"Temos esta Esperança como âncora da alma, firme e segura, a qual adentra o santuário interior, por trás do véu, onde Jesus que nos precedeu, entrou em nosso lugar..." (Hebreus 6.19,20a)
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terça-feira, 8 de julho de 2014

A VIDA DEVOCIONAL por Osmar Ludovico

Um dos pilares da experiência cristã é a vida devocional, isto é, o cultivo de uma relação de intimidade com Deus através da leitura bíblica e da oração. Na recomendação de Jesus Cristo, a vida devocional acontece no quarto de portas fechadas, no secreto, longe do público e das distrações.

A vida devocional é um privilégio extraordinário para os que creem. Na antiga aliança, só o sumo sacerdote, uma vez por ano, tinha acesso à presença de Deus no Santo dos Santos, no templo de Jerusalém. Porém, no momento em que Jesus Cristo morre na cruz, o Evangelho relata que o véu que dava acesso ao Senhor foi rasgado de alto a baixo – e lemos no livro de Hebreus que, agora, podemos entrar confiadamente na sala do trono pelo novo e vivo caminho no sangue de Cristo.

Deus não está mais no templo de Jerusalém, edificação feita por mãos humanas. Agora, ele habita no coração do homem e da mulher que nele creem e, assim, nosso corpo se tornou o templo do Espírito Santo. Este é o mistério de Cristo em nós; assim foi abolido o sacerdócio como privilégio dos levitas e, no Filho de Deus, o sacerdócio se tornou universal e inclui todos os crentes. Apesar disso, o que temos visto na Igreja é um retrocesso, pois o lugar do encontro com Deus se tornou o templo no domingo; a adoração é intermediada pela banda e pelo dirigente do louvor, e Deus fala através de pregadores ungidos. Além disso, levamos nossas orações para intercessores que, supostamente, têm poder.

O resultado é uma geração de crentes que dependem de intermediários na sua relação com Deus. Ao invés da leitura bíblica pessoal, ouvimos sermões, e no lugar da oração pessoal, aquela que se desnuda diante do Senhor, fazemos nossos pedidos na reunião de oração. É por isso que existem tão pouco santos e profetas entre nós, e tantos crentes imaturos e instáveis. Santo não é aquele que não peca mais, mas o que sabe que é um grande pecador e vive quebrantado e na dependência do Espírito Santo. E profeta não é aquele que adivinha o futuro, mas denuncia o mal e anuncia o juízo, sem preocupação em agradar aos outros.

A vida devocional ficou em segundo plano, e sem uma relação pessoal com Deus a ênfase recai na vida comunitária, no programa, no culto – em parte porque nos tornamos pessoas inquietas e agitadas que não conseguem parar, e em parte porque achamos que Deus só fala conosco através de pastores. Mas também negligenciamos a vida devocional porque achamos improdutiva e perda de tempo e buscamos experiências espirituais eufóricas e entregamo-nos ao ativismo religioso.

Sabemos que Deus habita o mais alto e santo lugar nos céus, mas também habita o coração do contrito e do abatido de espírito. Procuramos o Altíssimo nos mais altos céus – mas ele está muito mais perto de nós, no nosso coração. Encontramos o Senhor mais facilmente quando descemos, e não quando subimos; descemos ao nosso coração para encontrá-lo por trás da nossa maldade e da nossa agitação. A casa do Pai é o nosso próprio coração: por isso, voltar para à casa do Pai é retornar ao nosso próprio coração. Ali, ouvimos sua palavra e lhe respondemos com nossas orações. Esta é uma descrição da vida devocional. Em outras palavras, podemos dizer que é o cultivo de uma amizade com Deus no recôndito do nosso coração. Nossa vida se torna, então, um caminho com Cristo até Cristo, um caminho em direção ao nosso próprio coração, onde o Senhor nos aguarda apesar das nossas agitações e preocupações. Aquietamo-nos para encontrá-lo e, quando o encontramos, estamos prontos para encontrar outros.

Sabemos da importância dos frutos na vida cristã: fruto de arrependimento, fruto do Espírito e fruto de boas obras. Todavia, a parte mais importante de uma árvore é a raiz. A árvore pode ter um tronco magnífico e folhas viçosas, mas se a raiz estiver afetada, seus frutos serão ruins e ela pode até morrer. Pois a vida devocional é raiz que precisa estar coberta, no escuro, nas profundezas. Se ela é saudável, alimentando-se da seiva viva e bebendo dos mananciais de águas puras, então não precisamos nos preocupar com os frutos – eles, certamente, virão e serão bons.

Precisamos resgatar o ensino e a prática do sacerdócio universal dos crentes e o vinculo de intimidade com Deus através da leitura bíblica e da oração no secreto.

http://www.cristianismohoje.com.br/colunas/osmar-ludovico/encontramos-o-senhor-mais-facilmente-quando-descemos-e-nao-quando-subimos

sábado, 28 de setembro de 2013

PEQUENOS GRUPOS (CÉLULAS) - JUNTOS COMPARTILHANDO A VIDA, A FÉ E O AMOR

Tive o privilégio de ouvir durante a semana estas duas mensagens de Deus. Achei que as duas se completam e tem tudo haver com a proposta de Deus para o pequeno ajuntamento, a igreja de casa em casa - Se puderem assistam do começo ao fim!

Ed René Kivitz - O EVANGELHO TODO PARA O HOMEM TODO


Alcimou Barbosa - ENCONTROS QUE FACILITAM



terça-feira, 30 de abril de 2013

PINTE O QUADRO COM PAIXÃO por Bill Hybels

Em 1774 um líder chamado John Adams declarou corajosamente: "Vejo, um dia, a união de treze estados, uma nova nação, independente do parlamento e do rei da Inglaterra". Ele foi o primeiro a expressar essa ideia publicamente. Poucos anos depois, contra todas as expectativas, os Estados Unidos da América nasceram.


Quinze anos mais tarde, um inglês chamado William Wilberforce colocou- se diante do parlamento britânico e discursou pedindo pelo dia em que os escravos não mais seriam comprados e vendidos como animais de fazenda. Várias décadas se passaram até que isso acontecesse, mas por fim o tráfico de escravos foi abolido oficialmente em todo o Reino Unido.



No final do século XIX os irmãos Wright imaginaram um dia quando as pessoas voariam pelo céu a bordo de uma cápsula de metal com asas. Dez anos depois, em 17 de dezembro de 1903, o avião dos Wright fez sua primeira aterrissagem na areia de uma praia na Carolina do Norte.

Na década de 1940, Billy Graham e alguns colegas de faculdade reuniram- se e sonharam encher estádios por todo o mundo apresentando o evangelho as pessoas que estavam longe de Deus. Partindo desse sonho e do esforço que empreenderam, 215 milhões de pessoas ouviram a mensagem do evangelho e bem mais de um bilhão a ouviu via rádio e televisão.

De uma forma mais pessoal, em 1973, o Dr. Gilbert Bilezikian postou- se atrás de um púlpito em uma sala de aula de uma faculdade e compartilhou seu sonho de construir uma igreja comum — uma comunidade de fé funcionando biblicamente nos moldes de Atos 2 e que fosse relevante para o seu tempo. Falou de uma igreja que alcançaria os perdidos com o evangelho e assimilaria essas pessoas no corpo de Cristo, as capacitaria e as revestiria de poder para servir. Ele sonhou com uma igreja que ajudaria a cuidar dos pobres, convidando-os a ter comunhão uns com os outros e a glorificar a Deus em tudo.

Algo em comum em todos esses lideres é o seguinte: todos tinham visão.

No cerne da liderança está o poder da visão que, em minha opinião, é a arma ofensiva mais potente no arsenal do líder. Ela tem sido definida por dezenas de modos, mas, para mim, a articulação mais simples de visão é que ela é um "retrato do futuro que produz paixão nas pessoas".

Um país novo em folha, jovem e livre, com as algemas da escravidão quebradas de uma vez por todas. Pessoas cruzando um céu claro e azul. Milhares de mulheres, homens e crianças erguendo-se e inundando o altar nos primeiros acordes de "Eu venho como estou". As igrejas de Atos 2 invadindo o mundo moderno. Qualquer que seja a visão, se ela produzir quantidade poderosa de paixão naqueles que a ouvirem, já estará em vias de ser conquistada.

Para você talvez seja a imagem de uma criança faminta sendo alimentada e tendo sua vida salva. Talvez seja uma imagem de uma pessoa desabrigada encontrando um abrigo. Talvez seja a visão de uma igreja agonizante sendo revitalizada ou de uma pessoa perdida encontrando a fé ou de um voluntário achando um ministério que use com perfeição seus dons dados por Deus. Talvez seja uma pessoa solitária encontrando uma comunidade ou um artista finalmente usando seus dons criativos para servir a Deus. Há tantas imagens visionárias do futuro, quanto há líderes entre nós. E, quando Deus finalmente trouxer clareza e firmeza de visão a vida de um líder, tudo mudará para melhor.

Quando ouvi o Dr. B pela primeira vez no Trinity College compartilhando sua visão da vida em uma comunidade cristã que funciona biblicamente, experimentei emoções que nunca havia sentido. Às vezes, enquanto ele falava sobre o potencial de uma igreja local, eu sentia paixão tão intensamente que mal podia segurar minhas lagrimas. Outras vezes eu queria pular e gritar: "Pessoal, é isso! Vocês não enxergam? Não sentem? A igreja local é a esperança do mundo! É a agência redentora criada por Deus da qual depende todo o futuro do mundo inteiro. Cancelem seus planos de carreira! Façam algo importante com sua vida, que é única! Deem-na pela causa da igreja local!".

Isso foi há mais de trinta anos, e eu ainda me lembro daqueles sentimentos tão vividamente como se fosse hoje. Na verdade, se você colocasse um monitor cardíaco em meu peito hoje enquanto alguém falasse sobre a beleza, o encanto ou o potencial da igreja local, meu coração teria um colapso e você leria na tela: "Perigo, perigo, perigo!".

A igreja local ainda desperta em mim os mais profundos sentimentos. Nada mais produz isso em meu coração. Tenho tido algumas experiências estimulantes em minha vida, mas elas são pálidos vislumbres se comparadas a como meu coração se agita em se tratando de dar a minha vida para ajudar a renovar a igreja local. Visão e paixão estão intimamente ligadas na vida de um líder. Deus fez com que fosse assim. Quando tiver olhos para enxergar a visão que Deus lhe deu, você saberá por que o seu coração sentirá isso tão profundamente que, com o tempo, qualquer incerteza recorrente desaparecerá.

Líderes não se desculpem pela força do sentimento que vocês tem pela visão que Deus colocou na sua vida. Não escondam seus sentimentos em relação a ela. Deus os fez para que a sentissem com mais profundidade do que sentem qualquer outra coisa. E é isso mesmo o que eu disse! Qualquer outra coisa. Apresente sua visão dada por Deus à família, aos amigos, aos colegas e a estranhos, se eles escutarem. Apresente-a o mais colorida e apaixonadamente que puder! Apresente-a para que o coração das pessoas seja tocado o suficiente para gritar: "Conte comigo!".


Bill Hybes do Livro AXIOMAS (Máximas da LIDERANÇA corajosa). Pags 38-41- Editora Vida.

domingo, 30 de dezembro de 2012

A SIMPLICIDADE DO EVANGELHO E A SOFISTICAÇÃO DA IGREJA por Ricardo Barbosa

O evangelho de Jesus Cristo é simples. Simples na forma e simples no conteúdo. A vida e o ministério de Jesus acontecem num cenário simples. Ele anunciou as boas novas do reino de Deus, demonstrou a presença do reino através de palavras, exemplos, e ações. Convidou pessoas para estarem e aprenderem com ele. Sofreu as incompreensões do sistema religioso e político do seu tempo. Morreu e ressuscitou. Após a ressurreição, encontrou-se com seus discípulos e comunicou-lhes que recebera toda autoridade no céu e na terra, e que, como Rei e Senhor, enviou seus discípulos para anunciarem as boas novas, levando homens e mulheres a guardarem tudo o que ele ensinou, integrando-os numa comunidade trinitária por meio do batismo, e prometeu estar com eles todos os dias, até o fim.

Alguns dias depois, no meio da festa de Pentecostes, 120 discípulos estavam reunidos em Jerusalém, e a promessa de Jesus se cumpriu. Todos foram cheios do Espírito Santo, começaram a viver a nova realidade anunciada por Jesus, saíram alegremente, por todo canto, pregando a boa notícia de que Deus visitou seu povo e trouxe salvação, justiça e liberdade.

A história seguiu e os cristãos foram se multiplicando, organizando igrejas, criando instituições, formas e ritos. Porém, as instituições cresceram e as estruturas se tornaram mais complexas e sofisticadas. Transformaram-se num fim em si mesmas. A simplicidade do evangelho foi substituída pela complexidade institucional.

C. S. Lewis, na carta 17 do livro Cartas de um Diabo a seu Aprendiz, aborda o tema da glutonaria e afirma que uma das grandes realizações do maligno no último século foi retirar da consciência dos homens qualquer preocupação sobre o assunto, e isso aconteceu quando ele transformou a “gula do excesso na gula da delicadeza”. Para C. S. Lewis, o problema da gula, muitas vezes, não está no excesso de comida, mas na sofisticação, na exigência de detalhes em relação ao vinho, ao ponto do filé ou ao cozimento da massa. Fica impossível atender a um paladar tão sofisticado. A simplicidade do ato de comer dá lugar à sofisticação gastronômica. Pessoas assim, segundo o autor inglês, demitem cozinheiras, destratam garçons, abandonam restaurantes, cultivam relacionamentos falsos e terminam a vida numa solidão amarga.

Como igreja, corremos o mesmo risco. A simplicidade e a pureza do evangelho já não provocam prazer na maioria dos cristãos ocidentais. A sofisticação da igreja, sim. É o vaso tornando-se mais valioso que o tesouro contido nele. Se a música não estiver no volume perfeito, o ar condicionado no ponto exato, a pregação no tempo apropriado, com conteúdo que agrade a todos os paladares e com o bom uso dos aparatos tecnológicos, talvez eu não me agrade desta igreja.

Justificamos a sofisticação com expressões como “busca por excelência”, “relevância”, “qualidade”. Parece justo. O problema é que a excelência ou a relevância do evangelho está justamente na sua simplicidade. É cada vez mais fácil encontrar cristãos que acharam a “igreja certa” do que os que simplesmente encontraram o evangelho. A sofisticação da igreja mantém o cristão num estado de espiritualidade falsa e superficial. A maior deficiência do cristianismo não está na forma, mas no conteúdo.

A verdadeira experiência espiritual requer um coração aquecido e não sentidos aguçados. Precisamos elevar nossos afetos por Cristo, seu reino, sua Palavra e seu povo, e não os níveis de sofisticação e exigências institucionais. O vaso deve ser de barro, sempre. O tesouro que ele guarda, o evangelho simples de Jesus Cristo, é que tem grande valor. A sofisticação produz queixas, impaciência, falta de caridade e egoísmo. A simplicidade sempre nos conduz a compaixão, sinceridade, devoção e autodoação.

Ricardo Barbosa - O Caminho do Coração - Revista Ultimato Jan/Fev 2013
www.ultimato.com.br
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No mesmo tom:

sábado, 1 de setembro de 2012

OS ILLUMINATI e A IGREJA | Bp. Walter McAlister


Todos nós sabemos que desde os tempos antigos existiram imperadores, muitos dos quais foram homens tomados de uma ambição desumana que extrapolou toda e qualquer sensibilidade ou compaixão. Vivendo e sendo guiados pela ânsia nua e crua de poder, esmagaram os povos que se opuseram a eles: Alexandre, o Grande; os Césares; Gengis Khan; Napoleão. E até aqueles que, sem ser imperadores, agiram como tal, a exemplo de Adolf Hitler. Esses estadistas ceifaram a vida de multidões como grama para alcançar seus objetivos de poder, em grande parte insanos. A gana por ter nas suas mãos o destino dos povos assegurou a muitos deles um lugar de infâmia na História do mundo.

Ambição é uma constante humana. Em todos os tempos, e em todos os níveis, houve quem quisesse agregar para si poder sobre os outros. Esse poder confere a quem o detém quase que o status de semideus, pois projeta o sentimento do ambicioso para além da condição de mero mortal.

Mas o tempo de ditadores já passou, claro. Vivemos num planeta mais civilizado. Bem… será? Será que não sobrou quem queira dominar o mundo? Será que esse impulso satânico deixou de existir? Afinal, será que todos já aprenderam que querer domínio global é uma ambição fadada ao fracasso e à destruição? Claro que homens da laia de Hitler são coisa do passado! Claro que não existem mais figuras como essas! Na realidade, infelizmente não é bem assim. Sabemos que há líderes tribais na África que sequestram crianças, forçando-as a se tornarem assassinas – até da sua própria família. De metralhadoras nas mãos, e com apenas 11 ou 12 anos de idade, são transformadas em monstros. Liderando essas milícias há homens desprovidos de qualquer noção de humanidade. Não só na África, mas entre as FARC e, por que não dizer, nas favelas dos centros urbanos da nossa própria nação.

Sabemos mais: há companhias que produzem alimentos que sabidamente contêm elementos cancerígenos. Coincidentemente (ou não?), são as mesmas companhias que fabricam os medicamentos que tratam os cânceres que esses aditivos provocam. “Mas isso é loucura!”, poderíamos pensar. “É fruto de um devaneio doentio. Imagine se alguém seria tão cruel e desumano ao ponto de causar doenças só para aumentar a sua fortuna pessoal. Não! Pessoas assim não existem”.

Histórias dessa linha, as que falam de conspirações, cartéis, Illuminati, barões em castelos tramando contra a humanidade… são obras de ficção. Bobagem! O mundo está um caos, isso sim. Está tudo uma grande bagunça. Claro que existe um diabo que quer matar e destruir, mas isso não acontece em larga escala. No máximo ele quer que eu traia a minha esposa ou que eu perca os meus filhos para uma vida de pecado. O resto foi inventado para servir de roteiro em Hollywood. Sim, podemos pensar tudo isso.

Todavia, revoluções criadas pelo mercado do petróleo, experiências com novos remédios em vilarejos inteiros na África, cartéis de tráfico de diamantes que escravizam populações, crédito bancário que mantém os trabalhadores deste mundo num estado perpétuo de escravidão, seres humanos mantidos em regime escravo, tráfico de drogas, safras transgênicas, conspirações de revolução social mundial… essas coisas existem. Por trás de cada uma delas há pessoas que tomam decisões. Que têm noção do que estão fazendo. Há gananciosos que não enxergam o custo em vidas humanas como algo que importa. O seu interesse é tão cruel como o de um Hitler ou um Gengis Khan. Não usam espadas para esquartejar as suas vítimas. Usam computadores. Números. Marqueteiros e fundações. Mas seus métodos são tão cruéis como. Só que os tais não aparecem. Pois temos sido doutrinados a aceitar tudo isso como absolutamente “normal”.

Assisti ao filme Super Size Me – A dieta do palhaço, sobre um homem que decidiu viver por trinta dias alimentando-se apenas de fast food. De manhã, à tarde e à noite, ele consumiu apenas os hambúrgueres, as batatas fritas e os refrigerantes de uma conhecida cadeia internacional de lanchonetes. O filme mostra que ele quase morreu. Provou que fast food é veneno. Só que, em vez de causar uma debandada geral deste hábito tão “normal”, o filme virou cult – algo para ser visto por excêntricos que acreditam nessas “bobagens” de conspiração. Afinal, ninguém nos prejudicaria e, certamente, o governo não permitiria que nos fizessem mal assim, não é?  O pior que os nossos governantes fazem é roubar um pouco do nosso dinheiro. Jamais nos fariam mal. Será?

Porque… e se for verdade? Que sentido tem a vida? O que estamos fazendo aqui? Qual é o papel da Igreja face a todo esse mal sistêmico? Vamos mudar o mundo? Empunhar cartazes? Defender uma alimentação macrobiótica? Deixar de consumir comida industrializada? Mudar para o campo e sobreviver comendo broto de feijão e tecendo a nossa própria roupa?

Certamente o caminho não é esse. Mas a verdade é que a Igreja vive enamorada pelo mundo. Curtimos ver dois brutamontes entrarem numa jaula (no eufemismo, o “octógono”) e se surrarem até que um caia ensanguentado e semiconsciente. “É esporte”, defendem os adeptos. Consumimos a crédito hipotecando nossos futuros e fazendo com que nossa força vital seja sugada por bancos. Escravos do sistema, nos fazemos amigos do mundo. O próprio “evangelho” tem se oferecido a serviço deste mundo. Com promessas de prosperidade e alegria, vivemos numa “festa da virada”. Afinal, Deus nos fez cabeça e não cauda. Vamos às compras. Vamos ao shopping. Vamos fazer um evangelismozinho de vez em quando, porque, afinal, “Jesus merece”. Mas não sejamos radicais. Pega leve. Deus nos criou para gozar das coisas boas da vida.

E, como a grama, nossa saúde, nosso futuro, nossa mente, tudo é ceifado pelos que lucram às custas do mar da humanidade. Pior: há quem esteja servindo este mundo em nome de Deus. Sim, pois há os que, para saciar sua ânsia por poder, satisfazem os anseios do povo e oferecem a versão “gospel” de tudo o que o mundo já oferece na sua versão “ímpia”. Só que não importa o nome que damos a um copo de água poluída, aquilo continua a ser nocivo. Não importa o nome que damos à indústria de entretenimento, ainda assim consumirá nossa mente e nosso tempo.

Paulo disse: “Tenham cuidado com a maneira como vocês vivem; que não seja como insensatos, mas como sábios, aproveitando ao máximo cada oportunidade, porque os dias são maus. Portanto, não sejam insensatos, mas procurem compreender qual é a vontade do Senhor.” (Ef 5.15-17)

Os dias são maus? Você realmente acredita nisto? Ah, meu caro, minha cara, como são! Não estamos em festa. A realidade é outra. Os bárbaros põem a mesa com sangue humano. Devoram os fracos. Agregam poder. E a Igreja? Embriagada pelo “vinho” desta geração, anda dissoluta, perdida, e sua fé é inoperante e infrutífera. Os anjos choram. As trevas avançam. Quem levantará os olhos para o único que pode nos salvar? Quantos vão parar e começar a pensar, orar e estudar as Escrituras? Quem se habilita a ser luz entre as trevas?

Na paz,
+W

quinta-feira, 21 de junho de 2012

A GLÓRIA DE DEUS É COMPARTILHAR | Gerson Borges

Estava , hoje cedo, lendo devocionalmente o Salmo do Dia, 84 , na versão A Mensagem, de Eugene Peterson :


“Que bela casa, Senhor dos Exércitos de Anjos!
Eu sempre quis morar num lugar assim.
Sempre sonhei com um quarto em sua casa,
Onde eu pudesse cantar de alegria ao Deus vivo!
(…)
Um dia passado em tua casa, neste lindo lugar de adoração,
é melhor que várias temporadas nas ilhas mais belas.
Prefiro esfregar o chão da casa do meu Deus
a ser honrado no palácio do pecado …”


Nesse tempo cada vez mais secularizado, pós-cristão, sem-Deus , e, por isso mesmo, cada vez mais individualista, oco, ensimesmado e , de tanta auto-fixação, neurótico , quando a igreja se parece um senhor anacronismo patético, uma debilidade piegas de gente fraca, atrasada , eis que eu levanto minha voz cansada, mas insistente - a voz dos profetas - e insisto : um dia no santuário- reunião de gente santa, em torno de um Deus santo, por meio da Palavra santa e do Espírito Santo - vale mais do que mil dia na alienação das redes sociais, da contemplação de vitrines de shoppings, da inútil fuga nos viciantes seriados-novelinhas americanas ( famílias ridículas, médicos sádicos, detetives cínicos, psicopatas romantizados, vampiros , zumbis … ).

Encontrar os amigos e falar de Jesus e com Jesus. Ouvir e responder a sua voz, nas Escrituras, sempre sagradas, sempre atuais, sempre alimento e luz, vida e significado. É isso. É isso que faço uma, duas, três noites por semana.

E não me canso - por Deus, não me canso mesmo !

Não pode ser um peso abraçar as pessoas, experimentar a Presença Santa do Eterno, ouvir das pessoas : seus sonhos, suas buscas, suas histórias. Não se trata de “estar enfurnado na igreja, feito beato”, mas de não abrir mão da vida-em-comunidade. Há dois mil anos que esse milagre se repete, se repete, se repete - mudança de vida. Gente que via pra si de repente “passa a seguir o ensino dos apóstolos, a vida em comunidade, a refeição comunitária e a prática da oracão”( Atos 2.42 ).

Reunião é uma re-união: unir de novo. Reinterar o vínculo. Reforçar os laços, o compromisso mutuo, a amizade sólida. Saía dessa. Saia dessa armadilha do individualismo tecnológico: nenhum post se compara a um abraço olho-no-olho, nada que se compartilha no mural virtual se aproxima da experiência de ouvir a voz do irmão chorando suas dores ou rindo suas alegrias. A glória de Deus é compartilhar.

Não venha/vá para o santuário ( reveja a definição acima : reunião ) por peso ou culpa. Venha se tiver saudade. De Deus, dos amigos e do seu próprio coração.


http://www.gersonborges.com/
https://www.facebook.com/gerson.borges/

sábado, 21 de janeiro de 2012

ALGUÉM SUPERIOR A VOCÊ | Stephen Kanitz

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Lembrem-se! No final do jogo de xadrez, o peão e o Rei voltam para a mesma caixinha.
Viajei uma vez de classe executiva, e ao meu lado um senhor de terno, cara de executivo, lendo a Bíblia.
Achei que fosse um destes bispos de igrejas que visam o lucro viajando com todo o conforto do mundo, mas era na realidade um Vice Presidente de uma empresa subsidiária da Alcoa.
Perguntei porque ele estava lendo a Bíblia.
"Como Vice Presidente de uma grande empresa eu tenho muita influência e poder sobre a vida de milhares de pessoas. Se eu não tomar cuidado, este poder pode subir à minha cabeça, o que causaria muita infelicidade.
Por isto, acho importante ir todo domingo à Igreja, para relembrar que existe uma pessoa mais poderosa e muito mais sábia do que eu."

Eu já ouvi muitas razões para se ir todo domingo à Igreja, mas esta era uma ideia nova.
Achei uma razão muito interessante para ir até uma Igreja toda semana, não para pedir perdão ou pedir ajuda.
Mas como uma forma para que aqueles que comandam o poder tenham o bom senso de baixar a bola, perceber todo domingo o limite da prepotência, fazer semanalmente um ato de humildade e ficar de joelhos como todos nós.
A classe dominante de ontem ainda acreditava em Deus, mas nestes últimos 50 anos foi substituída por outra classe que já não acredita em algo superior a História, que não vai à Igreja mostrar humildade, nem jogar um balde de água fria na arrogância.
A nova classe dominante das universidades, da mídia, dos líderes dos movimentos sociais, dos políticos e da maioria dos intelectuais passaram a acreditar que não há ninguém superior a eles, que eles sabem tudo, que mudarão o mundo sem ter que prestar contas a mais ninguém. Os fins justificam os meios.
Intelectuais mandam cada vez mais nas nossas vidas, achando que são os czares da economia, altruístas da Sociologia, protagonistas da História, endividando países ao seu bel prazer, congelando preços e salários, sequestrando nossa poupança, destruindo o capital social deste país, retirando 38% da renda de seus legítimos donos, e assim por diante.
Como eles sabem tudo, os fins justificam os meios, afinal eles são superiores.
Para os social democratas, como o PSDB, bastava colocar 100 intelectuais em postos chaves, as melhores cabeças deste país, e tudo ficaria resolvido.  
Mal sabem que hoje em dia não basta uma centena de intelectuais para administrar um país.
O número mais próximo seria no mínimo os 12 milhões de membros da chamada classe média, que está sendo deliberadamente destruída pelos intelectuais que não querem competição.
Se você intelectual, que não acredita em Deus, e por isto não quer ir para a Igreja uma vez por semana, para não mostrar aos seus correligionários que acredita que existe algo superior à sua ciência, pelo menos seja humilde como o Vice Presidente da Alcoa.
O sofrido povo do Brasil agradece.

domingo, 11 de setembro de 2011

A IGREJA DA MEIA NOITE | Philip Yancey

Fui a uma “igreja” singular recentemente, que consegue atrair milhões de membros devotos toda as semanas, sem ter sede denominacional nem funcionários contratados. O nome é Alcoólicos Anônimos. Fui a convite de um amigo, que me confessara, pouco tempo antes, seu problema com a bebida. Ele me disse:
- Venha comigo, e verá uma amostra de como deve ter sido Igreja primitiva.
À meia–noite de uma segunda feira, entrei em uma casa caindo aos pedaços, que já abrigara seis sessões naquele dia. Nuvens de fumaça pairavam no ar como gás lacrimogêneo. Não passou muito tempo antes que eu percebesse o que meu amigo queria dizer com sua alusão à Igreja primitiva. Um político muito conhecido e vários milionários proeminentes se misturavam com desempregados desanimados e garotos que colocavam ban-aids nos braços para esconder as marcas das agulhas. O “momento de compartilhar” foi semelhante as descrições de grupos de terapia ideais que encontramos nos livros de cursos de Psicologia.
As pessoas ouviam em compaixão, respondiam com ardor e abraçavam-se ao final. As apresentações eram mais ou menos assim:
- Oi, sou o Tom, e sou dependente de álcool e drogas.
Imediatamente todos gritavam em uníssono, como um coral do teatro grego:
- Oi, Tom!
Cada participante da reunião deu o relatório de seu progresso pessoal na batalha contra a dependência. Cartazes com frases simpáticas – “Um dia de cada vez”, Você consegue” – enfeitavam as paredes desbotadas da sala. Meu amigo acredita que esse arcaísmos revelam outra semelhança com a Igreja primitiva. A maior parte da sabedoria do AA é passada de uma pessoa para outra pela tradição oral, que vem desde a fundação da entidade, há mais de cinqüenta anos. Ninguém usa muito as publicações atualizadas do AA e nem seus artigos de relações públicas. Em vez disso, confiam principalmente em um velho embolorado com o título prosaico: O Grande Livro Azul dos Alcoólicos Anônimos, que conta a história dos primeiros membros, em um estilo pomposo, parecido com o da Bíblia.
O AA não possui qualquer propriedade, não tem uma sede com luxos como mala direta e centro de mídia, não há uma equipe de consultores bem pagos e nem conselheiros de investimentos a cruzar o país de avião. Os fundadores do movimento estabeleceram garantias que acabariam com qualquer iniciativa para implantar a burocracia. Acreditavam em que o programa só teria sucesso se permanecesse no nível mais básico e íntimo: um alcoólico dedicando sua vida a ajudar outro. Mesmo assim o AA mostra-se tão eficaz que mais 250 organizações, de Chocólatras Anônimos a grupos de pacientes de câncer, surgiram como um imitação consciente de sua técnica.

Os muitos paralelos com a Igreja primitiva não são meras coincidências históricas. Os fundadores cristãos insistiram em que a dependência de Deus deveria ser uma parte obrigatória do programa. Na noite em que participei da reunião, todos na sala repetiram em voz alta os dozes princípios, que reconhecem total dependência de Deus para perdão e força (os membros mais agnósticos podem substituir pelo eufemismo “Poder do Alto”, mas depois de algum tempo isso começa a soar tão vazio que eles geralmente acabam passando para Deus). Durante os momentos de compartilhar, algumas pessoas usaram o nome de Deus em uma série de profanidades, e na sentença seguinte agradeciam a Ele por ajudá-las a atravessar mais uma semana. 
Meu amigo admite abertamente que o AA tomou o lugar da igreja na vida dele, e isso às vezes o perturba. Ele denomina a situação de “a questão Cristológica” do AA. E diz:

O AA não adota uma teologia da qual possa falar. Raramente se menciona Cristo. Os grupos tomaram emprestada a sociologia da igreja, bem como algumas das palavras e dos conceitos, mas não há doutrina subjacente. Sinto falta das doutrinas, mas em primeiro lugar estou tentando sobreviver, e o AA me ajuda muito mais nesta luta do que qualquer igreja local.

A igreja – e é possível avistar muitas torres através das janelas do prédio onde o grupo dos AA se reúne – parece irrelevante, enfadonha e sem substância para meu amigo. Outros no grupo explicam sua resistência à igreja relatando histórias de rejeição, julgamento e sentimento de culpa. Uma igreja local é o último lugar em que se levantariam para declarar que são alcoólicos e dependentes de drogas. Ninguém os saudaria com alegria, como nas reuniões do AA.

Meu amigo acredita que um dia acabará voltando para a igreja, já que não abandonou sua fé. Ele afirma que, na verdade, o envolvimento no AA o ajudou a solucionar alguns dos paradoxos mais difíceis do cristianismo. Tomemos como exemplo o debate livre–arbítrio e determinismo: como alguém pode aceitar toda a responsabilidade por suas ações, quando sabe que os antecedentes familiares, desequilíbrios hormonais e as forças sobrenaturais do mal contribuíram para seu comportamento? Uma das personagens de William Faulkner expressou-se assim:“Não vou fazer. Mas não consigo evitar”.

O AA é bem menos ambíguo: todo participante tem que reconhecer a responsabilidade total e completa por todo seu comportamento, até mesmo pelo que acontece durante um estupor alcoólico ou um blecaute (uma espécie de limbo, no qual o alcoólico continua a agir, mas com amnésia, sem percepção consciente). É proibido racionalizar.

Meu amigo prossegue: O AA me ajudou também a aceitar a noção do pecado original. Na verdade, embora muitos cristãos desprezem esta doutrina, o pecado original combina perfeitamente com as pessoas que freqüentam o AA. Expressamos esta verdade cada vez que nos apresentamos, dizendo que somos alcoólicos. Ninguém se esquiva dizendo que era alcoólico.

Para este meu amigo, a imersão nos alcoólicos Anônimos significou encontrar a Salvação em seu sentido mais literal. Sabe que uma escorregada poderia causar, ou melhor, causaria com certeza sua morte prematura. Mais de uma vez o companheiro dele dentro do AA atendeu seus chamados às 4hs da madrugada, indo encontrá-lo encurvado em um restaurante escuro, escrevendo vezes sem conta em um caderno, como um garoto sendo castigado na escola: “Deus, ajuda-me a atravessar os próximos cinco minutos.” Hoje ele aproxima-se de seu quinto aniversário de sobriedade, um marco importante de acordo com a avaliação do AA. E mesmo assim sabe que 50% das pessoas que vencem esta etapa acabam caindo de novo.

Saí impressionado da “igreja da meia – noite”, mas ainda me perguntando por que o AA atende a determinadas necessidades que a igreja local não consegue atender, ou pela menos não conseguiu, no caso do meu amigo. Pedi-lhe que apontasse a qualidade mais importante ausente na igreja e presente no AA. Ele olhou para sua xícara de café por um longo tempo, parecia estar assistindo ao líquido esfriar. Esperei ouvir uma palavra como amor, aceitação ou, por conhecê-lo bem, talvez ausência de institucionalismo. Em lugar disto, ele disse, bem baixo, uma única palavra: dependência.
E explicou: Nenhum de nós é capaz de prosseguir só, e não foi para isto que Jesus veio? Ainda assim, a maioria das pessoas na igreja apresenta um ar de satisfação consigo mesmas, com piedade ou superioridade. Não sinto que, conscientemente, elas se apóiem em Deus ou umas nas outras. Parece que a vida delas está em ordem. Um alcoólico se sente inferior e incompleto na igreja.
Ficou em silêncio um pouco, até que abriu um sorriso em seu rosto. E concluiu dizendo: É engraçado. O que mais odeio em mim, meu alcoolismo, é exatamente o que Deus usou para me trazer de volta até Ele. Por ser alcoólico sei que não sobrevivo sem Deus. Talvez seja este o valor redentor dos alcoólicos. Talvez Deus nos esteja chamado a ensinar aos santos o que significa depender dEle e de sua comunidade na Terra.
Levem os fardos pesados uns dos outros e, assim cumpram a lei de Cristo. Gálatas 6.2
Philip Yancey, do livro Perguntas que precisam de respostas.
Texto básico do ministério cristão CELEBRANDO A RESTAURAÇÃO - http://ibc.org.br/cr/ 
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No mesmo tom:

http://ancoradalma.blogspot.com/2010/02/perfeita-imperfeicao-da-igreja.html

sábado, 20 de agosto de 2011

O POSTO DE SALVAMENTO (A parábola da igreja que se tornou irrelevante) - Theodore Wedel

"Conheço as suas obras, o seu trabalho árduo e a sua perseverança. Sei que você não pode tolerar homens maus, que pôs à prova os que dizem ser apóstolos mas não são, e descobriu que eles eram impostores... Contra você, porém, tenho isto: você abandonou o seu primeiro amor. Lembre-se de onde caiu! Arrependa-se e pratique as obras que praticava no princípio..." Ap 2.2-5





Numa perigosa costa, onde os naufrágios são freqüentes, havia, certa vez, um tosco, pequeno posto de salvamento. O prédio não passava de uma cabana e havia um só barco salva-vidas. Mesmo assim, os membros, poucos e dedicados, mantinham uma vigilância constante sobre o mar e, sem pensar em si mesmos, saiam dia e noite, procurando incansavelmente pelos perdidos. Muitas vidas foram salvas por esse maravilhoso pequeno posto, de modo que acabou ficando famoso.

Algumas das pessoas que haviam sido salvas, alem de várias outras residentes nos arredores, queriam associar-se ao posto e contribuir com seu tempo, dinheiro e esforço para manter o trabalho de salvamento. Novos barcos foram comprados e novas tripulações treinadas. O pequeno posto de salvamento cresceu.

Alguns membros do posto de salvamento estavam descontentes com o fato de o prédio ser tão tosco e tão parcamente equipado. Achavam que um lugar mais confortável deveria servir de primeiro refúgio aos náufragos salvos. Assim, substituíram as macas de emergência por camas e puseram uma mobília melhor no prédio que foi aumentado.

Agora, o posto de salvamento tornou-se um popular lugar de reunião para os seus membros. Deram-lhe uma bela decoração e o mobiliaram com requinte, pois o usavam como uma espécie de clube. Agora, era menor o numero de membros ainda interessados em sair ao mar em missões de salvamento. Assim, tripulações de barcos salva-vidas foram contratadas para fazer este trabalho. O motivo predominante na decoração do clube ainda era o salvamento de vidas e havia um barco salva-vidas litúrgico na sala em que eram celebradas as cerimônias de admissão ao clube.

Por essa época, um grande navio naufragou ao largo da costa e as tripulações contratadas trouxeram barcadas de pessoas com frio, molhadas e semi-afogadas. Elas estavam sujas e doentes e alguma delas eram de pele preta ou amarela. O belo e o novo clube estava em caos. Por isso, o comitê responsável pela propriedade imediatamente mandou construir um banheiro do lado de fora do clube, onde as vitimas de naufrágios pudessem se limpar antes de entrar.

Na reunião seguinte, houve uma cisão entre os membros do clube. A maioria dos membros queria suspender as atividades de salvamento por serem desagradáveis e atrapalharem a vida social normal do clube. Alguns membros insistiram que o salvamento de vidas era seu propósito primário e chamaram a atenção para o fato de serem de que eles ainda eram chamados posto salvamento. Mas por fim estes membros foram derrotados na votação. Foi-lhes dito que se queriam salvar as vidas de todos os vários tipos de pessoas que naufragassem naquelas águas, eles poderiam iniciar seu próprio posto de salvamento mais abaixo naquela mesma costa. E foi o que fizeram.

Com o passar dos anos, o novo posto de salvamento passou pelas mesmas transformações ocorridas no antigo. Acabou tornando-se um clube, e mais um posto de salvamento foi fundado. A história continuou a repetir-se, de modo que, quando se visita aquela costa hoje em dia, encontra-se vários clubes exclusivos ao longo da praia.
Naufrágios são freqüentes naquelas águas, mas a maioria das pessoas morre afogada.

Theodore Wedel - O POSTO DE SALVAMENTO.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

ÚLTIMAS PALAVRAS | BM

"Pouca fé é necessária para nos levar ao céu, mas muita fé é necessária para trazer o céu à terra".
Frase creditada a Martinho Lutero

Será possível avaliar a vida de alguém por suas últimas palavras? Por que nos interessamos tanto pelo que as pessoas dizem antes do último suspiro? Meu amigo Antônio Leite imita muito bem um personagem de uma novela dos anos 70 na qual a trama é de um moribundo tentando contar a sua família um segredo, Albertinho é seu neto e sem essa revelação Albertinho não irá participar de sua herança, o segredo é revelado como o último suspiro.

JESUS VEM, PREPARA-TE! A foto acima foi tirada no pé da ponte do Pina, na entrada de Boa viagem. É um verdadeiro Outdoor evangélico e tem muito haver com uma forte teologia dos nossos irmãos assembleianos. Esta frase não está na bíblia mas diz muito. Nosso Senhor Jesus Cristo prometeu após a Sua ressurreição e antes de sua ascenção que voltaria.

O DIA DO SENHOR é o nome dado na Bíblia quando isto acontecer, neste dia os mortos ressuscitarão e todos verão com seus próprios olhos, a glória e a majestade de Jesus. Neste dia todos os salvos serão transformados, serão como Jesus é, e irão encontrar com Ele nas nuvens. Estes não provarão do juízo de Deus que certamente virá. E os que não reconheceram Jesus como o Cristo de Deus, para onde vão? Bom, segundo a bíblia irão ser julgados e condenados e irão para o lago de fogo e enxofre, PREPARADO (projetado) para o diabo e seus anjos.

Eu pessoalmente creio que isto é uma realidade, nosso Senhor começou seu ministério com o mote do Seu predecessor João Batista, "...O tempo é chegado, o Reino de Deus está próximo. Arrependam-se e creiam nas boas novas" (Mc 1.15). Ali Jesus deflagra o Reino eterno de nosso Deus, as portas do Reino de Deus estão abertas, a humanidade é convidada as bodas do Cordeiro, mas é só para escapar do Juízo vindouro que nos submetemos ao senhorio de Deus e Seu Cristo? É o medo que nos aproxima do Deus vivo, ou de fato ele nos afasta? O outro João, aquele conhecido como apóstolo do amor, disse: "No amor não há medo; ao contrário o perfeito amor expulsa o medo, porque o medo supõe castigo. Aquele que tem medo não está aperfeiçoado no amor" (I Jo 4.18).


O Evangelho de Jesus Cristo é muito mais que um passaporte para o céu, com bilhete de ida garantido. Jesus é muito mais que este pensamento; "Não viva sem Cristo, mas principalmente não morra sem Ele". "Jesus é o Verbo de Deus... Todas as coisas foram feitas por intermédio dEle, e sem Ele nada do foi feito se fez... A Luz verdadeira que veio ao mundo e ilumina todas as pessoas... E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade... E a todos que o receberam, deu-lhes o poder de serem filhos de Deus: aos que creêm no seu nome" (Jo 1.1-18). Não existe vida fora de Jesus! morrer sem Ele é uma triste consequência de quem desperdiçou sua única existência.

Jesus vai voltar em breve, hoje está mais perto do que ontem, Ele realmente falou e profetizou sobre sua segunda vinda, justamente quando estava prestes a realizar o sacrifício que nos redimiu, foram assim por dizer as suas últimas palavras. Ele queria nos avisar dos difíceis dias que viriam e da necessidade de permanecer firme.

Mas após ressurreto Jesus enviou seus discípulos a proclamarem o Reino de Deus, por onde quer que eles fossem, dando a eles poder e capacitando-os a viver como Ele viveu. O mesmo Espírito que esteve sobre Jesus agora estava disponível para que aqueles que oram "Seja feita a Tua vontade na minha vida como é feita em Jesus", para todos que se deixam governar por Ele. "Quem está em Cristo nova criatura é, as coisas velhas já passaram, eis que tudo se fez novo", disse o apóstolo Paulo, um ex-perseguidor de Cristo e de sua Igreja. Em Cristo temos perdão, nova vida, propósito e esperança.

O que você gostaria que fosse dito a respeito de você no dia do seu enterro? Esta foi uma pergunta feita no Seminário Vivendo Com Propósito pelo Pr. Ed René para todos os participantes. Se você pudesse pensar sobre suas últimas palavras, ou o que seria escrito no seu epitáfio, o que você diria? A pergunta choca porque a morte é sempre um agente estranho, mas é algo que vamos ter passar se Cristo não voltar antes, esta é uma pergunta válida porque ela me faz pensar que tipo de vida estou levando e qual legado deixarei. Eu penso que uma reflexão mais importante ainda seria o que Deus pensa sobre mim, o que Deus diz hoje a meu respeito?

Paulo sabendo que seus dias estavam chegando ao fim, disse: "Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda" (2 Tm 4.6-8). Quando chegar a minha hora gostaria de ter algo parecido para dizer, mas por causa das últimas e mais perfeitas palavras que já houveram: "ESTÁ CONSUMADO" (melhor é o fim das coisas, do que o seu início). Eu sei que se palavras me faltarem minha alma já me contou o que dirá: "Pai em tuas mãos entrego o meu espírito".
BM

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

OS ADULTOS E AS CRIANÇAS NA FÉ por Osmar Ludovico

Vivemos um momento de grande expansão da Igreja 'Evangélica' no Brasil. Um crescimento sem precedentes alcançando todo o Brasil. Caminhamos pelas principais avenidas das grandes cidades e nos deparamos com muitas igrejas, novas e antigas denominações. Nas pequenas cidades também, no campo, na praia, em todo lugar encontramos crentes. Ligamos o rádio e a TV, e são incontáveis os programas que anunciam o Evangelho. Há convertidos desde as camadas mais humildes da população até as mais abastadas. O movimento evangélico é visto como um segmento que movimenta milhões de reais no mercado editorial, fonográfico e de outros bens e serviços religiosos.

Urge, no entanto, um alerta quanto à qualidade, profundidade e alcance social deste movimento. Um deles diz respeito à leitura da Bíblia. Sabemos que crescemos no amor e no conhecimento de Deus através do estudo e aplicação das Sagradas Escrituras. O que vemos é uma oferta extraordinária de cultos, reuniões, seminários, conferências e encontros, em todo lugar, todos os dias da semana. Isto não significa que o povo está sendo instruído adequadamente nas Escrituras. Senão vejamos: a maior parte dos crentes depende de líderes e pastores que lhe expliquem a Palavra. Esta é uma necessidade premente para novos convertidos, mas o que dizer dos crentes com cinco, dez ou mesmo vinte anos de vida cristã?

Existe a idéia de que Deus fala primeiro e através de homens e mulheres que estudaram num Seminário Teológico e receberam alguma ordenação formal. Estes líderes treinados nas línguas originais, na exegese, na hermenêutica e homilética se tornam intérpretes da Palavra de Deus para a maior parte dos crentes. E passam a impressionar muito mais pela sua oratória, retórica e erudição do que pelo conteúdo e pela vida.

De um lado, vemos crentes que se acomodam sem desenvolver uma prática pessoal de estudo bíblico para que Deus fale com eles diretamente. Tornam-se dependentes de líderes para lerem suas Bíblias, só ouvem a voz de Deus de segunda mão, e não mais cultivam uma relação pessoal com Aquele que pode falar diretamente com eles através de sua Palavra. Do outro lado, vemos pastores e líderes que pregam e ensinam seis, sete vezes por semana e se tornam profissionais da Palavra. Depois de dez, vinte anos fazendo isso, já não lêem mais a Bíblia para si mesmos e não precisam sequer orar para preparar um sermão.

Então retornamos àquilo que a Reforma pretendeu reformar, o clericalismo. Apesar de nos acharmos diferentes da Igreja Católica, não somente temos nossos sacerdotes cuja oração e revelação são praticamente inatingíveis para a maior parte dos crentes, como também temos nossa hierarquia com bispos e apóstolos. O mesmo fenômeno ocorre no louvor, onde a figura do dirigente ocupa este lugar de intermediação entre Deus e os homens.

Acontece, então, como nos ensina a Bíblia, que crentes há um certo tempo, que poderiam se nutrir de alimento sólido, permanecem tomando leite. O alimento sólido é para o adulto, que sai de casa, vai para a feira, escolhe os ingredientes, volta, prepara, cozinha e leva a refeição à mesa, considerando uma dieta balanceada de proteínas, carboidratos, sais minerais e vitaminas. O leite, não, é uma mamadeira dada por alguém, fácil de digerir, alimento para crianças. Quando não temos uma vida devocional pessoal, de oração e estudo das Escrituras, transferimos para os líderes a função de nos nutrir.
E assim continuamos tomando mamadeira.

É tempo de a Igreja ensinar que não precisamos de intermediários para ouvir a voz de Deus. Reconhecemos nossos pastores e líderes como aqueles que Deus levanta para orientar e guiar, e cuja função principal é a de amadurecer os crentes, tornando-os adultos na fé. Que não sejamos mais infantis, dependendo da instrução e dos limites de líderes, mas cresçamos como adultos, andando com nossas próprias pernas na fé, na esperança e no amor.

Osmar Ludovico, extraído do livro “MEDITATIO”, de São Paulo, Mundo Cristão – 2007 , Páginas 146-148.

sábado, 29 de janeiro de 2011

A FORMAÇÃO DE DISCÍPULOS por René Padilla - Parte 2

O mandato de Jesus Cristo é claro: "Fazei discípulos... ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado" (Mt 28.19,20). Sabemos que o conteúdo do ensino sobre a formação de discípulos não é apenas teórico. Sem negar a importância da da doutrina ou da teologia, a ênfase recai na prática do ensinamento de Jesus Cristo - a prática da verdade. Com o batismo inicia-se um processo de transformação que abarca a totalidade da vida; um processo de aprendizagem do que significa a obediência ao ensinamento de Jesus Cristo, isto é, à vontade de Deus. Sem obediência à vontade de Deus não há discipulado genuíno. sob a perspectiva bíblica, a ortopraxia, a obediência a tudo o que Jesus ordenou as seus discípulos, é no mínimo tão importante quanto a ortodoxia - se não for mais, já que sua meta é que os discípulos vivam em função do amor e assim sejam filhos do Pai que está nos céus, perfeitos, assim como Ele é perfeito (Mt 5.45,48).

Os discípulos de Jesus não se distiguem por serem meros adeptos de uma religião (um culto a Jesus), mas sim por terem um estilo de vida que o reflete o amor e a justiça do reino de Deus. Portanto, a igreja não pode limitar-se a proclamar uma mensagem de 'salvação da alma': sua missão é fazer discípulos que aprendam a obedecer ao Senhor em todas as circunstâncias da vida diária, tanto no privado (em casa) como no público (e na rua), tanto no pessoal como no social, tanto no espiritual quanto no material. O chamado do Evangelho é um chamado a uma transformação integral que reflita o propósito de Deus de redimir a vida humana em todas as suas dimensões. Uma transformação... centrada em Jesus Cristo e orientada para o cumprimento do desejo de Jesus de que seus discípulos sejam "sal da terra" e "luz do mundo".

Assim entendido, o discipulado tem um custo inevitável. E um aspecto deste custo é a renúncia a tudo que interfere na lealdade absoulta a Jesus Cristo como (o) Senhor, Ele mesmo definiu as condições do discipulado...

A formação de discípulos à imagem de Cristo acontece no contexto da comunidade de fé, não fora dela. Jesus diz: "Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros" (Jo 13.35). É claro que para Jesus, a marca do discípulo é o amor. No entanto, ninguém pode aprender a amar estando isolado dos demais. Efetivamente, a experiência do amor de Cristo, que segundo Paulo, Excede todo entendimento" só é possivél com "todos os santos" (Ef 3.18-19). Só é possivél na igreja , ' a família de Deus', onde os discípulos aprendem a amar, mas também a servir, a orar, a resistir o mal, a cultivar o bem. Na igreja, o C0rpo de Cristo, onde os discípulos descobrem e exercem seus dons e crescem para chegar "à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo" (Ef 4.13).

Para iniciar o caminho do discipulado é preciso arrependimento, ou seja, uma decisão pessoal que envolve a renúncia irrevogável a uma vida dirigida por Deus e a disposição de identificar-se com Jesus em seus sofrimentos. Aqueles que começam a seguir Jesus só podem avançar em sua peregrinação conforme experimentam a graça de Deus na igreja e por meio dela.

C. René Padilla Traduzido por Wagner Guimarães
Revista Ultimato 328

Continuação do Post:
http://ancoradalma.blogspot.com/2011/01/formacao-de-discipulos-por-rene-padilla.html

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Igreja, por que se importar?

domingo, 1 de agosto de 2010

O VENTO EM NOSSO ROSTO- Agosto mês de Tozer

"Deus vos chamou para o lado de Cristo", escreveu o piedoso Rutherford, "e agora o vento está dando no rosto de Cristo nesta terra; e vendo que estais com Ele, não podeis esperar abrigo a sotavento ou do lado ensolarado da escarpa."

Com a bela sensibilidade para as palavras que caracterizava a mais casual declaração de Samuel Rutherford, ele aqui cristaliza para nós um dos grandiosos fatos radicais da vida cristã. O vento está soprando no rosto de Cristo e, porque O acompanhamos, também temos o vento em nosso rosto. Não devemos esperar menos.

O anseio pelo abrigo ensolarado é deveras natural, e, para as criaturas sensíveis que somos, é inteiramente desculpável, suponho eu.
Ninguém gosta de andar no vento frio. Contudo, a igreja vem tendo de marchar com o vento dando em seu rosto através dos séculos.

Em nossa avidez por conseguir conversos, temo que ultimamente pese sobre nós a culpa de usar a técnica do vendedor moderno, que geralmente apresenta só as qualidades desejáveis de um produto e ignora o restante.
Vamos às pessoas e lhes oferecemos um lar confortável no lado ensolarado da escarpa. Se tão-somente aceitarem a Cristo, Ele lhes dará paz mental, solucionará os seus problemas e seus negócios, protegerá as suas famílias e as manterá felizes o tempo todo.
Elas acreditam em nós e vêm, e o primeiro vento frio as envia arrepiadas a algum conselheiro para ver o que está errado; e essa é a última notícia que temos de muitas delas.

Os ensinamentos de Cristo revelam que Ele é realista no melhor sentido da palavra. Em parte nenhuma dos evangelhos encontramos algo que seja visionário ou exageradamente otimista. Ele dizia toda a verdade aos Seus ouvintes e deixava que eles formassem a sua opinião. Ele podia entristecer-se coma retirada de um interessado que não podia enfrentar a verdade; nunca, porém corria atrás dele para tentar ganhá-lo mediante róseas promessas. Ele queria que O seguissem sabendo o preço, ou, se não, deixava que seguissem os seus próprios caminhos.

Isto é simplesmente dizer que Cristo é honesto. Podemos confiar nEle. Ele sabe que nunca será popular entre os filhos de Adão e sabe que os Seus seguidores não precisam esperar popularidade. O vento que sopra em Seu rosto será sentido por todos quantos viajam com Ele e nós não somos intelectualmente honestos quando procuramos ocultar-lhes esse fato.

Oferecendo aos nossos ouvintes um evangelho doce e leve, e prometendo a todo aquele que o recebe um lugar na encosta ensolarada da colina, não apenas os enganamos cruelmente, mas também garantimos alto índice de acidentes entre os conversos obtidos mediante essas condições. Em certos campos estrangeiros foi cunhada a expressão "cristãos com arroz" para descrever os que adotam o cristianismo por algum lucro. O missionário experimentado sabe que o converso (religioso leigo) que tem de pagar algum preço por sua fé em Cristo é que perseverará até o fim. Ele começa já com o vento a soprar-lhes no rosto, e se a tempestade ficar mais forte, ele não retrocederá, porquanto foi preparado para suportá-la.

Abaixando o preço do discipulado, estamos produzindo cristãos do arroz às dezenas de milhares, precisamente aqui, no continente americano. Os que lembram dos tempos passados, lembrar-se-ão da explosão do comércio de terras na Flórida há alguns anos, quando alguns inescrupulosos corretores de imóveis ficaram ricos vendendo grandes extensões de pântanos cheios de jacarés a preços fantásticos a nortistas ingênuos. Agora mesmo há uma explosão no setor dos bens religiosos, na encosta ensolarada da colina. Milhares estão investindo e uns poucos empresários estão ficando ricos; mas quando o público descobrir o que comprou, alguns desses empresários terão de abandonar o negócio. E isso pode não acontecer tão cedo.

O que terá Cristo para oferecer-nos, que seja seguro, genuíno e desejável? Ele oferece perdão dos pecados, purificação interior, paz com Deus, a vida eterna, o dom do Espírito Santo, vitória sobre a tentação, a ressurreição dos mortos, um corpo glorificado, a imortalidade e um lugar de moradia na casa do Senhor para sempre. Estes são alguns dos benefícios que nos vêm como resultado da fé em Cristo e da entrega total a Ele. Acrescentamos a estes as maravilhas ascensionais e as crescentes glórias que virão a ser nossas através das imensas extensões da eternidade, e teremos uma imperfeita idéia do que Paulo denominou "insondáveis riquezas de Cristo" (Ef, 3:8).

Aceitar o chamamento de Cristo muda de fato o pecador que a Ele se entrega, mas não muda o mundo. O vento continua soprando em direção ao inferno, e o homem que caminhar na direção oposta terá o vento batendo no rosto. E é melhor levarmos isto em conta quando ponderarmos as realidades espirituais. Se as insondáveis riquezas não merecem que por elas soframos, é bom saber disso agora e parar de brincar de religião.

Quando o rico e jovem governante soube do preço do discipulado, retirou-se triste. Não pôde renunciar à encosta ensolarada da colina. Mas, graças sejam dadas a Deus, em cada época existem alguns que se negam a retroceder.
O Livro de Atos dos Apóstolos é a história de homens e mulheres que expunham o rosto ao rijo vento da perseguição e do prejuízo, e seguiam o Cordeiro aonde quer que Ele fosse. Sabiam que o mundo odiou a Cristo sem motivo, e os odiava por causa dEle; mas pela glória que lhes foi proposta, continuaram resolutos pelo caminho.

Talvez se possa reduzir a coisa toda a uma simples questão de fé e incredulidade. A fé vê de longe a vitória de Cristo e se dispõe a suportar toda e qualquer dificuldade para participar dela. A incredulidade não está segura de coisa alguma, exceto que odeia o vento e aprecia a encosta ensolarada da colina. Cada pessoa terá de decidir-se sozinha, se poderá arcar ou não com o terrível fausto da incredulidade.

Nota sobre o Autor: O Dr. A. W. Tozer era pastor da Southside Alliance Church, em Chicago. Ele é conhecido como um dos mais famosos pregadores deste século e como "um profeta" da nossa geração