"Temos esta Esperança como âncora da alma, firme e segura, a qual adentra o santuário interior, por trás do véu, onde Jesus que nos precedeu, entrou em nosso lugar..." (Hebreus 6.19,20a)
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terça-feira, 8 de julho de 2014

A VIDA DEVOCIONAL por Osmar Ludovico

Um dos pilares da experiência cristã é a vida devocional, isto é, o cultivo de uma relação de intimidade com Deus através da leitura bíblica e da oração. Na recomendação de Jesus Cristo, a vida devocional acontece no quarto de portas fechadas, no secreto, longe do público e das distrações.

A vida devocional é um privilégio extraordinário para os que creem. Na antiga aliança, só o sumo sacerdote, uma vez por ano, tinha acesso à presença de Deus no Santo dos Santos, no templo de Jerusalém. Porém, no momento em que Jesus Cristo morre na cruz, o Evangelho relata que o véu que dava acesso ao Senhor foi rasgado de alto a baixo – e lemos no livro de Hebreus que, agora, podemos entrar confiadamente na sala do trono pelo novo e vivo caminho no sangue de Cristo.

Deus não está mais no templo de Jerusalém, edificação feita por mãos humanas. Agora, ele habita no coração do homem e da mulher que nele creem e, assim, nosso corpo se tornou o templo do Espírito Santo. Este é o mistério de Cristo em nós; assim foi abolido o sacerdócio como privilégio dos levitas e, no Filho de Deus, o sacerdócio se tornou universal e inclui todos os crentes. Apesar disso, o que temos visto na Igreja é um retrocesso, pois o lugar do encontro com Deus se tornou o templo no domingo; a adoração é intermediada pela banda e pelo dirigente do louvor, e Deus fala através de pregadores ungidos. Além disso, levamos nossas orações para intercessores que, supostamente, têm poder.

O resultado é uma geração de crentes que dependem de intermediários na sua relação com Deus. Ao invés da leitura bíblica pessoal, ouvimos sermões, e no lugar da oração pessoal, aquela que se desnuda diante do Senhor, fazemos nossos pedidos na reunião de oração. É por isso que existem tão pouco santos e profetas entre nós, e tantos crentes imaturos e instáveis. Santo não é aquele que não peca mais, mas o que sabe que é um grande pecador e vive quebrantado e na dependência do Espírito Santo. E profeta não é aquele que adivinha o futuro, mas denuncia o mal e anuncia o juízo, sem preocupação em agradar aos outros.

A vida devocional ficou em segundo plano, e sem uma relação pessoal com Deus a ênfase recai na vida comunitária, no programa, no culto – em parte porque nos tornamos pessoas inquietas e agitadas que não conseguem parar, e em parte porque achamos que Deus só fala conosco através de pastores. Mas também negligenciamos a vida devocional porque achamos improdutiva e perda de tempo e buscamos experiências espirituais eufóricas e entregamo-nos ao ativismo religioso.

Sabemos que Deus habita o mais alto e santo lugar nos céus, mas também habita o coração do contrito e do abatido de espírito. Procuramos o Altíssimo nos mais altos céus – mas ele está muito mais perto de nós, no nosso coração. Encontramos o Senhor mais facilmente quando descemos, e não quando subimos; descemos ao nosso coração para encontrá-lo por trás da nossa maldade e da nossa agitação. A casa do Pai é o nosso próprio coração: por isso, voltar para à casa do Pai é retornar ao nosso próprio coração. Ali, ouvimos sua palavra e lhe respondemos com nossas orações. Esta é uma descrição da vida devocional. Em outras palavras, podemos dizer que é o cultivo de uma amizade com Deus no recôndito do nosso coração. Nossa vida se torna, então, um caminho com Cristo até Cristo, um caminho em direção ao nosso próprio coração, onde o Senhor nos aguarda apesar das nossas agitações e preocupações. Aquietamo-nos para encontrá-lo e, quando o encontramos, estamos prontos para encontrar outros.

Sabemos da importância dos frutos na vida cristã: fruto de arrependimento, fruto do Espírito e fruto de boas obras. Todavia, a parte mais importante de uma árvore é a raiz. A árvore pode ter um tronco magnífico e folhas viçosas, mas se a raiz estiver afetada, seus frutos serão ruins e ela pode até morrer. Pois a vida devocional é raiz que precisa estar coberta, no escuro, nas profundezas. Se ela é saudável, alimentando-se da seiva viva e bebendo dos mananciais de águas puras, então não precisamos nos preocupar com os frutos – eles, certamente, virão e serão bons.

Precisamos resgatar o ensino e a prática do sacerdócio universal dos crentes e o vinculo de intimidade com Deus através da leitura bíblica e da oração no secreto.

http://www.cristianismohoje.com.br/colunas/osmar-ludovico/encontramos-o-senhor-mais-facilmente-quando-descemos-e-nao-quando-subimos

sábado, 26 de abril de 2014

EU SOU CRISTÃO! por Carol Wimmer

Quando eu digo “eu sou cristão”,
Não estou gazeteando “eu tenho uma vida exemplar”. 
Eu estou cochichando “eu estava perdido, 
fui achado e fui perdoado”.

Quando eu digo “eu sou cristão”
Não falo disso com orgulho pessoal
Eu estou confessando que sou falho
E, por isso, preciso de Cristo para ser meu guia

Quando eu digo “eu sou cristão”
Eu não estou dizendo que sou forte
Estou confessando que sou fraco e preciso 
da força dEle para seguir

Quando eu digo “eu sou cristão”
Eu não estou falando de sucesso
Estou admitindo que tenho fracassado 
e preciso de Deus para limpar minha sujeira

Quando eu digo “eu sou cristão”
Eu não estou dizendo que sou perfeito 
minhas falhas são demasiadamente visíveis 
mas que no seu amor Deus crê que eu valho a pena

Quando eu digo “eu sou cristão”
Eu ainda tenho problemas.
Eu tenho minhas dores de cabeça
Por isso invoco o seu Nome de poder. 

Quando eu digo “eu sou cristão”
Eu não sou mais santo que você.
Sou apenas um pecador que foi salvo
Que de alguma maneira recebeu a graça divina.

"Tu és o Deus das alvoradas, o Deus das vigílias noturnas, o Deus dos picos das montanhas e o Deus das profundezas dos mares; mas, Deus meu, minha alma tem horizontes mais vastos do que as alvoradas, as trevas mais densas do que as noites da terra, picos mais altos que qualquer montanha, profundezas maiores que qualquer mar. Tu, que és o Deus de tudo isso, sê o meu Deus. Não posso atingir as alturas nem as profundidades; há motivações que não consigo desvendar, sonhos que não posso alcançar — meu Deus, sonda-me".(Oswald Chambers -Salmo 139)

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

MELHOR QUE O PLANEJADO

Leitura: Efésios 5:15-21 
…dando sempre graças por tudo… —Efésios 5:20

As interrupções não são novidade. Raramente um dia corre como o planejado.

A vida é cheia de inconveniências. Os nossos planos são constantemente contrariados por circunstâncias além do nosso controle. A lista é longa e sempre mutante. Doenças, conflitos, engarrafamentos, esquecimentos, mau funcionamento de equipamentos, grosserias, preguiça, falta de paciência, incompetência.

O que não podemos ver, no entanto, é o outro lado da inconveniência. Acreditamos não ter outro propósito além de nos desencorajar, dificultar a vida e frustrar os nossos planos. Entretanto, a inconveniência poderia ser o jeito de Deus nos proteger do perigo despercebido, ou poderia ser uma oportunidade de demonstrar a graça e o perdão de Deus. Pode ser o começo de algo muito melhor do que havíamos planejado. Ou poderia ser um teste para verificar como reagimos à adversidade. Seja o que for, mesmo que não conheçamos os motivos de Deus, podemos estar certos do que Ele quer: tornar-nos mais parecidos com Jesus e expandir o Seu reino na terra.

Dizer que através da história os seguidores de Deus encontraram “inconveniências” é eufemismo. Mas Deus tem um propósito. Sabendo disso, podemos agradecê-lo, confiantes de que Ele nos dá uma oportunidade de remir o tempo (Efésios 5:16,20).

—JAL
O que acontece conosco não é tão importante quanto o que Deus faz em nós e por nosso intermédio.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

DEPRESSÃO: UMA MORTE VIVA por Esther Carrenho

Depressão é uma palavra no singular, mas que designa uma série de quadros. Há a depressão leve, a moderada e a chamada grave, ou severa. Há também as depressões que estão relacionadas ao jeito de ser da pessoa. Elas existem, mas não são acontecimentos externos que as desencadeiam – são processos que surgem de dentro para fora. E ainda há as depressões que nem deveriam merecer o nome, já que são reações de tristeza e desencanto por perdas naturais na vida; o desemprego, a saída de um filho de casa, as mudanças de qualquer tipo, a chegada da velhice ou uma doença. Melhor dizendo, tais tipos de quadros merecem mais o nome de "sintomas depressivos", necessários para a elaboração do que se foi e a adaptação à nova realidade. 

Depressão é um assunto praticamente inesgotável. Muito já foi dito escrito e descrito sobre ela, e ainda há muito para ser descoberto. Mas dois aspectos existentes em quase todos os tipos de depressão podem ser considerados positivos. O primeiro é a possibilidade de uma reviravolta na vida. Isto é, a depressão é um alerta de que a forma como a vida acontece já não é mais possível. É como uma luz no painel da existência, indicando que, se providências não forem tomadas, a vida do indivíduo entrará em pane total. Vários fatores podem interferir e provocar um estado de depressão grave, no qual a pessoa perde totalmente o ânimo. O mundo vira todo colorido de cinza; os projetos futuros desaparecem; o sono e o apetite se alteram, a realidade fica distorcida. A disposição e a vontade para atividades sociais somem por completo. Se é que ainda existe algum alivio nesse quadro, este se dá no isolamento e na solidão – e o desejo de morrer é uma realidade constante. É por essa razão que chamo a depressão de "morte viva": há na depressão um gosto de morte, sim, ou porque alguma morte já ocorreu ou porque algum tipo de ruptura precisa ocorrer, para que a pessoa possa viver melhor trilhando novos caminhos. 

O segundo sinal positivo na depressão é que, junto com o inferno que, muitas vezes, é experimentado, há também aspectos positivos a serem adquiridos enquanto se mergulha na noite escura da vida, como se refere São João da Cruz. Lembro-me de uma mulher de 35 anos que acompanhei num período de depressão profunda, durante quase seis meses. Ela podia contar com um marido e com amigos que lhe deram todo o suporte durante o período em que não via razões para continuar viva; e também com um médico, que tratou dela de forma que tivesse condições para rever sua própria vida enquanto enfrentava as trevas da depressão. Quando, finalmente, superou aquela crise, ela concluiu que a agonia profunda que experimentou fez dela um ser humano mais acolhedor e compreensivo para com as pessoas, principalmente diante daquelas que apresentam tristeza, desânimo e vontade de desistir. "Hoje, sou mais amorosa e paciente. É como se o meu espaço interior tivesse se alargado para acolher as pessoas que sofrem", constatou ela. 

As depressões requerem cuidados e atenção; e, na maioria das vezes, medicação adequada pode ajudar em muito. Mas não se pode esquecer que tais situações também cooperam com o amadurecimento e o crescimento, tanto emocional como espiritual. Elias, o profeta, é um bom exemplo disso. Ele experimentou na própria pele um estado com todos os sintomas de uma depressão grave. Deus não o condenou; pelo contrário, quando ele fugia com medo de ser assassinado pela rainha Jezabel, milagres aconteceram na sua vida. Enquanto ele só dormia, a Bíblia diz que um anjo lhe trouxe comida, para que tivesse forças para caminhar até o Horebe. Naquele monte, Deus se manifestou a ele através de uma brisa suave. Elias, então, se apresenta e Deus lhe fala de forma acolhedora e amorosa, esclarecendo que ele tinha tarefas importantes para executar e que não estava sozinho: havia 7 sete mil pessoas que criam como ele e com as quais poderia conviver. 

Até Cristo Jesus experimentou uma tristeza profunda no Jardim do Getsêmani, sentimento tão intenso que o próprio Filho de Deus o definiu como "tristeza de morte". Mas foi assumindo aquela tristeza que ele tomou a decisão final de derramar vida a todos nós, através de sua morte na cruz. Pois que tanto Elias como Cristo sejam nossos estímulos para que, caso a depressão chegue a nós, não caiamos na desesperança!

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

OFICINA DE VIDAS - Uma reflexão sobre discipulado por Carlos Moreira

"Os onze discípulos foram para a Galileia, para o monte que Jesus lhes indicara. Quando o viram, o adoraram; mas alguns duvidaram. Então, Jesus aproximou-se deles e disse: “Foi-me dada toda a autoridade nos céus e na terra. Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os ema nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei. E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos". Mateus 28.16-20

Excelente reflexão sobre (para mim) a principal omissão e pecado da Igreja de Cristo, O DISCIPULADO.

Aproveitando e a reflexão, eu gostaria de obter algumas respostas acerca deste tema, é uma especie de pesquisa que me serviria para corroborar uma futura reflexão minha:

1- Você já foi discipulado por alguém, isto é acompanhado dia-a-dia por um mentor espiritual, em algum período da sua vida? (alguém que não somente lhe "evangelizou", mas levou com você a sua carga, lhe mostrou com sua vida, a Vida de Jesus).

2- Se foi, "quanto" da sua "herança espirtual" você credita a este relacionamento? Se não, você acha que isto lhe faz falta?

Eu, por exemplo, me lembro que aos meus treze anos de idade fui discipulado (somente por uma semana) no acampamento Palavra da Vida, pelo "conselheiro" Maninho. Vejo hoje, mais do que nunca, quanto aqueles dias foram importantes para minha formação espiritual.

Aos 14 e 15 anos de idade tive um professor de adolescentes na igreja que participava chamado Paulo "broa" (por causa de suas faces, um pouco redondas) que foi referência para mim, mas não foi um discipulador mas sim professor.

Aos 28, tive no meu dirigente de Decúria do Cursilho uma espécie de discipulador, mas muito mais pela sua boa vontade e dedicação. Éramos muito mais irmãos que compartilhavam, do que mentor e mentoreado.

Hoje, sabendo a importância deste tipo de relacionamento, procuro desenvolver amizades onde o discipulado ocorra; ora recebendo, ora sendo canal da Graça.

Infelizmente o discipulado é uma temática que não é levada a sério, penso ser esta a maior realização que uma pessoa pode fazer; primeiro ser discípulo de Cristo, depois, formar discípulos dEle.
BM
...
Oficina de Vidas - Uma Reflexão sobre Discipulado

INTRODUÇÃO
Quem me conhece sabe o quanto eu gosto de carro. Oficina, então, nem se fala! Vá entender... Gosto de quase tudo que tem quatro rodas, mas o Jipe sempre foi o meu "xodó". Quando comprei o primeiro, passava horas com ele no mecânico. A coisa chegou a um estado tal, que Fabiana uma vez me disse que eu estava ficando mais tempo na oficina do que com ela em casa.

Sempre gostei de cuidar de carros e acabei desenvolvendo outra paixão na vida: cuidar de gente, mas é fato que se trata de coisas totalmente antagônicas. Carro se machuca, arranha, amassa, quebra uma peça, mas sempre tem jeito! Com grana e uma boa oficina pode-se até, num curto espaço de tempo, transformar uma velharia num hot rodes. Mas com gente é diferente. Gente quando "arranha", "amassa", ou "quebra" dá um trabalho enorme para "recuperar" e, não raras vezes, o problema é tão grave que a "perda é total".

Você já pensou numa oficina que cuidasse de vidas? Imagine o cliente chegando e sendo recebido pelo "mecânico" da alma que diria: "é patrão, vamos ter de arriar todo esse egoísmo, que já rodou bastante, e colocar no lugar dele dois litros de generosidade. Também vou ter de substituir essa mentira aqui, que como se pode ver já está bastante gasta, por aquela verdade ali, novinha em folha".

Que bom seria se fosse assim! Mas não é. Gente dá trabalho. Gente tem insegurança, insensatez, implicância, intemperança, intolerância, indolência, e tanta coisa ruim que agente só acredita que gente tem jeito porque agente é gente. E dá trabalho cuidar de gente; e como dá... Mas não há, nessa terra, tarefa que seja mais inspiradora e, no meu entender, que seja tão prioritária.

UMA "PAIXÃO" DENTRO DA PAIXÃO

Quando olho para Jesus, vejo essa verdade expressa em cada gesto e em cada palavra, pois, de fato, o Mestre gostava de gente. Gente doída, gente perdida, gente caída, gente excluída, gente que não se achava gente, gente que perdeu a referência do que era ser gente, gente que ignorava outra gente, gente de todo tipo e gente de toda gente.

Jesus vivia rodeado de pessoas. Com elas celebrou a vida e, por causa delas, a própria vida doou. Mas também experimentou nas suas relações a tristeza, a decepção e a dor. Para mim, a encarnação nada mais é do que Deus se deixando traduzir. Deus, agora, não é mais somente Deus, mas também é homem, bem próximo a nós. Podemos vê-Lo na esquina, entre uns e outros. Ele vai à casa do publicano e senta-se na roda dos pecadores. Conversa com a prostituta e come na mesa do coletor de impostos. Num momento está numa festa e, no outro, partilhando da dor solitária de um aleijado esquecido. Alegra-se no casamento, e chora no enterro do amigo, acolhe carinhosamente as crianças e expulsa o demônio que atormenta o endemoninhado. Verdadeiramente, a paixão daquele Galileu, era gente...

A vida de Jesus foi "gasta" com pessoas, sobretudo, os três últimos anos. Ele investiu todo o tempo de que dispunha na tarefa de fazer discípulos e, mesmo não tendo inventado o discipulado, discerniu-O como algo eficaz e aplicou-O como estratégia no ministério. No fundo, Ele criou uma oficina de vidas, pois, no que diz respeito à "consertar" gente, nunca houve ou haverá alguém melhor do que Jesus.

QUEBRANDO PARADIGMAS

Mais o que é mesmo discipulado? Ora, para tentar refletir um pouco sobre o tema, vou primeiro lhe dizer, o que eu acho que não é.

- Discipulado não é uma reunião de pessoas, mas a união de pessoas que se reúnem;
- Discipulado não é apenas abrir a casa para uma reunião, mas abrir a vida para a comunhão;
- Discipulado não é algo que acontece num dia da semana, mas, numa semana, todos os dias;
- Discipulado não termina quando a reunião acaba, pelo contrário, começa;
- Discipular não é passar a vida ensinando a bíblia, mas, no ensino da bíblia, passar a vida;
- Discipular não é apenas ensinar o que se aprende, mas viver o que se ensina;
- Discípulo não é alguém que quer apenas fazer discípulos, mas, antes de tudo, ser discípulo;
- Discípulo não é alguém que freqüenta a sua casa, mas aquele que partilha com você a sua vida;
- Discipulador não é aquele que apenas aceita o chamado do pastor, mas que compreende a comissão do Senhor;
- Discipulador não é um cargo que se assume na Igreja, mas um encargo que se assume na vida.

Tenho trabalhado com discipulado há mais de 20 anos. Neste período, no nosso país, observei, pelo menos, 4 "tipos" dele sendo implementados nas Igrejas.

1- DISCIPULADO COMO UM SISTEMA DE MANIPULAÇÃO
É um tipo de discipulado onde o discipulador exerce forte influência na vida de "seus" discípulos sendo que, em muitos casos, a relação torna-se, perigosamente, passional. O que à primeira vista poderia ser um fator positivo acaba tornando-se, num curto espaço de tempo, em algo extremamente nocivo. É que a dita "influência" vai muito além do que deveria ir, revelando-se, assim, uma invasão de privacidade. As pessoas têm de fazer a vontade do líder, sempre sob o suposto respaldo das Escrituras que, não raras vezes, são utilizadas totalmente fora de contexto.

Outra característica deste tipo de discipulado é ser um "sistema" fechado em si mesmo, com regras e rigores a respeito da vida e da conduta. O produto gerado a partir deste "caldo existencial" são vidas que existem sob o signo do medo, uma vez que, num ambiente como esse, torna-se quase impossível desenvolver de forma sadia a consciência na graça.

Conteúdos e verdades podem e devem ser repassados, primordialmente, através da vida, com respeito e amor, sempre olhando de forma reverente os "espaços" do outro, nunca perdendo a referência de que cada pessoa fará o seu próprio caminho na terra com Deus, pois será a partir dele que colherá a paz e o bem de cada dia.

2- DISCIPULADO COMO UMA ESTRATÉGIA DE MASSIFICAÇÃO
Muito do que acontece hoje, no mundo corporativo, achará guarida, em alguns anos, no mundo eclesiástico. Foi isto o que aconteceu na última década, com vários conceitos e processos empresariais sendo adicionados ao dia a dia das Igrejas.

Dentro desta perspectiva, os métodos voltados para o crescimento da membresia, mais especificamente através da estratégia de pequenos grupos, são os mais utilizados. A "visão" inicial, que chegou ao Brasil em meados dos anos 90, tinha como modelo a Igreja em Células da Colômbia que, num curto espaço de tempo, experimentou, através do discipulado, um crescimento numérico de milhares de pessoas.

Na versão tupiniquim, entretanto, o método sofreu o aditamento de programas e estratégias de planejamento e marketing com vistas a gerar melhores "resultados". O saldo, todavia, na maioria dos casos, tem sido desastroso, e não há como ser diferente, pois algo tão frio e impessoal, que visa apenas metas quantitativas, só pode gerar um adoecimento emocional e espiritual nas pessoas. Muitos são os casos dos que se queixam de estarem sendo submetidos a forte pressão para que metas de "multiplicação de membros" sejam alcançadas, como se a Igreja agora fosse uma empresa.

Jesus não nos mandou oprimir as pessoas, mas instou-nos a servi-las e amá-las. Nossa tarefa é encher o céu, e não a Igreja. Encher Igreja, sobretudo com gente vazia, é algo fácil. Com meia dúzia de "teologias da terra" o objetivo será alcançado. Mas, povoar o céu, com gente transformada, que compreende a graça e que viva de forma pacificada com Deus e com seus semelhantes, é tarefa apenas para quem quer ver o Reino de Deus crescer, e não o seu reino pessoal.


3- DISCIPULADO COMO UM PROGRAMA DE MANUTENÇÃO

Toda rotina gera fadiga, até mesmo nas coisas boas. Tenho observado que muitas comunidades se encantam com a possibilidade de começar um "programa" de discipulado. Analisam livros, escolhem métodos, criam uma "estrutura" e comissionam pessoas para a "execução da tarefa". Todavia, cedo-cedo, e, inevitavelmente, acabam se deparando com questões prementes tais como: o que é ser discípulo? O que se deve ensinar a eles? De que forma eles serão influenciados? Qual o objetivo deles estarem nas reuniões? A maneira de lidar com estas e outras questões, ao longo do tempo, definirá se a "coisa", como um todo, irá ou não rumar na direção de um "programa de manutenção".

O que é isto? É quando o discipulado, após alguns anos de funcionamento, torna-se apenas mais um "programa" da Igreja e, por isto, tem de ser mantido em funcionamento. Chega-se facilmente a esta situação quando a rotina se estabelece e o método se torna mais importante que a vida. Mesmo algo bom, como uma reunião caseira, com cânticos, orações, estudo e compartilhar, pode tornar-se algo extremamente "viciante", sem desdobramentos maiores, sem que as pessoas sejam de fato transformadas nos valores, conteúdos e caráter. Numa perspectiva mais ampla, o "programa" ou tenderá a se acabar, ou virará algo sem conseqüências práticas para a vida. Existirá sim, porém, cada vez mais, menos pessoas se interessarão por ele.

Jesus fez justamente o contrário, ou seja, transformou o método em algo prático e aplicável à vida. Jesus não chamou os discípulos para uma reunião na sua casa, nem para participarem de um estudo bíblico na sinagoga, nem mesmo para um grupo de comunhão aos sábados, dia reservado ao "sagrado". O convite foi para que pudessem experimentar o hoje, com todas as cores e intensidade de cada momento, na singularidade incomparável que há em cada dia. O chamado dizia respeito a se "provar" as dinâmicas da existência e, a partir delas, experimentar a verdadeira vida que deve ser sempre vivida em abundância.

4- DISCIPULADO COMO UM TEMA PARA MEDITAÇÃO
Quem já passou por um curso de pós-graduação sabe que um dos itens mais importantes para a formulação de uma tese é o arcabouço teórico, ou seja, o acréscimo ao texto principal do pensamento de diversos autores. Mas, uma boa tese, dificilmente se sustentará sem um "trabalho de campo", ou seja, sem as observações práticas que respaldem a teoria proposta. Pois bem, a mesma coisa pode ocorrer com o discipulado quando ele se transforma num tema para meditação, quase sempre contido nos objetivos de ensino da Igreja.

Com data de início e fim já demarcados - em alguns casos estabelece-se o tempo de três anos - o grupo passa a reunir-se com o objetivo de estudar um vasto cabedal de temas bíblicos e de autores diversos. Assim, o que deveria ser um estilo de vida a ser adotado, com pressupostos mais excelentes, acaba se transformando, apenas, num conjunto de conteúdos a ser "dissecado". Ao final do período proposto, cumpridas as "exigências", o membro do grupo torna-se um "discípulo graduado", ou seja, alguém que cumpriu uma espécie de jornada acadêmica, mas que, talvez, não tenha incorporado nenhuma prática à vida. Tiago nos adverte sobre o risco que há nesse proceder, quando nos diz: "tornai-vos, pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos".Tg. 1:22.

Jesus não iniciou com seus discípulos um programa acadêmico fechado, mas, pelo contrário, criou uma grande escola da vida, aberta às pessoas, com sala de aula móvel, variando entre um lugar e outro, com conteúdos ensinados a partir das manifestações próprias da existência humana, sempre buscando harmonizar as pessoas ao mundo que as cercava e a Deus o Pai e Criador.

Mais afinal, então, o que é discipulado?

DISCIPULADO É A ESSÊNCIA DA MISSÃO.

Não há como entender algo sobre discipulado cristão se não olharmos para Jesus. Ele é a chave hermenêutica para todas as coisas e, a partir dEle, tudo pode ser discernido, até o próprio coração do Pai. É certo que as Escrituras Sagradas nos revelam alguns modelos de discipulado - Moisés e Josué, Elias e Eliseu, Paulo e Timóteo - mas a referência maior está no discipulado de Cristo.

Discipulado não é apenas um programa, apesar de ter etapas, nem um método, apesar de ter estratégias, nem mesmo um sistema, apesar de ter processos, mas é, antes de tudo, um estilo de viver para ser incorporado à vida. O ponto focal de tudo está no relacionamento. Jesus não chamou pessoas para manipular, nem criou estratégias para alcançar as massas e multiplicar "o bolo". Ele não estabeleceu uma rotina reciclável de entretenimento e nem fundou uma classe de estudos sistematizados. Tudo que aconteceu, aconteceu a partir da vida, nas relações travadas no dia a dia e nas oportunidades que foram surgindo a partir dos encontros humanos. Foi algo simples, mas extremamente poderoso.

Os vínculos e laços gerados, durante aqueles três anos de convivência com Cristo, foram tão profundos e marcantes que a vida daqueles que com Ele estavam nunca mais foi a mesma. Jesus ressuscitou, subiu aos céus, mas antes de sentar-se, definitivamente, à direita do Pai, esteve com Seus discípulos uma última vez, às margens do mar da Galileia. Na derradeira palavra do Senhor aos seus amigos, disse: "ide e fazei discípulos". E, de fato, eles foram...

Quando penso em tudo isto e olho para a grande comissão meu coração se enche de esperança e alegria. Sim, porque mesmo sem cursos, apostilas ou livros, mesmo sem recursos de fita K7, CD ou DVD, sem elaboração de estratégias, programas ou campanhas, os discípulos saíram pelo mundo anunciando as boas novas da salvação. De nada se fizeram acompanhar que não fosse vida. Sim, tudo se resumiu apenas a vida vivida com o Galileu, naqueles dias empoeirados na Palestina, onde a luz resplandeceu nas trevas de seus corações.


CONCLUSÃO

Discipulado é uma oficina de vidas! É uma tarefa árdua e que exige persistência. Muitas pessoas estão à nossa volta, todos os dias, precisando ser discipuladas. Algumas estão em nossa casa, outras no trabalho, ou na faculdade, e outras estão dentro da Igreja. Muitas delas acham que não precisam se submeter a isso, e outras, até que precisam, mas poucas serão as que tomarão uma decisão de ir além. Existe uma grande diferença entre precisar e querer e, isto, você verá por si mesmo...


O discipulador é um escultor do caráter de Cristo no caráter das pessoas. Ele é
alguém que entendeu que precisa ser uma referência na vida de outros a partir da vida que pulsa na sua própria vida. E isto leva tempo... E dá trabalho... Por isso, não espere moleza se quiser ser e fazer discípulos.

Jesus discipulou, de forma mais próxima, 12 pessoas. A Bíblia também fala dos 70, dos 120 e Paulo menciona os 500. Não sei quantos dá para formar numa vida, mas tenho a impressão de que, talvez, não sejam muitos. Se, todavia, nos empenharmos nesta tarefa, poderemos ver, ainda nessa geração, uma Igreja formada, em sua maioria, por discípulos do Senhor. Isso, posso lhe garantir, fará muita diferença...

Sola Gratia!

Carlos Moreira - www.carlosmoreira.com

terça-feira, 1 de outubro de 2013

NEM DENTRO NEM FORA por Ricardo Barbosa

Blaise Pascal (1623–1662), o grande físico, matemático e teólogo francês, em seus “Pensamentos”, falando sobre a grandeza do homem, afirma o seguinte: “Os estoicos dizem: Tornai a entrar dentro de vós mesmos; é aí que encontrareis o vosso repouso: e isso não é verdadeiro. Outros dizem: Saí e buscai a felicidade divertindo-vos: e isso não é verdadeiro. […] a felicidade não está nem em nós, nem fora de nós; está em Deus, tanto fora como dentro de nós”.

Tenho a impressão de que as tentações mais sutis nos são apresentadas aos pares: ou isto ou aquilo, ou dentro ou fora. Todas as vezes em que optamos por uma, somos levados a negar, ou a minimizar, a outra. Exemplo: Amamos a Deus para então obedecer-lhe ou obedecemos-lhe para então amá-lo? Servimos ao próximo porque esse é o nosso chamado ou precisamos primeiro sentir o chamado para então servir? O que é mais importante: A razão ou a emoção? A convicção ou o sentimento? 

A escolha entre um e outro, ou mesmo a tentativa de valorizar um em detrimento do outro, tem tornado a fé de muitos cristãos morta, levado inúmeros casamentos ao fim, comprometido a ética e a moral e contribuído com uma espiritualidade frágil e confusa. 

Quando Pascal afirma que “a felicidade não está nem em nós, nem fora de nós; está em Deus, tanto fora como dentro de nós”, ele não propõe um equilíbrio entre uma coisa e outra, mas uma compreensão completamente diferente. Ao afirmar que a felicidade está em Deus, ele muda não só o foco da discussão -- dentro ou fora --, mas também o eixo da discussão, afasta o “nós” e coloca “Deus”. 

Quando o apóstolo Paulo afirma que Deus fez convergir todas as coisas em Cristo (Ef 1.10), ele reconhece que em Cristo encontramos a síntese, a unidade, de todas as coisas. A felicidade não está nem dentro, nem fora de nós, mas nele. A verdade não é isso ou aquilo, mas ele. Em Cristo, o amor e a obediência são uma coisa só, a fé e as obras nunca estão dissociadas. As convicções e os sentimentos estão alinhados e a mente e as emoções não são realidades distintas e, muitas vezes, paradoxais. 

A fé que temos em Cristo nos revela um novo jeito de ser e de perceber as coisas. Em Cristo, Paulo considerava-se livre, mesmo estando acorrentado numa masmorra qualquer do Império Romano. A liberdade não era definida por viver desta ou daquela forma. Ele era tão livre a ponto de escolher ser escravo por amor à Igreja. A fé em Cristo nos confere uma nova identidade que não depende mais de nós, mas dele. Como disse Paulo, “já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim”. Quanto mais estou nele, mais me reconheço pleno e real. 

A vida do Filho estava no Pai. O Pai era a fonte integradora de todas as coisas. A violência do mundo não fazia sentido, mas a confiança e a entrega do Filho ao Pai fizeram com que seu amor pelo ser humano não fosse abalado pela violência que sofreu. Sua segurança ou alegria não eram internas ou externas, mas o próprio Pai. É somente por causa dessa compreensão que Jesus pode dizer, no momento mais crítico de sua existência: “Eu venci o mundo”. Aos olhos de todos, era um derrotado, mas não era assim que ele se via. Quanto mais eu me encontro em Cristo, mais livre e verdadeiro me torno. 

Quanto mais eu vivo nele e por ele, mais seguro me encontro. Minha alegria, confiança, felicidade, dignidade e meu reconhecimento não estão numa coisa ou noutra, nem dentro, nem fora, mas nele, que tudo me proporciona para minha plena realização. 

• Ricardo Barbosa de Sousa é pastor da Igreja Presbiteriana do Planalto e coordenador do Centro Cristão de Estudos, em Brasília. É autor de, entre outros, “A Espiritualidade, O Evangelho e a Igreja”.
http://www.ultimato.com.br/revista/artigos/344/nem-dentro-nem-fora

sábado, 28 de setembro de 2013

PEQUENOS GRUPOS (CÉLULAS) - JUNTOS COMPARTILHANDO A VIDA, A FÉ E O AMOR

Tive o privilégio de ouvir durante a semana estas duas mensagens de Deus. Achei que as duas se completam e tem tudo haver com a proposta de Deus para o pequeno ajuntamento, a igreja de casa em casa - Se puderem assistam do começo ao fim!

Ed René Kivitz - O EVANGELHO TODO PARA O HOMEM TODO


Alcimou Barbosa - ENCONTROS QUE FACILITAM



sábado, 18 de maio de 2013

5 (cinco) ORAÇÕES PERIGOSAS por Bill Hybels

“É preciso coragem para fazê-las, mas a recompensa é grande”




“Senhor, ajuda-me a viver este dia!” Diariamente dirigimos a Deus diversos tipos de oração, desde as mais cautelosas e as que visam aos nossos interesses, até as mais arriscadas e perigosas. Qual foi a última vez que fizemos uma oração “perigosa”, dessas em que colocamos nossa fé à prova e abrimos o coração para Deus de uma forma jamais vivenciada?

Deus gosta de ouvir tais petições, pois promovem nosso crescimento espiritual. A Bíblia contém inúmeros exemplos de orações feitas por fiéis que desejavam amadurecer na vida cristã. Se você, meu amigo, vem mantendo certa distância de Deus em suas orações, experimente um dos seguintes tipos de oração “perigosa” que se seguem. E Deus irá atendê-la com muita sabedoria.

1. Sonda-me!

Karen bateu o fone com força no gancho e, muito irritada, pensou: Como é que Patty pode fazer unia coisa dessas! Ela sabe muito bem que não deve envolver-se com um homem casado!

Como Karen, nós também podemos nos sentir indignados diante de certas atitudes de pessoas que parecem não dar a mínima atenção para as determinações divinas. Ficamos aborrecidos pelo fato de elas não revelarem a menor consideração por suas leis morais. O rei Davi expressa exatamente esse tipo de sentimento no Salmo 139. Inicialmente, ele expressa intenso louvor a Deus, em atitude de adoração e gratidão; mas na seqüência, de repente, começa a demonstrar indignação, dizendo: “Tomara, ó Deus, desses cabo do perverso… Não aborreço eu, Senhor, os que te aborrecem? E não abomino os que contra ti se levantam? Aborreço-os com ódio consumado; para mim são inimigos de fato:” (Vv. 19a,22.)

Contudo, nem bem ele acabou de pronunciar essas palavras, caiu em si e disse: “Sonda-me, Deus, e conhece o meu coração, prova-me e conhece os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno.” (SI 139.23,24)

Parece muito certo abrigarmos uma ira justa contra aqueles que se rebelam contra Deus. Todavia, como é fácil nos esquecermos de perguntar ao Senhor se nós também não estamos agasalhando alguma atitude de rebelião. Esse tipo de oração é perigosa porque, quando pedimos ao Senhor que sonde nosso coração, ele sonda mesmo. O Espírito Santo revela as áreas de nossa vida que “resguardamos” com tanto cuidado, e que necessitam ser modificadas. O crente que tem um compromisso sério com Deus dirige-lhe esse tipo de petição no objetivo de eliminar o pecado de sua vida, visando ao seu crescimento espiritual.

A Bíblia contém inúmeros exemplos de orações feitas por fiéis que desejavam amadurecer na vida cristã.

Qual foi a última vez que fizemos uma oração perigosa?

2. “Derruba as barreiras que há em mim!”

Certa senhora confessou:

“Tenho forte tendência de sempre querer causar boa impressão nos outros. Acho que me preocupo demais com o que eles irão pensar de mim. Sinto medo de sofrer rejeição. Vivo constantemente num círculo vicioso de preocupação e medo!”

Em Eclesiastes 3.3, lemos que há “tempo de derribar e tempo de edificar”. Se quisermos crescer espiritualmente, temos de fazer a petição: “Derruba as barreiras, Senhor!” Por mais que já tenhamos avançado na vida cristã, sempre há alguma área de nossa vida em que se faz necessária uma intervenção divina.

Quando iniciei meu ministério pastoral, era muito inseguro. Parecia que o medo pairava sobre minha vida como uma nuvem escura. Então comecei a orar a Deus nos seguintes termos: “Senhor, liberta-me desse espírito de temor. Isso não glorifica teu nome e prejudica minha atuação como líder e pregador.”

O problema não se resolveu da noite para o dia, mas continuei a orar nesse sentido e, pouco a pouco, fui experimentando mais do poder de Deus e, ao mesmo tempo, o medo foi desaparecendo.

Sempre há em nossa vida algum mal que precisa ser derrubado como, por exemplo, o desânimo, o orgulho, a insensibilidade, etc.. E não podemos derrotá-lo sozinhos. Só Deus tem poder para ajudar-nos a superá-lo. Se alguém deseja ver-se livre de algum problema dessa natureza para seguir a Cristo de todo o coração, tem de fazer uma oração do tipo: “Derruba as barreiras, Senhor!”

3. “Quero crescer!”

Cindy enfrenta problemas em seu casamento. O marido não adota os valores cristãos que ela assumiu e não atende a muitas de suas necessidades emocionais. E ela relata:

“A princípio eu vivia orando a Deus, pedindo que modificasse meu marido, mudasse as circunstâncias e deixasse tudo perfeito, do jeito que eu queria. Mas agora entendo que o Senhor quer que eu passe por esses problemas para crescer, e não que fique livre deles. Quer fortalecer minha fé.”

Os cristãos primitivos fizeram esse tipo de oração. Eles não pediram:

“Senhor, remove a perseguição.”

Eles oraram assim: “Senhor, aumenta nossa coragem; aumenta nossa ousadia.”

Em conseqüência disso, a igreja primitiva cresceu muito, tanto espiritual como numericamente, apesar de enfrentar terrível oposição.

Talvez você se sinta espiritualmente emperrado, triste por não ver avanços em sua vida espiritual nem em seus relacionamentos. Enfrenta problemas no casamento, como Cindy? Seus filhos estão atravessando um período difícil, e você não sabe o que fazer? Peça a Deus que faça crescer seu casamento, a criação dos filhos, seu entendimento espiritual e até sua coragem de inovar na comunhão com ele. Se alguém quer amadurecer espiritualmente, é essencial que faça esta oração: “Quero crescer!”

4. “Dirige-me!”

Assim que me converti, um amigo me incentivou a entregar toda a minha vida a Deus, passando a ele o controle de tudo. Então fiz a seguinte oração:

“Senhor, toma minha vida e faz dela o que o Senhor quiser!”

A primeira providência dele foi tirar-me da firma onde eu trabalhava. Tratava-se de uma empresa altamente lucrativa, pertencente à nossa família, que meu pai pretendia passar aos filhos mais tarde. Em seguida, conduziu-me a uma organização cristã que trabalha com jovens. Depois levou-me a aceitar o cargo de pastor da mocidade numa igreja. Minha impressão era de que ele estava-me guiando na direção errada. Contudo, nesse período de três anos, fui-me convencendo de que Deus sabia exatamente o que estava fazendo – embora, em determinados momentos, eu próprio não o soubesse.

Hoje cada novo passo que ele me leva a dar é mais maravilhoso que o anterior. E cada um me revela para que foi que Deus me criou, e é sempre algo muito gratificante para mim. E continuo fazendo esse tipo de oração: “Dirige-me, Senhor!”, pois Deus já se provou merecedor de toda a minha confiança.

As vezes somos tentados a evitar orações que talvez venham a “desarrumar” nossa vida. Temos medo de nos colocar totalmente sob o controle de Deus. Contudo é daí que vem nossa fé. Precisamos crer que o Senhor deseja conduzir nossa vida para um caminho melhor.

5. “Usa-me!”

Certa vez eu me dirigia a um lugar onde deveria pregar, e fiz essa oração: “Usa-me, Senhor!”

Quando lá cheguei, descobri que me esquecera de pôr uma gravata na mala. Então fui a certa loja do outro lado da ma para comprar uma. Quando voltava, notei um senhor de aparência tristonha, parado ao lado de um engraxate. 0 Espírito de Deus inspirou-me a travar conversa com ele. Quinze minutos depois já ficara sabendo que ele tinha um problema financeiro justo, e que eu poderia resolver. Como eu dissera a Deus: “Usa-me!”; ele me conduzira àquele homem.

Ao fazer essa oração, estamos dizendo ao Senhor:

“Senhor, se quiseres realizar algum feito grandioso por meu intermédio, se quiseres abençoar alguém através de mim, estou à tua disposição.”

Essa oração é muito poderosa. Ela nos conduz a muitas aventuras. Nunca sabemos o que poderá acontecer quando fazemos essa petição.

Quem faz essas cinco orações “perigosas” demonstra que deseja um compromisso sério com Deus. Se nós, em espírito de oração e com coragem, decidirmos abandonar nosso conforto pessoal, nossa vida espiritual nunca mais será a mesma.

“Sonda-me. Quebra barreiras em mim. Quero crescer. Dirige-me. Usa-me.”

Meu irmão, faça essas orações e fique esperando para ver o que Deus fará.

Bill Hybels

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

EU 'PULO' O CARNAVAL por Miguel Uchôa


Na minha primeira juventude, já não sei mais em que juventude estou agora, eu pulei carnavais. Na realidade nós nos preparávamos para esse período, sou do tempo que havia o corso no centro do Recife e os bailes dos clubes faziam o clímax da festa. Prévias eram "Carnaval em preto e branco" do cabanga iate Club e o "Mamãe quero voar" do clube de oficiais da aeronáutica. Olinda? Isso não fazia parte da agenda, carnaval de rua muito menos. Num segundo momento aconteceu.

Digo isso para que alguém não se antecipe e me julgue como sendo um daqueles que diz que o
livro não presta sem sequer ter lido o prefácio. Sim eu pulei intensamente alguns carnavais. Conheço bem mais do que o prefácio dessa festa.

Hoje eu PULO O CARNAVAL ( PULO_ do verbo pular, saltar por sobre ), sim desde o dia 21 de Dezembro de 1979, quando conheci a Cristo e por ele me apaixonei, pelas suas palavras decidi guiar a minha vida, pelo seu ensino decidi procurar viver, pela sua ética resolvi pautar a minha vida e assim por diante. Entendi que existe uma hierarquia nas coisas deste mundo e que elas devem estar relacionadas sempre com o mundo espiritual. Desde então passei a pensar da seguinte forma “ o que Jesus faria em meu lugar” lembra do livro, filme, pulseira? Lembre então do evangelho : aquele que quiser vir após mim, negue a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. Por isso entendi que não deveria gostar daquilo que Jesus não gosta, amar o que ele não ama, estar onde ele não estaria, me deleitar naquilo que ele repudia.
Por isso eu hoje PULO O CARNAVAL.

PULO O CARNAVAL porque não acredito mais na festa como uma expressão apenas cultural. Não costumo demonizar a cultura, mas presto atenção para ver onde o demônio está misturado na cultura, isso eu faço. O carnaval é uma festa ambígua, não posso deixar de ver o lado cultural de tantas manifestações, do espírito do artista brasileiro. É indiscutível que a criatividade do povo não se esgota. Muitos vão se lembrar da história daquele folião que vinha no meio da multidão puxando uma coleira e gritando vem Bob vem Bob! As pessoas abriam caminho com receio de um cachorro para depois perceberem que ele apenas puxava um “bob” de cabelo e outras iniciativas hilárias.

No entanto é inegável que o carnaval não se restringe a isso, há muito perdeu a ênfase folclórica e deu vez a uma busca por algo mais, um extravazamento do ser que persegue uma satisfação qualquer e que em nome disso esquece qualquer limite e se entrega a tudo e a todos. Como em tudo, não podemos generalizar, mas não há como negar que essa é a ênfase da grande maioria, o que vem tornando a festa cada vez menos segura e cada vez mais um terreno fértil para o uso exagerado de bebidas, o consumo de drogas e a prática de uma sexualidade desenfreada. Como cristão, esse não é o meu lugar, não preciso disso, não estou em busca dessa alegria regada a prazeres da carne que depois retornam com a depressão da alma. Se você é um cristão(ã), saiba que esse não é o seu lugar.

PULO O CARNAVAL porque existe na festa uma componente espiritual muito forte e verdadeira. Nunca duvide disso. Não seja ingênuo(a) em dizer que “ se para você esse não é o sentido, não me atinge” ledo engano. Ninguém passa por uma carvoaria de roupa branca e sai sem estar manchado de preto. O espírito que domina este mundo está intensamente presente nessa festa. A maior prova está na dedicação da festa. Em todos os cantos com diferentes aparatos e mascaras culturais esta festa é entregue ao deuses e orixás. Ano passado, o líder de um dos grupos “folclóricos” disse em entrevista, falando sobre a noite dos tambores silenciosos “ este é um momento de entrega, um momento religioso, essa festa é uma festa religiosa para nós, estamos entregando a festa ao orixás” entrevista ao jornal NE TV da rede globo de televisão. Se você é um cristão(ã) esse é o angulo que você precisa observar essa festa. Não há como participar disso tudo e não ser parte disso tudo. Essas coisas são inseparáveis.

PULO O CARNAVAL porque quando conheci a Cristo decidi pela Escritura que somente a Ele prestaria culto, que somente a ele meus lábios louvariam. Você também pensa assim? Pois bem, portanto preste atenção nas letras das musicas do carnaval, que por detrás de um ritmo alucinante , contagiante estão repletas de louvações a deuses afros, frases de abominação a Deus. Talvez alguém lembre de um dos mais novos blocos do carnaval de Recife se chama “Culto a Baco”, criado em 2007 o grito de “fé” desse bloco irreverente é: Eu não vou ao culto orar, eu vou ao culto a Baco! Ora Baco é o mitológico Deus do vinho e não precisa ir mais adiante para perceber que isso vai além de uma simples irreverência. Talvez isso seja difícil de entender para alguém que não conhece a Cristo e confessa essa fé, mas você que sabe disso, pode facilmente perceber o que de fato está por detrás dessa festa. Nada mais contagiante do que os desfiles das escolas de samba, especialmente do Rio de Janeiro. Mas seria ingenuidade ou cegueira eletiva tentar omitir de nossas mentes que por detrás de tudo aquilo está uma componente espiritual muito intensa. Muitas das letras dos sambas enredos, além de passagens históricas fazem alusão e louvação a entidades do candomblé e de outras tendências religiosas espiritualistas. Não é novidade para ninguém que os líderes destes grupos são em sua maioria esmagadora devotos de “santos guerreiros”, filhos de “santo” e com suas histórias totalmente ligadas a estas práticas, trazendo assim para suas escolas a louvação a estas entidades, o que compromete a imparcialidade espiritual do movimento. Se você é um cristão(ã) pense nisso para formar a sua opinião e para informar a quem tem ainda dúvida.

PULO O CARNAVAL porque como cristão entendi que minha vida deve servir de exemplo em tudo e , em toda minha luta para fazer isso verdade, se inclui o meu comportamento, minha moderação e minha sabedoria. Não levantarei minhas mãos ao céus para dizer frases que não louvem a Deus e sim a falsos deuses, não terei prazer naquilo que não dá prazer ao meu Senhor, não é para mim alegria aquilo que entristece o coração de meu Deus. A festa pode ser bonita, e em muitos casos é, mas o diabo se faz de cordeiro para iludir a muitos. Eu não serei um desses, meu entendimento mostra, minha razão testifica que essa festa e algo que não me diz respeito. Se você e um cristão(ã), está na hora de pensar em que tipo de exemplo você deseja ser.

PULO O CARNAVAL porque além de tudo isso e de muitas outras coisas que poderiam aqui ser colocadas quero ser alguém que faz diferença. Com estes exemplos e com a prática de um período de exageros e como citei extravasamentos do ser, esta festa se torna a cada dia e de fato a festa da carne e os cristãos, por não se sentirem motivados ao extravasamento da carne e sim a busca de um controle de seus impulsos carnais e a busca de uma vida limpa e pura diante de Deus devem se afastar desse momento e devem ensinar aos seus filhos que da mesma forma se afastem de tudo isso, toda a raiz está comprometida, as intenções estão maquiadas, e a espiritualidade pagã permeia toda a festa. Tenho dito que por detrás da mais simples fantasia de uma festividade infantil escolar nesse período, está uma intenção espiritual que reveste toda a festa. Não há como separar. Se incentivo meu filhinho a se fantasiar hoje e participar das festividades, não poderei me queixar que, quando jovem ou adulto ele deseje seguir adiante e se envolva na totalidade da festa, se expondo a estes riscos e à contaminação espiritual. O que a sabedoria de provérbios diz é que devemos ensinar a criança no caminho que ela deve andar e quando adulta não se desviará desse caminho!

Como Bispo e líder espiritual da Diocese de Recife e como Reitor da PAES quero dizer que essa é a nossa posição, essa a postura que espero de todos os cristãos que estejam sob minha cobertura espiritual tenham e que também se decidam por PULAR O CARNAVAL.

+Miguel Uchôa Cavalcanti
Bispo de Recife
Reitor da PAES
BLOG DE MIGUEL UCHOA 

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

A ESCOLHA RADICAL por John Stott

"Nem todo aquele que me diz: "Senhor, Senhor", entrará no Reino dos céus, mas apenas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus". 
(Mateus 7.21)



Jesus coloca diante de nós, na conclusão do sermão do monte, a escolha radical entre obediência e desobediência. Não que possamos, é claro, ser salvos por meio de nossa obediência, mas que, se verdadeiramente somos salvos, mostremos isso através dela.


Primeiro, Jesus nos adverte do perigo de uma confissão meramente verbal (v. 21 -23). E certo que uma confissão expressa verbalmente é essencial; "Jesus é Senhor" é o primeiro, mais curto e mais simples de todos os credos. Contudo, se isso não for acompanhado de uma submissão pessoal ao senhorio de Jesus, é inútil. Podemos ouvir no último dia as terríveis palavras de Jesus: "Nunca os conheci. Afastem-se de mim vocês, que praticam o mal" (v. 23).

Segundo, Jesus nos adverte do perigo de um conhecimento meramente intelectual. Enquanto o contraste nos versículos 21 a 23 era entre falar e fazer, c contraste agora é entre ouvir e fazer (v. 24-27). Jesus então ilustra isso por meio de sua famosa parábola dos dois construtores. Ela apresenta um homem sábio, que construiu sua casa sobre a rocha, e um tolo, que teve preguiça de fazer alicerces e construiu sua casa sobre a areia. Quando ambos entraram em suas construções, um observador menos atento não teria notado a diference entre elas, pois a distinção se encontrava nos alicerces, e alicerces não são vistos. Somente quando a tempestade caiu e atingiu ambas as casas com fúria é que a diferença fatal foi revelada. Do mesmo modo, cristãos praticantes (tanto genuínos quanto espúrios) têm a mesma aparência. Ambos demonstrar estar edificando vidas cristãs. Ambos ouvem as palavras de Cristo. Vão à igreja, lêem a Bíblia e escutam sermões. As profundezas de seus alicerces, no entanto, estão ocultas à vista. Somente a tempestade da adversidade nesta vida e a tempestade do juízo no último dia revelarão quem somos.

O sermão do monte termina com uma nota solene de escolha radical. Só há dois caminhos (o estreito e o largo) e somente duas fundações (a rocha e a areia). Em que estrada estamos viajando? Sobre qual alicerce estamos construindo?

Para saber mais: Mateus 7.13-29

STOTT, John. DEVOCIONÁRIO: A BÍBLIA TODA, O ANO TODO - Meditações Diárias de Gênesis a Apocalipse - Ed. Ultimato. (pag. 198) 
...
Como mudar de Caminho (eu sei que você já tentou fazer isso com muitas promessas).

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

A parábola dos pescadores sem peixes | Ultimato Online

Era uma Associação de Pescadores, que viviam no meio de rios e lagos, cheios de peixes famintos. Eles se reuniam regularmente para discutir sobre o chamado para pescar, a abundância de peixe e a emoção de pegar peixes. Ficavam muito animados com o assunto da pescaria.

Alguém sugeriu que o grupo precisava de uma filosofia de pesca. Assim, cuidadosamente, definiram e redefiniram a pesca e o propósito da pescaria. Desenvolveram estratégias e táticas. De repente perceberam que haviam começado de trás para frente – haviam se interessado pela pescaria do ponto de vista do pescador, e não do ponto de vista do peixe. Como o peixe vê o mundo? Como vê o pescador? O que e quando o peixe come? Era importante entender essas coisas. Por isso, iniciaram estudos e pesquisas. Participaram de conferências sobre a pescaria. Muitos viajaram a lugares longínquos para estudar diferentes tipos de peixes, com diferentes hábitos. Alguns obtiveram Ph.D. em piscicultura.

Contudo, ninguém havia ido pescar. Formou-se, então, um comitê para enviar pescadores. Havia muito mais lugares propícios para pescar do que pescadores. Por isso, o comitê precisava determinar prioridades. A lista de prioridades foi colocada em quadros de avisos em todos os salões da Associação.

Mas, como antes, ninguém estava pescando ainda. Foi feita uma pesquisa para saber por quê. A maioria não respondeu ao questionário, mas, entre os que responderam, descobriu-se que alguns se sentiam chamados para estudar a pesca, outros para fornecer equipamentos de pesca e outros, ainda, para encorajar os pescadores. E, com tantas reuniões, conferências e seminários, simplesmente não tiveram tempo para pescar. 

Jacó era novato na Associação de Pescadores. Depois de uma reunião muito animada, ele foi pescar. Fez algumas tentativas, pegou o jeito e conseguiu pegar um lindo peixe! Na reunião seguinte, ele contou sua história e foi elogiado pelo sucesso. Acabou sendo convidado para falar em todos os núcleos da Associação e contar como havia sido a sua pescaria. Assim, com tantos compromissos e por ter sido eleito para a diretoria da Associação, Jacó nunca mais teve tempo para pescar.

No entanto, não demorou muito e ele começou a se sentir intranqüilo e vazio. Teve saudades da pesca propriamente dita, de sentir o puxão no anzol. Assim, decidiu deixar a diretoria da Associação, bem como os demais compromissos com os núcleos, e convidou um amigo para ir pescar com ele. Os dois foram – sozinhos – e pegaram peixes.

Os membros da Associação de Pescadores eram muitos e os peixes eram abundantes. Mas os pescadores continuavam sendo muito poucos.

Autor desconhecido - Tradução do inglês de Antônia Leonora van der Meer.

sábado, 17 de março de 2012

SIMPLICIDADE e PERMANÊNCIA por Ricardo Barbosa


"Eu sou a videira, e vocês são os ramos. Quem está unido comigo e eu com ele, esse dá muito fruto porque sem mim vocês não podem fazer nada... E a natureza gloriosa do meu Pai se revela quando vocês produzem muitos frutos e assim mostram que são meus discípulos.Assim como o meu Pai me ama, eu amo vocês; portanto, continuem unidos comigo por meio do meu amor por vocês".Jesus em João cap. 15

De vez em quando gosto de reler “Cartas de um Diabo a seu Aprendiz”, de C. S. Lewis. Sua habilidade em perscrutar os labirintos da tentação me impressionam. Ele nos ajuda a reconhecer nossa enorme ingenuidade e a profunda sagacidade do inimigo.

Em uma dessas cartas, o Diabo reconhece que o verdadeiro problema dos cristãos é que eles são “simplesmente” cristãos. O laço que os une é a vida comum que eles têm em Cristo. Ele então aconselha seu sobrinho: “O que nós desejamos, se não houver mesmo jeito e os homens tiverem de tornar-se cristãos, é mantê-los num estado de espírito que eu chamo de cristianismo e alguma outra coisa [...]. Substitua a fé em si por alguma moda com colorido cristão. Faça com que tenham horror à Mesma Coisa de Sempre”.

A “mesma coisa de sempre” nos deixa entediados. Ser “simplesmente” cristão, para muitos, não é suficiente. Precisamos de coisas novas. Sempre. Modelos novos de igreja, um jeito diferente de cantar, formas inovadoras de culto, estratégias sofisticadas de crescimento, e por aí vai. Somos movidos pelas novidades, não pela profundidade. Nosso interesse está na variedade, não na densidade.

O reverendo A. W. Tozer, num artigo intitulado “A velha e a nova cruz”, comenta o mesmo fenômeno: “Uma nova filosofia brotou dessa nova cruz com respeito à vida cristã, e dessa nova filosofia surgiu uma nova técnica evangélica -- um novo tipo de reunião e uma nova espécie de pregação. Esse novo evangelismo emprega a mesma linguagem que o velho, mas o seu conteúdo não é o mesmo e sua ênfase difere da anterior”.

O Diabo, na carta ao seu sobrinho aprendiz, diz: “O horror pela mesma coisa de sempre é uma das mais preciosas paixões que incutimos no coração humano -- uma fonte infinita de conselhos estúpidos, de infidelidade conjugal e de inconstâncias na amizade”. A lista poderia se estender, mas o que se encontra por trás desse “horror pela mesma coisa de sempre” é a grande atração pelo novo seguida de uma profunda distração pelo essencial. O que a novidade faz é direcionar nossa atenção para outras preocupações, dando mais valor aos meios e não aos fins.

A formação espiritual cristã sempre requereu, basicamente, obediência a Cristo no seu chamado a proclamar o evangelho, fazer discípulos, integrá-los numa comunidade trinitária e ensiná-los a guardar a sua palavra. Ensiná-los a se comprometerem com o serviço como expressão de amor para com o próximo e com o cultivo e a prática de disciplinas espirituais como oração, jejum, arrependimento, confissão, leitura e meditação nas Escrituras e contemplação.

Não importa o quanto nossas igrejas e ministérios sejam sofisticados. Não importa o volume de novidades e tecnologias que oferecemos. Se no final não encontrarmos as mesmas coisas de sempre, significa que nos perdemos com o meio e não alcançamos o fim.

Existem dois aspectos que considero fundamentais na experiência espiritual cristã: simplicidade e permanência. Quando perguntaram para Jesus como o reino de Deus viria, ele respondeu afirmando o seu caráter discreto. Não viria com grande estardalhaço. Se estabeleceria dentro daqueles que o confessam como Senhor e Rei. Jesus apresenta um evangelho que transforma de dentro para fora. O que o vaso contém é infinitamente maior e mais valioso que o vaso. Ele cresce como uma pequena semente de mostarda. A simplicidade está na natureza própria do evangelho.

A permanência define o caráter pessoal e relacional da fé. Permanecer em Cristo é permanecer ligado como galho na videira. É somente nessa permanência que recebemos de Cristo sua vida e a transmitimos aos outros. Permanecer é mais do que conhecer -- é manter-se em constante e dinâmico relacionamento. As novidades não transformam o caráter; a permanência, sim. Para C. S. Lewis, a maturidade é algo que “todos alcançam na velocidade de sessenta minutos por hora, independentemente do que façam e de quem sejam”.
Ricardo Barbosa de Sousa

http://www.ultimato.com.br/revista/artigos/327/simplicidade-e-permanencia

domingo, 1 de janeiro de 2012

LEIAMOS A BÍBLIA!

Após servir 30 anos como pastor, ele concluiu que o analfabetismo bíblico é violento, e afirmou: a Bíblia é o mais vendido, o menos lido e o menos compreendido de todos os livros". 

George Gallup, o mais conhecido pesquisador religioso nos EUA, concorda com a opinião desse desconhecido pastor, e acrescenta: "Reverenciamos a Bíblia, mas não a lemos". Numa recente pesquisa, 64% dos entrevistados informaram que estavam ocupados demais para a leitura da Bíblia. A maioria das famílias tem em média três Bíblias, mas menos da metade dessas pessoas sabem o nome do primeiro livro do Antigo Testamento. Outra pesquisa revelou que 12% dos entrevistados que se denominavam cristãos identificaram a esposa de Nóe como Joana D'arc! 

Qual a solução? Ler a Bíblia! Una-se a mim no compromisso de ler a Bíblia em um ano. Nós precisaremos de aproximadamente 15 minutos para lermos 4 capítulos por dia (Em 300 dias leremos os seus 1189 capítulos). Estamos ocupados demais para isto? 

O objetivo não é a informação, mas a transformação! Alguém resumiu 2 Timóteo 3.16, dizendo: " A Palavra de Deus nos mostra que caminho seguir (Doutrina = Ensino); como retornar ao caminho (correção); e como permanecer nele (instrução na Justiça)". 

A Palavra de Deus é um precioso Presente. Por isso, leiamos durante o próximo ano. 

DCM - Extraído do devocional Nosso Andar Diário dia 31 de Dezembro.

...
"Toda a Escritura nos foi dada por inspiração de Deus e é útil para nos ensinar o que é verdadeiro e para nos fazer compreender o que está errado em nossas vidas; ela nos endireita e nos ajuda a fazer o que é correto. Ela é o meio que Deus utiliza para nos tornar bem preparados em todos os pontos, perfeitamente habilitados para toda boa obra".
2 Timóteo 3.16,17 - Nova Bíblia Viva ( A Bíblia que estou lendo no momento)

Altamente recomendado, CONHEÇA SUA BÍBLIA com Ed René Kivitz: http://ibab.com.br/conhecasuabiblia.php

Primeiro palestra da série de 8 do Conheça sua Bíblia:

Bíblia, palavra de Deus - Parte 1 from IBAB on Vimeo.