"Temos esta Esperança como âncora da alma, firme e segura, a qual adentra o santuário interior, por trás do véu, onde Jesus que nos precedeu, entrou em nosso lugar..." (Hebreus 6.19,20a)
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domingo, 28 de janeiro de 2018

NOSSA ESQUIVA por A W Tozer

NOSSA ESQUIVA- DIA A DIA com Tozer
"Ora, se eu, sendo o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros."
Jesus em João 13.14


O senhorio de Jesus nao está completamente esquecido entre os cristãos, porém, foi relegado aos nossos hinários, onde toda a responsabilidade relacionada a Ele pode ser confortavelmente descarregada no calor de uma emoção religiosa. 


A ideia de que o homem Cristo Jesus tem autoridade plena e final sobre todos os membros de Sua Igreja, em cada detalhe de suas vidas, simplesmente não é aceita como verdadeira pelos cristãos evangélicos comuns.

Para evitar a necessidade de obedecer ou rejeitar as claras instruções de Senhor no Novo Testamento, nós nos refugiamos em uma interpretação liberal dessas instruções. Encontramos maneiras de evitar o tenaz confronto da obediência, de consolar a carnalidade e tornar as palavras de Cristo ineficazes.E a essência de tudo é que "Cristo simplesmente não quis dizer o que disse". 

Ousaremos admitir que Seus ensinos são aceitos, ainda assim teoricamente, apenas após serem enfraquecidos pela "interpretação"? 

Ousaremos confessar que, mesmo em nossa adoração pública, a influência do Senhor é muito pequena? Cantamos sobre Ele e pregamos sobre Ele, mas Ele não deve interferir!

Amado Senhor, precisco admitir que houve momentos em que ignorei convenientemente as claras instruções de Tua Palavra. Ajuda-me a andar na Tua Vontade hoje!

terça-feira, 8 de julho de 2014

A VIDA DEVOCIONAL por Osmar Ludovico

Um dos pilares da experiência cristã é a vida devocional, isto é, o cultivo de uma relação de intimidade com Deus através da leitura bíblica e da oração. Na recomendação de Jesus Cristo, a vida devocional acontece no quarto de portas fechadas, no secreto, longe do público e das distrações.

A vida devocional é um privilégio extraordinário para os que creem. Na antiga aliança, só o sumo sacerdote, uma vez por ano, tinha acesso à presença de Deus no Santo dos Santos, no templo de Jerusalém. Porém, no momento em que Jesus Cristo morre na cruz, o Evangelho relata que o véu que dava acesso ao Senhor foi rasgado de alto a baixo – e lemos no livro de Hebreus que, agora, podemos entrar confiadamente na sala do trono pelo novo e vivo caminho no sangue de Cristo.

Deus não está mais no templo de Jerusalém, edificação feita por mãos humanas. Agora, ele habita no coração do homem e da mulher que nele creem e, assim, nosso corpo se tornou o templo do Espírito Santo. Este é o mistério de Cristo em nós; assim foi abolido o sacerdócio como privilégio dos levitas e, no Filho de Deus, o sacerdócio se tornou universal e inclui todos os crentes. Apesar disso, o que temos visto na Igreja é um retrocesso, pois o lugar do encontro com Deus se tornou o templo no domingo; a adoração é intermediada pela banda e pelo dirigente do louvor, e Deus fala através de pregadores ungidos. Além disso, levamos nossas orações para intercessores que, supostamente, têm poder.

O resultado é uma geração de crentes que dependem de intermediários na sua relação com Deus. Ao invés da leitura bíblica pessoal, ouvimos sermões, e no lugar da oração pessoal, aquela que se desnuda diante do Senhor, fazemos nossos pedidos na reunião de oração. É por isso que existem tão pouco santos e profetas entre nós, e tantos crentes imaturos e instáveis. Santo não é aquele que não peca mais, mas o que sabe que é um grande pecador e vive quebrantado e na dependência do Espírito Santo. E profeta não é aquele que adivinha o futuro, mas denuncia o mal e anuncia o juízo, sem preocupação em agradar aos outros.

A vida devocional ficou em segundo plano, e sem uma relação pessoal com Deus a ênfase recai na vida comunitária, no programa, no culto – em parte porque nos tornamos pessoas inquietas e agitadas que não conseguem parar, e em parte porque achamos que Deus só fala conosco através de pastores. Mas também negligenciamos a vida devocional porque achamos improdutiva e perda de tempo e buscamos experiências espirituais eufóricas e entregamo-nos ao ativismo religioso.

Sabemos que Deus habita o mais alto e santo lugar nos céus, mas também habita o coração do contrito e do abatido de espírito. Procuramos o Altíssimo nos mais altos céus – mas ele está muito mais perto de nós, no nosso coração. Encontramos o Senhor mais facilmente quando descemos, e não quando subimos; descemos ao nosso coração para encontrá-lo por trás da nossa maldade e da nossa agitação. A casa do Pai é o nosso próprio coração: por isso, voltar para à casa do Pai é retornar ao nosso próprio coração. Ali, ouvimos sua palavra e lhe respondemos com nossas orações. Esta é uma descrição da vida devocional. Em outras palavras, podemos dizer que é o cultivo de uma amizade com Deus no recôndito do nosso coração. Nossa vida se torna, então, um caminho com Cristo até Cristo, um caminho em direção ao nosso próprio coração, onde o Senhor nos aguarda apesar das nossas agitações e preocupações. Aquietamo-nos para encontrá-lo e, quando o encontramos, estamos prontos para encontrar outros.

Sabemos da importância dos frutos na vida cristã: fruto de arrependimento, fruto do Espírito e fruto de boas obras. Todavia, a parte mais importante de uma árvore é a raiz. A árvore pode ter um tronco magnífico e folhas viçosas, mas se a raiz estiver afetada, seus frutos serão ruins e ela pode até morrer. Pois a vida devocional é raiz que precisa estar coberta, no escuro, nas profundezas. Se ela é saudável, alimentando-se da seiva viva e bebendo dos mananciais de águas puras, então não precisamos nos preocupar com os frutos – eles, certamente, virão e serão bons.

Precisamos resgatar o ensino e a prática do sacerdócio universal dos crentes e o vinculo de intimidade com Deus através da leitura bíblica e da oração no secreto.

http://www.cristianismohoje.com.br/colunas/osmar-ludovico/encontramos-o-senhor-mais-facilmente-quando-descemos-e-nao-quando-subimos

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

MELHOR QUE O PLANEJADO

Leitura: Efésios 5:15-21 
…dando sempre graças por tudo… —Efésios 5:20

As interrupções não são novidade. Raramente um dia corre como o planejado.

A vida é cheia de inconveniências. Os nossos planos são constantemente contrariados por circunstâncias além do nosso controle. A lista é longa e sempre mutante. Doenças, conflitos, engarrafamentos, esquecimentos, mau funcionamento de equipamentos, grosserias, preguiça, falta de paciência, incompetência.

O que não podemos ver, no entanto, é o outro lado da inconveniência. Acreditamos não ter outro propósito além de nos desencorajar, dificultar a vida e frustrar os nossos planos. Entretanto, a inconveniência poderia ser o jeito de Deus nos proteger do perigo despercebido, ou poderia ser uma oportunidade de demonstrar a graça e o perdão de Deus. Pode ser o começo de algo muito melhor do que havíamos planejado. Ou poderia ser um teste para verificar como reagimos à adversidade. Seja o que for, mesmo que não conheçamos os motivos de Deus, podemos estar certos do que Ele quer: tornar-nos mais parecidos com Jesus e expandir o Seu reino na terra.

Dizer que através da história os seguidores de Deus encontraram “inconveniências” é eufemismo. Mas Deus tem um propósito. Sabendo disso, podemos agradecê-lo, confiantes de que Ele nos dá uma oportunidade de remir o tempo (Efésios 5:16,20).

—JAL
O que acontece conosco não é tão importante quanto o que Deus faz em nós e por nosso intermédio.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

RESILIENTE É AQUELE QUE...

"E qualquer coisa que lhe pedirmos, dele a receberemos, porque guardamos os seus mandamentos, e fazemos o que é agradável à sua vista". 1 João 3.22

Quando o ministro inglês W. E. Sangster notou pela primeira vez um mal-estar na garganta e dificuldade em uma das pernas para andar, foi consultar um médico. Foi constatado que ele padecia de uma enfermidade muscular incurável que, com o passar do tempo, causaria uma atrofia nos músculos, levando-o a morte.

Ao invés de entregar-se ao desânimo, Sangster resolveu dedicar-se a um trabalho missionário nos lares da Inglaterra. Entendeu que ainda podia escrever e ter mais tempo para orações. Ele orava: "Senhor, permita que eu permaneça firme nesta luta... não me importo mais em ser general". Escreveu artigos e livros, e ajudou a organizar reuniões de oração por toda a Inglaterra. Quando alguém se aproximava dele com palavras de piedade, ouvia o seguinte: "Ainda estou no jardim de infância do sofrimento".

Ao longo dos anos, as pernas de Sangster ficaram paralisadas. Ele perdeu completamente a voz. Mas naquela altura ainda conseguia segurar a caneta e escrever, embora com letras trêmulas. Na manhã do domingo de Páscoa, poucas semanas antes de morrer, ele escreveu um carta para sua filha, dizendo: "É terrível acordar no domingo de Páscoa e não ter voz para gritar 'ELE RESSUSCITOU!' - Porém seria mais terrível ainda ter voz e não querer gritar."

A pessoa escolhida é aquela que ouve o chamado de Deus e responde com firmeza "SIM", independentemente das circunstâncias. 

DO PEQUENO DEVOCIONAL DE DEUS PARA HOMENS - Ed.United Press, págs. 84-85.
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"Nada proporciona maior capacidade de superação e resistência aos problemas e dificuldades em geral do que a consciência de ter uma missão para cumprir nesta vida."
Viktor Frankl 

Esta característica que hoje chamamos de resiliência, é possível obtê-la quando sabemos que podemos contar com um Deus que anda conosco pelo vale da sombra da morte, e que a morte que tanto nos apavora foi por Ele derrotada. Assim como Jesus Cristo ressuscitou dos mortos, nós também ressuscitaremos! Os que são de Cristo para a Vida Eterna, os que o rejeitaram para o Juízo.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

SEGURO É O LUGAR ONDE DEUS ESTÁ

E o rei exclamou: "Olhem! Estou vendo quatro homens, desamarrados e ilesos, andando pelo fogo, e o quarto se parece com um filho dos deuses".
Daniel 3.25

Podemos ser tentados de várias formas, mas sempre que existe risco à nossa integridade, principalmente a física, tendemos a migrar para nossos portos seguros. Afinal, o ser humano tem como princípio de vida a busca por segurança.

Na narrativa encontrada no livro de Daniel três jovens são desafiados a adorar um falso deus, sob pena de serem lançados na fornalha ardente. E, contrariando o instinto natural de sobrevivência, preferem ser lançados ao fogo. A beleza do texto porém, está no fato do rei olhar para o fogo e perceber que lá aqueles jovens não estavam sós. Deus a quem eles serviam estava com eles.

Diariamente e das mais variadas formas somos desafiados a negar a nossa fé, e, como aqueles homens, temos a opção de caminhar para o fogo que pode nos ferir ou para o lugar aparentemente seguro onde Deus não habita. Mas lembre-se: seguro é o lugar onde Deus está.

(A Jornada - Caminhada Diária com Deus - Org. Ricardo Agreste)
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"Uma fé torna-se resistente quando de tão real coloca em risco a própria pele de quem a professa". Elienai Cabral Jr 

quinta-feira, 5 de abril de 2012

A COLISÃO DE DEUS COM O PECADO | Chambers

"Carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados." 
1 Pedro 2.24 

A cruz de Jesus é a revelação do juízo de Deus sobre o pecado. Não podemos jamais tolerar a idéia de martírio associada à cruz de Jesus Cristo. A cruz foi um sublime triunfo, que fez os fundamentos do inferno se abalarem. 

Não há nada mais certo, no tempo ou na eternidade, do que Jesus Cristo fez na cruz: de um momento para outro ele recolocou toda a raça humana num relacionamento correto com Deus. Ele fez da redenção a base da vida humana - abriu o caminho para que todo filho de homem possa entrar em comunhão com Deus. 

A cruz não foi um acaso para Jesus: ele veio propositadamente para ela. Ele é o "Cordeiro que foi morto, desde a fundação do mundo" (Ap 13.8). Todo o sentindo da encarnação está na cruz. Cuidemos para não separar o Deus manifestado na carne do filho tornando-se pecado (2 Co 5.21)

A encarnação tinha por objetivo a redenção. Deus se encarnou com o propósito de eliminar o pecado; não como o propósito de auto-realizar-se. A cruz é o centro de tempo e da eternidade, a resposta aos enigmas de ambos. 

A cruz não é a cruz de um homem, mas a cruz de Deus, e a cruz de Deus nunca pode tornar-se experiência humana. A cruz é a demonstração da natureza de Deus, o portal através do qual qualquer indivíduo da raça humana pode entrar em união com Deus. 

Podemos chegar à cruz, mas não podemos transpô-la; nós vivemos a vida para a qual a cruz é o portal. O centro da salvação é a cruz de Jesus, é a razão por que é tão fácil obter a salvação está no alto preço que ela custou a Deus. 

A cruz é o ponto em que Deus e o pecador colidem e o caminho para a vida se abre - mas a colisão se dá (primeiramente) no coração de Deus.

Oswald Chambers - do Devocional TUDO PARA ELE (Dia 06 de Abril)
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domingo, 1 de janeiro de 2012

LEIAMOS A BÍBLIA!

Após servir 30 anos como pastor, ele concluiu que o analfabetismo bíblico é violento, e afirmou: a Bíblia é o mais vendido, o menos lido e o menos compreendido de todos os livros". 

George Gallup, o mais conhecido pesquisador religioso nos EUA, concorda com a opinião desse desconhecido pastor, e acrescenta: "Reverenciamos a Bíblia, mas não a lemos". Numa recente pesquisa, 64% dos entrevistados informaram que estavam ocupados demais para a leitura da Bíblia. A maioria das famílias tem em média três Bíblias, mas menos da metade dessas pessoas sabem o nome do primeiro livro do Antigo Testamento. Outra pesquisa revelou que 12% dos entrevistados que se denominavam cristãos identificaram a esposa de Nóe como Joana D'arc! 

Qual a solução? Ler a Bíblia! Una-se a mim no compromisso de ler a Bíblia em um ano. Nós precisaremos de aproximadamente 15 minutos para lermos 4 capítulos por dia (Em 300 dias leremos os seus 1189 capítulos). Estamos ocupados demais para isto? 

O objetivo não é a informação, mas a transformação! Alguém resumiu 2 Timóteo 3.16, dizendo: " A Palavra de Deus nos mostra que caminho seguir (Doutrina = Ensino); como retornar ao caminho (correção); e como permanecer nele (instrução na Justiça)". 

A Palavra de Deus é um precioso Presente. Por isso, leiamos durante o próximo ano. 

DCM - Extraído do devocional Nosso Andar Diário dia 31 de Dezembro.

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"Toda a Escritura nos foi dada por inspiração de Deus e é útil para nos ensinar o que é verdadeiro e para nos fazer compreender o que está errado em nossas vidas; ela nos endireita e nos ajuda a fazer o que é correto. Ela é o meio que Deus utiliza para nos tornar bem preparados em todos os pontos, perfeitamente habilitados para toda boa obra".
2 Timóteo 3.16,17 - Nova Bíblia Viva ( A Bíblia que estou lendo no momento)

Altamente recomendado, CONHEÇA SUA BÍBLIA com Ed René Kivitz: http://ibab.com.br/conhecasuabiblia.php

Primeiro palestra da série de 8 do Conheça sua Bíblia:

Bíblia, palavra de Deus - Parte 1 from IBAB on Vimeo.

domingo, 3 de abril de 2011

SEMPRE AGORA por C. S. Lewis


TODA pessoa que acredita em Deus, de uma forma ou de outra, crê que ele sabe o que você e eu faremos amanhã. Porém, se ele sabe que eu agirei de certa forma, como eu poderia ter liberdade de agir de outra maneira? Temos aqui, mais uma vez, a dificuldade de achar que Deus percorre a linha do tempo da mesma maneira que nós, sendo que a única diferença é que ele pode enxergar além, enquanto nós não. Bem, se isso fosse verdade, se Deus tivesse previsto os nossos atos, seria muito difícil entender como poderíamos ter a liberdade de praticá-los ou não. Mas suponha que Deus esteja acima e além do plano temporal. Nesse caso, o que nós chamamos de “amanhã” estaria visível para ele da mesma forma que o que chamamos de “hoje”. Todos os dias são “agora” para Deus. Ele não se lembra do que fizemos ontem, simplesmente nos vê agindo, pois, embora “ontem” já tenha passado para nós, não passou para ele. Deus não prevê o que faremos amanhã, simplesmente nos vê agindo, porque embora o dia de amanhã não tenha chegado para nós, para ele está presente. Jamais supomos que nossas ações no presente fossem menos livres simplesmente porque Deus sabe o que estamos fazendo. Ele sabe até o que você vai fazer no futuro, pois já se encontra no “amanhã” e pode simplesmente observar você. De certa forma, Deus não conhece a sua ação enquanto você não a tiver praticado; mas depois, no momento em que você a tiver executado, já é “agora” para ele.


C S Lewis do livro Mere Christianity [Cristianismo Puro e Simples] Retirada de Um Ano com C. S. Lewis (Editora Ultimato, 2009)

segunda-feira, 21 de março de 2011

RENOVANDO TODAS AS COISAS por Henri Nouwen

EXTRATOS DE RENOVANDO TODAS AS COISAS

1. Trabalho árduo

A vida espiritual é um dom. É o dom do Espírito Santo que nos eleva para o Reino do amor de Deus, mas dizer que ser elevado para o Reino do amor é um dom divino não significa que vamos esperar passivamente até que o presente seja concedido a nós.

Jesus diz que nosso coração tem de estar no Reino. Pôr o coração em alguma coisa presume não só uma aspiração séria, mas também uma forte determinação. A vida espiritual requer esforço humano. As forças que nos desviam para uma vida cheia preocupações não são fáceis de superar.

Jesus exclamou: "como é difícil aos ricos entrar no reino de Deus!" (Mc 10.23). Para convecer-nos da necessidade do trabalho árduo, Ele diz: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me" (Mt 16.24).


2. A voz mansa e suave

Uma vida espiritual sem disciplina é impossível. Disciplina é o outro lado do discipulado. A prática da disciplina espiritual nos torna mais sensíveis à voz mansa e suave de Deus. O profeta Elias não encontrou Deus no vendaval, nem no terremoto, nem no fogo e sim no murmúrio de uma brisa (I Rs 19.9-13).

Através da prática da disciplina espiritual nos tornamos atentos para a essa voz suave e dispostos a responder quando a ouvimos.

3. De uma vida absurda para a vida obediente

De tudo o que já foi dito sobre a nossa vida cheia de preocupações, fica claro que sempre estamos rodeados por tanto barulho externo que é quase impossível ouvir o nosso Deus quando Ele está falando conosco. Muitas vezes tornamos-nos surdos, incapazes de saber quando Deus nos chama e de entender o que Ele fala. Assim, nossas vidas se tornaram absurdas.

Na palavra absurdo encontramos a palavra latina surdus que significa surdo. A vida espiritual requer disciplina porque precisamos aprender com Deus, que fala constantemente, mas a quem raramente ouvimos. Quando, porém, aprendemos a ouvir, nos tornamos obedientes.

A palavra obediência vem do latim audire, palavra que significa ouvir. A disciplina espiritual é necessária para a lenta jornada de uma vida absurda para uma vida obediente, de uma vida cheia de ruídos e preocupações para uma vida em que haja algum espaço livre interior, onde podemos ouvir o nosso Deus e seguir sua orientação.

A vida de Jesus foi uma vida de obediência. Ele estava sempre escutando o Pai, sempre atento à sua voz, sempre alerta à sua direção. Jesus era um "ouvinte pleno". Esta é a verdadeira oração: ouvir a Deus plenamente. O centro de toda oração é, de fato, ouvir, permanecer em atitude de obediência na presença de Deus.

4. O esforço concentrado

A disciplina espiritual, portanto, é o esforço concentrado para criar um espaço interior e exterior em nossa vida, onde esta obediência possa ser praticada. Por meio da disciplina espiritual impedimos o mundo de preencher nossas vida de tal forma que não há lugar para ouvir. A disciplina liberta-nos para orar, ou melhor dizendo, permite que o Espírito de Deus ore em nós.

5. Tempo e Lugar

Sem a solitude é praticamente impossível viver uma vida espiritual. A solitude começa com um tempo e um lugar para Deus, e só para Ele (Leia Mateus 6). Se crermos que Deus não apenas existe, mas também está ativamente presente em nossa vida - curando, ensinando e guiando -, precisamos separar um tempo e um lugar para Lhe dedicar nossa atenção total. Jesus diz: "Vá para seu quarto, feche a porta e ore ao seu Pai, que está em secreto" (Mt 6.6).

6. Caos interior

Buscar solitude em nossa vida é um dos aspectos mais necessários da disciplina e também a mais difícil das disciplinas. Embora desejamos a verdadeira solitude, também passamos por certa apreensão a medida que nos aproximamos do seu lugar e do seu momento. Assim que nós estamos sozinhos, sem pessoas para conversar, livros para ler, TV para assistir ou tefefone para falar, um caos interior começa.

O caos pode ser tão perturbador que não vemos a hora de voltar a atividade. Portanto entrar no quarto e fechar a porta não significa que eliminamos imediatamente do nosso interior todas as dúvidas, ansiedades, medos, más lembranças, conflitos não resolvidos, sentimentos de ira e desejos impulsivos. Pelo contrário, depois de nos afastar de todas as outras distrações, logo descobrimos que nossas próprias distrações se manifestam com força total.

Em geral utilizamos as distrações exteriores como proteção contra os ruídos interiores. Por isso não é de surpreender que tenhamos dificuldades em ficar sós. O confronto com nossos próprios conflitos pode ser muito doloroso de suportar.


Isto é o que faz com que a solitude seja muito importante. A Solitude não é uma resposta espontânea de uma vida ocupada e preocupada. Existem muitas razões para não estar sozinho. Portanto, devemos começar a planejar cuidadosamente nosso tempo de solitude.

7. Escreva claramente (Agende seu compromisso com Deus)

Cinco ou dez minutos por dia pode ser tudo o que podemos tolerar para começar nesta disciplina . A quantidade de tempo irá variar para cada pessoa de acordo com o temperamento, idade, profissão, estilo de vida e maturidade. Se não reservarmos algum tempo para estar a sós com Deus e escutá-Lo é porque não levamos a vida espiritual a sério. Talvez seja preciso anotar na agenda para que ninguém, nem nada, nos tire este tempo, assim poderemos dizer aos amigos, vizinhos, alunos, clientes ou pacientes: "Sinto muito já tenho um compromisso nesse horário".

8. Bombardeado por milhares de pensamentos

Uma vez que nós nos comprometemos a passar um tempo na solitude, desenvolvemos uma atenção à voz de Deus em nós. No início nos primeiros dias, semanas ou mesmo meses, possamos ter a sensação de que estamos apenas perdendo nosso tempo. O tempo em solitude no inicio pode parecer pouco maior que o tempo em que somos bombardeados por milhares de pensamentos e sentimentos que emergem das áreas ocultas da nossa mente.

Um antigo escritor cristão descreveu o primeiro estágio da oração em solitude com a experiência de alguém que, depois de anos vivendo com as portas abertas, resolveu fechá-las. Os visitantes acostumados de entrar na casa começaram a bater à porta, querendo saber porque não podiam entrar. Só de perceberem que não são ben-vindos pararam de vir.

Esta é a experiência de quem decide entrar na solitude depois de uma vida sem alguma disciplina espiritual. No começo surgem muitas distrações. Mais tarde, quando elas recebem menos atenção, elas lentamente se retiram.

9.Tentação de fugir

É claro que o que importa é a fidelidade à disciplina. No inicio a solitude parece tão contrária aos nossos desejos que ficamos constantemente tentados a fugir dela. O meio de escapar é através dos devaneios ou simplesmente cair no sono. Contudo, quando somos fiéis à nossa disciplina, na convicção de que Deus está conosco, mesmo quando não conseguimos ouvi-lo, aos poucos descobrimos que não queremos perder nosso tempo a sós com Deus. Embora não tenhamos grande satisfação com a solitude, descobrimos que um dia sem solitude é menos espiritual que quando a temos.

10. O primeiro sinal de Oração

Sabemos por intuição que é importante dedicar tempo a solitude. Até começamos a aguardar este momento de inutilidade. O desejo de estar em solitude geralmente é o primeiro sinal de oração, a primeira indicação de que a presença do Espírito de Deus não passa mais despercebida.

À medida que nos esvaziamos das nossas muitas preocupações, passamos a perceber não só com a nossa mente, mas também com o nosso coração, que nunca estivemos realmente sós, que o Espírito de Deus esteve conosco o tempo todo. Por isso começamos a entender as palavras de Paulo: "Sabemos que os sofrimentos produzem a paciência, a paciência traz a aprovação de Deus, e essa aprovação cria a esperança. Essa esperança não nos deixa decepcionados, pois Deus derramou o seu amor no nosso coração, por meio do Espírito Santo que Ele nos deu" (Rm 5.3-6).

11. O Caminho da Esperança

Por meio da solitude conhecemos o Espírito que já foi concedido a nós. Por isso, as dores e as lutas que encontramos em nossa solitude tornam-se o caminho da esperança, porque nossa esperança não se baseia em algo que vai acontecer depois de vencermos nossos sofrimentos, mas na presença real do Espírito restaurador de Deus em meio a esses sofrimentos e lutas.

A disciplina da solitude permite-nos entrar em contato com a presença esperançosa de Deus em nossa vida e nos permite também experimentar, mesmo agora, hoje, o início da alegria e da paz que pertencem (em plenitude) ao novo céu e a nova terra.

A disciplina da solitude, como a descrevo aqui, é uma disciplina eficaz para o desenvolvimento de uma vida de oração. É uma maneira simples, mas não fácil, de nos livrarmos da escravidão de nossas ocupações e preocupações e começar a ouvir a voz que renova todas as coisas.


Henri J. M. Nouwen - Extratos do Livro RENOVANDO TODAS AS COISAS, publicado em CLÁSSICOS DEVOCIONAIS de Richard Foster e James Bryan Smith Págs. 116-124, com algumas traduções próprias diretamente do inglês .

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

HÁBITOS QUE TRANSFORMAM por Ricardo Barbosa

"Assim como é necessário revigorarmos o corpo com alimentação freqüente, assim também temos de restaurar a alma por nos alimentarmos do Livro de Deus, por ouvirmos a Palavra pregada e por nutrirmos nossa alma na mesa da adoração e do louvor".
C H Spurgeon

Em 1989, o reverendo John Stott veio ao Brasil para falar num dos congressos da VINDE -- Visão Nacional de Evangelização. Depois de uma de suas palestras, nos reunimos para conversar com ele. Era um grupo pequeno de jovens pastores, sentados em torno de um dos maiores expositores bíblicos da nossa geração, perto de completar 70 anos. A conversa seguiu animada. Ele nos deu liberdade para perguntas pessoais e, entre outras, não faltaram aquelas sobre o porquê de não se casar.


Porém, de todas, guardei apenas a resposta que ele deu quando lhe perguntaram sobre a razão do seu longo ministério tão frutífero. Ele respondeu: “Leio a Bíblia e oro todos os dias, vou à igreja todos os domingos e nunca falto à celebração da Eucaristia”. A resposta foi surpreendente por sua simplicidade.

Sabemos que ler a Bíblia e orar todos os dias, ir aos cultos e participar da Ceia nunca foram, por si só, sinais confiáveis de espiritualidade, muito menos um caminho seguro para a maturidade. Muitas pessoas fazem isso por puro legalismo. Por outro lado, sabemos também que não fazer nada disso é um caminho seguro e certo para o fracasso espiritual.

O doutor James Houston, criticando o abandono da leitura devocional em nossos dias por uma literatura funcional e pragmática, afirma: “Os hábitos de leitura do chiqueiro não podem satisfazer a um filho e aos porcos ao mesmo tempo”. Ao usar a imagem da Parábola do Filho Pródigo, ele nos chama a atenção para o risco de nos acostumarmos com a vida do chiqueiro. Para Houston, as práticas devocionais nos ajudam a perceber que existe algo maior e mais excelente na vida de comunhão com o Pai.

O reverendo A. W. Tozer (1897-1963) escreveu um artigo afirmando que “Deus fala com o homem que mostra interesse”, e que “Deus nada tem a dizer ao indivíduo frívolo”. Mais do que cultivar o hábito de ler a Bíblia, orar e participar do culto, o que na verdade fazemos quando cultivamos estas práticas devocionais é demonstrar o interesse vivo que temos por Deus e por sua Palavra.

Da mesma forma como a vida necessita do básico (ter o suficiente para comer e vestir, onde descansar), a natureza da vida espiritual repousa sobre o que é essencial (Bíblia, oração, comunhão, adoração e missão). São esses hábitos básicos que nos colocam no lugar onde podemos experimentar a graça de Deus e crescer.

Há hoje muita oferta para a vida e para a espiritualidade. A sedução do supérfluo despreza o essencial. Vivemos o grande perigo de negar o básico, achando que podemos experimentar a graça de Deus e provar sua bondade e amor sem nos aquietar e deixar que sua Palavra molde nosso caráter, que a oração fortaleça nosso espírito e que a comunhão nos sustente em nossa identidade como povo de Deus.

As disciplinas espirituais básicas cultivadas pelo reverendo Stott ao longo de sua vida formaram seu caráter como cristão. Nada pode substituir a prática diária da oração nem a leitura devocional das Escrituras. Nada substitui o valor do culto comunitário nem o mistério da Eucaristia. O cultivo destas disciplinas requer de nós não apenas tempo e perseverança, mas também humildade e coragem para sermos transformados pelo poder de Deus.

Deus não nos chamou para a realização pessoal, mas para a comunhão pessoal e íntima com ele e o próximo. Deus não nos chamou para sermos operários agitados do seu reino, mas para amá-lo e amar ao próximo de todo o coração. Os hábitos devocionais libertam-nos da “normalidade” do chiqueiro e nos transportam para uma existência de comunhão com Deus que enobrece a vida. São estes hábitos que preservam nossos olhos voltados para o alto, para que, aqui na terra, nossa existência ganhe a grandeza dos ideais divinos.

As práticas devocionais fazem parte do processo formativo da alma diante de Deus. Precisamos cultivá-las a fim de permanecermos em sintonia com o reino de Deus, que molda o nosso caráter em Cristo. É a palavra de Deus que devolve a vida aos “ossos secos” da agitação moderna.

Ricardo Barbosa de Sousa é pastor da Igreja presbiteriana do Planalto e coordenador do Centro Cristão de Estudos, em Brasília. É autor de “Janelas para a Vida” e “O Caminho do Coração”.