Quando eu digo “eu sou cristão”,
Não estou gazeteando “eu tenho uma vida exemplar”.
Eu estou cochichando “eu estava perdido,
fui achado e fui perdoado”.
Quando eu digo “eu sou cristão”
Não falo disso com orgulho pessoal
Eu estou confessando que sou falho
E, por isso, preciso de Cristo para ser meu guia
Quando eu digo “eu sou cristão”
Eu não estou dizendo que sou forte
Estou confessando que sou fraco e preciso
da força dEle para seguir
Quando eu digo “eu sou cristão”
Eu não estou falando de sucesso
Estou admitindo que tenho fracassado
e preciso de Deus para limpar minha sujeira
Quando eu digo “eu sou cristão”
Eu não estou dizendo que sou perfeito
minhas falhas são demasiadamente visíveis
mas que no seu amor Deus crê que eu valho a pena
Quando eu digo “eu sou cristão”
Eu ainda tenho problemas.
Eu tenho minhas dores de cabeça
Por isso invoco o seu Nome de poder.
Quando eu digo “eu sou cristão”
Eu não sou mais santo que você.
Sou apenas um pecador que foi salvo
Que de alguma maneira recebeu a graça divina.
"Tu és o Deus das alvoradas, o Deus das vigílias noturnas, o Deus dos picos das montanhas e o Deus das profundezas dos mares; mas, Deus meu, minha alma tem horizontes mais vastos do que as alvoradas, as trevas mais densas do que as noites da terra, picos mais altos que qualquer montanha, profundezas maiores que qualquer mar. Tu, que és o Deus de tudo isso, sê o meu Deus. Não posso atingir as alturas nem as profundidades; há motivações que não consigo desvendar, sonhos que não posso alcançar — meu Deus, sonda-me".(Oswald Chambers -Salmo 139)
"Temos esta Esperança como âncora da alma, firme e segura, a qual adentra o santuário interior, por trás do véu, onde Jesus que nos precedeu, entrou em nosso lugar..." (Hebreus 6.19,20a)
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sábado, 26 de abril de 2014
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
Bem e Mal
Ai dos que chamam ao mal bem e ao bem, mal, que fazem das trevas luz e da luz, trevas, do amargo, doce e do doce, amargo!
(Isaías 5.20)
quinta-feira, 12 de setembro de 2013
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
A parábola dos pescadores sem peixes | Ultimato Online
Era uma Associação de Pescadores, que viviam no meio de rios e lagos, cheios de peixes famintos. Eles se reuniam regularmente para discutir sobre o chamado para pescar, a abundância de peixe e a emoção de pegar peixes. Ficavam muito animados com o assunto da pescaria.
Alguém sugeriu que o grupo precisava de uma filosofia de pesca. Assim, cuidadosamente, definiram e redefiniram a pesca e o propósito da pescaria. Desenvolveram estratégias e táticas. De repente perceberam que haviam começado de trás para frente – haviam se interessado pela pescaria do ponto de vista do pescador, e não do ponto de vista do peixe. Como o peixe vê o mundo? Como vê o pescador? O que e quando o peixe come? Era importante entender essas coisas. Por isso, iniciaram estudos e pesquisas. Participaram de conferências sobre a pescaria. Muitos viajaram a lugares longínquos para estudar diferentes tipos de peixes, com diferentes hábitos. Alguns obtiveram Ph.D. em piscicultura.
Contudo, ninguém havia ido pescar. Formou-se, então, um comitê para enviar pescadores. Havia muito mais lugares propícios para pescar do que pescadores. Por isso, o comitê precisava determinar prioridades. A lista de prioridades foi colocada em quadros de avisos em todos os salões da Associação.
Mas, como antes, ninguém estava pescando ainda. Foi feita uma pesquisa para saber por quê. A maioria não respondeu ao questionário, mas, entre os que responderam, descobriu-se que alguns se sentiam chamados para estudar a pesca, outros para fornecer equipamentos de pesca e outros, ainda, para encorajar os pescadores. E, com tantas reuniões, conferências e seminários, simplesmente não tiveram tempo para pescar.
Jacó era novato na Associação de Pescadores. Depois de uma reunião muito animada, ele foi pescar. Fez algumas tentativas, pegou o jeito e conseguiu pegar um lindo peixe! Na reunião seguinte, ele contou sua história e foi elogiado pelo sucesso. Acabou sendo convidado para falar em todos os núcleos da Associação e contar como havia sido a sua pescaria. Assim, com tantos compromissos e por ter sido eleito para a diretoria da Associação, Jacó nunca mais teve tempo para pescar.
No entanto, não demorou muito e ele começou a se sentir intranqüilo e vazio. Teve saudades da pesca propriamente dita, de sentir o puxão no anzol. Assim, decidiu deixar a diretoria da Associação, bem como os demais compromissos com os núcleos, e convidou um amigo para ir pescar com ele. Os dois foram – sozinhos – e pegaram peixes.
Os membros da Associação de Pescadores eram muitos e os peixes eram abundantes. Mas os pescadores continuavam sendo muito poucos.
http://www.ultimato.com.br/revista/artigos/279/a-parabola-dos-pescadores-sem-peixes
...
Outra parábola de valor, onde os barcos também fazem parte do cenário, e os peixes viram gente:
http://ancoradalma.blogspot.com.br/2010/05/o-posto-de-salvamento-parabola-da.html
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Outra parábola de valor, onde os barcos também fazem parte do cenário, e os peixes viram gente:
http://ancoradalma.blogspot.com.br/2010/05/o-posto-de-salvamento-parabola-da.html
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
O QUE SIGNIFICA "ACEITAR A JESUS"? | Ray Ortlund
"Voltaram para Deus, deixando os ídolos a fim de servir ao Deus vivo e verdadeiro.” (1 Tessalonicenses 1.9)
Você e eu não somos pessoas integradas, unificadas, inteiras. Nossos corações são multidivididos. Existe uma sala de reunião em cada coração. Uma grande mesa, cadeiras de couro, café, água mineral, quadro branco. Um comitê senta-se ao redor da mesa. Há o eu social, o eu privado, o eu trabalhador, o eu sexual, o eu recreacional, o eu religioso, e outros. O comitê está argumentando, debatendo e votando. Constantemente agitado e irritado. Raramente, eles conseguem chegar a uma decisão unânime, incontroversa. Dizemos a nós mesmos que somos assim porque estamos muito ocupados com nossas tantas responsabilidades. A verdade, porém é: somos simplesmente divididos, hesitantes, cativos e sem foco.
Esse tipo de pessoa pode “aceitar Jesus” de uma de duas maneiras. Um jeito é convidá-lo para o comitê. Dar também a ele o poder de voto. Porém, ele se torna apenas mais uma complicação. O outro jeito de “aceitar Jesus” é dizer a ele: “minha vida não está funcionando. Por favor, entre e demita meu comitê, cada um deles. Eu me deixo todo em suas mãos. Por favor, dirija minha vida inteira para mim”. Isso não é complicação; isso é salvação.
“Aceitar Jesus” não é apenas adicionar Jesus. É também subtrair os ídolos.
Traduzido por Josaías Jr | iPródigo | http://iprodigo.com/textos/o-que-significa-%E2%80%9Caceitar-a-jesus%E2%80%9D.html
...
Mais sobre o Tema:
A SIMPLICIDADE INTERIOR E A VIDA INTEGRADA | Richard J. Foster
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
LOUCO OU VERDADEIRO JUÍZO?
Um cristão verdadeiro é uma pessoa estranha em todos os sentidos. Ele sente um amor supremo por alguém que ele nunca viu; conversa familiarmente todos os dias com alguém que não pode ver; espera ir para o céu pelos méritos de outro; esvazia-se para que possa estar cheio; admite estar errado para que possa ser declarado certo; desce para que possa ir para o alto; é mais forte quando ele é mais fraco; é mais rico quando é mais pobre; mais feliz quando se sente o pior. Ele morre para que possa viver; renuncia para que possa ter; doa para que possa manter; vê o invisível, ouve o inaudível e conhece o que excede todo o entendimento...
::A. W. Tozer::
Não é tolo aquele que abre mão do que não pode reter para ganhar o que não pode perder.
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
FORMAÇÃO ESPIRITUAL, O QUE É ISSO? BM
Já faz algum tempo que ando com uma persistente inquietação sobre a qualidade da vida cristã que tenho vivenciado e visto, isso tem haver com a dificuldade de enxergar em mim mesmo e no meu irmão, pelo menos da forma que eu gostaria, o Cristo que nos salvou. Em Romanos 8.29 (um texto muito usado na polêmica da predestinação versus livre-arbítrio, salvação versus condenação eterna) a Palavra de Deus está falando sobre que tipo de caráter que será formado naqueles que creram: “Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos”. Ser conforme a imagem de Jesus é o destino de todo salvo.
Diante do que entendo ser cristão e da distância em que nos encontramos do ideal, surgem do profundo do meu ser perguntas que não querem se calar, tais como: Porque depois de receber pela fé a salvação e o perdão dos pecados aquela vida abundante (vida eterna) que Cristo nos prometeu parece mais uma utopia do que realidade? Porque se recebemos o Espírito Santo de Deus, que é o selo de nossa redenção e filiação, ainda nos lambuzamos no lamaçal do pecado e caminhamos nas pisadas da desobediência de Saul e não nas de obediência do nosso Senhor?
Lembro-me dos meus primeiros escritos como seminarista, precisamente no primeiro sermão para a disciplina de homilética em que questionava: “O evangelho Segundo Mateus 1:21 diz o seguinte: ‘ela dará a luz a um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles’. Se Jesus veio nos salvar dos nossos pecados, Qual a razão de vermos tantos cristãos doentes e afligidos pelo pecado, vivendo constantemente em derrota? Por que é que tantas pessoas que se dizem convertidas, não produzem frutos, nem mostram com sua vida o exemplo de JESUS CRISTO? Será que estamos formando discípulos do Cristo ressurreto ou estamos formando meros seguidores de uma religião vazia e sem vida?”
Vejo então que persisto numa inquietação bem antiga e assim como Paulo quase que me desespero: Desventurado homem que sou! - e pergunto: Quem me livrará do corpo desta morte? Mas sei, assim como Paulo, que a morte e o pecado já foram derrotados na cruz e os escritos de dívida que eram contra nós foram ali quitados, contudo creio também que existe uma vida melhor do que essa sobre-vivida por milhões de cristãos no mundo inteiro. Sei que existe porque Jesus prometeu. Ele nos disse que nos daria vida abundante, uma vida em que o pecado não é mais vitorioso, mas sim a graça de Deus, e a imagem de Cristo em nós e o seu bom perfume se tornam manifestos.
FORMAÇÃO ESPIRITUAL, O QUE É?
“Pouca fé é necessária para nos levar ao céu, mas muita fé é necessária para trazer o céu a terra”. Esta frase atribuída a Lutero se parece com a oração do Senhor “...Venha a nós o teu Reino” e mostra esta busca de experimentar, agora, a Vida Eterna que Jesus nos outorgou com o advento do Reino de Deus “...A ardente expectativa da criação aguarda a revelação dos filhos de Deus” (Rm 8.19). Mas como obter essa vida hoje? Será somente por falta de fé que ela não se manifesta? Alguém já a viveu? Será que existe um método e este serve para hoje? O que faço e como faço? Existe algum segredo, qual é? Alguém já disse que o problema na vida não está em obter as respostas corretas, mas fazer as perguntas certas.
A primeira grande questão é que para fazermos as perguntas certas temos que pensar corretamente, mas como assim? Pensar corretamente neste caso é buscar conhecer dentro das escrituras e da tradição cristã como esse tema é tratado. Após esse conhecimento prévio temos então a missão de contextualizá-lo. Daí poderia surgir uma primeira pergunta: Qual é a minha a formação espiritual? Eu poderia começar dizendo que sou um cristão 'evangélico' que conheceu a Cristo ainda na adolescência, participante de tais e tais comunidades e que em momentos pontuais foi marcado por experiências espirituais bem significativas. Tudo bem isso é real para mim e você, mas existe por trás destas experiências uma teologia que nos levou a crer, pensar, e ser como somos, será que já paramos para repensá-la à luz deste conhecimento?
Formação espiritual é o processo que nos leva a crer, pensar, ser e agir como agimos. Nos dizeres de A W Tozer: “A mais importante afirmação sobre quem somos é aquilo que acreditamos sobre Deus”. Desta forma TODO mundo tem uma formação espiritual independentemente da religião confessada, inclusive o ateu, pois aqui o mais importante é o conceito que construímos de Deus e como isto nos leva a nos relacionarmos com Ele, consigo mesmo, com o próximo e com a natureza (mundo).
Assim queremos pensar este mesmo conceito de Formação Espiritual dentro da espiritualidade cristã, que passa a ser chamada Formação Espiritual em Cristo ou Cristã. A base são dois teólogos da atualidade que estão conjuntamente desenvolvendo este conceito, são os americanos Richard Foster e Dallas Willard fundadores de uma organização chamada RENOVARE ( www.renovare.org ), que recentemente recebeu uma versão brasileira chamada Renovare Brasil ( www.renovare.org.br ) com o objetivo de contextualizar esta visão com a nossa realidade tupiniquim.
A NECESSIDADE DA FORMAÇÃO ESPIRITUAL EM CRISTO
“No caminho cristão o que importa não é a velocidade com que estamos indo, nem a distância percorrida, mas sim a direção que tomamos”. A W Tozer
Como já vimos todos temos uma formação espiritual que não depende do credo abraçado, mas é por ele influenciado e de certa forma este determinará o tipo de visão que teremos de Deus e por conseqüência de nós mesmos e de mundo. Falando dentro de um contexto essencialmente cristão protestante evangélico como podemos avaliar o que temos feito e vivenciado a luz deste conceito Formação Espiritual em Cristo. Será que essa minha teologia formadora difere em alguma coisa daquilo que a Bíblia e a tradição nos sugere? A grande Comissão (Mateus 28) é o texto básico da teologia da Formação Espiritual em Cristo e o Dallas Willard diz que este tem sido nossa maior contradição por causa de nossa omissão. Um dos seus livros tem o título de A GRANDE (C)OMISSÃO.
O texto de Mateus que narra as últimas palavras de Jesus antes de ser assunto aos céus é a base da missão da Igreja: “Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide (indo), portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século”. (Mt 28.18-20). A Igreja de Cristo, agência do Reino de Deus entre os homens, tem como principal função fazer discípulos dEle, ensinando-os a guardar TUDO o que Ele ensinou. Prestemos bem atenção não é ensinar o que Ele disse, não somos professores somente, mas assim como Ele fez, precisamos através do viver mostrar como o amor a Deus e ao próximo se manifesta.
Diante do que entendo ser cristão e da distância em que nos encontramos do ideal, surgem do profundo do meu ser perguntas que não querem se calar, tais como: Porque depois de receber pela fé a salvação e o perdão dos pecados aquela vida abundante (vida eterna) que Cristo nos prometeu parece mais uma utopia do que realidade? Porque se recebemos o Espírito Santo de Deus, que é o selo de nossa redenção e filiação, ainda nos lambuzamos no lamaçal do pecado e caminhamos nas pisadas da desobediência de Saul e não nas de obediência do nosso Senhor?
Lembro-me dos meus primeiros escritos como seminarista, precisamente no primeiro sermão para a disciplina de homilética em que questionava: “O evangelho Segundo Mateus 1:21 diz o seguinte: ‘ela dará a luz a um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles’. Se Jesus veio nos salvar dos nossos pecados, Qual a razão de vermos tantos cristãos doentes e afligidos pelo pecado, vivendo constantemente em derrota? Por que é que tantas pessoas que se dizem convertidas, não produzem frutos, nem mostram com sua vida o exemplo de JESUS CRISTO? Será que estamos formando discípulos do Cristo ressurreto ou estamos formando meros seguidores de uma religião vazia e sem vida?”
Vejo então que persisto numa inquietação bem antiga e assim como Paulo quase que me desespero: Desventurado homem que sou! - e pergunto: Quem me livrará do corpo desta morte? Mas sei, assim como Paulo, que a morte e o pecado já foram derrotados na cruz e os escritos de dívida que eram contra nós foram ali quitados, contudo creio também que existe uma vida melhor do que essa sobre-vivida por milhões de cristãos no mundo inteiro. Sei que existe porque Jesus prometeu. Ele nos disse que nos daria vida abundante, uma vida em que o pecado não é mais vitorioso, mas sim a graça de Deus, e a imagem de Cristo em nós e o seu bom perfume se tornam manifestos.
FORMAÇÃO ESPIRITUAL, O QUE É?
“Pouca fé é necessária para nos levar ao céu, mas muita fé é necessária para trazer o céu a terra”. Esta frase atribuída a Lutero se parece com a oração do Senhor “...Venha a nós o teu Reino” e mostra esta busca de experimentar, agora, a Vida Eterna que Jesus nos outorgou com o advento do Reino de Deus “...A ardente expectativa da criação aguarda a revelação dos filhos de Deus” (Rm 8.19). Mas como obter essa vida hoje? Será somente por falta de fé que ela não se manifesta? Alguém já a viveu? Será que existe um método e este serve para hoje? O que faço e como faço? Existe algum segredo, qual é? Alguém já disse que o problema na vida não está em obter as respostas corretas, mas fazer as perguntas certas.
A primeira grande questão é que para fazermos as perguntas certas temos que pensar corretamente, mas como assim? Pensar corretamente neste caso é buscar conhecer dentro das escrituras e da tradição cristã como esse tema é tratado. Após esse conhecimento prévio temos então a missão de contextualizá-lo. Daí poderia surgir uma primeira pergunta: Qual é a minha a formação espiritual? Eu poderia começar dizendo que sou um cristão 'evangélico' que conheceu a Cristo ainda na adolescência, participante de tais e tais comunidades e que em momentos pontuais foi marcado por experiências espirituais bem significativas. Tudo bem isso é real para mim e você, mas existe por trás destas experiências uma teologia que nos levou a crer, pensar, e ser como somos, será que já paramos para repensá-la à luz deste conhecimento?
Formação espiritual é o processo que nos leva a crer, pensar, ser e agir como agimos. Nos dizeres de A W Tozer: “A mais importante afirmação sobre quem somos é aquilo que acreditamos sobre Deus”. Desta forma TODO mundo tem uma formação espiritual independentemente da religião confessada, inclusive o ateu, pois aqui o mais importante é o conceito que construímos de Deus e como isto nos leva a nos relacionarmos com Ele, consigo mesmo, com o próximo e com a natureza (mundo).
Assim queremos pensar este mesmo conceito de Formação Espiritual dentro da espiritualidade cristã, que passa a ser chamada Formação Espiritual em Cristo ou Cristã. A base são dois teólogos da atualidade que estão conjuntamente desenvolvendo este conceito, são os americanos Richard Foster e Dallas Willard fundadores de uma organização chamada RENOVARE ( www.renovare.org ), que recentemente recebeu uma versão brasileira chamada Renovare Brasil ( www.renovare.org.br ) com o objetivo de contextualizar esta visão com a nossa realidade tupiniquim.
A NECESSIDADE DA FORMAÇÃO ESPIRITUAL EM CRISTO
“No caminho cristão o que importa não é a velocidade com que estamos indo, nem a distância percorrida, mas sim a direção que tomamos”. A W Tozer
Como já vimos todos temos uma formação espiritual que não depende do credo abraçado, mas é por ele influenciado e de certa forma este determinará o tipo de visão que teremos de Deus e por conseqüência de nós mesmos e de mundo. Falando dentro de um contexto essencialmente cristão protestante evangélico como podemos avaliar o que temos feito e vivenciado a luz deste conceito Formação Espiritual em Cristo. Será que essa minha teologia formadora difere em alguma coisa daquilo que a Bíblia e a tradição nos sugere? A grande Comissão (Mateus 28) é o texto básico da teologia da Formação Espiritual em Cristo e o Dallas Willard diz que este tem sido nossa maior contradição por causa de nossa omissão. Um dos seus livros tem o título de A GRANDE (C)OMISSÃO.
O texto de Mateus que narra as últimas palavras de Jesus antes de ser assunto aos céus é a base da missão da Igreja: “Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide (indo), portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século”. (Mt 28.18-20). A Igreja de Cristo, agência do Reino de Deus entre os homens, tem como principal função fazer discípulos dEle, ensinando-os a guardar TUDO o que Ele ensinou. Prestemos bem atenção não é ensinar o que Ele disse, não somos professores somente, mas assim como Ele fez, precisamos através do viver mostrar como o amor a Deus e ao próximo se manifesta.
sábado, 20 de agosto de 2011
O POSTO DE SALVAMENTO (A parábola da igreja que se tornou irrelevante) - Theodore Wedel
"Conheço as suas obras, o seu trabalho árduo e a sua perseverança. Sei que você não pode tolerar homens maus, que pôs à prova os que dizem ser apóstolos mas não são, e descobriu que eles eram impostores... Contra você, porém, tenho isto: você abandonou o seu primeiro amor. Lembre-se de onde caiu! Arrependa-se e pratique as obras que praticava no princípio..." Ap 2.2-5

Numa perigosa costa, onde os naufrágios são freqüentes, havia, certa vez, um tosco, pequeno posto de salvamento. O prédio não passava de uma cabana e havia um só barco salva-vidas. Mesmo assim, os membros, poucos e dedicados, mantinham uma vigilância constante sobre o mar e, sem pensar em si mesmos, saiam dia e noite, procurando incansavelmente pelos perdidos. Muitas vidas foram salvas por esse maravilhoso pequeno posto, de modo que acabou ficando famoso.
Algumas das pessoas que haviam sido salvas, alem de várias outras residentes nos arredores, queriam associar-se ao posto e contribuir com seu tempo, dinheiro e esforço para manter o trabalho de salvamento. Novos barcos foram comprados e novas tripulações treinadas. O pequeno posto de salvamento cresceu.
Alguns membros do posto de salvamento estavam descontentes com o fato de o prédio ser tão tosco e tão parcamente equipado. Achavam que um lugar mais confortável deveria servir de primeiro refúgio aos náufragos salvos. Assim, substituíram as macas de emergência por camas e puseram uma mobília melhor no prédio que foi aumentado.
Agora, o posto de salvamento tornou-se um popular lugar de reunião para os seus membros. Deram-lhe uma bela decoração e o mobiliaram com requinte, pois o usavam como uma espécie de clube. Agora, era menor o numero de membros ainda interessados em sair ao mar em missões de salvamento. Assim, tripulações de barcos salva-vidas foram contratadas para fazer este trabalho. O motivo predominante na decoração do clube ainda era o salvamento de vidas e havia um barco salva-vidas litúrgico na sala em que eram celebradas as cerimônias de admissão ao clube.
Por essa época, um grande navio naufragou ao largo da costa e as tripulações contratadas trouxeram barcadas de pessoas com frio, molhadas e semi-afogadas. Elas estavam sujas e doentes e alguma delas eram de pele preta ou amarela. O belo e o novo clube estava em caos. Por isso, o comitê responsável pela propriedade imediatamente mandou construir um banheiro do lado de fora do clube, onde as vitimas de naufrágios pudessem se limpar antes de entrar.
Na reunião seguinte, houve uma cisão entre os membros do clube. A maioria dos membros queria suspender as atividades de salvamento por serem desagradáveis e atrapalharem a vida social normal do clube. Alguns membros insistiram que o salvamento de vidas era seu propósito primário e chamaram a atenção para o fato de serem de que eles ainda eram chamados posto salvamento. Mas por fim estes membros foram derrotados na votação. Foi-lhes dito que se queriam salvar as vidas de todos os vários tipos de pessoas que naufragassem naquelas águas, eles poderiam iniciar seu próprio posto de salvamento mais abaixo naquela mesma costa. E foi o que fizeram.
Com o passar dos anos, o novo posto de salvamento passou pelas mesmas transformações ocorridas no antigo. Acabou tornando-se um clube, e mais um posto de salvamento foi fundado. A história continuou a repetir-se, de modo que, quando se visita aquela costa hoje em dia, encontra-se vários clubes exclusivos ao longo da praia. Naufrágios são freqüentes naquelas águas, mas a maioria das pessoas morre afogada.
Theodore Wedel - O POSTO DE SALVAMENTO.
Alguns membros do posto de salvamento estavam descontentes com o fato de o prédio ser tão tosco e tão parcamente equipado. Achavam que um lugar mais confortável deveria servir de primeiro refúgio aos náufragos salvos. Assim, substituíram as macas de emergência por camas e puseram uma mobília melhor no prédio que foi aumentado.
Agora, o posto de salvamento tornou-se um popular lugar de reunião para os seus membros. Deram-lhe uma bela decoração e o mobiliaram com requinte, pois o usavam como uma espécie de clube. Agora, era menor o numero de membros ainda interessados em sair ao mar em missões de salvamento. Assim, tripulações de barcos salva-vidas foram contratadas para fazer este trabalho. O motivo predominante na decoração do clube ainda era o salvamento de vidas e havia um barco salva-vidas litúrgico na sala em que eram celebradas as cerimônias de admissão ao clube.
Por essa época, um grande navio naufragou ao largo da costa e as tripulações contratadas trouxeram barcadas de pessoas com frio, molhadas e semi-afogadas. Elas estavam sujas e doentes e alguma delas eram de pele preta ou amarela. O belo e o novo clube estava em caos. Por isso, o comitê responsável pela propriedade imediatamente mandou construir um banheiro do lado de fora do clube, onde as vitimas de naufrágios pudessem se limpar antes de entrar.
Na reunião seguinte, houve uma cisão entre os membros do clube. A maioria dos membros queria suspender as atividades de salvamento por serem desagradáveis e atrapalharem a vida social normal do clube. Alguns membros insistiram que o salvamento de vidas era seu propósito primário e chamaram a atenção para o fato de serem de que eles ainda eram chamados posto salvamento. Mas por fim estes membros foram derrotados na votação. Foi-lhes dito que se queriam salvar as vidas de todos os vários tipos de pessoas que naufragassem naquelas águas, eles poderiam iniciar seu próprio posto de salvamento mais abaixo naquela mesma costa. E foi o que fizeram.
Com o passar dos anos, o novo posto de salvamento passou pelas mesmas transformações ocorridas no antigo. Acabou tornando-se um clube, e mais um posto de salvamento foi fundado. A história continuou a repetir-se, de modo que, quando se visita aquela costa hoje em dia, encontra-se vários clubes exclusivos ao longo da praia. Naufrágios são freqüentes naquelas águas, mas a maioria das pessoas morre afogada.
Theodore Wedel - O POSTO DE SALVAMENTO.
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
A VELHA E A NOVA CRUZ por A W Tozer
Sem fazer-se anunciar e quase despercebida uma nova cruz introduziu-se nos círculos evangélicos dos tempos modernos. Ela se parece com a velha cruz, mas é diferente; as semelhanças são superficiais; as diferenças, fundamentais.
Uma nova filosofia brotou desta nova cruz com respeito à vida cristã, e dessa nova filosofia surgiu uma nova técnica evangélica — um novo tipo de reunião e uma nova espécie de pregação. Este novo evangelismo emprega a mesma linguagem que o velho, mas o seu conteúdo não é o mesmo e sua ênfase difere da anterior.
A velha cruz não fazia aliança com o mundo. Para a carne orgulhosa de Adão ela significava o fim da jornada, executando a sentença imposta pela lei do Sinai. A nova cruz não se opõe à raça humana; pelo contrário, é sua amiga íntima e, se compreendemos bem considera-a uma fonte de divertimento e gozo inocente. Ela deixa Adão viver sem qualquer interferência. Sua motivação na vida não se modifica; ele continua vivendo para seu próprio prazer, só que agora se deleita em entoar coros e a assistir filmes religiosos em lugar de cantar canções obscenas e tomar bebidas fortes. A ênfase continua sendo o prazer, embora a diversão se situe agora num plano moral mais elevado, caso não o seja intelectualmente.
A nova cruz encoraja uma abordagem evangelística nova e por completo diferente. O evangelista não exige a renúncia da velha vida antes que a nova possa ser recebida. Ele não prega contrastes mas semelhanças. Busca a chave para o interesse do público, mostrando que o cristianismo não faz exigências desagradáveis; mas, pelo contrário, oferece a mesma coisa que o mundo, somente num plano superior. O que quer que o mundo pecador esteja idolizando no momento e mostrado como sendo exatamente aquilo que o evangelho oferece, sendo que o produto religioso é melhor.
A nova cruz não mata o pecador, mas dá-lhe nova direção. Ela o faz engrenar num modo de vida mais limpo e agradável, resguardando o seu respeito próprio. Para o arrogante ela diz: "Venha e mostre-se arrogante a favor de Cristo"; e declara ao egoísta: "Venha e vanglorie-se no Senhor". Para o que busca emoções, chama: "Venha e goze da emoção da fraternidade cristã". A mensagem de Cristo é manipulada na direção da moda corrente a fim de torná-la aceitável ao público.
A filosofia por trás disto pode ser sincera, mas sua sinceridade não impede que seja falsa. É falsa por ser cega, interpretando erradamente todo o significado da cruz.
A velha cruz é um símbolo da morte. Ela representa o fim repentino e violento de um ser humano. O homem, na época romana, que tomou a sua cruz e seguiu pela estrada já se despedira de seus amigos. Ele não mais voltaria. Estava indo para o seu fim. A cruz não fazia acordos, não modificava nem poupava nada; ela acabava completamente com o homem, de uma vez por todas. Não tentava manter bons termos com sua vítima. Golpeava-a cruel e duramente e quando terminava seu trabalho o homem já não existia.
A raça de Adão está sob sentença de morte. Não existe comutação de pena nem fuga. Deus não pode aprovar qualquer dos frutos do pecado, por mais inocentes ou belos que pareçam aos olhos humanos. Deus resgata o indivíduo, liquidando-o e depois ressuscitando-o em novidade de vida.
O evangelismo que traça paralelos amigáveis entre os caminhos de Deus e os do homem é falso em relação à Bíblia e cruel para a alma de seus ouvintes. A fé manifestada por Cristo não tem paralelo humano, ela divide o mundo. Ao nos aproximarmos de Cristo não elevamos nossa vida a um plano mais alto; mas a deixamos na cruz. A semente de trigo deve cair no solo e morrer.
Nós, os que pregamos o evangelho, não devemos julgar-nos agentes ou relações públicas enviados para estabelecer boa vontade entre Cristo e o mundo. Não devemos imaginar que fomos comissionados para tornar Cristo aceitável aos homens de negócios, à imprensa, ao mundo dos esportes ou à educação moderna. Não somos diplomatas mas profetas, e nossa mensagem não é um acordo mas um ultimato.
Deus oferece vida, embora não se trate de um aperfeiçoamento da velha vida. A vida por Ele oferecida é um resultado da morte. Ela permanece sempre do outro lado da cruz. Quem quiser possuí-la deve passar pelo castigo. É preciso que repudie a si mesmo e concorde com a justa sentença de Deus contra ele.
O que isto significa para o indivíduo, o homem condenado que quer encontrar vida em Cristo Jesus? Como esta teologia pode ser traduzida em termos de vida? É muito simples, ele deve arrepender-se e crer. Deve esquecer-se de seus pecados e depois esquecer-se de si mesmo. Ele não deve encobrir nada, defender nada, nem perdoar nada. Não deve procurar fazer acordos com Deus, mas inclinar a cabeça diante do golpe do desagrado severo de Deus e reconhecer que merece a morte.
Feito isto, ele deve contemplar com sincera confiança o Salvador ressurreto e receber dEle vida, novo nascimento, purificação e poder. A cruz que terminou a vida terrena de Jesus põe agora um fim no pecador; e o poder que levantou Cristo dentre os mortos agora o levanta para uma nova vida com Cristo.
Para quem quer que deseje fazer objeções a este conceito ou considerá-lo apenas como um aspecto estreito e particular da verdade, quero afirmar que Deus colocou o seu selo de aprovação sobre esta mensagem desde os dias de Paulo até hoje. Quer declarado ou não nessas exatas palavras, este foi o conteúdo de toda a pregação que trouxe vida e poder ao mundo através dos séculos, os místicos, os reformadores, os revivalistas, colocaram aqui a sua ênfase, e sinais, prodígios e poderosas operações do Espírito Santo deram testemunho da aprovação divina.
Ousaremos nós, os herdeiros de tal legado de poder, manipular a verdade? Ousaremos nós com nossos lápis grossos apagar as linhas do desenho ou alterar o padrão que nos foi mostrado no Monte? Que Deus não permita! Vamos pregar a velha cruz e conhecermos o velho poder.
A.W. Tozer
A velha cruz não fazia aliança com o mundo. Para a carne orgulhosa de Adão ela significava o fim da jornada, executando a sentença imposta pela lei do Sinai. A nova cruz não se opõe à raça humana; pelo contrário, é sua amiga íntima e, se compreendemos bem considera-a uma fonte de divertimento e gozo inocente. Ela deixa Adão viver sem qualquer interferência. Sua motivação na vida não se modifica; ele continua vivendo para seu próprio prazer, só que agora se deleita em entoar coros e a assistir filmes religiosos em lugar de cantar canções obscenas e tomar bebidas fortes. A ênfase continua sendo o prazer, embora a diversão se situe agora num plano moral mais elevado, caso não o seja intelectualmente.
A nova cruz encoraja uma abordagem evangelística nova e por completo diferente. O evangelista não exige a renúncia da velha vida antes que a nova possa ser recebida. Ele não prega contrastes mas semelhanças. Busca a chave para o interesse do público, mostrando que o cristianismo não faz exigências desagradáveis; mas, pelo contrário, oferece a mesma coisa que o mundo, somente num plano superior. O que quer que o mundo pecador esteja idolizando no momento e mostrado como sendo exatamente aquilo que o evangelho oferece, sendo que o produto religioso é melhor.
A nova cruz não mata o pecador, mas dá-lhe nova direção. Ela o faz engrenar num modo de vida mais limpo e agradável, resguardando o seu respeito próprio. Para o arrogante ela diz: "Venha e mostre-se arrogante a favor de Cristo"; e declara ao egoísta: "Venha e vanglorie-se no Senhor". Para o que busca emoções, chama: "Venha e goze da emoção da fraternidade cristã". A mensagem de Cristo é manipulada na direção da moda corrente a fim de torná-la aceitável ao público.
A filosofia por trás disto pode ser sincera, mas sua sinceridade não impede que seja falsa. É falsa por ser cega, interpretando erradamente todo o significado da cruz.
A velha cruz é um símbolo da morte. Ela representa o fim repentino e violento de um ser humano. O homem, na época romana, que tomou a sua cruz e seguiu pela estrada já se despedira de seus amigos. Ele não mais voltaria. Estava indo para o seu fim. A cruz não fazia acordos, não modificava nem poupava nada; ela acabava completamente com o homem, de uma vez por todas. Não tentava manter bons termos com sua vítima. Golpeava-a cruel e duramente e quando terminava seu trabalho o homem já não existia.
A raça de Adão está sob sentença de morte. Não existe comutação de pena nem fuga. Deus não pode aprovar qualquer dos frutos do pecado, por mais inocentes ou belos que pareçam aos olhos humanos. Deus resgata o indivíduo, liquidando-o e depois ressuscitando-o em novidade de vida.
O evangelismo que traça paralelos amigáveis entre os caminhos de Deus e os do homem é falso em relação à Bíblia e cruel para a alma de seus ouvintes. A fé manifestada por Cristo não tem paralelo humano, ela divide o mundo. Ao nos aproximarmos de Cristo não elevamos nossa vida a um plano mais alto; mas a deixamos na cruz. A semente de trigo deve cair no solo e morrer.
Nós, os que pregamos o evangelho, não devemos julgar-nos agentes ou relações públicas enviados para estabelecer boa vontade entre Cristo e o mundo. Não devemos imaginar que fomos comissionados para tornar Cristo aceitável aos homens de negócios, à imprensa, ao mundo dos esportes ou à educação moderna. Não somos diplomatas mas profetas, e nossa mensagem não é um acordo mas um ultimato.
Deus oferece vida, embora não se trate de um aperfeiçoamento da velha vida. A vida por Ele oferecida é um resultado da morte. Ela permanece sempre do outro lado da cruz. Quem quiser possuí-la deve passar pelo castigo. É preciso que repudie a si mesmo e concorde com a justa sentença de Deus contra ele.
O que isto significa para o indivíduo, o homem condenado que quer encontrar vida em Cristo Jesus? Como esta teologia pode ser traduzida em termos de vida? É muito simples, ele deve arrepender-se e crer. Deve esquecer-se de seus pecados e depois esquecer-se de si mesmo. Ele não deve encobrir nada, defender nada, nem perdoar nada. Não deve procurar fazer acordos com Deus, mas inclinar a cabeça diante do golpe do desagrado severo de Deus e reconhecer que merece a morte.
Feito isto, ele deve contemplar com sincera confiança o Salvador ressurreto e receber dEle vida, novo nascimento, purificação e poder. A cruz que terminou a vida terrena de Jesus põe agora um fim no pecador; e o poder que levantou Cristo dentre os mortos agora o levanta para uma nova vida com Cristo.
Para quem quer que deseje fazer objeções a este conceito ou considerá-lo apenas como um aspecto estreito e particular da verdade, quero afirmar que Deus colocou o seu selo de aprovação sobre esta mensagem desde os dias de Paulo até hoje. Quer declarado ou não nessas exatas palavras, este foi o conteúdo de toda a pregação que trouxe vida e poder ao mundo através dos séculos, os místicos, os reformadores, os revivalistas, colocaram aqui a sua ênfase, e sinais, prodígios e poderosas operações do Espírito Santo deram testemunho da aprovação divina.
Ousaremos nós, os herdeiros de tal legado de poder, manipular a verdade? Ousaremos nós com nossos lápis grossos apagar as linhas do desenho ou alterar o padrão que nos foi mostrado no Monte? Que Deus não permita! Vamos pregar a velha cruz e conhecermos o velho poder.
A.W. Tozer
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
O CRISTIANISMO E O MUNDO por A W Tozer
"Se estivermos saciando a sede em fontes proibidas, não teremos razão de esperar que Deus nos dessedente. Se não formos alimentados pelo pão do céu, teremos de nos saciar com as migalhas do mundo. Depois que estivermos viciados no alimento do mundo, nosso apetite por Deus desaparecerá".
(Erwin Lutzer)
O Cristianismo está tão envolvido com o mundo que milhões não notam o quanto se afastaram do padrão do Novo Testamento. Concessões em toda parte. O mundo foi caiado o bastante para passar a inspeção por homens que se dizem crentes. E o Cristianismo evangélico se vendeu. E está tragicamente abaixo do padrão do Novo Testamento.
O mundanismo é parte aceita do nosso modo de viver, a vida religiosa e social em vez de espiritual. Perdemos a arte da adoração! Não produzimos santos! Nossos modelos são certos homens de negócios, atletas famosos e personalidades do teatro.
Praticamos as nossas atividades religiosas de acordo com a propaganda moderna. Nossos lares se tornaram teatros, nossa literatura é superficial os nossos hinos são sacrílegos, mas ninguém parece se importar.
Muito do que se passa por Cristianismo do Novo Testamento é pouco mais do que a verdade objetiva adoçada para se tornar agradável ao paladar religioso.
Jesus convida os homens a levar a Cruz, e nós os convidamos a se divertirem.
Ele o chama para deixar o mundo, e nós dizemos que se eles aceitarem Jesus o mundo será deles.
(Erwin Lutzer)
O Cristianismo está tão envolvido com o mundo que milhões não notam o quanto se afastaram do padrão do Novo Testamento. Concessões em toda parte. O mundo foi caiado o bastante para passar a inspeção por homens que se dizem crentes. E o Cristianismo evangélico se vendeu. E está tragicamente abaixo do padrão do Novo Testamento.
O mundanismo é parte aceita do nosso modo de viver, a vida religiosa e social em vez de espiritual. Perdemos a arte da adoração! Não produzimos santos! Nossos modelos são certos homens de negócios, atletas famosos e personalidades do teatro.
Praticamos as nossas atividades religiosas de acordo com a propaganda moderna. Nossos lares se tornaram teatros, nossa literatura é superficial os nossos hinos são sacrílegos, mas ninguém parece se importar.
Muito do que se passa por Cristianismo do Novo Testamento é pouco mais do que a verdade objetiva adoçada para se tornar agradável ao paladar religioso.
Jesus convida os homens a levar a Cruz, e nós os convidamos a se divertirem.
Ele o chama para deixar o mundo, e nós dizemos que se eles aceitarem Jesus o mundo será deles.
Ele os chama a sofrer, nós os chamamos a gozar do conforto que a civilização moderna oferece.
Ele os chama a santidade, e nós os chamamos a uma felicidade barata, que seria rejeitada com desprezo até pelos filósofos estóicos sem falar dos apóstolos.
O novo decálogo, o novo mandamento foi adotado pelos neocristãos dos nossos dias. E a primeira frase diz: "Tu não deves discordar". E um grupo de beatitude que começa a "Bem-aventurado os que toleram tudo porque eles não serão responsáveis por nada..."
A W Tozer (para saber mais sobre este autor, click: biografia de A. W. Tozer)
...
Deus é o que nós (mais) desejamos!
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
RICOS E MILIONÁRIOS PARA A GLÓRIA DE DEUS? Pablo Massolar
Preciso confessar minha intolerância religiosa e politicamente incorreta. Sim! Porque se não confessá-la, neste momento e canal, estarei negligenciando historicamente tudo o que creio segundo a simplicidade do que se aprende pela verdade, transparência e honestidade em Jesus e também do que estou convencido ser meu compromisso profético de denunciar o engano.
É a mesma intolerância que motivou o Senhor a chamar alguns religiosos de seu tempo de “raça de víboras”, “sepulturas pintadas” e “lobos enganadores”. Este é o zelo pela verdade a ponto de virar a mesa dos cambistas do templo e chamá-los publicamente de ladrões e salteadores. Não eram simples religiosos, eram aqueles que ditavam as regras no seu tempo, jogavam as cartas do jogo de dominação e manipulação do povo, assentavam-se nos primeiros lugares da sinagoga/templo, homens cuja “santidade” e “poder de Deus” eram medidos/avaliados somente pela aparência, externamente, pelo tamanho dos filactérios e franjas das roupas que usavam; eram aqueles que gostavam de orar em pé durante os cultos para serem vistos e admirados pelos outros homens ou para demonstrar um poder que julgavam ter [e não tinham].
Sem rodeios, apesar das duras palavras, mas em profundo amor, Jesus denunciava o pecado fosse ele institucional ou pessoal; olhando nos olhos de quem quer que fosse, desmascarava o que ele sabia ser a perversão da vida e do convite amoroso de Deus no encontro com o homem.
Esta semana vi escrito em um outdoor de uma grande e famosa igreja do Rio de Janeiro a frase: “Deus está levantando ricos e milionários para a Sua Glória. (...) Venha ser um deles”, havia também, estampada, a foto do pastor... (Ops!) eu disse pastor? Desculpe! Agora ele foi consagrado a apóstolo...
Pois, é! Não vou discutir a apostolicidade do nosso irmão, mas meu lamento e espanto, semelhante ao do apóstolo Paulo na carta aos Gálatas, quando ele diz: “Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho..." é perceber como uma grande parcela dos pastores/religiosos hoje estão cedendo à tentação de transformarem as pedras em pães, jogarem-se dos pináculos de seus templos midiáticos e se ajoelharem diante da “grandeza” e da Prosperidade para conquistarem a glória das cidades e reinos deste mundo.
Oro sinceramente para que ele e todos estes sacerdotes, profetas, missionários e apóstolos tenham tempo de se arrepender e crer no Evangelho simples de Jesus, a fim de encontrarem misericórdia e também [se possível] ensinar o caminho de volta aos seus discípulos, mas não posso ficar calado.
Deus não precisa fazer alguém rico ou milionário para ser glorificado, servido ou conquistar a terra. Já cantava inspiradamente o poeta: “a sabedoria mora com gente humilde (...)”, mas quem consegue discernir este tempo sabe que o engano já se instalou no coração e esfriou o amor de quase todos. A proposta daquele outdoor pareceu-me não somente absurda e mentirosa, mas revela a grande iniqüidade e potestade camuflada de piedade e “bênção”. Erra não só quem faz o convite para participar dos cultos a Mamom, mas também quem o cultua, serve-o com seus dízimos e ofertas e sobe as escadas dos pináculos atrás de seus líderes e guias espirituais na intenção de receber a mesma glória e poder deste mundo.
Sinto profundo constrangimento por esta geração perversa que só consegue ver “Deus” na riqueza e na troca, na barganha, na compra da “bênção”. Este “Deus” não é o meu Deus, não creio em um “Deus” que apenas seja Deus se for servido por ricos e milionários. Não creio em um “Deus” que expressa sua glória somente para aqueles que podem pagar por ela.
Eu creio no Deus que se fez carne, que ao contrário do desejo de alcançar a glória para cima, pelo domínio, através da glória dos homens e do mundo, preferiu o caminho inverso e se rebaixou até se confessar como servo humilde.
Os que vivem de fato para a glória de Deus podem até possuir algum bem (ou bens) neste mundo, podem por acaso ser chamados de ricos, milionários, mas seu coração certamente não estará no acúmulo de tesouros, muito menos no prazer de serem considerados como tais. Os que vivem e expressam a glória de Deus são os simples, os misericordiosos, os limpos de coração; aqueles que mesmo não possuindo prata nem ouro sabem expressar o bem e a glória de amar a Deus não pelo que Ele pode dar, mas pelo Dom da vida em abundância vivida gratuitamente.
Lúcifer foi contaminado pelo brilho e ganância do seu próprio comércio, este foi um dos motivos de sua queda. A avareza que derruba querubins facilmente derruba apóstolos e patriarcas, ainda nos dias de hoje. A denúncia que o apóstolo Pedro fez em sua comunidade neotestamentária é atual e verdadeira: "Assim como, no meio do povo, surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição. E muitos seguirão as suas práticas libertinas, e, por causa deles, será infamado o caminho da verdade; também, movidos por avareza, FARÃO COMÉRCIO DE VÓS, com palavras fictícias; para eles o juízo lavrado há longo tempo não tarda, e a sua destruição não dorme." (2 Pedro 2.1-2)
Ainda dá tempo de voltar ao caminho da cruz e do arrependimento. Quem tem ouvidos para ouvir?
O Deus que é glorificado sem som e sem palavras pela obra de suas mãos te abençoe rica, poderosa e sobrenaturalmente!
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
AOS CRENTES NA DÚVIDA SOBRE JESUS... - Caio Fabio
Fico vendo o comportamento dos cristãos considerados cult, psicologicamente sensíveis...
Quem e como são?...
São necessariamente conflitados, recomendavelmente duvidosos, crentes em estado de permanente descrença; sem discernimento, mas muito críticos; evasivos quanto à eficácia do testemunho da Palavra pura e simples, embora cheio de opiniões negativas em relação a quem pregue sem angustia, conflito ou crise de fé; conhecedores teóricos das discussões da fé e dos dilemas teológicos, ainda que vivendo sem nenhum interesse prático/real no Evangelho que seja para além da informação e da discussão viciada...
Em geral são sempre descrentes de milagres [até nos da Bíblia], embora muito capazes de usá-los como alegorias ou lindas metáforas da vida...
Ou seja: quase sempre existindo como aquele que... nem chove e nem molha; que não é, mas não deixa de ser...
Ora, o que vejo é que estes, diferentemente dos falsos profetas e dos lobos, fazem seu próprio mal; posto que sejam mornos, sem intrepidez, sem disposição para além do discurso...
Portanto, sendo educados, parecem ganhar pela polidez de suas dúvidas o direito de existir em crise; sendo cavalheiros e finos, parecem poder caminhar em descrença aceitável; estando sempre em dúvida acerca de algo [...] mesmo assim continuam a discutir sobre o “tema Jesus”...
E, com isso..., se fazem passar por gente que duvida em razão de serem íntegros em relação à própria fé... Posto que sendo articulados, tornam seus conflitos elogiáveis, pois são ditos com benditas palavras psicológicas e filosóficas; e, sendo humanos no expressar seu sentir, ganham o direito de existir em dor, pois, sem dor de crise parece não existir real humanidade; tendo cultura, aparentemente dão aos demais crentes, menos instruídos, a sensação de que eles, os cult, os cultos, os sensíveis, são assim em razão de seu saber, da profundidade do seu sentir, e das angustias decorrentes de sua humanidade superior a dos demais...
Assim, estão e nunca são; dizem, mas jamais provam; pregam, e nunca aproveitam; sabem e não experimentam; poetizam, mas não amam para além das belas palavras; discutem a fé, e nunca a abraçam; falam de Deus, embora sempre em estado de dúvida devota...
Quando pastoreiam é antes de tudo em razão de suas próprias angustias...
Sendo assim [...] desconfiam de quem sendo humano não vive em angustia; de quem sendo pensante [...] não exista em dúvida; de quem crendo [...] busque viver conforme a fé; de quem confessando [...] não tema as implicações; de quem conhecendo a Deus [...] não se iniba quanto a afirmar...
Fico imaginando o que aconteceria, se tais deles, vivendo como discípulos de Jesus nos evangelhos, trouxessem tais devoções eternamente duvidosas a Jesus...
O que Jesus diria?...
Sim, se Ele disse que aquele que põe a mão no arado e olha para trás não é digno do reino de Deus [...] o que Ele diria a esses discípulos da dúvida?...
Ora, Ele não teve pudores jamais...
Aos Seus discípulos duvidosos Ele jamais disse que duvidar fosse parte de um processo normal de crenças [...], muito menos da fé...
Em Jesus não há elogios a duvida, mas tão somente à fé!
Não! Ele lhes pergunta: “Homens de pouca fé, por que duvidastes?”
Ante suas “impossibilidades” decorrentes da descrença..., Ele apenas disse: “Não pudestes expulsar o demônio por causa da pequenez da vossa fé!” E acrescentou: “Mas esta casta não sai senão por meio de jejum e oração”.
Sim, essa casta de crença sem fé, de fé que é apenas crença, e que se distrai discutindo a fé — de fato não sai senão mediante a sua quebra pela oração e pelo jejum.
Esta é a casta presente na maior parte dos pensadores da fé, mas que nunca se deixam pensar pela fé.
Sim, pois quem pensa a fé não é pensado pela fé...
Afinal, tal coisa somente acontece mediante a entrega em razão da confiança que faz a descrença morrer..., e que, ao mesmo tempo, introduz a pessoa no ambiente no qual “Deus não existe”, posto que em tal ambiente de fé não haja lugar para o Deus que existe, mas apenas para o Deus que É.
A descrença é relativa ao Deus que existe...
A fé decorre do Deus que É!
Portanto, brincar de crer sem crer é coisa de menino, e não de homem segundo o que Jesus considere um homem que anda mediante a fé, na alegria de não duvidar.
Leia os evangelhos e veja se Jesus acha legal viver sem as implicações de fazer da existência uma constante afirmação de fé...
Nos evangelhos você não encontrará este lugar..., embora encontre Jesus mostrando compaixão e amor também por esses, mas sem deixar de prosseguir em Seu caminho, vindo o candidato a discípulo após Ele ou não...
Nele, que não elogia a duvida como estado sadio de uma fé em crise permanente,
www.caiofabio.net
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
ATEU CRÉDULO (O Novo Ateu) por Ricardo Barbosa
"Hoje, o ateu não é mais aquele que não crê, mas aquele que não encontra relevância para Deus na sua rotina. O novo ateísmo não precisa negar a fé; apenas cria substitutos para ela. Mantém o crente na igreja, mas longe do seu Salvador".
Sabemos que existem vários tipos de ateus. Existem aqueles que não crêem em Deus por não encontrarem respostas para os grandes dilemas da humanidade como violência, miséria e sofrimento. Não conseguem relacionar um Deus de amor com o sofrimento humano. Outros não crêem porque não encontram uma razão lógica e racional que explique os mistérios da fé, como a criação do mundo, o dilúvio, o nascimento virginal, a ressurreição, céu, inferno etc. Diante de temas tão complexos que requerem fé num Deus pessoal, Criador e Redentor, muitos não conseguem crer naquilo que lhes parece racionalmente absurdo.
Os dois tipos de ateus já mencionados são inofensivos. Na verdade, são pessoas que buscam respostas, são honestos e não aceitam qualquer argumento barato como justificativa para suas grandes dúvidas. São sinceros e lutam contra uma incredulidade que os consome, uma falta de fé que nunca encontra resposta para os grandes mistérios da vida e de Deus.
No entanto há um outro tipo de ateu, mais dissimulado, que cresce entre nós, que crê em Deus e não apresenta nenhuma dúvida quanto aos mistérios da fé, nem em relação aos grandes temas existenciais. Ele vai à igreja, canta, ora e chega até a contribuir. É religioso e gosta de conversar sobre os temas da religião. Contudo, a relevância de Cristo, sua morte e ressurreição para a vida e a devoção pessoal é praticamente nula.
São ateus crédulos. O ateu moderno não é mais somente aquele que não crê, mas aquele para quem Deus não é relevante. Este é um novo quadro que começa a ser pintado nas igrejas cristãs. Saem de cena os grandes heróis e mártires da fé do passado e entram os apáticos e acomodados cristãos modernos. Aqueles cristãos que entregaram suas vidas à causa do Evangelho, que deixaram-se consumir de paixão e zelo pela Igreja de Cristo, que viveram com integridade e honraram o chamado e a vocação que receberam do Senhor, que sofreram e morreram por causa de sua fé, convicções e amor a Cristo, fazem parte de uma lembrança remota que às vezes chega a nos inspirar.
Os cristãos modernos crêem como os outros creram, mas não se entregam como se entregaram. Partilham das mesmas convicções, recitam o mesmo credo, freqüentam as mesmas igrejas, cantam os mesmos hinos e lêem a mesma Bíblia, mas o efeito é tragicamente diferente. É raro hoje encontrar alguém em cujo coração arde o desejo de ver um amigo, parente, colega de trabalho ou escola convertendo-se a Cristo e sendo salvo da condenação eterna.
Os desejos, quando muito, se limitam a visitar uma igreja, buscar uma "bênção", receber uma oração; mas a conversão a Cristo, o discipulado com todas as suas implicações, são coisa que não nos atraem mais. Os anseios pela volta de Cristo, o desejo de nos encontrarmos com ele e ver restaurada a justiça e a ordem da criação ficaram para trás. Somente alguns saudosos dos velhos tempos lembram-se ainda dos hinos que enchiam de esperança o coração dos que aguardavam a manifestação do Reino.
A preocupação com a moral e a ética, com o bom testemunho, com a vida santa e reta não nos perturba mais - somos modernos, aprendemos a respeitar o espaço dos outros. O cuidado com os irmãos, o zelo para que andem nos caminhos do Senhor, as exortações, repreensões e correções não fazem parte do elenco de nossas preocupações. Afinal, cada um é grande e sabe o que faz.
Enfim, somos ateus modernos, o pior tipo de ateu que já apareceu. Citamos com convicção o Credo Apostólico, mas o que cremos não tem nenhuma relevância com a forma como vivemos. A pessoa de Cristo para muitos é apenas mais uma grife religiosa, não uma pessoa que nos chama para segui-lo. O ateísmo moderno se caracteriza pela irrelevância da fé, das convicções, do significado da igreja e da comunhão dos santos.
A irrelevância de Deus para a vida moderna é intensificada pela cultura tecnocrática. Temos técnicas para tudo: para ter um matrimônio perfeito, criar filhos felizes e obedientes, obter plena satisfação sexual no casamento, passos para uma oração eficaz, como conseguir a plenitude do Espírito Santo e muitos outros "como fazer" que entopem as prateleiras das livrarias e o cardápio dos congressos.
A sociedade moderna vem criando os métodos e as técnicas que reduzem nossa necessidade de Deus, a dependência dele e a relevância da comunhão com ele. Chamamos uma boa música de adoração, um convívio agradável de comunhão, uma moral sadia de santificação, assiduidade nos programas da igreja de compromisso com o Reino de Deus.
As técnicas não apenas criam atalhos para os caminhos complexos da vida, como procuram inverter os pólos de atenção e dependência. Tornamo-nos mais dependentes de nós do que de Deus, acreditamos mais na eficiência do que na graça, buscamos mais a competência do que a unção, cremos mais na propaganda do que no poder do Evangelho.
Tenho ouvido falar de igrejas que são orientadas por profissionais de planejamento estratégico. Estudam o perfil da comunidade, planejam seu desenvolvimento, arquitetam seu crescimento e, de repente, descobrem que funcionam, crescem, são eficientes, e não dependem de Deus para nada do que foi planejado. Com ou sem oração a igreja vai crescer, vai funcionar. Deus tornou-se irrelevante. Tornamo-nos ateus crentes.
A minha preocupação não é simplesmente criticar o mundo religioso abstrato, superficial e impessoal que criamos ou criticar a tecnologia moderna que, sem dúvida, pode e tem nos ajudado. Minha preocupação é com o coração cada vez mais distante, mais abstrato, mais centralizado naquilo que não é Deus, mais dependente das propagandas e estímulos religiosos, mais interessado no consumo espiritual do que numa relação pessoal com Deus.
Como disse, o ateu hoje não é mais aquele que não crê, mas aquele que não encontra relevância para Deus na sua rotina, não precisa da comunhão dele para a vida. A sutileza do novo ateísmo é que ele não precisa negar a fé, apenas cria substitutos para ela. Mantém o crente na igreja, mas longe do seu Salvador. Este ateu está muito mais presente entre nós do que imaginamos.
Ricardo Barbosa de Sousa é pastor da Igreja Presbiteriana do Planalto (DF)
Fonte: www.eclesia.com.br
Ricardo Barbosa de Sousa é pastor da Igreja Presbiteriana do Planalto (DF)
Fonte: www.eclesia.com.br
sexta-feira, 9 de julho de 2010
Jesus Cristo, Senhor de tudo e de todos - René Padilla
"Se você acredita no que lhe agrada nos evangelhos e rejeita o que não gosta, não é nos evangelhos que você crê, mas em você."
Agostinho de Hipona
Agostinho de Hipona
A autoridade que Jesus Cristo recebeu do Pai ao ressuscitar, segundo sua própria declaração em Mateus 28.18, é uma autoridade universal: “Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra”. Em outras palavras, sua autoridade se estende sobre a totalidade da criação e sobre todos os aspectos da vida humana. Não há nada nem ninguém que esteja fora da órbita da autoridade de Jesus Cristo. Ele tem autoridade não apenas sobre a igreja, mas também sobre o mundo. Não apenas sobre o domingo, mas também sobre o restante da semana. Não apenas sobre o que está relacionado com as práticas religiosas, mas também sobre o que concerne à família e ao trabalho, à arte e à ciência, à economia e à política.
Isto não significa, porém, que todos reconheçam essa autoridade de Cristo, mas sim que todos deveriam reconhecê-la. Com efeito, o que distingue os cristãos dos não-cristãos é o fato de que aqueles reconhecem e, portanto, confessam, a autoridade universal de Jesus Cristo e vivem à luz desse reconhecimento, enquanto estes não a reconhecem nem a confessam. Como afirma o apóstolo Paulo: “Pois não há distinção entre judeu e grego, uma vez que o mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos os que o invocam” (Rm 10.12). Como veremos mais adiante, isto é o que torna necessária a missão da igreja, cuja essência é a proclamação de Jesus Cristo como Senhor. “Isto é, a palavra da fé que pregamos. Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo (Rm 10.8b-9).
Infelizmente, com muita frequência nós cristãos nos deixamos levar pela dicotomia entre a esfera do sagrado e a esfera do secular. Fazemos separação entre a ética e a religião, entre o público e o privado, entre o mundo e a igreja. Como consequência, estamos marcados pela incoerência entre nossa confissão de Jesus Cristo como Senhor de tudo e de todos, por um lado, e nosso estilo de vida, por outro.
Esta incoerência se faz visível hoje em dia, por exemplo, na maneira como permitimos que a sociedade de consumo defina nosso estilo de vida, impondo-nos valores alheios aos do reino de Deus. A sociedade de consumo transformou o aforismo do filósofo francês Rene Descartes “cogino, ergo sum” (“penso, logo existo”) em “consumo, logo existo”. Como resultado, a maioria das pessoas na sociedade moderna, especialmente no mundo dominado pelo capitalismo, não consome para viver, mas vive para consumir. Pressupõe que, se uma pessoa quer chegar a ser “alguém” entre seus contemporâneos, deve ter capacidade para adquirir os símbolos de “status” que a sociedade de consumo oferece. E, para alcançar este objetivo, muitas pessoas estão dispostas a pagar um alto preço: a saúde, as boas relações conjugais e familiares, a satisfação fruto do exercício de uma vocação escolhida livremente.
Em contraste com o estilo de vida que reflete os valores da sociedade de consumo, o estilo de vida coerente com a confissão de Jesus Cristo como Senhor de tudo e de todos renuncia a estes valores e se compromete com a realização do propósito de Deus para a vida humana exemplificado por seu Filho. É um estilo de vida em que prevalecem os valores do reino de Deus que se resumem em “shalom”: harmonia com Deus, harmonia com o próximo, harmonia com a criação de Deus. E é nesta direção que aponta a missão integral.
Traduzido por Wagner Guimarães
C. René Padilla é fundador e presidente da Rede Miqueias, e membro-fundador da Fraternidade Teológica Latino-Americana e da Fundação Kairós. É autor de O Que É Missão Integral? (Editora Ultimato).
http://www.ultimato.com.br/?pg=show_artigos&artigo=2641&secMestre=2641&sec=2663&num_edicao=324
Isto não significa, porém, que todos reconheçam essa autoridade de Cristo, mas sim que todos deveriam reconhecê-la. Com efeito, o que distingue os cristãos dos não-cristãos é o fato de que aqueles reconhecem e, portanto, confessam, a autoridade universal de Jesus Cristo e vivem à luz desse reconhecimento, enquanto estes não a reconhecem nem a confessam. Como afirma o apóstolo Paulo: “Pois não há distinção entre judeu e grego, uma vez que o mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos os que o invocam” (Rm 10.12). Como veremos mais adiante, isto é o que torna necessária a missão da igreja, cuja essência é a proclamação de Jesus Cristo como Senhor. “Isto é, a palavra da fé que pregamos. Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo (Rm 10.8b-9).
Infelizmente, com muita frequência nós cristãos nos deixamos levar pela dicotomia entre a esfera do sagrado e a esfera do secular. Fazemos separação entre a ética e a religião, entre o público e o privado, entre o mundo e a igreja. Como consequência, estamos marcados pela incoerência entre nossa confissão de Jesus Cristo como Senhor de tudo e de todos, por um lado, e nosso estilo de vida, por outro.
Esta incoerência se faz visível hoje em dia, por exemplo, na maneira como permitimos que a sociedade de consumo defina nosso estilo de vida, impondo-nos valores alheios aos do reino de Deus. A sociedade de consumo transformou o aforismo do filósofo francês Rene Descartes “cogino, ergo sum” (“penso, logo existo”) em “consumo, logo existo”. Como resultado, a maioria das pessoas na sociedade moderna, especialmente no mundo dominado pelo capitalismo, não consome para viver, mas vive para consumir. Pressupõe que, se uma pessoa quer chegar a ser “alguém” entre seus contemporâneos, deve ter capacidade para adquirir os símbolos de “status” que a sociedade de consumo oferece. E, para alcançar este objetivo, muitas pessoas estão dispostas a pagar um alto preço: a saúde, as boas relações conjugais e familiares, a satisfação fruto do exercício de uma vocação escolhida livremente.
Em contraste com o estilo de vida que reflete os valores da sociedade de consumo, o estilo de vida coerente com a confissão de Jesus Cristo como Senhor de tudo e de todos renuncia a estes valores e se compromete com a realização do propósito de Deus para a vida humana exemplificado por seu Filho. É um estilo de vida em que prevalecem os valores do reino de Deus que se resumem em “shalom”: harmonia com Deus, harmonia com o próximo, harmonia com a criação de Deus. E é nesta direção que aponta a missão integral.
Traduzido por Wagner Guimarães
C. René Padilla é fundador e presidente da Rede Miqueias, e membro-fundador da Fraternidade Teológica Latino-Americana e da Fundação Kairós. É autor de O Que É Missão Integral? (Editora Ultimato).
http://www.ultimato.com.br/?pg=show_artigos&artigo=2641&secMestre=2641&sec=2663&num_edicao=324
quarta-feira, 5 de maio de 2010
A ESTRADA MENOS PERCORRIDA por Gerson Borges
Sou um jornalista. Não, não um profissional da imprensa escrita, televisiva ou do rádio. Sou jornalista no senso da palavra inglesa para o registro diário (ou quase) da vida, "journal writing". Mantenho um diário (ou semanário, vá lá) aonde anoto minha jornada existencial. Comecei simplesmente registrando leituras bíblicas e seus significados, hábito da adolescência. O que Deus me falava ao coração ficava gravado nos meus cadernos. Logo percebi que era bom e espiritualmente animador tomar nota de frases significativas das minhas leituras.
Se era uma idéia boa, um insight inusitado, algo criativo ou perturbador da consciência, caderno nele. Desenvolvi o hábito da leitura sublinhada e anotada. Até a coisa virar terapia. No começo da vida adulta, fui percebendo que, ao escrever sobre acontecimentos diários, coisas pequenas, efemeridades e crises terríveis, desesperos, a alma respirava aliviada. O coração (re) animava-se. A vida voltava aos trilhos do comum e do extraordinário. E tudo isso debaixo do olhar afetuoso de Deus, a cada passado da jornada.
Jornada.
Esse é mesmo um nome adequado para a Vida Espiritual. Um passo por dia, um dia por passo e a vamos caminhando. Escrever sobre o itinerário, as estradas, os caminhos e descaminhos da jornada é quase a jornada em si. Christina Baldwin, em seu livro "Life’s companion", concebe a prática de manter um Diário Espiritual como "uma busca espiritual". Penso que Anne Frank, ao registrar seus pensamentos e sentimentos, suas angústias e pavores do horror nazista no seu Kitty, nome que dava ao seu diário, de modo algum imaginava que, por ter sido preservado por Miep Gies, ao ser publicado em 1947 chegaria aonde chegou, traduzido em 68 línguas e um dos livros mais lidos do mundo. O que ela queria, nas palavras de outro sobrevivente da barbárie de Hitler, Victor Frankl, era "um desejo e uma vontade de sentido".
Sentido.
Escrevo Diários não porque a minha vida faz sentido, mas para dar sentido à minha vida. Religião pode ser muito irrelevante e sem significado, denuncia a obra-prima de Thomas Merton, "A montanha dos sete patamares". Nesse livro, extremamente íntimo e pessoal, o escritor e monge trapista narra o vazio da sua infância e adolescência como protestante nominal. Aliás, Merton é um dos meus jornalistas preferidos. Seus Diários são uma vigorosa e apaixonada mistura de poesia e oração. O sinal de Jonas é um exemplo: "Nada deve atrapalhar um monge de orar, nem mesmo escrever um livro", ele diz com gostosa ironia. As duas coisas se confundem e se misturam o tempo todo quando quando se mantém um Diário Espiritual, a narrativa pessoal e a oração.
Oração.
Quando escrevemos nossa oração, a exemplo dos salmistas, orar é diferente. As frases feitas, as expressões religiosas vagas, vazias e vãs podem, afinal, ser percebidas. Pensamos no que escrevemos ainda que nem sempre escrevamos o que pensamos, já que, como diz Henri Nouwen, outro ardoroso escritor de maravilhosos Diários, "escrever assim é um ato de confiança”. Não sabemos aonde a caneta vai nos levar. Mas nos submetemos aos fluxos da alma, às correntezas do coração e da mente, ao fruir da vida interior. Os Diários de Nouwen, como "The Genesee Diary", em que ele relata de modo imensamente inspirativo sua experiência sabática num Mosteiro Trapista (sim, Nouwen foi influenciado diretamente pela literatura e espiritualidade, arte e devoção de Merton), ou "O caminho do amanhecer", sua narrativa da renúncia do cargo de professor titular em Harvard para cuidar de deficientes na Arca, no Canadá.
Luz e sombra. Fé e dúvida. Paz interior e angústia espiritual. Isso tudo nos é comum. O que não é comum é desfrutar dos benefícios que brotam no hábito de mapear esses sentimentos e experiência numa narrativa.
Narrativa.
Lucy Shaw, escritora anglicana que admiro, professora do Regent College e amiga próxima de Eugene Peterson, uma vez proferiu uma conferência intitulada "A Palavra Narrada: As Implicações Teológicas da Estória" ("A Narratable Word: The Theological Implications of Story") e, nessa criativa palestra, Shaw ensina:
"Narrativa é uma palavra originalmente derivada da expressão latina noscer - conhecer – e um outra com a qual se relaciona, gnarus, conhecer, saber algo. Talvez seja, portanto, outra forma de dizer que estórias, narrativas, é o modo por meio do qual tomamos conhecimento do mundo".
Sim, é isso mesmo. Ao narrarmos nossa vida, tomamos conhecimento dela, entramos em contato com nossa realidade e notamos como estamos inseridos numa narrativa maior, humana e divina. A Bíblia é narrativa e poesia. Muito pouco na Bíblia é discussão, defesa argumentativa, etc. Talvez as Cartas de Paulo. Mesmo assim, sua criatividade e inteligência, inspiradas pelo Espírito Santo, fazem da conversa teológica um coisa muito, muito bela – e pessoal. Paulo faz uma teologia na primeira pessoa visando a Comunidade. Paulo, ao contrário de muitos filósofos e teólogos, não é uma abstração, é uma pessoa.
Pessoa.
Somos tão complexos, não é mesmo? Podemos ter tanto know how profissional, tantos saberes e competências técnicas, mas e quanto à nossa alma, o que sabemos? Num tempo quando o neo-ateísmo de Dawkins, Hichtens e Harris, entre outros, zombam da idéia da espiritualidade cristã ao afirmarem que a alma é a mente e a mente é química e eletricidade facilmente mapeada pelo computador medicinal, pergunto: o Homo Sapiens, o " Home-que-sabe", nós, da sociedade da informação, sabemos quem somos? Basta ler o jornal (no outro sentido) e responder que... não.
Buscamos a resposta fora de nós. Quem nos define, por exemplo, é o consumismo. O homem de hoje é aquilo que ele consome. Basta olhar ao redor e ver outdoors ambulantes a serviço das grandes corporações. Outro dia dei risada ver uma foto do presidente Lula ao lado de Fidel Castro, que usava um casaco da ...Nike. Sabe o que é o homem, eu e você? Contradição.
Contradição.
Ser inimigo do que se diz. Contrariar o que se afirma. Dizemos que amamos. E matamos uns aos outros sem parar. Dizemos que cremos em Deus. E vivemos como se Ele não existisse. Dizemos que a natureza é boa e bela. E a destruímos pouco a pouco – ou muito a muito – como, no século passado e nas últimas décadas.
Só me dou conta da imensa contradição que eu sou quando olho para dentro de mim. Isso se dá de modo único quando escrevo meu dia-a-dia, minha noite-a-noite, quando descrevo e narro minha jornada. Narrar, nas orações simples do meu diário espiritual, tristezas, frustrações, conquistas, alegrias, chegadas, partidas, vitórias e vergonhas – eis o que mais me aproxima de Deus, de mim mesmo e dos outros.
O ato de auto-narrar a minha vida pode ser dito de outro modo pelas pavras de M. Scott Peck, psicanalista cristão: "a estrada menos percorrida". Temos medo do que se revela nas páginas de um caderno sincero. Temos medo do que se esconde nos nosso pesadelos ou mesmo nos sonhos bons. Mas, por exemplo, escrever os sonhos assim que se acorda é uma grande ferramente de auto-conhecimento, como me ensinou meu querido Osmar Ludovico.
Tenho dado um passo para frente e dois para trás nessa história. Tem épocas que nem sem onde foi parar o tal caderno. Outros momentos, eu encho páginas e páginas, num frenesi catársico que só Deus e eu testemunhamos. Mas eu não vivo mais sem meus diários. Meus diários mudaram a minha vida. (D)Escrevo meus problemas neles e deixo descansando. Sem narrar o que a vida me dá e me toma, o que eu gozo ou perco, o que eu experimento da Graça dentro da graça dentro da graça, como viver? A Salvação é uma jornada que começa agora.
Gerson Borges, pastor da Comunidade de Jesus em São Bernardo, é poeta e músico. Foi de umas de suas músicas que tomei emprestado o sub-título deste blog... "Jesus Nazareno é tudo que eu tenho pra te dar".
Se era uma idéia boa, um insight inusitado, algo criativo ou perturbador da consciência, caderno nele. Desenvolvi o hábito da leitura sublinhada e anotada. Até a coisa virar terapia. No começo da vida adulta, fui percebendo que, ao escrever sobre acontecimentos diários, coisas pequenas, efemeridades e crises terríveis, desesperos, a alma respirava aliviada. O coração (re) animava-se. A vida voltava aos trilhos do comum e do extraordinário. E tudo isso debaixo do olhar afetuoso de Deus, a cada passado da jornada.
Jornada.
Esse é mesmo um nome adequado para a Vida Espiritual. Um passo por dia, um dia por passo e a vamos caminhando. Escrever sobre o itinerário, as estradas, os caminhos e descaminhos da jornada é quase a jornada em si. Christina Baldwin, em seu livro "Life’s companion", concebe a prática de manter um Diário Espiritual como "uma busca espiritual". Penso que Anne Frank, ao registrar seus pensamentos e sentimentos, suas angústias e pavores do horror nazista no seu Kitty, nome que dava ao seu diário, de modo algum imaginava que, por ter sido preservado por Miep Gies, ao ser publicado em 1947 chegaria aonde chegou, traduzido em 68 línguas e um dos livros mais lidos do mundo. O que ela queria, nas palavras de outro sobrevivente da barbárie de Hitler, Victor Frankl, era "um desejo e uma vontade de sentido".
Sentido.
Escrevo Diários não porque a minha vida faz sentido, mas para dar sentido à minha vida. Religião pode ser muito irrelevante e sem significado, denuncia a obra-prima de Thomas Merton, "A montanha dos sete patamares". Nesse livro, extremamente íntimo e pessoal, o escritor e monge trapista narra o vazio da sua infância e adolescência como protestante nominal. Aliás, Merton é um dos meus jornalistas preferidos. Seus Diários são uma vigorosa e apaixonada mistura de poesia e oração. O sinal de Jonas é um exemplo: "Nada deve atrapalhar um monge de orar, nem mesmo escrever um livro", ele diz com gostosa ironia. As duas coisas se confundem e se misturam o tempo todo quando quando se mantém um Diário Espiritual, a narrativa pessoal e a oração.
Oração.
Quando escrevemos nossa oração, a exemplo dos salmistas, orar é diferente. As frases feitas, as expressões religiosas vagas, vazias e vãs podem, afinal, ser percebidas. Pensamos no que escrevemos ainda que nem sempre escrevamos o que pensamos, já que, como diz Henri Nouwen, outro ardoroso escritor de maravilhosos Diários, "escrever assim é um ato de confiança”. Não sabemos aonde a caneta vai nos levar. Mas nos submetemos aos fluxos da alma, às correntezas do coração e da mente, ao fruir da vida interior. Os Diários de Nouwen, como "The Genesee Diary", em que ele relata de modo imensamente inspirativo sua experiência sabática num Mosteiro Trapista (sim, Nouwen foi influenciado diretamente pela literatura e espiritualidade, arte e devoção de Merton), ou "O caminho do amanhecer", sua narrativa da renúncia do cargo de professor titular em Harvard para cuidar de deficientes na Arca, no Canadá.
Luz e sombra. Fé e dúvida. Paz interior e angústia espiritual. Isso tudo nos é comum. O que não é comum é desfrutar dos benefícios que brotam no hábito de mapear esses sentimentos e experiência numa narrativa.
Narrativa.
Lucy Shaw, escritora anglicana que admiro, professora do Regent College e amiga próxima de Eugene Peterson, uma vez proferiu uma conferência intitulada "A Palavra Narrada: As Implicações Teológicas da Estória" ("A Narratable Word: The Theological Implications of Story") e, nessa criativa palestra, Shaw ensina:
"Narrativa é uma palavra originalmente derivada da expressão latina noscer - conhecer – e um outra com a qual se relaciona, gnarus, conhecer, saber algo. Talvez seja, portanto, outra forma de dizer que estórias, narrativas, é o modo por meio do qual tomamos conhecimento do mundo".
Sim, é isso mesmo. Ao narrarmos nossa vida, tomamos conhecimento dela, entramos em contato com nossa realidade e notamos como estamos inseridos numa narrativa maior, humana e divina. A Bíblia é narrativa e poesia. Muito pouco na Bíblia é discussão, defesa argumentativa, etc. Talvez as Cartas de Paulo. Mesmo assim, sua criatividade e inteligência, inspiradas pelo Espírito Santo, fazem da conversa teológica um coisa muito, muito bela – e pessoal. Paulo faz uma teologia na primeira pessoa visando a Comunidade. Paulo, ao contrário de muitos filósofos e teólogos, não é uma abstração, é uma pessoa.
Pessoa.
Somos tão complexos, não é mesmo? Podemos ter tanto know how profissional, tantos saberes e competências técnicas, mas e quanto à nossa alma, o que sabemos? Num tempo quando o neo-ateísmo de Dawkins, Hichtens e Harris, entre outros, zombam da idéia da espiritualidade cristã ao afirmarem que a alma é a mente e a mente é química e eletricidade facilmente mapeada pelo computador medicinal, pergunto: o Homo Sapiens, o " Home-que-sabe", nós, da sociedade da informação, sabemos quem somos? Basta ler o jornal (no outro sentido) e responder que... não.
Buscamos a resposta fora de nós. Quem nos define, por exemplo, é o consumismo. O homem de hoje é aquilo que ele consome. Basta olhar ao redor e ver outdoors ambulantes a serviço das grandes corporações. Outro dia dei risada ver uma foto do presidente Lula ao lado de Fidel Castro, que usava um casaco da ...Nike. Sabe o que é o homem, eu e você? Contradição.
Contradição.
Ser inimigo do que se diz. Contrariar o que se afirma. Dizemos que amamos. E matamos uns aos outros sem parar. Dizemos que cremos em Deus. E vivemos como se Ele não existisse. Dizemos que a natureza é boa e bela. E a destruímos pouco a pouco – ou muito a muito – como, no século passado e nas últimas décadas.
Só me dou conta da imensa contradição que eu sou quando olho para dentro de mim. Isso se dá de modo único quando escrevo meu dia-a-dia, minha noite-a-noite, quando descrevo e narro minha jornada. Narrar, nas orações simples do meu diário espiritual, tristezas, frustrações, conquistas, alegrias, chegadas, partidas, vitórias e vergonhas – eis o que mais me aproxima de Deus, de mim mesmo e dos outros.
O ato de auto-narrar a minha vida pode ser dito de outro modo pelas pavras de M. Scott Peck, psicanalista cristão: "a estrada menos percorrida". Temos medo do que se revela nas páginas de um caderno sincero. Temos medo do que se esconde nos nosso pesadelos ou mesmo nos sonhos bons. Mas, por exemplo, escrever os sonhos assim que se acorda é uma grande ferramente de auto-conhecimento, como me ensinou meu querido Osmar Ludovico.
Tenho dado um passo para frente e dois para trás nessa história. Tem épocas que nem sem onde foi parar o tal caderno. Outros momentos, eu encho páginas e páginas, num frenesi catársico que só Deus e eu testemunhamos. Mas eu não vivo mais sem meus diários. Meus diários mudaram a minha vida. (D)Escrevo meus problemas neles e deixo descansando. Sem narrar o que a vida me dá e me toma, o que eu gozo ou perco, o que eu experimento da Graça dentro da graça dentro da graça, como viver? A Salvação é uma jornada que começa agora.
Gerson Borges, pastor da Comunidade de Jesus em São Bernardo, é poeta e músico. Foi de umas de suas músicas que tomei emprestado o sub-título deste blog... "Jesus Nazareno é tudo que eu tenho pra te dar".
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