"Temos esta Esperança como âncora da alma, firme e segura, a qual adentra o santuário interior, por trás do véu, onde Jesus que nos precedeu, entrou em nosso lugar..." (Hebreus 6.19,20a)
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sexta-feira, 19 de outubro de 2012

A parábola dos pescadores sem peixes | Ultimato Online

Era uma Associação de Pescadores, que viviam no meio de rios e lagos, cheios de peixes famintos. Eles se reuniam regularmente para discutir sobre o chamado para pescar, a abundância de peixe e a emoção de pegar peixes. Ficavam muito animados com o assunto da pescaria.

Alguém sugeriu que o grupo precisava de uma filosofia de pesca. Assim, cuidadosamente, definiram e redefiniram a pesca e o propósito da pescaria. Desenvolveram estratégias e táticas. De repente perceberam que haviam começado de trás para frente – haviam se interessado pela pescaria do ponto de vista do pescador, e não do ponto de vista do peixe. Como o peixe vê o mundo? Como vê o pescador? O que e quando o peixe come? Era importante entender essas coisas. Por isso, iniciaram estudos e pesquisas. Participaram de conferências sobre a pescaria. Muitos viajaram a lugares longínquos para estudar diferentes tipos de peixes, com diferentes hábitos. Alguns obtiveram Ph.D. em piscicultura.

Contudo, ninguém havia ido pescar. Formou-se, então, um comitê para enviar pescadores. Havia muito mais lugares propícios para pescar do que pescadores. Por isso, o comitê precisava determinar prioridades. A lista de prioridades foi colocada em quadros de avisos em todos os salões da Associação.

Mas, como antes, ninguém estava pescando ainda. Foi feita uma pesquisa para saber por quê. A maioria não respondeu ao questionário, mas, entre os que responderam, descobriu-se que alguns se sentiam chamados para estudar a pesca, outros para fornecer equipamentos de pesca e outros, ainda, para encorajar os pescadores. E, com tantas reuniões, conferências e seminários, simplesmente não tiveram tempo para pescar. 

Jacó era novato na Associação de Pescadores. Depois de uma reunião muito animada, ele foi pescar. Fez algumas tentativas, pegou o jeito e conseguiu pegar um lindo peixe! Na reunião seguinte, ele contou sua história e foi elogiado pelo sucesso. Acabou sendo convidado para falar em todos os núcleos da Associação e contar como havia sido a sua pescaria. Assim, com tantos compromissos e por ter sido eleito para a diretoria da Associação, Jacó nunca mais teve tempo para pescar.

No entanto, não demorou muito e ele começou a se sentir intranqüilo e vazio. Teve saudades da pesca propriamente dita, de sentir o puxão no anzol. Assim, decidiu deixar a diretoria da Associação, bem como os demais compromissos com os núcleos, e convidou um amigo para ir pescar com ele. Os dois foram – sozinhos – e pegaram peixes.

Os membros da Associação de Pescadores eram muitos e os peixes eram abundantes. Mas os pescadores continuavam sendo muito poucos.

Autor desconhecido - Tradução do inglês de Antônia Leonora van der Meer.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

OS ADULTOS E AS CRIANÇAS NA FÉ por Osmar Ludovico

Vivemos um momento de grande expansão da Igreja 'Evangélica' no Brasil. Um crescimento sem precedentes alcançando todo o Brasil. Caminhamos pelas principais avenidas das grandes cidades e nos deparamos com muitas igrejas, novas e antigas denominações. Nas pequenas cidades também, no campo, na praia, em todo lugar encontramos crentes. Ligamos o rádio e a TV, e são incontáveis os programas que anunciam o Evangelho. Há convertidos desde as camadas mais humildes da população até as mais abastadas. O movimento evangélico é visto como um segmento que movimenta milhões de reais no mercado editorial, fonográfico e de outros bens e serviços religiosos.

Urge, no entanto, um alerta quanto à qualidade, profundidade e alcance social deste movimento. Um deles diz respeito à leitura da Bíblia. Sabemos que crescemos no amor e no conhecimento de Deus através do estudo e aplicação das Sagradas Escrituras. O que vemos é uma oferta extraordinária de cultos, reuniões, seminários, conferências e encontros, em todo lugar, todos os dias da semana. Isto não significa que o povo está sendo instruído adequadamente nas Escrituras. Senão vejamos: a maior parte dos crentes depende de líderes e pastores que lhe expliquem a Palavra. Esta é uma necessidade premente para novos convertidos, mas o que dizer dos crentes com cinco, dez ou mesmo vinte anos de vida cristã?

Existe a idéia de que Deus fala primeiro e através de homens e mulheres que estudaram num Seminário Teológico e receberam alguma ordenação formal. Estes líderes treinados nas línguas originais, na exegese, na hermenêutica e homilética se tornam intérpretes da Palavra de Deus para a maior parte dos crentes. E passam a impressionar muito mais pela sua oratória, retórica e erudição do que pelo conteúdo e pela vida.

De um lado, vemos crentes que se acomodam sem desenvolver uma prática pessoal de estudo bíblico para que Deus fale com eles diretamente. Tornam-se dependentes de líderes para lerem suas Bíblias, só ouvem a voz de Deus de segunda mão, e não mais cultivam uma relação pessoal com Aquele que pode falar diretamente com eles através de sua Palavra. Do outro lado, vemos pastores e líderes que pregam e ensinam seis, sete vezes por semana e se tornam profissionais da Palavra. Depois de dez, vinte anos fazendo isso, já não lêem mais a Bíblia para si mesmos e não precisam sequer orar para preparar um sermão.

Então retornamos àquilo que a Reforma pretendeu reformar, o clericalismo. Apesar de nos acharmos diferentes da Igreja Católica, não somente temos nossos sacerdotes cuja oração e revelação são praticamente inatingíveis para a maior parte dos crentes, como também temos nossa hierarquia com bispos e apóstolos. O mesmo fenômeno ocorre no louvor, onde a figura do dirigente ocupa este lugar de intermediação entre Deus e os homens.

Acontece, então, como nos ensina a Bíblia, que crentes há um certo tempo, que poderiam se nutrir de alimento sólido, permanecem tomando leite. O alimento sólido é para o adulto, que sai de casa, vai para a feira, escolhe os ingredientes, volta, prepara, cozinha e leva a refeição à mesa, considerando uma dieta balanceada de proteínas, carboidratos, sais minerais e vitaminas. O leite, não, é uma mamadeira dada por alguém, fácil de digerir, alimento para crianças. Quando não temos uma vida devocional pessoal, de oração e estudo das Escrituras, transferimos para os líderes a função de nos nutrir.
E assim continuamos tomando mamadeira.

É tempo de a Igreja ensinar que não precisamos de intermediários para ouvir a voz de Deus. Reconhecemos nossos pastores e líderes como aqueles que Deus levanta para orientar e guiar, e cuja função principal é a de amadurecer os crentes, tornando-os adultos na fé. Que não sejamos mais infantis, dependendo da instrução e dos limites de líderes, mas cresçamos como adultos, andando com nossas próprias pernas na fé, na esperança e no amor.

Osmar Ludovico, extraído do livro “MEDITATIO”, de São Paulo, Mundo Cristão – 2007 , Páginas 146-148.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

A LATINHA DA COCA-COLA por Ed René Kivitz

A igreja de Jesus Cristo sempre viveu a tensão entre suas faces orgânica e organizacional. Parece que nos últimos anos essa tensão se agravou. Especialmente no segmento evangélico de tradição reformada, a crítica à “igreja instituição” está na moda, e não são poucos os que se vangloriam de ter “rompido com a instituição”. Outro dia alguém me classificou de “institucionalizado”, e me senti praticamente xingado. Decidi dar mais atenção à dimensão institucional da igreja corpo vivo de Cristo. Jamais imaginei que fosse levantar minha voz para defender a bandeira institucional, e é bem provável que no início eu estivesse movido pelo instinto de sobrevivência ou auto-justificação, mas ao final achei que meus argumentos faziam sentido. Hoje já não me incomodo quando alguém diz que sou “institucionalizado”.

Essa conversa de “ser desinstitucionalizado” na melhor das hipóteses reflete ignorância. Na pior, má fé. Considere a chamada “igreja primitiva”, geralmente idealizada como modelo “desinstitucionalizado” a ser reproduzido, e perceba que o desenvolvimento natural da igreja exigiu organização (Atos 6.1-7), nomeação de liderança e acomodação hierárquica (Atos 14.21-23), estabelecimento de normas, costumes e critérios éticos entre as igrejas (Atos 5.1-11), definição de um credo mínimo (Romanos 11.33-36; Filipenses 2.5-11; 1Timóteo 1.17; 3.16), assembléias presbiteriais (Atos 15); ação estratégica para a expansão (Atos 13.1-3; 11.19-21), sistema de arrecadação, gestão e distribuição de recursos financeiros (2Corintios 8,9); ordem e direção litúrgica para os encontros coletivos (1Coríntios 14.26-40), dentre outras características que hoje são consideradas um gesso que impede a boa manifestação do corpo orgânico da igreja.

A tão celebrada “igreja primitiva” era institucionalizada. Caso você participe de um “movimento” que tenha: (1) liderança identificada; (2) hierarquia definida; (3) rotina de atividades; (4) agenda de serviços; (5) voluntários coordenados; (6) demandas coletivas; e (7) necessidade de arrecadação financeira, então você não participa de um movimento, você é institucionalizado.

Os que se consideram “desinstitucionalizados” geralmente são aqueles que romperam com uma instituição e se comprometeram com outra. A diferença é que algumas instituições têm centenas de anos de história enquanto outras nasceram ontem, e quase sempre baseadas em uma personalidade tipo “guru” ou “messias reformador” que levará a igreja de volta às origens. Reconheço que por serem mais novas, as instituições emergentes podem ser mais leves, ágeis e eficazes. Mas não significa que não sejam instituições. E também não significa que sejam menos perniciosas e enfermas que as instituições centenárias.

Jesus advertiu que o vinho carece de odre, e que há odres mais adequados que outros. A questão, portanto, não é ser ou não ser institucionalizado, mas o tipo de instituição que pretende acomodar o vinho novo do Evangelho de Jesus Cristo, nosso Senhor.

Imaginar a possibilidade de uma igreja que seja apenas organismo espiritual sem qualquer dimensão de instituição social é o mesmo que considerar a possibilidade de chegar no balcão da padaria e pedir um refrigerante dizendo: “Sem garrafa, por favor”.

O conflito entre as dimensões orgânica e organizacional da igreja começou cedo. Tão logo Jesus foi levado aos céus. No contexto da comunhão e da oração (organismo) Pedro se levanta para promover a eleição do substituto de Judas (organização). Mas Deus não se fez de rogado, mandou do céu algo como um vento impetuoso e deixou claro que a necessidade humana de controle que tende a se perpetuar através de sistemas institucionais jamais conteria a dinâmica vital do povo batizado com o Espírito Santo, pois “o Senhor é Espírito; e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade” (2Coríntios 3.18).

Essas reflexões me levaram a considerar os dez pecados que um líder institucional não pode cometer. São eles:

1° Enclausurar Deus nas paredes de sua instituição

2° Limitar as manifestação do Reino de Deus aos horizontes de sua instituição

3° Condicionar a relação com Deus à relação com sua instituição

4° Exigir da igreja povo de Deus sacrifícios em nome de sua instituição

5° Restringir a atuação ministerial dos cristãos ao engajamento em sua instituição

6° Confundir a instituição com o corpo vivo de Cristo

7° Pretender gerir o corpo vivo de Cristo com a lógica da gestão isntitucional – se preferir, basta “pretender gerir o corpo vivo de Cristo”

8° Priorizar as relações funcionais em detrimento das relações pessoais

9° Colocar o corpo vivo de Cristo à serviço da instituição

10° Tentar perenizar a instituição


...
Este post tem haver com:

http://ancoradalma.blogspot.com/2010/06/mais-cristo-menos-cristianismo-ed-rene.html

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

BENDITO ALVOROÇO!

“Tendo passado por Anfípolis e Apolônia, chegaram a Tessalônica, onde havia uma sinagoga judaica. Segundo o seu costume, Paulo foi à sinagoga e por três sábados discutiu com eles com base nas Escrituras, explicando e provando que o Cristo deveria sofrer e ressuscitar dentre os mortos. E dizia: “este Jesus que lhes proclamo é o Cristo”. Alguns dos judeus foram persuadidos e se uniram a Paulo e Silas, bem como muitos gregos tementes a Deus, e não poucas mulheres de alta posição. Mas os judeus ficaram com inveja. Reuniram alguns homens perversos dentre os desocupados e,com a multidão, iniciaram um tumulto na cidade. Invadiram a casa de Jasom, em busca de Paulo e Silas, a fim de trazê-los para o meio da multidão. Contudo, não os achando, arrastaram Jasom e alguns outros irmãos para diante dos oficiais da cidade, gritando: “Esses homens, que têm causado alvoroço por todo o mundo, agora chegaram aqui”. (Atos 17.1-6a) A revista Veja de 3 de Julho de 2002 teve como capa e título “A nação evangélica. O maior país católico do mundo está ficando cada vez mais evangélico. E isso começa a mudar muita coisa no Brasil”. A reportagem falava sobre o resultado do ultimo censo e faz um relato do crescimento dos evangélicos no país desde suas origens. (http://veja.abril.com.br/030702/sumario.html ).

O livro de Atos, assim como a Veja, relata o nascimento, o inicio do cristianismo, o seu crescimento e as repercussões deste no mundo da época. A segunda parte deste relato de Lucas, é dedicado ao ministério de Paulo, suas viagens missionárias; suas perseguições, suas prisões e sua pregação incansável do evangelho (tanto a pequenos, quanto a grandes. Tanto a judeus, quanto aos gentios). Por ser Atos um retrato de uma igreja vitoriosa, que crescia tanto em graça diante de Deus e quanto dos homens, gostaria de fazer uma breve reflexão sobre a vida de Paulo e o seu exemplo para os evangélicos no Brasil de hoje.

Paulo estava no meio da sua segunda viagem missionária. em Trôade, ele teve uma visão, dada por Deus, de um homem que lhe dizia: “passe a Macedônia e Ajude-nos”. Obedientes a esta visão Paulo e seus companheiros seguiram para Macedônia. O ministério de Paulo não era orientado por diretrizes ou desejos humanos, mas o Espírito Santo o conduzia. Paulo não sabia que iria a Macedônia ou Tessalônica, mas Deus revelava a cada passo de fé o seu próximo destino. Assim como Deus se revelava a Paulo, Ele continua se revelando. A bíblia diz que Deus não muda e "Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e será eternamente". Temos como Igreja, escutado a voz de Deus ultimamente? Será que Deus se calou ou nós ficamos surdos? Deus com certeza tem falado, mas será que a igreja evangélica no Brasil tem ouvido e obedecido à voz de Deus? ou tem ouvido e seguido outras vozes? Jesus disse: “
As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem”.

Chegando a Filipos, na Macedônia. Paulo, Silas e Timotéo foram procurar um lugar para oração, um lugar mais tranquilo, longe da agitação e loucura da cidade. Chegaram então à beira do rio para ali buscarem presença de Deus. Se quisermos fazer diferença neste país precisamos estar na presença de Deus, louvando-o, agradecendo e reconhecendo-o como único Senhor da nossa história.

Estando eles ali, Deus concede que eles testemunhem do evangelho a um grupo de mulheres que lá estavam. Ali mesmo uma mulher chamada Lídia tocada pelo Espírito Santo abre seu coração para a mensagem que Paulo pregara e logo foi batizada, ela e também todos da sua casa. Quando a igreja ouve a voz de Deus, busca-o em oração e prega o evangelho autêntico, as pessoas ao redor são tocadas pelo Espírito e acrescentadas à igreja e querem servir a Deus... Lídia logo dispôs a sua casa a serviço do Reino e convida Paulo e seus companheiros a se hospedarem lá.

Ainda em Filipos, Paulo é seguido por uma moça possessa por um espírito adivinho que dava muito lucro aos seus patrões, ela gritava: “esse homens são servos do Deus altíssimo e lhes anunciam o caminho da salvação”. Paulo repreende o espírito e ordena que a deixe no nome de Jesus. Por ter cessado a fonte de lucro dos senhores daquela jovem, Paulo e Silas são agarrados, arrastados, severamente açoitados e presos. Ainda presos eles não culpam, nem questionam a Deus por estarem naquela situação, mas antes agradecem e o louvam, por se acharem dignos de sofrerem pelo nome de Jesus. Quando a igreja está realizando os propósitos de Deus, ela afeta e destrói as obras malignas, sem se preocupar com as conseqüências. Precisamos reconhecer a opressão maligna exercida neste país em todas as suas dimensões e fazermos como Jesus “...ele andou por toda parte fazendo o bem e curando todos os oprimidos pelo Diabo, porque Deus estava com ele”.

Na prisão Deus usou Paulo e Silas para testemunharem ao carcereiro do evangelho, não só com palavras mas com atos que evitaram que o carcereiro se matasse. Ali mesmo o carcereiro reconheceu o poder e o amor de Deus e creu no Senhor Jesus e foi salvo, ele e sua casa. Até na situação mais difícil, Deus quer nos usar. Graças a Deus não temos perseguição religiosa no Brasil, mas já houve em tempos recentes, precisamos aproveitar o tempo que se chama agora e anunciarmos que: quem quer crer no Senhor Jesus será salvo, não só da ira eterna, mas da maldade do seu coração e poderá a partir de já, viver uma vida nova e abundante em Cristo.

Sendo conduzidos pelo Espírito Santo, Paulo e seus companheiros chegam a Tessalônica. Paulo segundo seu costume vai a sinagoga para pregar o evangelho aos judeus, discutindo e mostrando nas escrituras que o Messias, o Cristo, é Jesus de Nazaré. Os evangélicos brasileiros precisam se lembrar sempre de um dos lemas da reforma (onde eles se originaram) “sola scriptura”, somente a Bíblia é a fonte de regra e conduta e a base de nossa fé. Precisamos tornar relevante a mensagem da Bíblia ao mundo moderno, mas sem enfraquecê-la, sem deturpá-la e sim pregarmos a Palavra de Deus por completo; O seu amor ao pecador e também o seu repúdio ao pecado, a sua Graça ao arrependido e a sua ira ao soberbo, o céu mas também o inferno.

Os cristãos na época de Paulo eram minoria, mas “Esses homens, que têm causado alvoroço por todo o mundo, agora chegaram aqui”. Hoje, segundo o censo, somos pelo menos vinte e seis milhões de evangélicos no Brasil, 15% da população brasileira. Foram apenas 120 pessoas que estavam reunidas no dia de pentecostes e a partir destes Deus nos alcançou hoje, graças ao testemunho e fidelidade destes crentes e do Senhor. A continuidade do evangelho e a pureza deste depende da nossa fé e nosso empenho em querermos descobrir e fazer a vontade de Deus, com 15% da nossa população sendo fiéis a Deus e ao seu evangelho nós já teríamos alvoroçado este país e todas as suas estruturas malignas. Precisamos urgentemente de um grande avivamento e de um retorno às origens, para que essa terra reconheça que Jesus é o nosso Senhor e quer ser o Senhor deste país.
BM
_____________________________________________

Este texto foi escrito por mim fazem quase dez anos, estamos a porta de mais um censo, há especulações que os 'evangélicos' (designação boa que de tanto mau usada preferi substituir simplesmente por "cristão") já são mais de 30% da população. O que mudou?

Ps. Recomendo a leitura dos Evangelhos e de Atos (dos apóstolos e do Espírito), eles são muito mais relevantes e atuais do que a próxima edição de Época, Isto É... veja e comprove!

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

RICOS E MILIONÁRIOS PARA A GLÓRIA DE DEUS? Pablo Massolar

Preciso confessar minha intolerância religiosa e politicamente incorreta. Sim! Porque se não confessá-la, neste momento e canal, estarei negligenciando historicamente tudo o que creio segundo a simplicidade do que se aprende pela verdade, transparência e honestidade em Jesus e também do que estou convencido ser meu compromisso profético de denunciar o engano.

É a mesma intolerância que motivou o Senhor a chamar alguns religiosos de seu tempo de “raça de víboras”, “sepulturas pintadas” e “lobos enganadores”. Este é o zelo pela verdade a ponto de virar a mesa dos cambistas do templo e chamá-los publicamente de ladrões e salteadores. Não eram simples religiosos, eram aqueles que ditavam as regras no seu tempo, jogavam as cartas do jogo de dominação e manipulação do povo, assentavam-se nos primeiros lugares da sinagoga/templo, homens cuja “santidade” e “poder de Deus” eram medidos/avaliados somente pela aparência, externamente, pelo tamanho dos filactérios e franjas das roupas que usavam; eram aqueles que gostavam de orar em pé durante os cultos para serem vistos e admirados pelos outros homens ou para demonstrar um poder que julgavam ter [e não tinham].

Sem rodeios, apesar das duras palavras, mas em profundo amor, Jesus denunciava o pecado fosse ele institucional ou pessoal; olhando nos olhos de quem quer que fosse, desmascarava o que ele sabia ser a perversão da vida e do convite amoroso de Deus no encontro com o homem.

Esta semana vi escrito em um outdoor de uma grande e famosa igreja do Rio de Janeiro a frase: “Deus está levantando ricos e milionários para a Sua Glória. (...) Venha ser um deles”, havia também, estampada, a foto do pastor... (Ops!) eu disse pastor? Desculpe! Agora ele foi consagrado a apóstolo...

Pois, é! Não vou discutir a apostolicidade do nosso irmão, mas meu lamento e espanto, semelhante ao do apóstolo Paulo na carta aos Gálatas, quando ele diz: “Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho..." é perceber como uma grande parcela dos pastores/religiosos hoje estão cedendo à tentação de transformarem as pedras em pães, jogarem-se dos pináculos de seus templos midiáticos e se ajoelharem diante da “grandeza” e da Prosperidade para conquistarem a glória das cidades e reinos deste mundo.

Oro sinceramente para que ele e todos estes sacerdotes, profetas, missionários e apóstolos tenham tempo de se arrepender e crer no Evangelho simples de Jesus, a fim de encontrarem misericórdia e também [se possível] ensinar o caminho de volta aos seus discípulos, mas não posso ficar calado.

Deus não precisa fazer alguém rico ou milionário para ser glorificado, servido ou conquistar a terra. Já cantava inspiradamente o poeta: “a sabedoria mora com gente humilde (...)”, mas quem consegue discernir este tempo sabe que o engano já se instalou no coração e esfriou o amor de quase todos. A proposta daquele outdoor pareceu-me não somente absurda e mentirosa, mas revela a grande iniqüidade e potestade camuflada de piedade e “bênção”. Erra não só quem faz o convite para participar dos cultos a Mamom, mas também quem o cultua, serve-o com seus dízimos e ofertas e sobe as escadas dos pináculos atrás de seus líderes e guias espirituais na intenção de receber a mesma glória e poder deste mundo.

Sinto profundo constrangimento por esta geração perversa que só consegue ver “Deus” na riqueza e na troca, na barganha, na compra da “bênção”. Este “Deus” não é o meu Deus, não creio em um “Deus” que apenas seja Deus se for servido por ricos e milionários. Não creio em um “Deus” que expressa sua glória somente para aqueles que podem pagar por ela.

Eu creio no Deus que se fez carne, que ao contrário do desejo de alcançar a glória para cima, pelo domínio, através da glória dos homens e do mundo, preferiu o caminho inverso e se rebaixou até se confessar como servo humilde.

Os que vivem de fato para a glória de Deus podem até possuir algum bem (ou bens) neste mundo, podem por acaso ser chamados de ricos, milionários, mas seu coração certamente não estará no acúmulo de tesouros, muito menos no prazer de serem considerados como tais. Os que vivem e expressam a glória de Deus são os simples, os misericordiosos, os limpos de coração; aqueles que mesmo não possuindo prata nem ouro sabem expressar o bem e a glória de amar a Deus não pelo que Ele pode dar, mas pelo Dom da vida em abundância vivida gratuitamente.

Lúcifer foi contaminado pelo brilho e ganância do seu próprio comércio, este foi um dos motivos de sua queda. A avareza que derruba querubins facilmente derruba apóstolos e patriarcas, ainda nos dias de hoje. A denúncia que o apóstolo Pedro fez em sua comunidade neotestamentária é atual e verdadeira: "Assim como, no meio do povo, surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição. E muitos seguirão as suas práticas libertinas, e, por causa deles, será infamado o caminho da verdade; também, movidos por avareza, FARÃO COMÉRCIO DE VÓS, com palavras fictícias; para eles o juízo lavrado há longo tempo não tarda, e a sua destruição não dorme." (2 Pedro 2.1-2)

Ainda dá tempo de voltar ao caminho da cruz e do arrependimento. Quem tem ouvidos para ouvir?

O Deus que é glorificado sem som e sem palavras pela obra de suas mãos te abençoe rica, poderosa e sobrenaturalmente!


http://ovelhamagra.blogspot.com/2010/09/ricos-e-milionarios-para-gloria-de-deus.html

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

ATEU CRÉDULO (O Novo Ateu) por Ricardo Barbosa

"Hoje, o ateu não é mais aquele que não crê, mas aquele que não encontra relevância para Deus na sua rotina. O novo ateísmo não precisa negar a fé; apenas cria substitutos para ela. Mantém o crente na igreja, mas longe do seu Salvador".

Sabemos que existem vários tipos de ateus. Existem aqueles que não crêem em Deus por não encontrarem respostas para os grandes dilemas da humanidade como violência, miséria e sofrimento. Não conseguem relacionar um Deus de amor com o sofrimento humano. Outros não crêem porque não encontram uma razão lógica e racional que explique os mistérios da fé, como a criação do mundo, o dilúvio, o nascimento virginal, a ressurreição, céu, inferno etc. Diante de temas tão complexos que requerem fé num Deus pessoal, Criador e Redentor, muitos não conseguem crer naquilo que lhes parece racionalmente absurdo.

Os dois tipos de ateus já mencionados são inofensivos. Na verdade, são pessoas que buscam respostas, são honestos e não aceitam qualquer argumento barato como justificativa para suas grandes dúvidas. São sinceros e lutam contra uma incredulidade que os consome, uma falta de fé que nunca encontra resposta para os grandes mistérios da vida e de Deus.

No entanto há um outro tipo de ateu, mais dissimulado, que cresce entre nós, que crê em Deus e não apresenta nenhuma dúvida quanto aos mistérios da fé, nem em relação aos grandes temas existenciais. Ele vai à igreja, canta, ora e chega até a contribuir. É religioso e gosta de conversar sobre os temas da religião. Contudo, a relevância de Cristo, sua morte e ressurreição para a vida e a devoção pessoal é praticamente nula.

São ateus crédulos. O ateu moderno não é mais somente aquele que não crê, mas aquele para quem Deus não é relevante. Este é um novo quadro que começa a ser pintado nas igrejas cristãs. Saem de cena os grandes heróis e mártires da fé do passado e entram os apáticos e acomodados cristãos modernos. Aqueles cristãos que entregaram suas vidas à causa do Evangelho, que deixaram-se consumir de paixão e zelo pela Igreja de Cristo, que viveram com integridade e honraram o chamado e a vocação que receberam do Senhor, que sofreram e morreram por causa de sua fé, convicções e amor a Cristo, fazem parte de uma lembrança remota que às vezes chega a nos inspirar.

Os cristãos modernos crêem como os outros creram, mas não se entregam como se entregaram. Partilham das mesmas convicções, recitam o mesmo credo, freqüentam as mesmas igrejas, cantam os mesmos hinos e lêem a mesma Bíblia, mas o efeito é tragicamente diferente. É raro hoje encontrar alguém em cujo coração arde o desejo de ver um amigo, parente, colega de trabalho ou escola convertendo-se a Cristo e sendo salvo da condenação eterna.

Os desejos, quando muito, se limitam a visitar uma igreja, buscar uma "bênção", receber uma oração; mas a conversão a Cristo, o discipulado com todas as suas implicações, são coisa que não nos atraem mais. Os anseios pela volta de Cristo, o desejo de nos encontrarmos com ele e ver restaurada a justiça e a ordem da criação ficaram para trás. Somente alguns saudosos dos velhos tempos lembram-se ainda dos hinos que enchiam de esperança o coração dos que aguardavam a manifestação do Reino.

A preocupação com a moral e a ética, com o bom testemunho, com a vida santa e reta não nos perturba mais - somos modernos, aprendemos a respeitar o espaço dos outros. O cuidado com os irmãos, o zelo para que andem nos caminhos do Senhor, as exortações, repreensões e correções não fazem parte do elenco de nossas preocupações. Afinal, cada um é grande e sabe o que faz.

Enfim, somos ateus modernos, o pior tipo de ateu que já apareceu. Citamos com convicção o Credo Apostólico, mas o que cremos não tem nenhuma relevância com a forma como vivemos. A pessoa de Cristo para muitos é apenas mais uma grife religiosa, não uma pessoa que nos chama para segui-lo. O ateísmo moderno se caracteriza pela irrelevância da fé, das convicções, do significado da igreja e da comunhão dos santos.

A irrelevância de Deus para a vida moderna é intensificada pela cultura tecnocrática. Temos técnicas para tudo: para ter um matrimônio perfeito, criar filhos felizes e obedientes, obter plena satisfação sexual no casamento, passos para uma oração eficaz, como conseguir a plenitude do Espírito Santo e muitos outros "como fazer" que entopem as prateleiras das livrarias e o cardápio dos congressos.

A sociedade moderna vem criando os métodos e as técnicas que reduzem nossa necessidade de Deus, a dependência dele e a relevância da comunhão com ele. Chamamos uma boa música de adoração, um convívio agradável de comunhão, uma moral sadia de santificação, assiduidade nos programas da igreja de compromisso com o Reino de Deus.

As técnicas não apenas criam atalhos para os caminhos complexos da vida, como procuram inverter os pólos de atenção e dependência. Tornamo-nos mais dependentes de nós do que de Deus, acreditamos mais na eficiência do que na graça, buscamos mais a competência do que a unção, cremos mais na propaganda do que no poder do Evangelho.

Tenho ouvido falar de igrejas que são orientadas por profissionais de planejamento estratégico. Estudam o perfil da comunidade, planejam seu desenvolvimento, arquitetam seu crescimento e, de repente, descobrem que funcionam, crescem, são eficientes, e não dependem de Deus para nada do que foi planejado. Com ou sem oração a igreja vai crescer, vai funcionar. Deus tornou-se irrelevante. Tornamo-nos ateus crentes.

A minha preocupação não é simplesmente criticar o mundo religioso abstrato, superficial e impessoal que criamos ou criticar a tecnologia moderna que, sem dúvida, pode e tem nos ajudado. Minha preocupação é com o coração cada vez mais distante, mais abstrato, mais centralizado naquilo que não é Deus, mais dependente das propagandas e estímulos religiosos, mais interessado no consumo espiritual do que numa relação pessoal com Deus.

Como disse, o ateu hoje não é mais aquele que não crê, mas aquele que não encontra relevância para Deus na sua rotina, não precisa da comunhão dele para a vida. A sutileza do novo ateísmo é que ele não precisa negar a fé, apenas cria substitutos para ela. Mantém o crente na igreja, mas longe do seu Salvador. Este ateu está muito mais presente entre nós do que imaginamos.

Ricardo Barbosa de Sousa é pastor da Igreja Presbiteriana do Planalto (DF)
Fonte: www.eclesia.com.br

terça-feira, 27 de julho de 2010

O QUE SIGNIFICA ACEITAR A CRISTO - Tozer e Chambers

Eu não sei quem me despertou do sono, e me alertou do grande perigo, eu não consigo me lembrar onde ouvi o galo cantar ou qual cantou primeiro, o que eu sei é que este assunto é pouco discutido hoje em dia. Quando ouço algum pregador fazendo um "apelo" nesses termos (aceite a Jesus, Ele quer morar no seu coração - Jesus morreu por você e Ele só quer o seu coração - não viva sem Cristo, mas principalmente não morra sem Ele), me preocupo bastante sobre que tipo de Evangelho é este que está sendo anunciado, me dá até um arrepio.

Para alguns pode ser somente questão de terminologia, mas para mim é, como diz os autores, "aceitar a Cristo" é algo que não faz parte do 'espírito evangélico' contido nas Escrituras. Nem Cristo nem os Apóstolos falaram nestes termos, isso parece uma 'açucarização' do Evangelho, algo bastante perigoso. Você já ouviu falar de remédio eficiente sem ser amargo?

Os apelos neotestamentarios eram do tipo:
"arrenpendei-vos pois é chegado o Reino dos céus." (Mt 3.2);

"...Mas se não se arrenpenderem, todos vocês pereceram." (Lc 13.5);

"Depois Jesus foi pelas cidades e povoados e ensinava, prosseguindo em direção a Jerusalém. Alguém lhe perguntou: Senhor, serão poucos os salvos? Ele lhes disse: Esforcem-se para entrar pela porta estreita, porque eu lhes digo que muitos tentarão entrar e não conseguirão. Quando o dono da casa se levantar e fechar a porta, vocês ficarão do lado de fora, batendo e pedindo: Senhor, abre-nos a porta. Ele, porém, responderá:‘Não os conheço, nem sei de onde são vocês. Então vocês dirão: Comemos e bebemos contigo, e ensinaste em nossas ruas. Mas ele responderá: Não os conheço, nem sei de onde são vocês. Afastem-se de mim, todos vocês, que praticam o mal!" (Lc 13.22-27);

"Se alguém vem a mim e ama o seu pai, sua mãe, sua mulher, seus filhos, seus irmãos e irmãs, e até sua própria vida mais do que a mim, não pode ser meu discípulo. E aquele que não carrega sua cruz e não me segue não pode ser meu discípulo". (Lc 14.26,27);

"Pedro respondeu: Arrependam-se, e cada um de vocês seja batizado em nome de Jesus Cristo para que os seus pecados sejam perdoados, e vocês receberão de Deus o Espírito Santo". (At 2.38)

É disso que os dois, Tozer e Chambers, vão falar. Para mim é mais uma questão de vida ou morte. Um remédio pode ser inócuo ou se tornar um veneno dependendo da dose, no caso do Evangelho de Jesus Cristo não existe perigo de superdosagem...

BM

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O Ministério dos Despercebidos por Oswald Chambers
"Bem-aventurados os humildes de espírito." - Mateus 5.3

O Novo Testamento destaca virtudes que, pelos nossos padrões, não são lá muito importantes. "Bem-aventurados os humildes de espírito", literalmente - "bem-aventurados os indigentes" - algo excessivamente comum para ser levado em conta! As pregações que se ouvem hoje procuram enfatizar a força de vontade, a beleza do caráter da pessoa - coisas que são facilmente notadas por todos. A frase que tantas vezes ouvimos - "Aceitar a Jesus" - dá ênfase a uma postura que o Senhor nunca propôs e na qual nunca confiaria. Ele nunca nos pede para aceitá-lo, mas para nos rendermos a Ele - o que é muito diferente. O reino de Jesus Cristo tem como base a beleza natural daquelas coisas simples. Sou bem-aventurado é na minha pobreza. Se sei que não tenho força de vontade, nem nobreza de disposição, então Jesus diz: "Bem-aventurado és tu", porque é através dessa pobreza que entro no Reino dEle. Não posso entrar nele como pessoa boa, só posso entrar como um indigente.

A verdadeira natureza da beleza interior que testifica de Deus é aquela que se torna sempre um fator inconsciente. Uma influência consciente é pedante e anticristã. Se eu disser: "Será que sirvo para alguma coisa", perco imediatamente toda a beleza que vem do toque proveniente do Senhor. "Quem crer em mim... do seu interior fluirão rios de água viva", João 7:38. Se eu fico a analisar esses rios são, perco o toque do Senhor.

Quais são as pessoas que mais nos têm influenciado? Não são as que pensavam fazê-lo, mas as que não tinham a mínima noção de que estavam nos influenciando. Na vida cristã, a realidade implícita nunca é consciente; se é consciente, deixa de ter aquela beleza simples que é característica do toque de Jesus. Sabemos quando é Jesus que está operando, porque Ele produz nas coisas comuns algo que é inspirador.

Oswald Chambers (do devocional TUDO PARA ELE dia 21 de agosto).
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O Que Significa Aceitar Cristo por A W Tozer

Poucas coisas, felizmente poucas, são assuntos de vida e morte, tal como uma bússola para uma viagem marítima ou um guia para uma viagem através do deserto. Ignorar coisas assim vitais não é só lançar sortes ou correr um risco, mas puro suicídio; ou seja, estar certo ou morto.

Nosso relacionamento com Cristo é uma questão de vida ou morte, e num plano muito superior. O homem que conhece a bíblia sabe que Jesus Cristo veio ao mundo para salvar os pecadores e que os homens são salvos apenas por Ele sem qualquer influência por parte de quaisquer obras meritórias deles.

Tal coisa é verdadeira e sabida, mas a morte e ressurreição de Cristo evidentemente não salvam todos de maneira automática. Como um indivíduo entra numa relação salvadora com Cristo? Sabemos que alguns fazem isso, mas é óbvio que outros não alcançam esse plano. Como é coberto o abismo entre a redenção provida objetivamente e a salvação recebida subjetivamente? Como o que cristo fez por mim opera em meu interior? Para a pergunta: “O que devo fazer para ser salvo?” devemos aprender a resposta correta. Falhar neste ponto não envolve apenas arriscar nossas almas, mas garantir o exílio eterno da face de Deus. É aqui que devemos estar certos ou perder-nos para sempre.
Os cristãos “evangelicais” fornecem três respostas a esta pergunta ansiosa: “Creia no Senhor Jesus Cristo”, “Receba Cristo como seu Salvador pessoal” e “Aceite Cristo”. Duas delas são extraídas quase literalmente das Escrituras (At 16:31; Jo 1:12), enquanto a terceira é uma espécie de paráfrase, resumindo as outras duas. Não se trata então de três, mas de uma só.

Por sermos espiritualmente preguiçosos, tendemos a gravitar na direção mais fácil a fim de esclarecer nossas questões religiosas, tanto para nós mesmo quanto para os outros; assim sendo, a fórmula “aceite Cristo” tornou-se uma panacéia de aplicação universal, e acredito tem sido fatal para muitos. Embora um penitente ocasional responsável possa encontrar nela toda instrução de que precisa para ter um contato vivo com Cristo, temo que muitos façam uso dela como um atalho para a terra prometida, apenas para descobrir que ela o levou em vez disso a “uma terra de escuridão, tão negra quanto as próprias trevas; e da sombra da morte, sem qualquer ordem, e onde a luz é como a treva”.

A dificuldade está em que a atitude “Aceite Cristo” está provavelmente errada. Ela mostra Cristo suplicando a nós, em lugar de nós a Ele. Ela faz com que fique de pé, com o chapéu na mão, aguardando o nosso o veredicto a respeito dEle, em vez de nos ajoelharmos com os corações contritos esperando que Ele nos julgue. Ela pode até permitir que aceitemos a Cristo mediante um impulso mental ou emocional, sem qualquer dor, sem prejuízo de nosso ego e nenhuma inconveniência ao nosso estilo de vida normal.

Para esta maneira eficaz de tratar um assunto vital, podemos imaginar alguns paralelos; como se, por exemplo, Israel tivesse “aceito” no Egito o sangue da páscoa , mas continuasse vivendo em cativeiro, ou o filho pródigo “aceitasse” o perdão do pai e continuasse entre os porcos no país distante. Não fica claro que se aceitar Cristo deve significar algo, é preciso que haja uma ação moral em harmonia com essa atitude?

Ao permitir que a expressão “Aceite Cristo” represente um esforço sincero para dizer em poucas palavras o que não poderia ser dito tão bem de outra forma, vejamos então o que queremos ou devemos indicar ao fazer uso dessa frase.

Aceitar Cristo e dar ensejo a uma ligeira ligação com a pessoa de nosso Senhor Jesus absolutamente única na experiência humana. Essa ligação é intelectual,volitiva e emocional. O crente acha-se intelectualmente convencido de que Jesus é tanto Senhor como Cristo; ele decidiu segui-lo a qualquer custo e seu coração logo está gozando da singular doçura de sua companhia.

Esta ligação é total, no sentido de que aceita alegremente Cristo por tudo que Ele é. Não existe qualquer divisão covarde de posições, reconhecendo-o como salvador hoje e aguardando até amanhã para decidir quanto à sua soberania. O verdadeiro crente confessa Cristo como o seu Tudo em Todos sem reservas. Ele inclui tudo de si mesmo, sem que qualquer parte de seu ser fique insensível diante da transação revolucionária.

Além disso, sua ligação com Cristo é toda-exclusiva. O senhor torna-se para ele a atração única e exclusiva para sempre, e não apenas um entre vários interesses rivais. Ele segue a órbita de Cristo como a Terra a do Sol, mantido em servidão pelo magnetismo do seu afeto, extraindo dEle toda a sua vida,luz e calor. Nesta feliz condição são-lhe concedidos novos interesses, mas todos eles determinados pela sua relação com o Senhor.

O fato de aceitarmos a Cristo desta maneira todo-inclusiva e todo-exclusiva é um imperativo divino. A fé salta para Deus neste ponto mediante a Pessoa e a obra de Cristo, mas jamais separa a obra da Pessoa. Ele crê no Senhor Jesus Cristo, o Cristo abrangente, sem modificação ou reserva, e recebe e goza assim tudo o que Ele fez na sua obra de, tudo o que está fazendo agora no céu a favor dos seus, e tudo que opera neles e através deles.

Aceitar Cristo é conhecer os significado das palavras: “pois, segundo ele é, nós somos neste mundo” (1 joão 4:17). Nós aceitamos os amigos dele como nossos, seus inimigos com inimigos nossos, seus caminhos como os nossos, sua rejeição como a nossa rejeição, sua cruz como a nossa cruz, sua vida como a nossa vida e seu futuro como o nosso.

Se é isto que queremos dizer quando aconselhamos alguém a aceitar a cristo, será melhor explicar isso a ele, pois é possível que se envolva em profundas dificuldades espirituais caso não explanarmos o assunto.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

+ MAIS CRISTO - menos CRISTIANISMO por Ed René Kivitz


"Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês edificam os túmulos dos profetas e adornam os monumentos dos justos. E dizem: 'Se tivéssemos vivido no tempo dos nossos antepassados, não teríamos tomado parte com eles no derramamento do sangue dos profetas'. Assim, vocês testemunham contra si mesmos que são descendentes dos que assassinaram os profetas".
Mateus 23.29-31


"Quem entre vocês teme o Senhor e obedece à palavra de seu servo? Que aquele que anda no escuro, que não tem luz alguma, confie no nome do Senhor e se apóie em seu Deus. Mas agora, todos vocês que acendem fogo e fornecem a si mesmos tochas acesas, vão, andem na luz de seus fogos e das tochas que vocês acenderam. Vejam o que receberão da minha mão: vocês se deitarão atormentados".
Isaías 50.10,11


Este já o quarto post que trata de temas relativos a religião, cristianismo, evangélicos e igreja (nos marcadores a direita você pode lê-los). Em geral todos eles fazem sérias críticas a esses sistemas, contudo não com o propósito de rejeitá-los completamente, e sim de apontar as distorções. Outro fato é que embora saibamos que a intenção de Jesus não era fundar nenhuma nova religião, parece que não sabemos viver sem ela. Religião é sempre a tentativa do homem se chegar a um deus nas melhores das hipóteses, quando não de uma elite inescrupulosa buscando meios podres para subjugar um povo.

É muito difícil para nós profissionais da religião percebermos quão danoso é o sistema religioso que estamos inseridos, qualquer nome que tenha. A religião faz parte da humanidade desde o seu início, e não é criação exclusiva de ninguém, mas de certa forma nos alimentamos dela, e não só isso, nós também a fomentamos. O fariseu que há dentro de mim precisa ser morto, aniquilado. Dizemos o tempo todo que religião nenhuma tem poder para salvar, só Jesus tem, mas esquecemos do seu poder de afastar as pessoas de Deus (por causa de hipocrisia), e do seu poder de matar (por subnutrição, por envenenamento, e muitas vezes literalmente).

JESUS CRISTO não é uma bandeira, nem uma franquia. JESUS o Nazareno é o Filho de DEUS, é o Mistério de Deus, a face de Deus até então oculta, "o mistério que esteve oculto durante épocas e gerações, mas que agora foi manifestado", aquELE que viria, e veio, salvar o Seu povo dos pecados deles. É o Cordeiro de DEUS que tira o pecado do mundo. Este povo remido (resgatado, salvo), coberto pelo sangue do JUSTO de DEUS não é propriedade de nenhuma religião ou denominação em particular, é povo dELE. Não existe perigo maior para um líder religioso do que tratar esse povo como se fosse uma massa de manobra.

Escuto com frequência o pastor Ed René Kivitz, as mensagens pregadas na comunidade que ele lidera, IBAB (Igreja Bastista de Água Branca), estão sempre disponíveis no site http://www.ibab.com.br/, esta do domingo 13-06-10 que tem como tema MAIS CRISTO MENOS CRISTIANISMO é uma das imperdíveis.

Para ouvir click em cima do link e salve:


BM

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Do Caio, para digerir devagarzinho e com sabedoria:

quinta-feira, 15 de abril de 2010

MENTIRAS, CoNtRaDiÇõEs e ILUSÕES - Francisco Helder

Ando meio desapontado com minha geração. O modelo de cristianismo evangélico que prolifera Brasil afora me causa arrepios. O que é motivo de festa para alguns, gera em meu coração desconfiança e inquietação.

Não, não celebro o explosivo aumento do número de evangélicos em nosso país. Não vejo motivos para encher a mão de confetes, pegar instrumentos musicais, reunir amigos e comemorar. Acreditem, é mais do que hora de pararmos a festa, recorrermos à sobriedade e analisarmos francamente as reais condições do barco em que ousamos entrar. Um diagnóstico preciso pode salvar-nos. É insanidade farrear no convés de uma embarcação cujo casco está furado.

Desesperador é notar que os evangélicos de hoje não exercem a influência social que seus números sugerem. O aumento explosivo da quantidade de igrejas e evangélicos nem de longe significa expansão da dignidade e honestidade. Nossos princípios morais evaporam em meio ao calor da desenfreada ambição.

Sem falar que somos recordistas em contradições. Contradição, na explicação do Houaiss, é o “procedimento ou atitude oposta ao que se tinha dito antes”. Bom exemplo de contradição gira em torno do implacável Osama Bin Laden. Ventilou-se, há alguns anos, que nas partidas informais de futebol que ocorriam lá pelas bandas do Afeganistão, o Bin Laden era conhecido como o pacificador da turma. Para os menos informados, Osama Bin Laden é nada mais, nada menos que o terrorista e assassino mais procurado do mundo.

Mas o Osama que se cuide. Terá de pleitear feio com os cristãos o cobiçado prêmio “Nobel de Contradição”. Sim, pois historicamente, somos recordistas em protagonizar incoerências entre o que pregamos e vivemos.

Vasculhando nosso dossiê, encontramos registros aterradores e que nos incriminam. João Crisóstomo que o diga. Três séculos depois de Jesus, quando a igreja já tinha se espalhado pelo Império Romano, ele queixava-se: “Admiramos a riqueza tanto quanto eles (os não-cristãos) e até mais. Temos o mesmo medo da morte, o mesmo pavor da miséria, a mesma impaciência com a doença. Somos igualmente aficionados da glória e do poder [...]. Então, como eles podem crer?”.

Mais recentemente, Ronald Sider, em seu brilhante livro “O Escândalo do Comportamento Evangélico” (Editora Ultimato) denunciou que “os evangélicos afirmam crer nos valores bíblicos e no poder de Deus para transformar suas vidas. Contudo, muitos não vivem de modo diferente do resto do mundo. De dinheiro a sexo, de racismo a realização pessoal, um escandaloso número de cristãos não vivem o que pregam”.

Reforça tal acusação pesquisas realizadas por institutos respeitadíssimos como o Barna Group, dos EUA. Elas apresentam estatísticas mostrando que os cristãos evangélicos estão a ponto de assumir estilos de vida tão hedonistas, materialistas, egoístas e imorais quanto os do mundo em geral. Além disso, as pesquisas indicam que a imoralidade sexual da juventude evangélica é apenas um pouco menos vergonhosa que a dos jovens não evangélicos.

Por motivo semelhante, Brian McLaren, escritor americano, alerta que quando o comportamento de membros de um grupo religioso é um pouco melhor ou às vezes pior que o de seus vizinhos, líderes e membros desse grupo devem ficar atentos.

Precisamos, urgentemente, de uma reforma espiritual no Brasil. O modelo de espiritualidade onde se venera o carisma e negligencia o caráter deve ser abolido do nosso meio. Da mesma forma, devemos descartar a religião que promove seres hipnotizados por glória e poder.

É também necessário que haja um retorno imediato à santidade. Uma busca incessante pela pureza. Que nossos jovens optem por estilos de vida que irradiem luz; que desistam de protagonizar esta novela evangélica, onde sempre encarnam o papel de OO7, atuando como agentes secretos de Deus aqui na terra; que não sejam escravos do sexo; que abandonem a pornografia e desistam das técnicas de sedução onde precisam entulhar páginas de relacionamento virtual com imagens que apresentam e oferecem seus corpos como poderosos instrumentos sexuais (mesmo que “jurem de pés juntos” que não é por esse motivo que o fazem!).

Choros, cambalhotas, lágrimas, declaração de bênçãos, promessas e mais promessas, sonhos megalomaníacos ou êxtase entorpecente a cada novo culto não garantem mudança reais e significativas. Aliás, não passam de mera inutilidade. Estou farto de ver jovens, a cada novo culto, buscando a “re-re-re-reconciliação” com o Senhor.

Tenho uma ponta de desconfiança que, para muitos deles, a Salvação não é mais que um pacote que inclui apenas seguro contra o fogo do inferno, contrato de credibilidade pessoal (com direito a inclusão e ascensão social/denominacional), massagem dominical para o ego e um passaporte para o céu. Esse não é, definitivamente, o coração do evangelho de Cristo Jesus! Tal mensagem é adulterada e gera deliquentes evangélicos que, não raras vezes, estão sob efeito de perigosas alucinações.

Mas não desanimemos: ainda há esperança! É possível mudar este quadro. Retorno à fiel Palavra de Deus, vida diária de oração e comunhão sincera com nossos irmãos: este é o ÚNICO caminho para a reversão dessa triste realidade.

Do contrário, podemos voltar ao nosso barco furado e continuar a festa regada a muita música, confete, “unção” e euforia. Mas atente para esta importante recomendação de bordo: Antes do fim da viagem, reserve alguns instantes e observe o trabalho dos remadores. Note que olham para um lado e remam para o outro. Reproduzir esta prática navegando na vida cristã é arriscadíssimo. Se continuarmos a olhar para o céu com nossa “profissão de fé” enquanto remamos para o inferno com nossas práticas, sofreremos as danosas consequências.

Jesus prometeu que quando se deparar, no porto final, com alguns navegantes, assim os recepcionará: “Ei, você aí nesse barco! Quero dizer diante de todos aqui presentes: EU NUNCA TE CONHECI. Afaste-se de mim, você que sempre amou e praticou o mal!” (Mt 7.23, adaptado). Após esse momento, haverá um cinematográfico naufrágio. Muitos morrerão. Seus corpos poderão ser encontrados boiando num lago distante. Algo caracterizará todos os cadáveres: semblante de dor, desespero, choro e ranger de dentes (Mt 24.51). Não haverá mais festa nem alegria. Nada mais poderá ser feito. Será tarde demais.

por Francisco Helder


http://www.ultimato.com.br/blog/2010/04/06/outros-papos/mentiras-contradicoes-e-ilusoes.html