"Temos esta Esperança como âncora da alma, firme e segura, a qual adentra o santuário interior, por trás do véu, onde Jesus que nos precedeu, entrou em nosso lugar..." (Hebreus 6.19,20a)
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sexta-feira, 21 de novembro de 2014
segunda-feira, 27 de outubro de 2014
CARTA DE UM PASTOR PROTESTANTE À PRESIDENTE ELEITA
Excelentíssima Senhora Presidente da República Dilma Rousseff,
Cerca de 54 milhões de brasileiros acabaram de elegê-la presidente do Brasil. Entre esses, número incontável de pobres, que escolheram a senhora e o seu partido em razão do serviço que prestaram à nação, ao fazerem correção histórica de iniquidade com a qual a maioria de nós brasileiros convivíamos sem nos perturbar: a miséria de homens, mulheres e crianças deste país, que desde o período da sua colonização sempre viu com naturalidade pobres invisíveis fazendo o papel de coadjuvantes da vida do rico, servindo-o mediante sistema de exploração descarada, sem falar naqueles que nem ser explorados puderam, por viverem completamente à margem da vida, mendigando o pão.
Na condição de amante da democracia, que representa o estágio mais avançado das concepções políticas da humanidade, uma vez que ainda não foi demonstrado modelo político que mais dignifique o homem do que o governo com o consentimento do governado, assumo o compromisso de estar ao lado de todo aquele que tenciona apoiá-la, torcer pelo seu sucesso e honrá-la na condição de presidente democraticamente eleita.
Considero, contudo, que não seja desrespeitoso e antidemocrático falar do que me causa angústia, perplexidade e apreensão quando penso no país que Vossa Excelência e o seu partido governam há 12 anos. Passo a responder ao convite que a sua coordenação de campanha me fez na semana passada, chamando-me para apresentar as propostas do movimento social que presido.
Presidente Dilma, em seu governo e no do seu antecessor mais de 600 mil pessoas -a maioria esmagadora, pobres-, tiveram a vida interrompida pelo crime. Números de guerra civil. Milhões de brasileiros olham diariamente para o porta retrato de parentes amados que foram arrebatados do seu convívio por terem nascido num país que deixa matar.
Jazem em nossas prisões quase 600 mil seres humanos, vivendo em masmorras medievais, com características de campo de concentração nazista, num país cuja presidente afirma conhecer a dura realidade do cárcere, por já ter passado por ele.
A maior parte do povo brasileiro não passa mais fome, entretanto, vive muito mal. Morando em ruas encardidas e imundas, com esgoto banhando os pés de meninos e meninas pobres, que jogam bola e brincam de boneca disputando espaço com ratazanas. Crescimento econômico não é tudo. Carecemos daquela espécie de desenvolvimento que amplia a liberdade humana, propiciando a parcelas cada vez mais amplas da sociedade poder contribuir para a arte, ciência, literatura, política, esporte. Como alcançar essa plenitude de vida se, por falta de hospitais e médicos, doenças deformam o corpo; e, por falta de acesso a educação de qualidade, a desinformação atrofia o intelecto?
A classe média, que banca o "Bolsa Família" e o "Minha Casa, Minha Vida", trabalha oito, dez, doze horas por dia seis vezes por semana; mas não sem passar quatro horas do seu tempo em trânsito infernal, para ganhar pouco e viver sem razão. Milhões e milhões trabalham apenas para manter a vida biológica, uma vez que não têm tempo para a leitura de bons livros, para o amor, para o contato com a natureza, para o engajamento político, para a prática de um hobby, para o investimento na sua própria vida visando sua ascensão social.
Presidente Dilma, quando será implementando plano visando a queda progressiva de investimento em programas assistencialistas? Não estou pregando o fim do Estado do bem-estar social. O que preocupa aos milhões que não votaram em Vossa Excelência é o fato de a esmola que é oferecida a gente saudável humilhar o pobre, expor seu caráter a deformidades e impedir que contribua para o embelezamento, desenvolvimento e aperfeiçoamento da vida em sociedade.
Presidente, quando o pobre encontrará a porta de saída do bolsa família?
Presidente Dilma, não estou aqui para apresentar um programa de governo. Não tenho competência para isso, embora a experiência de campo em trabalhos nas favelas do Rio de Janeiro, no sistema prisional, no sertão nordestino, nos cemitérios levando consolação para parentes de vítima da violência, permita-me expor as falhas do Governo Federal, que reputo como inaceitáveis e desnecessárias, porque temos recursos financeiros, talentos humanos e democracia para sairmos desse estado de pobreza que nos humilha perante os demais povos.
O maior sinal da nossa patologia em termos de políticas públicas -o que precisa ser humildemente reconhecido pelo seu governo-, é, sem sombra de dúvida, o fato de sermos a sétima economia do mundo e o 79º país do planeta em Índice de Desenvolvimento Humano.
Apesar de toda essa sorte de graves problemas sociais, que geram sofrimento para milhões e instabilidade política num país agora bastante dividido, reportagem recente da Folha de S. Paulo (29/09) prova que mais de 40% das promessas que Vossa Excelência fez em 2010 não foram cumpridas até hoje.
Faço um apelo à Vossa Excelência. Apresente ao país -de modo claro que até o brasileiro mais humilde possa entender-, suas metas de governo e prazos para a realização do que foi prometido. Presidente, é fato, provado pela falta de infraestrutura que esteja à altura do poder econômico do nosso país, que o Estado brasileiro precisa ser gerido com mais eficiência -princípio constitucional basilar da administração pública. Como haver eficiência sem mecanismos de avaliação do desempenho do governo? Como fazer aferição do que não pode ser medido? Qual cobrança, contudo, pode ser efetiva se ministros e seus subordinados permanecem nos seus cargos apesar da sua ineficiência?
Assumo o compromisso, perante o meu país, minha família e o Deus a quem sirvo, revelado no evangelho de Cristo, de celebrar cada conquista do seu governo, e apoiá-la em todo esforço de viabilizar a vida humana no Brasil, mas não me calar se o seu governo se resumir a dar comida ao pobre, sem garantir ao todo da população, a começar pelos excluídos, o direito à educação, à saúde, ao trabalho, ao lazer, à segurança e à vida.
Antônio Carlos Costa
terça-feira, 23 de setembro de 2014
domingo, 31 de outubro de 2010
RELIGIÃO E CIDADANIA por Ed René Kivitz
Igreja não vota. Igreja não faz aliança política. Igreja não apoia candidato. Igreja não se envolve com política partidária. Há pelo menos cinco razões para este posicionamento.
Primeira: o Estado é laico. Igreja e Estado são instituições distintas e autônomas entre si. É inadmissível que, em nome da religião, os cidadãos livres sofram pressões ideológicas. Assim como é deplorável que os religiosos livres sofram pressões ideológicas perpetradas pelo Estado. É incoerente que um Estado de Direito tenha feriados santos, expressões religiosas gravadas em suas cédulas de dinheiro, espaços e recursos públicos loteados entre segmentos religiosos institucionais. É uma vergonha que líderes espirituais emprestem sua credibilidade em questão de fé para servir aos interesses efêmeros e dúbios (em termos de postulados ideológicos e valores morais) da política eleitoral ou eleitoreira.
Segunda: o voto é uma prerrogativa do cidadão. Assim como os clubes de futebol, as organizações não governamentais, as entidades de classe, as associações culturais e as instituições filantrópicas não votam, também a igreja não vota. Quem vota é o cidadão. O cidadão pode ser influenciado, melhor seria, educado, por todos os segmentos organizados da sociedade civil, inclusive a igreja. Mas quem vota é o cidadão.
Terceira: a igreja é um espaço democrático. A igreja é lugar para todos os cidadãos, independentemente de raça, sexo, classe social e, no caso, opção política. A igreja é lugar do vereador de um lado, do deputado de outro lado, e do senador que não sabe de que lado está. A igreja que abraça uma candidatura específica ou faz uma aliança partidária, direta e indiretamente rejeita e marginaliza aqueles dentre seu rebanho que fizeram opções diferentes.
Quarta: a igreja não tem autoridade histórica para se envolver em política. Na verdade, não se trata apenas de uma questão a respeito da igreja cristã, mas de toda e qualquer expressão religiosa institucional. A mistura entre política e religião é responsável pelos maiores males da história da humanidade. Os católicos na Península Ibérica e em toda a Europa Ocidental. Os protestantes na Índia. Os católicos e os protestantes na Irlanda. Os judeus no Oriente Médio. Os islâmicos na Europa e na América. Todos estes cometeram o pior dos crimes: matar em nome de Deus. Saramago disse com propriedade que “as religiões, todas elas, sem exceção, nunca serviram para aproximar e congraçar os homens, que, pelo contrário, foram e continuam a ser causa de sofrimentos inenarráveis, de morticínios, de monstruosas violências físicas e espirituais que constituem um dos mais tenebrosos capítulos da miserável história humana”.
Quinta: o papel social da igreja é profético. Quando o governo acerta a igreja aplaude. Quando o governo erra a igreja denuncia. Quando a autoridade civil cumpre seu papel institucional a igreja acata. Quando a autoridade civil trai seu papel institucional a igreja se rebela. A igreja não está do lado do governo, nem da oposição. A igreja está do lado da justiça.
Todo cristão é também cidadão. Todo cristão deve exercer sua cidadania à luz dos valores do reino de Deus e do melhor e máximo possível da ética cristã, somando forças em todos os processos solidários, e engajado em todos os movimentos de justiça. Comparecer às urnas é uma ato intransferível de cidadania, um direito inalienável que custou caro às gerações do passado recente do Brasil, e uma oportunidade de cooperar, ainda que de maneira mínima, na construção de uma sociedade livre, justa e pacífica.
[Publicado pela primeira vez em setembro de 2006]
Publicado em 14 1setembro 2010 por forumibab
http://forumcristaoprofissionais.com/2010/09/14/religiao-e-cidadania/
Primeira: o Estado é laico. Igreja e Estado são instituições distintas e autônomas entre si. É inadmissível que, em nome da religião, os cidadãos livres sofram pressões ideológicas. Assim como é deplorável que os religiosos livres sofram pressões ideológicas perpetradas pelo Estado. É incoerente que um Estado de Direito tenha feriados santos, expressões religiosas gravadas em suas cédulas de dinheiro, espaços e recursos públicos loteados entre segmentos religiosos institucionais. É uma vergonha que líderes espirituais emprestem sua credibilidade em questão de fé para servir aos interesses efêmeros e dúbios (em termos de postulados ideológicos e valores morais) da política eleitoral ou eleitoreira.
Segunda: o voto é uma prerrogativa do cidadão. Assim como os clubes de futebol, as organizações não governamentais, as entidades de classe, as associações culturais e as instituições filantrópicas não votam, também a igreja não vota. Quem vota é o cidadão. O cidadão pode ser influenciado, melhor seria, educado, por todos os segmentos organizados da sociedade civil, inclusive a igreja. Mas quem vota é o cidadão.
Terceira: a igreja é um espaço democrático. A igreja é lugar para todos os cidadãos, independentemente de raça, sexo, classe social e, no caso, opção política. A igreja é lugar do vereador de um lado, do deputado de outro lado, e do senador que não sabe de que lado está. A igreja que abraça uma candidatura específica ou faz uma aliança partidária, direta e indiretamente rejeita e marginaliza aqueles dentre seu rebanho que fizeram opções diferentes.
Quarta: a igreja não tem autoridade histórica para se envolver em política. Na verdade, não se trata apenas de uma questão a respeito da igreja cristã, mas de toda e qualquer expressão religiosa institucional. A mistura entre política e religião é responsável pelos maiores males da história da humanidade. Os católicos na Península Ibérica e em toda a Europa Ocidental. Os protestantes na Índia. Os católicos e os protestantes na Irlanda. Os judeus no Oriente Médio. Os islâmicos na Europa e na América. Todos estes cometeram o pior dos crimes: matar em nome de Deus. Saramago disse com propriedade que “as religiões, todas elas, sem exceção, nunca serviram para aproximar e congraçar os homens, que, pelo contrário, foram e continuam a ser causa de sofrimentos inenarráveis, de morticínios, de monstruosas violências físicas e espirituais que constituem um dos mais tenebrosos capítulos da miserável história humana”.
Quinta: o papel social da igreja é profético. Quando o governo acerta a igreja aplaude. Quando o governo erra a igreja denuncia. Quando a autoridade civil cumpre seu papel institucional a igreja acata. Quando a autoridade civil trai seu papel institucional a igreja se rebela. A igreja não está do lado do governo, nem da oposição. A igreja está do lado da justiça.
Todo cristão é também cidadão. Todo cristão deve exercer sua cidadania à luz dos valores do reino de Deus e do melhor e máximo possível da ética cristã, somando forças em todos os processos solidários, e engajado em todos os movimentos de justiça. Comparecer às urnas é uma ato intransferível de cidadania, um direito inalienável que custou caro às gerações do passado recente do Brasil, e uma oportunidade de cooperar, ainda que de maneira mínima, na construção de uma sociedade livre, justa e pacífica.
[Publicado pela primeira vez em setembro de 2006]
Publicado em 14 1setembro 2010 por forumibab
http://forumcristaoprofissionais.com/2010/09/14/religiao-e-cidadania/
PARA OUVIR (Click no link, salve e escute), JESUS, O REVOLUCIONÁRIO! :
http://www.ibab.com.br/mensagens/20101024_manha_erk.mp3
sábado, 2 de outubro de 2010
NÃO HÁ UM JUSTO, NEM UM SEQUER
Não há um justo, nem um sequer...*
A Bíblia já afirma isto há mais de 2.500 anos, e tem gente que achava que no governo do PT haveria uma espécie de seguro contra corrupção e desonestidade, tem gente que cria piamente que neste governo as coisas seriam totalmente diferentes, haveria o milagre tipo água em vinho. É preciso ter muita fé!
A questão é, e será para sempre, se 'os fins justificam os meios'? Meu pai já dizia (e continua dizendo) que quem quer fazer carreira política no Brasil tem que deixar de ser 'sério', tem que vender algo (caráter tem preço?), tem que se comprometer (no pior sentido), mesmo que seja para buscar o bem do povo e fazer algo de produtivo pela nação. Pensando que após subir ao poder vai pode se redimir de alguma forma e se tornar um cidadão de bem. Fulano rouba mas faz, já foi lema informal de campanha e, pior de tudo, parece que nós aprovamos.
"Se vamos olhar para trás e investigar, vamos olhar para trás com coragem e investigar tudo. Se é para recuar dois anos, então vamos recuar oito." Disse o senador Aloísio Mercadante combatendo a instalação de mais uma CPI, a primeira de corrupção no governo Lula (Diário de Pernambuco 21/02/2004). Será que os problemas na política brasileira e na ética desta nação começaram a 10, 20 ou 30 anos atrás? Ou herdamos nosso jeito de fazer política desde nossa colonização? Negociamos nossa 'independência' de forma financeira, sem derramamento de sangue!? Ou ainda estamos tentando lavar o sangue que é todo dia derramado em nossas esquinas, favelas e até nos nossos condomínios (ditos seguros)?
Não se concerta, o que está errado há mais de 500 anos (ou teologicamente falando desde que o homem é homem), em quatro ou oito anos. Ou se pensa que a desonestidade e a corrupção é invenção brasileira (Precisamos que alguém tire as escamas da hipocrisia de nossos olhos!). "Errar é humano" todo mundo já sabe e já usou a velha desculpa diversas vezes, tem gente que nem agüenta mais ouvir esta ladainha. A culpa que não produz mudança de atitude, o arrependimento, é maligna e é chamada de remorso e não produz nada de bom, pelo contrário "...Mas perdoar é divino" e todo mundo já sabe ou ouviu isto.
Moisés, aquele da Bíblia, institui para o povo judeu um dia nacional do perdão que ocorria a cada sete anos. Eu tenho uma teoria, (talvez muito infantil, mas todo mundo já sabe que criança é que sabe viver e ser feliz), Lula vamos instituir nosso dia do perdão. Vamos deflagrar um dia de arrependimento por todos os crimes cometidos contra esta nação e este povo. (Todos os crimes que não resultaram em morte pré-meditada ou intencionada devem ser perdoados desde que haja confissão e reparamento sempre que possível. Se houve, por exemplo, enriquecimento ilícito ou aquele dinheiro que se manda para fora do país mesmo que ganhado 'honestamente', sem declaração, o infrator Confessa o crime, paga um percentual, um imposto, e é absolvido). Vamos dar a nação à chance, que todos nós temos, do recomeço. E finalmente vamos criar um código de leis justas que possam ser cumpridas e exigidas.
Fica aí um sonho, talvez mais uma utopia, mas tudo que existe e é real hoje, foi um sonho, uma idéia ontem. Que Deus continue tendo misericórdia desta nação e antes de tudo; qualquer grande mudança só vem a se tornar realidade quando acontece primeiro individualmente, depois coletivamente; primeiro na mente e coração, depois nas atitudes.
Recife 22 de Fevereiro de 2004
Bruno Macedo
Ainda em tempo: cabe aquela velha proposta petista de renegociar a nossa dívida externa, que uns dizem por aí que já está paga há muito tempo.
A questão é, e será para sempre, se 'os fins justificam os meios'? Meu pai já dizia (e continua dizendo) que quem quer fazer carreira política no Brasil tem que deixar de ser 'sério', tem que vender algo (caráter tem preço?), tem que se comprometer (no pior sentido), mesmo que seja para buscar o bem do povo e fazer algo de produtivo pela nação. Pensando que após subir ao poder vai pode se redimir de alguma forma e se tornar um cidadão de bem. Fulano rouba mas faz, já foi lema informal de campanha e, pior de tudo, parece que nós aprovamos.
"Se vamos olhar para trás e investigar, vamos olhar para trás com coragem e investigar tudo. Se é para recuar dois anos, então vamos recuar oito." Disse o senador Aloísio Mercadante combatendo a instalação de mais uma CPI, a primeira de corrupção no governo Lula (Diário de Pernambuco 21/02/2004). Será que os problemas na política brasileira e na ética desta nação começaram a 10, 20 ou 30 anos atrás? Ou herdamos nosso jeito de fazer política desde nossa colonização? Negociamos nossa 'independência' de forma financeira, sem derramamento de sangue!? Ou ainda estamos tentando lavar o sangue que é todo dia derramado em nossas esquinas, favelas e até nos nossos condomínios (ditos seguros)?
Não se concerta, o que está errado há mais de 500 anos (ou teologicamente falando desde que o homem é homem), em quatro ou oito anos. Ou se pensa que a desonestidade e a corrupção é invenção brasileira (Precisamos que alguém tire as escamas da hipocrisia de nossos olhos!). "Errar é humano" todo mundo já sabe e já usou a velha desculpa diversas vezes, tem gente que nem agüenta mais ouvir esta ladainha. A culpa que não produz mudança de atitude, o arrependimento, é maligna e é chamada de remorso e não produz nada de bom, pelo contrário "...Mas perdoar é divino" e todo mundo já sabe ou ouviu isto.
Moisés, aquele da Bíblia, institui para o povo judeu um dia nacional do perdão que ocorria a cada sete anos. Eu tenho uma teoria, (talvez muito infantil, mas todo mundo já sabe que criança é que sabe viver e ser feliz), Lula vamos instituir nosso dia do perdão. Vamos deflagrar um dia de arrependimento por todos os crimes cometidos contra esta nação e este povo. (Todos os crimes que não resultaram em morte pré-meditada ou intencionada devem ser perdoados desde que haja confissão e reparamento sempre que possível. Se houve, por exemplo, enriquecimento ilícito ou aquele dinheiro que se manda para fora do país mesmo que ganhado 'honestamente', sem declaração, o infrator Confessa o crime, paga um percentual, um imposto, e é absolvido). Vamos dar a nação à chance, que todos nós temos, do recomeço. E finalmente vamos criar um código de leis justas que possam ser cumpridas e exigidas.
Fica aí um sonho, talvez mais uma utopia, mas tudo que existe e é real hoje, foi um sonho, uma idéia ontem. Que Deus continue tendo misericórdia desta nação e antes de tudo; qualquer grande mudança só vem a se tornar realidade quando acontece primeiro individualmente, depois coletivamente; primeiro na mente e coração, depois nas atitudes.
Recife 22 de Fevereiro de 2004
Bruno Macedo
Ainda em tempo: cabe aquela velha proposta petista de renegociar a nossa dívida externa, que uns dizem por aí que já está paga há muito tempo.
*carta de Paulo aos Romanos 3.10 citando Salmos.
...
Fazem 6 anos e meio que escrevi este texto acima, na época foi fruto de um sentimento de indignação bem antigo, mas depois que li na mídia a declaração do senador Aloísio Mercadante me deu uma grande vontade e necessidade de externalizá-lo como uma carta para nosso presidente, esperançoso que um dia chegasse as suas mãos.
Quase nada mudou em relação a sujeira na política, a falta de ética e a falta de vergonha das nossas autoridades, penso que piorou muito, pois perdemos uma grande oportunidade de se trazer as claras a podridão e a lama que envolve a política e uma eleição (o caixa dois, a ficha suja, a compra de votos, o lobby, os mensalões e os mensalinhos, o corporativismo dos maus, a venda de cargos, as falsas promessas, e etc - faça sua lista própria).
O Plínio está certo!
Todo mundo fala em melhorar isso e aquilo, mas ninguém quer chegar na raiz do problema, e se comprometer.
O Plínio está errado!
O nosso problema não é (só...) o neo-liberalismo, nem os interesses dos poderosos que financiam os governantes, nem a sujeição ao FMI.
Nossos governantes são um retrato, um espelho da nossa sociedade. Não é o povo que não sabe votar, votamos em pessoas iguais a nós que diante do poder e de grande somas de dinheiro se corrompem, ou se tornam omissos (o preço da denúncia da iniquidade é muito alto, veja João Batista e todos outros que pagaram até com a vida), da mesma forma que talvez você e eu faríamos. Enquanto não houver clareza que todo o nosso sistema está comprometido com a corrupção e a roubalheira, e reconhecermos que todos nós fazemos parte disso, seja por atitude ativa ou passiva, nada vai acontecer.
Amanhã na hora de votar pare de pensar um pouquinho em você, nas vantagens que um político vai lhe trazer, ou se é um amigo seu, vote com responsabilidade e com uma oração na boca e no coração:
Senhor eu quero um país diferente, concede-nos governantes segundo o teu coração, homens e mulheres sábios que tenham coragem para enfrentar a injustiça e a maldade. Senhor, acima de tudo, me concede coragem para fazer diferença! Perdoa a nossa omissão e indiferença e nos concede a tua Graça, por Cristo Jesus, nosso Senhor, Amém!

Sobre o mesmo tema:
Religião e cidadania - Ed René Kivitz
http://forumcristaoprofissionais.com/2010/09/14/religiao-e-cidadania/
PT - O Partido Que Nunca Foi Governo - Robinson Cavalcanti
http://www.ultimato.com.br/revista/artigos/326/pt-o-partido-que-nunca-foi-governo
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