"Temos esta Esperança como âncora da alma, firme e segura, a qual adentra o santuário interior, por trás do véu, onde Jesus que nos precedeu, entrou em nosso lugar..." (Hebreus 6.19,20a)
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sábado, 1 de setembro de 2012

OS ILLUMINATI e A IGREJA | Bp. Walter McAlister


Todos nós sabemos que desde os tempos antigos existiram imperadores, muitos dos quais foram homens tomados de uma ambição desumana que extrapolou toda e qualquer sensibilidade ou compaixão. Vivendo e sendo guiados pela ânsia nua e crua de poder, esmagaram os povos que se opuseram a eles: Alexandre, o Grande; os Césares; Gengis Khan; Napoleão. E até aqueles que, sem ser imperadores, agiram como tal, a exemplo de Adolf Hitler. Esses estadistas ceifaram a vida de multidões como grama para alcançar seus objetivos de poder, em grande parte insanos. A gana por ter nas suas mãos o destino dos povos assegurou a muitos deles um lugar de infâmia na História do mundo.

Ambição é uma constante humana. Em todos os tempos, e em todos os níveis, houve quem quisesse agregar para si poder sobre os outros. Esse poder confere a quem o detém quase que o status de semideus, pois projeta o sentimento do ambicioso para além da condição de mero mortal.

Mas o tempo de ditadores já passou, claro. Vivemos num planeta mais civilizado. Bem… será? Será que não sobrou quem queira dominar o mundo? Será que esse impulso satânico deixou de existir? Afinal, será que todos já aprenderam que querer domínio global é uma ambição fadada ao fracasso e à destruição? Claro que homens da laia de Hitler são coisa do passado! Claro que não existem mais figuras como essas! Na realidade, infelizmente não é bem assim. Sabemos que há líderes tribais na África que sequestram crianças, forçando-as a se tornarem assassinas – até da sua própria família. De metralhadoras nas mãos, e com apenas 11 ou 12 anos de idade, são transformadas em monstros. Liderando essas milícias há homens desprovidos de qualquer noção de humanidade. Não só na África, mas entre as FARC e, por que não dizer, nas favelas dos centros urbanos da nossa própria nação.

Sabemos mais: há companhias que produzem alimentos que sabidamente contêm elementos cancerígenos. Coincidentemente (ou não?), são as mesmas companhias que fabricam os medicamentos que tratam os cânceres que esses aditivos provocam. “Mas isso é loucura!”, poderíamos pensar. “É fruto de um devaneio doentio. Imagine se alguém seria tão cruel e desumano ao ponto de causar doenças só para aumentar a sua fortuna pessoal. Não! Pessoas assim não existem”.

Histórias dessa linha, as que falam de conspirações, cartéis, Illuminati, barões em castelos tramando contra a humanidade… são obras de ficção. Bobagem! O mundo está um caos, isso sim. Está tudo uma grande bagunça. Claro que existe um diabo que quer matar e destruir, mas isso não acontece em larga escala. No máximo ele quer que eu traia a minha esposa ou que eu perca os meus filhos para uma vida de pecado. O resto foi inventado para servir de roteiro em Hollywood. Sim, podemos pensar tudo isso.

Todavia, revoluções criadas pelo mercado do petróleo, experiências com novos remédios em vilarejos inteiros na África, cartéis de tráfico de diamantes que escravizam populações, crédito bancário que mantém os trabalhadores deste mundo num estado perpétuo de escravidão, seres humanos mantidos em regime escravo, tráfico de drogas, safras transgênicas, conspirações de revolução social mundial… essas coisas existem. Por trás de cada uma delas há pessoas que tomam decisões. Que têm noção do que estão fazendo. Há gananciosos que não enxergam o custo em vidas humanas como algo que importa. O seu interesse é tão cruel como o de um Hitler ou um Gengis Khan. Não usam espadas para esquartejar as suas vítimas. Usam computadores. Números. Marqueteiros e fundações. Mas seus métodos são tão cruéis como. Só que os tais não aparecem. Pois temos sido doutrinados a aceitar tudo isso como absolutamente “normal”.

Assisti ao filme Super Size Me – A dieta do palhaço, sobre um homem que decidiu viver por trinta dias alimentando-se apenas de fast food. De manhã, à tarde e à noite, ele consumiu apenas os hambúrgueres, as batatas fritas e os refrigerantes de uma conhecida cadeia internacional de lanchonetes. O filme mostra que ele quase morreu. Provou que fast food é veneno. Só que, em vez de causar uma debandada geral deste hábito tão “normal”, o filme virou cult – algo para ser visto por excêntricos que acreditam nessas “bobagens” de conspiração. Afinal, ninguém nos prejudicaria e, certamente, o governo não permitiria que nos fizessem mal assim, não é?  O pior que os nossos governantes fazem é roubar um pouco do nosso dinheiro. Jamais nos fariam mal. Será?

Porque… e se for verdade? Que sentido tem a vida? O que estamos fazendo aqui? Qual é o papel da Igreja face a todo esse mal sistêmico? Vamos mudar o mundo? Empunhar cartazes? Defender uma alimentação macrobiótica? Deixar de consumir comida industrializada? Mudar para o campo e sobreviver comendo broto de feijão e tecendo a nossa própria roupa?

Certamente o caminho não é esse. Mas a verdade é que a Igreja vive enamorada pelo mundo. Curtimos ver dois brutamontes entrarem numa jaula (no eufemismo, o “octógono”) e se surrarem até que um caia ensanguentado e semiconsciente. “É esporte”, defendem os adeptos. Consumimos a crédito hipotecando nossos futuros e fazendo com que nossa força vital seja sugada por bancos. Escravos do sistema, nos fazemos amigos do mundo. O próprio “evangelho” tem se oferecido a serviço deste mundo. Com promessas de prosperidade e alegria, vivemos numa “festa da virada”. Afinal, Deus nos fez cabeça e não cauda. Vamos às compras. Vamos ao shopping. Vamos fazer um evangelismozinho de vez em quando, porque, afinal, “Jesus merece”. Mas não sejamos radicais. Pega leve. Deus nos criou para gozar das coisas boas da vida.

E, como a grama, nossa saúde, nosso futuro, nossa mente, tudo é ceifado pelos que lucram às custas do mar da humanidade. Pior: há quem esteja servindo este mundo em nome de Deus. Sim, pois há os que, para saciar sua ânsia por poder, satisfazem os anseios do povo e oferecem a versão “gospel” de tudo o que o mundo já oferece na sua versão “ímpia”. Só que não importa o nome que damos a um copo de água poluída, aquilo continua a ser nocivo. Não importa o nome que damos à indústria de entretenimento, ainda assim consumirá nossa mente e nosso tempo.

Paulo disse: “Tenham cuidado com a maneira como vocês vivem; que não seja como insensatos, mas como sábios, aproveitando ao máximo cada oportunidade, porque os dias são maus. Portanto, não sejam insensatos, mas procurem compreender qual é a vontade do Senhor.” (Ef 5.15-17)

Os dias são maus? Você realmente acredita nisto? Ah, meu caro, minha cara, como são! Não estamos em festa. A realidade é outra. Os bárbaros põem a mesa com sangue humano. Devoram os fracos. Agregam poder. E a Igreja? Embriagada pelo “vinho” desta geração, anda dissoluta, perdida, e sua fé é inoperante e infrutífera. Os anjos choram. As trevas avançam. Quem levantará os olhos para o único que pode nos salvar? Quantos vão parar e começar a pensar, orar e estudar as Escrituras? Quem se habilita a ser luz entre as trevas?

Na paz,
+W

domingo, 16 de janeiro de 2011

VIVENDO SEM MÁSCARAS por Ed René Kivitz

Entre os anos de 1819 e 1880 viveu em San Francisco, um homem que se autodenominava Norton I, Imperador dos Estados Unidos. Vivia e agia como tal e era acatado pela sociedade com todas as honras. Sua companhia era aceitável, sua presença em festas e eventos era disputada e seu apoio sempre desejado para toda e qualquer causa. Imprimia seu próprio dinheiro, que nenhum dono de restaurante ousava rejeitar. Uma legítima nota de cinqüenta centavos de dólar do Norton I hoje é comercializada por mais de 500 dólares. Mais de 10 mil pessoas compareceram ao seu funeral, revelando o quanto valorizavam sua excentricidade.

Desde que a ouvi num documentário do GNT achei a história maravilhosa. Já dediquei horas em devaneios a respeito de Norton I e seu império particular. De vez em quando suscito uma discussão com amigos para saber o que eles aprendem com esta história. O que mais me chamou à atenção foi o fato de que você pode construir uma identidade falsa a seu respeito, e não faltarão pessoas para acreditar, alimentar e até mesmo tirar proveito da sua mentira.

Na verdade, acho que todo mundo cresce construindo uma identidade falsa a respeito de si mesmo. Desde a infância, quando sofremos as projeções dos pais e da família, passando pela adolescência, período quando precisamos encontrar um jeito de sermos aceitos e admirados pela turma, chegando à fase de definição de carreira e casamento, até este mundo fake, cuja moeda mais valorizada é a imagem e onde ninguém vale mais do que seu lay-out. Aos poucos vai deixando de ser importante o que de fato somos, para que entre em cena algo que nos tornamos, ou por escolha própria, ou por pressão de outros. A menina que disputava o amor do pai e o menino que disputava o amor da musa da escola crescem e se tornam a executiva que disputa a admiração do seu homem e o empresário que quer provar pra todo mundo que é melhor do que o irmão dele sim.

A maioria das pessoas funciona como matéria de retro-alimentação dessa loucura coletiva de identidades de mentirinha e infelicidades crônicas. Ninguém se atreve a tirar as máscaras, e muito menos denunciar as máscaras dos outros. Sobrevivemos de tapinhas nas costas e elogios evanescentes. Mal de época. Tempos em que ser celebridade é mais importante do que ser gente. Dias em que para ser celebridade vale tudo, até prostituir a identidade. Mundo de caras e bocas, onde os seduzidos pelos flashes e spots não buscam outra coisa senão a notoriedade, a admiração, o comentário invejoso dos demais boçais. Pessoas esculpidas, gente de plástico, corpos e caras de mentirinha, admirados e exibidos como verdadeiros – bolhas de sabão: perfeitos apenas de relance. Simulacro: sanduíches bonitos apenas na fotografia.

Alguém disse que a máscara, se lhe dermos tempo, torna-se o próprio rosto. Aí acontece o que Orlando Tejo, poeta de cordel, cantou

Eu briguei com um cabra-macho
mas não sei o que se deu
eu entrei pru dentro dele
ele entrou pru dentro deu
e num zuadão daquele
não sei se eu era ele
nem sei se ele era eu.

Isto é, a gente já não sabe quem é quem dentro da gente, desconhece quem mora na nossa cara, quem domina o pedaço que acreditávamos nosso corpo.

Mas tem sempre o dia em que a casa cai. Graças a Deus. O Lulu Santos tem razão, pois tem mesmo

dias que a gente olha pra si
e se pergunta se é mesmo isso ali
que a gente achou que ia ser
quando a gente crescer
e a nossa história de repente ficou
alguma coisa que alguém inventou
e a gente não se reconhece ali
no oposto de um dejavú.

Por estas e outras é que acredito que a maturidade implica necessariamente na descoberta do si mesmo. A questão primária para todo ser humano é responder a pergunta que Adão ouviu de Deus logo após o seu pecado, “Onde estás?”, que não visa a descoberta de uma localização geográfica, mas sim existencial. O significado desta experiência paradigmática para a raça humana é a afirmação de que o ser humano que está alienado de deus está também alienado de si mesmo, e nesse caso, o reencontro com Deus é necessariamente um reencontro com o si mesmo. É mais ou menos com o se Deus estivesse se dirigindo a cada pessoa e perguntando “Onde estás?”, ou em outras palavras, “onde está seu eu verdadeiro, quem é você por trás dessa máscara?”. Nesse sentido, “onde estás?” é uma pergunta muito próxima de “quem é você?” Algo do tipo “Que você não é Norton I, imperador dos Estados Unidos, eu sei. Então, quem é você?”

Meu amigo Alisson, cuja memória honro com saudade, captou isso perfeitamente:

Quando olha bem no íntimo
através do teu sorriso
o que será que Deus vê?
bem além da tua lógica
bem atrás de toda estética
o que será que Deus vê?
um coração aflito, um espírito ferido
e uma alma já cansada de representar
alguém desconfiado, sem um verdadeiro amigo
a quem possa se abrir sem se envergonhar
Quando Deus te investiga
bem no âmago da vida
lá no teu eu verdadeiro
é que ele quer por inteiro
transformar a tua essência
num batismo de alegria
verdadeiramente livre te fazer.

Os verdadeiros amigos não são aqueles que nos dão tapinhas nas costas e vivem alimentando nossos egos falsos. Amigo é aquele que nos ajuda a enxergar a verdade a respeito de nós mesmos. Amigo é quem nos coloca de frente pro espelho. Isso exige honestidade, coragem, aceitação, perdão, encorajamento na direção da transformação, disposição de permanecer ao lado, caminhando junto, depois que cai o pano.

Não sabemos quem se escondia por trás de Norton I. Não sabemos também do que ele se escondia, ou de quem fugia, porque precisou se proteger daquela maneira. Ninguém conseguiu fazer com que ele despisse sua fantasia. Sequer sabemos se houve quem tentasse. Norton I é uma vida desperdiçada no esforço de conseguir as melhores mesas nos restaurantes, viajar sempre de primeira classe, se hospedar nos melhores hotéis, receber convites para eventos badalados, passar dias em ilhas e castelos, assistir os espetáculos nos camarotes vips e acumular mimos de marcas famosas.

O mais triste dessa história é que Norton não é uma personagem, ou um indivíduo desequilibrado. Norton é o nome científico de um tipo de gente. Aquele foi Norton I, depois dele vieram muitos outros. Gente que não entendeu ainda o que ensinou o rei Salomão, esse sim uma celebridade de seu tempo: “maior é aquele que conquista a si mesmo do que aquele que conquista uma cidade”. As ruas estão cheias de Nortons I. A maioria deles não está nem mesmo preocupada em conquistar a cidade. Basta-lhes aparecer numa festa, numa capa de revista, ou numa retina qualquer de outro Norton se consumindo de inveja.


Ed René Kivitz
http://www.edrenekivitz.com/
...
Um possível diagnóstico, para quem não tem medo de espelhos:
A LISTA - Oswaldo Montenegro -
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Para quem deseja se livrar das máscaras, em todo um processo há sempre o primeiro passo:
Uma singela oração que nos ajuda a começar viver sem máscaras...
"Tu és o Deus das alvoradas, o Deus das vigílias noturnas, o Deus dos picos das montanhas e o Deus das profundezas dos mares; mas, Deus meu, minha alma tem horizontes mais vastos do que as alvoradas, as trevas mais densas do que as noites da terra, picos mais altos que qualquer montanha, profundezas maiores que qualquer mar. Tu, que és o Deus de tudo isso, sê o meu Deus. Não posso atingir as alturas nem as profundidades; há motivações que não consigo desvendar, sonhos que não posso alcançar — meu Deus, sonda-me".
Oswald Chambers -Salmo 139

Walter McAlister - Máscara