nosso desejo: sermos felizes e prósperos. Trezentos e sessenta e cinco dias felizes, bem-sucedidos, tranquilos, com saúde, sem problemas financeiros, familiares ou profissionais. Nada de errado com esses desejos! Nós temos sede de felicidade. Uma vontade de ser feliz implantada pelo próprio Deus.

Mas, será que a expressão feliz ano novo não revela um pouco de inquietação? Inquietação que vem de outros anos que não foram tão felizes, nos quais enfrentamos problemas e mais problemas? E, por outro lado, não sabemos como será o amanhã, o que nos aguarda nos próximos dias.

Talvez o feliz ano novo não passe de um sonho. Sabemos que a realidade é diferente. Há a possibilidade de crises, de guerras, de mortes, de pessoas se acusando, de problemas financeiros, de problemas familiares, etc. Tudo isso é bem real e acontece ao nosso redor.

Entretanto, quando recebemos Cristo em nossa vida, quando confiamos em Deus, as Escrituras nos dizem que nos assentamos com Ele nas regiões celestiais (Efésios 1.3).
Mesmo assim nossa vida aqui na terra nem sempre é um "mar de rosas". Muitas vezes passamos por dificuldade e muitas lutas.

Mas, que tal pensarmos, então, em um ano aceitável do Senhor? Sim, Talvez não seja um ano próspero e tão tranquilo quanto esperávamos.
Mas que seja um ano que possamos aceitar das mãos do Senhor.

Que você possa chegar ao final deste ano e dizer, como disse Samuel: "Ebenézer: até aqui nos ajudou o Senhor", I Samuel 7.12.

Um ano em que aceitemos a Deus, sua vontade e o que ele nos manda. Um ano aceitável do Senhor!

Não há sucesso maior do que estar na vontade de Deus!

Fonte: Devocional 13 Pão Diário, dia 01 de Janeiro.
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"I don't know what tomorrow brings, but I know Who brings tomorrow".
"Eu não sei o que o amanhã trará, mas eu sei Quem traz o amanhã!"
(Frase adesivo que coleciono desde 1991)

(confiança)
Amor
Esperança
Gratidão

Com esses fundamentos 2011 será um ano feliz para você e para todos que participarem da sua vida. Feliz porque a Presença amorosa, bondosa e graciosa de nosso Pai será real em toda e qualquer situação.


FELIZ 2011, um ano aceitável do SENHOR!


Em Cristo Jesus,
BM

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Conselhos para 2011, 2012, 2013...


Uma ótima reflexão, neste mesmo tom.

CONSELHOS PARA A VIRADA por Ed René Kivitz.

Para ouvir click em cima do link, salve e escute:

http://www.ibab.com.br/mensagens/20101226_erk.mp3

sábado, 11 de dezembro de 2010

ASSENTADOS EM LUGARES CELESTIAIS Por Ricardo Barbosa

“Vocês estavam mortos em suas transgressões e pecados... satisfazendo as vontades da nossa carne seguindo os seus desejos e pensamentos... éramos por natureza merecedores da ira. Todavia, Deus, que é rico em misericórdia, pelo grande amor com que nos amou, deu-nos vida com Cristo, quando ainda estávamos mortos... Deus nos ressuscitou com Cristo e com ele nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus, para mostrar, nas eras que hão de vir, a extraordinária riqueza da sua graça, em bondade para conosco em Cristo Jesus.” Efésios 2:1-7 Quando era jovem, ficava fascinado com a afirmação de Paulo segundo a qual Deus nos fez “assentar em lugares celestiais”. Não sabia exatamente o que isso significava, que lugares eram estes, onde ficavam, mas me parecia algo muito espiritual. Tinha a impressão de que se tratava de um “estado espiritual”, um tipo de arrebatamento que iria me subtrair da realidade terrena e me lançar num espaço abstrato de gozo celestial. Para se alcançar tal estado, era necessário não se importar muito com a vida terrena, mas cultivar uma mística espiritual, algo como fechar os olhos e se deixar levar para os “lugares celestiais”.

Uma grande dificuldade que os cristãos sempre tiveram foi estabelecer uma relação adequada entre a terra e o céu, o temporal e o eterno, o humano e o divino. Levei algum tempo para entender essa linguagem. Ainda encontro dificuldades.
Porém, arrisco dizer que esses “lugares celestiais” são o lugar onde o céu e a terra se encontram. O lugar onde a ressurreição de Cristo realiza em nós o milagre divino da verdadeira humanidade.

Na Carta aos Colossenses, Paulo afirma que, uma vez que fomos ressuscitados com Cristo, devemos pensar e buscar as coisas lá do alto, e não aquelas que são aqui da terra (Cl 3.1-3). É um convite para elevar nossos desejos e anseios. Um convite para viver a partir de uma nova realidade. “Deus nos ressuscitou com Cristo e com ele nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus [...]. Porque somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras, as quais Deus preparou antes para nós as praticarmos” (Ef 2.6 e 10). Um convite para não mais vivermos conformados com este mundo (Rm 12.2). A ressurreição de Cristo realizou isto.

Uma onda de frustração, futilidade e falta de sentido vem tomando conta da humanidade. Perdeu-se a noção do que significa ser humano. Os valores e tradições que davam algum sentido ou ordem à vida e à sociedade não existem mais. A família, que sempre foi reconhecida como a “célula mãe” da sociedade, hoje representa a matriz de muitas patologias sociais. A igreja, que simbolizou o eixo moral, encontra-se mergulhada em muitos escândalos. Sem saber o que fazer, somos levados a viver da forma como os outros vivem, empurrados por uma cultura decadente e consumista. A humanidade encolheu.

A mediocridade é uma marca da nossa cultura.
Vivemos cercados de celebridades fúteis, políticos inescrupulosos e estúpidos, negociantes ambiciosos e desumanos, religiosos vulgares e narcisistas. Por todo lado que olhamos, não encontramos alguém que nos inspire, que valha a pena imitar, que nos desperte para algo maior, mais sublime, mais real. É claro que eles existem, mas parece que ninguém se importa com eles. O que move a nossa cultura é a vulgaridade.

É num contexto assim que Paulo fala sobre os “lugares celestiais”. É um convite para elevar nossas expectativas, linguagem, anseios e desejos. Elevar, enfim, nossa humanidade à semelhança da humanidade de Jesus Cristo.
Os “lugares celestiais” não são esferas abstratas de uma espiritualidade subjetiva, mas a natureza gloriosa da vida que nasce da ressurreição, da vida liberta da presente ordem cultural e elevada a uma nova realidade da qual Jesus é o primogênito.

Somos a nova criação de Deus. Fomos libertos e redimidos da escravidão da futilidade imposta à humanidade pelos pensamentos e filosofias vazias da cultura que nos cerca. A nova criação de Deus, realizada em Cristo, abre as portas para uma realidade nobre e gloriosa, para uma humanidade moldada pela humanidade real de Cristo. Os “lugares celestiais” são a expressão que Paulo usa para descrever essa nova realidade. Fazemos parte dela. Fomos colocados neste lugar pela fé em Cristo e pela participação em sua ressurreição.

Somos tentados, ora por um escapismo subjetivo de uma espiritualidade abstrata que nos afasta da realidade, ora por uma forma de engajamento cultural que nos torna parte deste sistema.
A espiritualidade cristã é a expressão da vida de quem foi assentado em lugares celestiais pela fé em Jesus Cristo.

Ricardo Barbosa de Sousa
Fonte: Revista Ultimato da Editora Ultimato

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

AOS CRENTES NA DÚVIDA SOBRE JESUS... - Caio Fabio

Fico vendo o comportamento dos cristãos considerados cult, psicologicamente sensíveis...

Quem e como são?...

São necessariamente conflitados, recomendavelmente duvidosos, crentes em estado de permanente descrença; sem discernimento, mas muito críticos; evasivos quanto à eficácia do testemunho da Palavra pura e simples, embora cheio de opiniões negativas em relação a quem pregue sem angustia, conflito ou crise de fé; conhecedores teóricos das discussões da fé e dos dilemas teológicos, ainda que vivendo sem nenhum interesse prático/real no Evangelho que seja para além da informação e da discussão viciada...

Em geral são sempre descrentes de milagres [até nos da Bíblia], embora muito capazes de usá-los como alegorias ou lindas metáforas da vida...

Ou seja: quase sempre existindo como aquele que... nem chove e nem molha; que não é, mas não deixa de ser...

Ora, o que vejo é que estes, diferentemente dos falsos profetas e dos lobos, fazem seu próprio mal; posto que sejam mornos, sem intrepidez, sem disposição para além do discurso...

Portanto, sendo educados, parecem ganhar pela polidez de suas dúvidas o direito de existir em crise; sendo cavalheiros e finos, parecem poder caminhar em descrença aceitável; estando sempre em dúvida acerca de algo [...] mesmo assim continuam a discutir sobre o “tema Jesus”...

E, com isso..., se fazem passar por gente que duvida em razão de serem íntegros em relação à própria fé... Posto que sendo articulados, tornam seus conflitos elogiáveis, pois são ditos com benditas palavras psicológicas e filosóficas; e, sendo humanos no expressar seu sentir, ganham o direito de existir em dor, pois, sem dor de crise parece não existir real humanidade; tendo cultura, aparentemente dão aos demais crentes, menos instruídos, a sensação de que eles, os cult, os cultos, os sensíveis, são assim em razão de seu saber, da profundidade do seu sentir, e das angustias decorrentes de sua humanidade superior a dos demais...

Assim, estão e nunca são; dizem, mas jamais provam; pregam, e nunca aproveitam; sabem e não experimentam; poetizam, mas não amam para além das belas palavras; discutem a fé, e nunca a abraçam; falam de Deus, embora sempre em estado de dúvida devota...

Quando pastoreiam é antes de tudo em razão de suas próprias angustias...

Sendo assim [...] desconfiam de quem sendo humano não vive em angustia; de quem sendo pensante [...] não exista em dúvida; de quem crendo [...] busque viver conforme a fé; de quem confessando [...] não tema as implicações; de quem conhecendo a Deus [...] não se iniba quanto a afirmar...

Fico imaginando o que aconteceria, se tais deles, vivendo como discípulos de Jesus nos evangelhos, trouxessem tais devoções eternamente duvidosas a Jesus...

O que Jesus diria?...

Sim, se Ele disse que aquele que põe a mão no arado e olha para trás não é digno do reino de Deus [...] o que Ele diria a esses discípulos da dúvida?...

Ora, Ele não teve pudores jamais...

Aos Seus discípulos duvidosos Ele jamais disse que duvidar fosse parte de um processo normal de crenças [...], muito menos da fé...

Em Jesus não há elogios a duvida, mas tão somente à fé!

Não! Ele lhes pergunta: “Homens de pouca fé, por que duvidastes?”

Ante suas “impossibilidades” decorrentes da descrença..., Ele apenas disse: “Não pudestes expulsar o demônio por causa da pequenez da vossa fé!” E acrescentou: “Mas esta casta não sai senão por meio de jejum e oração”.

Sim, essa casta de crença sem fé, de fé que é apenas crença, e que se distrai discutindo a fé — de fato não sai senão mediante a sua quebra pela oração e pelo jejum.

Esta é a casta presente na maior parte dos pensadores da fé, mas que nunca se deixam pensar pela fé.

Sim, pois quem pensa a fé não é pensado pela fé...

Afinal, tal coisa somente acontece mediante a entrega em razão da confiança que faz a descrença morrer..., e que, ao mesmo tempo, introduz a pessoa no ambiente no qual “Deus não existe”, posto que em tal ambiente de fé não haja lugar para o Deus que existe, mas apenas para o Deus que É.

A descrença é relativa ao Deus que existe...

A fé decorre do Deus que É!

Portanto, brincar de crer sem crer é coisa de menino, e não de homem segundo o que Jesus considere um homem que anda mediante a fé, na alegria de não duvidar.

Leia os evangelhos e veja se Jesus acha legal viver sem as implicações de fazer da existência uma constante afirmação de fé...

Nos evangelhos você não encontrará este lugar..., embora encontre Jesus mostrando compaixão e amor também por esses, mas sem deixar de prosseguir em Seu caminho, vindo o candidato a discípulo após Ele ou não...


Nele, que não elogia a duvida como estado sadio de uma fé em crise permanente,

Caio
www.caiofabio.net

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

ATEU CRÉDULO (O Novo Ateu) por Ricardo Barbosa

"Hoje, o ateu não é mais aquele que não crê, mas aquele que não encontra relevância para Deus na sua rotina. O novo ateísmo não precisa negar a fé; apenas cria substitutos para ela. Mantém o crente na igreja, mas longe do seu Salvador".

Sabemos que existem vários tipos de ateus. Existem aqueles que não crêem em Deus por não encontrarem respostas para os grandes dilemas da humanidade como violência, miséria e sofrimento. Não conseguem relacionar um Deus de amor com o sofrimento humano. Outros não crêem porque não encontram uma razão lógica e racional que explique os mistérios da fé, como a criação do mundo, o dilúvio, o nascimento virginal, a ressurreição, céu, inferno etc. Diante de temas tão complexos que requerem fé num Deus pessoal, Criador e Redentor, muitos não conseguem crer naquilo que lhes parece racionalmente absurdo.

Os dois tipos de ateus já mencionados são inofensivos. Na verdade, são pessoas que buscam respostas, são honestos e não aceitam qualquer argumento barato como justificativa para suas grandes dúvidas. São sinceros e lutam contra uma incredulidade que os consome, uma falta de fé que nunca encontra resposta para os grandes mistérios da vida e de Deus.

No entanto há um outro tipo de ateu, mais dissimulado, que cresce entre nós, que crê em Deus e não apresenta nenhuma dúvida quanto aos mistérios da fé, nem em relação aos grandes temas existenciais. Ele vai à igreja, canta, ora e chega até a contribuir. É religioso e gosta de conversar sobre os temas da religião. Contudo, a relevância de Cristo, sua morte e ressurreição para a vida e a devoção pessoal é praticamente nula.

São ateus crédulos. O ateu moderno não é mais somente aquele que não crê, mas aquele para quem Deus não é relevante. Este é um novo quadro que começa a ser pintado nas igrejas cristãs. Saem de cena os grandes heróis e mártires da fé do passado e entram os apáticos e acomodados cristãos modernos. Aqueles cristãos que entregaram suas vidas à causa do Evangelho, que deixaram-se consumir de paixão e zelo pela Igreja de Cristo, que viveram com integridade e honraram o chamado e a vocação que receberam do Senhor, que sofreram e morreram por causa de sua fé, convicções e amor a Cristo, fazem parte de uma lembrança remota que às vezes chega a nos inspirar.

Os cristãos modernos crêem como os outros creram, mas não se entregam como se entregaram. Partilham das mesmas convicções, recitam o mesmo credo, freqüentam as mesmas igrejas, cantam os mesmos hinos e lêem a mesma Bíblia, mas o efeito é tragicamente diferente. É raro hoje encontrar alguém em cujo coração arde o desejo de ver um amigo, parente, colega de trabalho ou escola convertendo-se a Cristo e sendo salvo da condenação eterna.

Os desejos, quando muito, se limitam a visitar uma igreja, buscar uma "bênção", receber uma oração; mas a conversão a Cristo, o discipulado com todas as suas implicações, são coisa que não nos atraem mais. Os anseios pela volta de Cristo, o desejo de nos encontrarmos com ele e ver restaurada a justiça e a ordem da criação ficaram para trás. Somente alguns saudosos dos velhos tempos lembram-se ainda dos hinos que enchiam de esperança o coração dos que aguardavam a manifestação do Reino.

A preocupação com a moral e a ética, com o bom testemunho, com a vida santa e reta não nos perturba mais - somos modernos, aprendemos a respeitar o espaço dos outros. O cuidado com os irmãos, o zelo para que andem nos caminhos do Senhor, as exortações, repreensões e correções não fazem parte do elenco de nossas preocupações. Afinal, cada um é grande e sabe o que faz.

Enfim, somos ateus modernos, o pior tipo de ateu que já apareceu. Citamos com convicção o Credo Apostólico, mas o que cremos não tem nenhuma relevância com a forma como vivemos. A pessoa de Cristo para muitos é apenas mais uma grife religiosa, não uma pessoa que nos chama para segui-lo. O ateísmo moderno se caracteriza pela irrelevância da fé, das convicções, do significado da igreja e da comunhão dos santos.

A irrelevância de Deus para a vida moderna é intensificada pela cultura tecnocrática. Temos técnicas para tudo: para ter um matrimônio perfeito, criar filhos felizes e obedientes, obter plena satisfação sexual no casamento, passos para uma oração eficaz, como conseguir a plenitude do Espírito Santo e muitos outros "como fazer" que entopem as prateleiras das livrarias e o cardápio dos congressos.

A sociedade moderna vem criando os métodos e as técnicas que reduzem nossa necessidade de Deus, a dependência dele e a relevância da comunhão com ele. Chamamos uma boa música de adoração, um convívio agradável de comunhão, uma moral sadia de santificação, assiduidade nos programas da igreja de compromisso com o Reino de Deus.

As técnicas não apenas criam atalhos para os caminhos complexos da vida, como procuram inverter os pólos de atenção e dependência. Tornamo-nos mais dependentes de nós do que de Deus, acreditamos mais na eficiência do que na graça, buscamos mais a competência do que a unção, cremos mais na propaganda do que no poder do Evangelho.

Tenho ouvido falar de igrejas que são orientadas por profissionais de planejamento estratégico. Estudam o perfil da comunidade, planejam seu desenvolvimento, arquitetam seu crescimento e, de repente, descobrem que funcionam, crescem, são eficientes, e não dependem de Deus para nada do que foi planejado. Com ou sem oração a igreja vai crescer, vai funcionar. Deus tornou-se irrelevante. Tornamo-nos ateus crentes.

A minha preocupação não é simplesmente criticar o mundo religioso abstrato, superficial e impessoal que criamos ou criticar a tecnologia moderna que, sem dúvida, pode e tem nos ajudado. Minha preocupação é com o coração cada vez mais distante, mais abstrato, mais centralizado naquilo que não é Deus, mais dependente das propagandas e estímulos religiosos, mais interessado no consumo espiritual do que numa relação pessoal com Deus.

Como disse, o ateu hoje não é mais aquele que não crê, mas aquele que não encontra relevância para Deus na sua rotina, não precisa da comunhão dele para a vida. A sutileza do novo ateísmo é que ele não precisa negar a fé, apenas cria substitutos para ela. Mantém o crente na igreja, mas longe do seu Salvador. Este ateu está muito mais presente entre nós do que imaginamos.

Ricardo Barbosa de Sousa é pastor da Igreja Presbiteriana do Planalto (DF)
Fonte: www.eclesia.com.br