"Temos esta Esperança como âncora da alma, firme e segura, a qual adentra o santuário interior, por trás do véu, onde Jesus que nos precedeu, entrou em nosso lugar..." (Hebreus 6.19,20a)
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quarta-feira, 6 de junho de 2012

ENTREGA | Rubem Amorese


Deixe pra lá! Releve! Perdoe!

Tenho percebido que essas são palavras difíceis para algumas pessoas, e fáceis para outras. E o que está por trás dessas atitudes me intriga. 

Parece que algumas pessoas têm uma grande capacidade de “deixar pra lá”, de relevar uma ofensa, de esquecer um agravo. É como se não se apegassem às coisas. Na hora da perda, não sofrem muito. Porém, não lutam tanto pelo que acham importante. Sem luta, não há vitória. 

Outras parecem incapazes de abrir mão. Então, tudo o que a vida lhes tira, produz a dor de um assalto, de uma violência.

Entre estas últimas, as que mais me chamam atenção são aquelas que não “abrem mão” de suas razões. Seja em uma simples conversa, que acaba em discussão, seja em uma questão de direito, apegam-se às suas razões até às lágrimas. E se, após muitas lutas, essas coisas lhes são “tomadas”, entram em desespero de morte. 

As pessoas do primeiro grupo sofrem menos, por não se apegarem demasiadamente. Não lutam tanto, não retêm tanto. Não perdem muito, mesmo quando são abusadas.

Entretanto, conheço gente que é capaz de se lembrar de todas as violências sofridas ao longo da vida. Coisas que lhes foram tiradas, batalhas perdidas, conversas encerradas, desconsiderações, injustiças, votos vencidos, estão todos lá, no depósito de passivos, de haveres, aguardando ressarcimento.

Sim, a vida (que acaba assumindo nomes de pessoas) lhes deve. Se algo nunca foi entregue, então lhes foi tomado. Se nunca foi perdoado, ainda é “dívida ativa”. Se nunca foi esquecido, está registrado para oportuna cobrança.

Talvez uma pessoa assim considere aquele que “deixa pra lá” um leviano. E talvez o que releva e esquece considere aquele que não “abre mão” um infeliz briguento. 

Lembro-me de ter “deixado pra lá” direitos de consumidor, só para não arranjar briga. Porém, lembro-me de ter “pendurado” ofensas, aguardando o pedido de desculpas. Recordo-me de ter dado razão a quem não a tinha, para preservar a amizade, e de ter “aberto mão” da amizade por não achar justo “deixar barato”.

Certa vez, deparei-me com uma frase usada em um curso para noivos: “O que você prefere: ter razão ou ser feliz?” -- como que a dizer que, se eu quisesse ter sempre razão, seria infeliz! Será que essa pergunta não nos ajudaria a definir melhor a qual grupo pertencemos?

Eu confesso: naquele exato momento me descobri preferindo ter razão. E argumentei para mim mesmo que a felicidade, à custa do que é certo, não vale a pena. Senti-me como a formiga invejosa, criticando a alegria “irresponsável” da cigarra.

Nesse momento, ouvi a palavra de Paulo aos coríntios conflagrados: “[...] por que não sofreis, antes, a injustiça? Por que não sofreis, antes, o dano?” (1Co 6.7).

Ocorre-me então que talvez a atitude correta não seja o “deixar pra lá”, mas a entrega. Em vez de esquecer, entrego meus direitos, bens e razões ao reto Juiz. Assim, as coisas não ficarão sem consequência, sem julgamento, sem resposta. Contudo, estarei “deixando pra lá”, em um ato de fé, para ser feliz.

Imagino que, por esse caminho, Deus me acrescentará o orar pelos meus inimigos e me alegrará ao vê-los abençoados.


• Rubem Amorese é presbítero na Igreja Presbiteriana do Planalto, em Brasília, e foi professor na Faculdade Teológica Batista de Brasília por vinte anos. Antes de se aposentar, foi consultor legislativo no Senado Federal e diretor de informática no Centro de Informática e Processamento de Dados do Senado Federal. É autor de, entre outros, Louvor, Adoração e Liturgia e Fábrica de Missionários -- nem leigos, nem santos. ruben@amorese.com.br

quinta-feira, 10 de maio de 2012

O PECADO NA ERA PÓS-CRISTÃ | Ariovaldo Ramos

Num desses dias, alguém me perguntou como se deve proceder quando em pecado. Respondi o óbvio: arrepender-se. A pessoa contestou dizendo que o pecador também é vítima e precisa ser entendido como tal. 

Essa me parece ser a discussão dos dias correntes: pecador ou vítima?

A Bíblia reconhece que qualquer pessoa pode ser vítima do pecado de alguém ou mesmo da conjuntura social, ou da estrutura politico-econômico-social, porém, não entende que isso possa justificar qualquer ato pecaminoso. Para a Bíblia todo ser humano é sujeito da e na história, principalmente, de sua história. Todos são pessoalmente responsáveis, ainda que possa haver atenuantes ou agravantes.

Para a Escritura Sagrada o que se pede do pecador é que se arrependa, isto é, que assuma o seu erro e a sua responsabilidade. Arrepender-se é aceitar a punição da lei. Um pecador arrependido é aquele que admite merecer a punição que a Lei de Deus prescreve para ele. Que, em última instância, é a morte: “A alma que pecar, morrerá” (Ez 18.4). 

O Novo Testamento, entretanto, nos ensina que todo o pecador que se arrepender, isto é, todo o que admitir e confessar o seu pecado será por Deus perdoado, como ensina o apóstolo João (1 Jo 1.9). E, por ser perdoado por Deus, deve ser perdoado pelo ser humano a quem ofendeu. Entretanto, o pecador não tem como exigir o ser perdoado. O pecador pede perdão, mas, não o exige; pelo simples fato de que perdão não é um direito do pecador, é uma benesse do ofendido. Porque perdão é graça.

É verdade que o cristão não tem como não perdoar (Mt 6.12). Contudo, essa é uma questão entre a vítima e Deus. Além disso, o pecador não tem o direito de reclamar do sofrimento de que foi acometido como consequência de seus atos - no relacionamento ofensor e ofendido (isso não justifica o ofendido, caso sua reação seja pecaminosa). É a lei da semeadura: “Semeia-se vento, colhe-se tempestade” (Os 8.7). E é preciso que se diga que, por pior que seja o sofrimento que o pecado venha a provocar sobre o pecador, ainda é menor do que o Inferno ao qual ele fez jus.

Todo o que confessa o seu pecado será perdoado e restaurado por Deus (1 Jo 1.9). Porém, confessar é assumir a responsabilidade e admitir a justiça da punição pelo que fez. Ainda que a punição não virá pelo fato de já ter sido sofrida por Cristo. 

Nesta época tal reflexão está se tornando impensável: porque vivemos numa era de vítimas. Hoje, não importa o erro que a pessoa cometa, ela é sempre vítima: seja da sociedade, seja da história, seja da economia, seja da política, seja das instituições, seja da família. Ninguém é culpado. Logo, como alguém disse: é uma época em que ninguém assume a responsabilidade, nem adia prazeres e nem se presta a sacrifícios.

Essa época é pós-cristã não porque não se fale mais de Deus (pelo contrário, provavelmente, poucas vezes na história se falou tanto de Deus), mas, porque não se fala e nem mais se admite a realidade do pecado. Esta é uma era onde não há mais pecadores, só há enfermos. É o auge do humanismo: o pressuposto de que o ser humano é intrinsecamente bom venceu; e, ora, gente intrinsecamente boa não peca, adoece. E doentes são vítimas. 

O que ainda não se percebeu nesta presente época é que doentes não podem ser perdoados. Só pecadores podem ser perdoados. Logo, só pecadores podem ser restaurados; só pecadores podem ser tornados puros de toda a injustiça que cometeram. O que será dos que estão prontos para assumir que estão enfermos, mas, jamais que são pecadores? A probabilidade maior é a de continuar pecando cada vez mais e pior, contraindo, aí sim, uma doença para a qual não há cura: a voracidade de ser aceito de qualquer jeito, por julgar ter o direito de ser de jeito qualquer. Essa enfermidade coloca a pessoa a deriva dos mais grotescos apetites, tornando-a escrava dos instintos, que se tornarão cada vez mais irresistíveis. É a escravidão do pecado (Jo 8.34). E disso só se escapa quando, finalmente, a todos os pulmões o pecador confessa: “Minha culpa, minha culpa, minha máxima culpa”.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

QUAL A IMPORTÂNCIA DO PERDÃO PARA DEUS?

A oração do Pai-nosso é um exemplo de como nos aproximar do Pai celestial. Em suas orações, Jesus mostrou várias coisas que podemos pedir a Deus: alimento, proteção e libertação, por exemplo.

Entretanto, cabe a nós uma única atitude.

Perdoar.

"... perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado a nossos devedores..."

Em outras palavras, Jesus está dizendo a seus seguidores: quando orar, além de louvores e pedidos, diga que está fazendo exatamente aquilo que Deus faz, isto é, perdoar os que nos devem e os que não merecem perdão.

E para que não restasse nenhuma dúvida em seus seguidores, Jesus adiciona um comentário a respeito do perdão ao final da oração:

"Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará; se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas."

Sem dúvida, Jesus não se está referindo ao que os teólogos chamam de "perdão para a salvação" (um perdão que ocorre apenas no céu e que não pode ser conquistado apenas por merecimento; antes, trata-se de um dom de Deus a todos aqueles que creem em Jesus Cristo e em sua obra na cruz como pagamento definitivo por nossos pecados). No caso, Jesus se refere ao fluxo do perdão de Deus em nossa vida neste mundo.

Há algo muito sério envolvido nesse tema, do contrário Jesus não teria incluído essas palavras a respeito do perdão. Jesus deixou bastante claro: quando eu perdoo, Deus me perdoa, Jesus diz que "tampouco vosso Pai vos perdoará as vossa ofensas".

Essa dificuldade me faz compreender a razão que levou Pedro a forçar Jesus a reduzir o mandamento a algo um pouco mais prático. Pedro pergunta:

"Senhor até quantas vezes meu irmão pecará contra mim, que eu lhe perdoe? Até sete vezes?

Pedro imaginou que estava sendo muito generoso: meu irmão me rouba, depois me rouba novamente, e mais outra vez, e de novo. Ora, que tal perdoá-lo até sete vezes, Senhor? Seria suficiente? Não seria um erro terrível perdoar mais que isso?

Entretanto, a resposta de Jesus foi, com efeito: "Não, Pedro. O perdão é ilimitado."
"Não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete".

Quem pode perdoar alguém setenta vezes sete ou, em outras palavras, um número ilimitado de vezes? Aos que estão presos no cárcere da falta de perdão, a resposta de Jesus é a motivação suprema daqueles que precisam desse milagre. É por isso que Jesus a revelou a Pedro: para fazer que o apóstolo compreendesse a necessidade de perdoar outra pessoa setenta vezes sete!

Essa é a história do servo que tem uma dívida gigantesca para com seu rei. A fim de recuperar a perda, o rei decide vender seu servo, juntamente com a esposa e filhos, à escravidão. Quando toma conhecimento do que está para lhe acontecer, o servo vai correndo à presença do rei, atira-se ao chão e implora por mais tempo.

Ao contemplar aquele servo prostrado no chão, o coração do rei se condói. Segundo as palavras de Jesus, o rei "teve compaixão dele" e mudou de ideia na mesma hora: em vez de conceder mais tempo, decidiu perdoar toda (impagável) dívida. O servo se tornou um homem livre.

Você consegue imaginar como esse homem se sentiu? Um minuto atrás ele era um servo caído em desgraça, com uma dívida enorme para saldar e um destino terrível pela frente. No minuto seguinte era um homem livre.

O servo, entretanto, desprezou a compaixão que lhe foi oferecida. Tão logo saiu da presença do rei, encontrou um amigo que lhe devia alguns trocados, mas como o amigo não tinha condições de pagá-lo, mandou que fosse jogado na cadeia até saldar toda a dívida.

Ao ficar sabendo do episódio, o rei, irado, manda que o servo seja trazido à sua presença e diz:

"Servo mau, cancelei toda a sua dívida porque você me implorou. Você não devia ter tido misericórdia do seu conservo como eu tive de você? Irado, seu senhor entregou-o aos torturadores, até que pagasse tudo que devia".

Outra reviravolta impressionante! De homem livre a prisioneiro torturado num piscar de olhos. E dessa vez há apenas uma possibilidade de interromper a tortura: saldar toda a dívida.

Observe que nessa história o rei (também chamado de senhor) é Deus, o Pai. Sabemos disso porque Jesus contou a história em resposta ao questionamento de Pedro a cerca da frequência que seus seguidores devem perdoar. Veja o que Jesus disse em seguida a fim de reforçar o motivo mais chocante em toda a Bíblia para perdoar alguém:

"Assim também meu Pai celeste vos fará, se do íntimo não perdoardes cada um a seu irmão".

Você quer saber o ponto de vista de Deus a respeito do perdão? Jesus nos disse. Deus não considera o perdão uma ideia simplesmente bonita ou mera sugestão. Na verdade, a exemplo do rei na história de Jesus, Deus fica irado quando aqueles a quem ele tudo perdoou se recusam a perdoar os comparativamente por ninharias.

Além disso, sabemos que Deus agirá caso não perdoarmos. Jesus mostrou isso claramente quando disse: "Assim meu Pai celeste vos fará".

Mas o que exatamente Deus fará? Ele nos entregará aos "torturadores". Deus, o Pai, não tortura ninguém, mas Jesus mostrou que Deus entrega aos pessoas às consequências dolorosas da falta de perdão.

E por quanto tempo? Conforme Jesus: até que perdoemos, de coração, as ofensas dos outros...

E qual resultado Deus almeja alcançar no encontro com uma pessoa presa à falta de perdão? Sem dúvida, que a pessoa pare de sofrer. Deus sofre com cada pessoa ferida e deseja profundamente que essas pessoas sejam libertadas dessa prisão de um modo sobrenatural.

Ficamos livres do passado ao compreender o forte sentimento de Deus com relação à falta de perdão e ao conversamos com os outros sabendo quão intenso é o desejo dele que essas pessoas sejam libertadas desse sofrimento.

Bruce Wilkinson (do livro: VOCÊ NASCEU PARA ISSO, págs. 181-184, Editora Mundo Cristão).

...

PÁSCOA é perdão!


Jesus deixou sua glória (Ele é eterno),


encarnou (se fez um de nós),


viveu (como um de nós),


morreu (se deixou matar) sem culpa e sem culpar ninguém,


e RESSUSCITOU DOS MORTOS para provar que podia fazer isso.


A graça do PERDÃO já nos foi dada (tudo aconteceu por esta causa),


vamos ser discípulos dEle ou rejeitá-lo?


BM


...


Mais um pouco do mesmo:


O QUE É O EVANGELHO CRISTÃO? Por John Piper

domingo, 20 de março de 2011

CORAÇÃO COMPUNGIDO E CONTRITO por Ricardo Barbosa

"Os sacrifícios que agradam a Deus são um espírito quebrantado; um coração quebrantado e contrito, ó Deus, não desprezarás"
(Salmos 51.17)
Uma das marcas do nosso tempo é o abandono do temor a Deus. Temor é uma palavra que a cultura contemporânea excluiu do dicionário. No lugar dela, cresce a busca pela autoconfiança. Uma vez que não temos nenhum referencial fora de nós, assumimos que somos nosso próprio deus. Num mundo assim, não existem limites ou fronteiras. Tudo é possível, permitido e aceitável. Surge então um desequilíbrio perigoso.

A oração do rei Davi no
Salmo 51 é uma das pérolas da Bíblia. Não posso imaginar a vida sem essa oração, que nos conduz às profundezas da alma humana. Encontramos nela o espelho dos movimentos mais profundos de nossas emoções. Ela descreve a anatomia da alma humana e demonstra um equilíbrio maduro entre o temor a Deus e uma autoestima saudável.

O contexto é bem conhecido. Trata-se do terrível adultério do rei Davi com Bate-Seba, seguido da trama para matar seu marido, Urias. O plano perverso de Davi acontece. Depois da morte de Urias, ele se casa com Bate-Seba e o filho nasce. Porém, Davi não consegue conviver em paz com seu pecado. Graças a Deus por isso. Ele tentou esquecer, remendar, mas nada adiantou. Seu corpo começou a sentir o peso do pecado. Por mais que a cultura moderna nos tente convencer que o pecado não existe, seus sinais estão por toda parte.

Não havia sacrifício para o pecado de Davi, já que o crime que cometeu fora premeditado. É por isso que ele diz: “Pois não te comprazes em sacrifícios; do contrário, eu tos daria; e não te agradas de holocaustos”. Davi então entende que o sacrifício com o qual Deus se agrada é um espírito quebrantado e um coração compungido e contrito. Pouca coisa descreve melhor a necessidade humana do que essa declaração. Algumas razões:

Um espírito quebrantado e um coração contrito nos conduzem à realidade sobre quem somos. Observe os pronomes usados por ele: “minhas transgressões; minha iniquidade; meu pecado; eu pequei contra ti; eu fiz o que é mau, eu nasci na iniquidade”. Davi tem consciência de quem ele é. Isso nos ajuda a parar de jogar e brincar com a vida - a nossa e a dos outros. Por causa desse coração e espírito, ele assume seu erro e pecado. Não busca justificar seu erro com o erro dos outros, com aquelas desculpas conhecidas: “todo mundo faz o mesmo”, “não tive escolha”, “fui pressionado”. Ele não diz que foi “consensual”. Adultério é adultério, mesmo sendo consensual. Ele sabe que sua ofensa atinge primeiramente a Deus: “Pequei contra ti, contra ti somente, e fiz o que é mal perante os teus olhos; esconde o rosto dos meus pecados; não me repulses da tua presença, nem me retires teu Santo Espírito”.
É a Deus que ele ofendeu, antes de Bate-Seba e Urias. É isso que o temor a Deus produz.Essa oração nos conduz também a uma compreensão real sobre Deus. Veja a forma como ele se refere a Deus: compaixão, benignidade, misericórdia, amor, justiça, santidade. Ao pedir para ver a glória de Deus, Moisés ouviu a seguinte resposta: “Farei passar toda a minha bondade diante de ti... terei misericórdia e compaixão”. Davi volta-se para essa revelação, para o amor eterno, amor da aliança. É nesse amor que ele se apega. É nessa compaixão que ele deposita sua confiança.

É uma oração que nos conduz a um milagre. Encontramos nela afirmações enfáticas: “Purifica-me, lava-me, faze-me ouvir júbilo e alegria, cria em mim um coração puro, renova dentro em mim um espírito inabalável, apaga as minhas transgressões, restitui-me a alegria da salvação, sustenta-me com um espírito voluntário, livra-me dos crimes, abre meus lábios”.
Ao suplicar pelo milagre de um coração puro, Davi usa a mesma palavra de Gênesis 1: Deus criando a partir do nada. Somente ele pode criar uma nova realidade, uma nova criação. É exatamente o que Jesus veio fazer: “Eis que faço novas todas as coisas”.


Deus não despreza um espírito quebrantado e um coração contrito. É somente com um temor sincero para com ele que podemos desenvolver uma compreensão clara sobre nós. É essa atitude que torna possível ao ser humano construir uma autoconfiança saudável.

Ricardo Barbosa de Sousa é pastor da Igreja Presbiteriana do Planalto e coordenador do Centro Cristão de Estudos, em Brasília. É autor de “Janelas para a Vida” e “O Caminho do Coração”.
http://www.ultimato.com.br/?pg=show_artigos&secMestre=2641&sec=2664&num_edicao=324

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

INVICTUS - O poder do perdão

“Nas garras ferozes das circunstâncias não me encolhi nem fiz alarde do meu pranto. Golpeado pelo acaso, minha cabeça sangra, mas não se curva. Longe deste lugar de ira e lágrimas só assombra, o Horror da sombra. Ainda assim, a ameaça dos anos me encontra, e me encontrará sempre, destemido. Não importa quão estreira seja a porta, quão profusa em punições seja a lista. Sou mestre do meu destino. Sou capitão da minha alma”. 
William Ernest Henley citado em Invictus

Assisti Invictus ontem, fiquei bastante impressionado, com certeza é o filme do ano. Você já ouviu falar de um ótimo filme que não precisa usar de artifícios como nudez, sexo, tiros e explosões, de-efeitos especiais e uma trama bem mentirosa? Este é um, e muito mais que um filme como entretenimento, é um meio de graça com uma mensagem impactante, o Perdão resgata nossa humanidade!Assim que cheguei em casa fui pesquisar quem escreveu o poema protagonista do filme, a primeira página que fez alusão sobre o poema o expôs tecendo uma critica, pois muitos cristãos estavam usando a citação nas suas páginas pessoais, esse negócio de ser mestre do meu destino e capitão de minha alma andou mexendo com a Ortodoxia.Este post é justamente sobre ortodoxia, a maneira certa de pensar, a doutrina cristã correta, e nossa práxis. Ouvi mais de uma vez, de mais de um pregador, que Gandhi era mais que um admirador de Jesus Cristo, mas o cristianismo praticado em sua época não o impressionava, pelo contrário. "Não conheço ninguém que tenha feito mais para a humanidade do que Jesus. De fato, não há nada de errado no cristianismo. O problema são vocês, cristãos. Vocês nem começaram a viver segundo os seus próprios ensinamentos."

Assim como Gandhi, Mandela não confessou o Cristo dos cristãos publicamente, mas assim como Gandhi e Martin Luther King, ele fez dos ensinamentos do Nazareno a sua práxis (Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, este é o que me ama - Palavras do Senhor Jesus). Será que era isso que Jesus queria dizer que quando nós nos calássemos as pedras clamariam? Nos três países em que esses líderes foram levantados, Índia, EUA, e África do Sul, era o cristianismo a fé confessada dos opressores.

Jesus Cristo dos cristãos, e de todo o universo, tem piedade de nós!

Vocês ouviram o que foi dito: “Olho por olho, dente por dente.” Mas eu lhes digo: não se vinguem dos que fazem mal a vocês. Se alguém lhe der um tapa na cara, vire o outro lado para ele bater também.Se alguém processar você para tomar a sua túnica, deixe que leve também a capa. Se um dos soldados estrangeiros forçá-lo a carregar uma carga um quilômetro, carregue-a dois quilômetros. Se alguém lhe pedir alguma coisa, dê; e, se alguém lhe pedir emprestado, empreste. Vocês ouviram o que foi dito: “Ame os seus amigos e odeie os seus inimigos.” Mas eu lhes digo: amem os seus inimigos e orem pelos que perseguem vocês, para que vocês se tornem filhos do Pai de vocês, que está no céu. Porque ele faz com que o sol brilhe sobre os bons e sobre os maus e dá chuvas tanto para os que fazem o bem como para os que fazem o mal. Se vocês amam somente aqueles que os amam, por que esperam que Deus lhes dê alguma recompensa? Até os cobradores de impostos amam as pessoas que os amam! 
Mateus 5.38-46

Perdoa as nossas ofensas como também nós perdoamos as pessoas que nos ofenderam.Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará; Mas, se não perdoarem essas pessoas, o Pai de vocês também não perdoará as ofensas de vocês.
Mateus 6.12,14 e 15

Então Pedro chegou perto de Jesus e perguntou: — Senhor, quantas vezes devo perdoar o meu irmão que peca contra mim? Sete vezes? — Não! — respondeu Jesus. — Você não deve perdoar sete vezes, mas setenta e sete vezes. Porque o Reino do Céu é como um rei que resolveu fazer um acerto de contas com os seus empregados. Logo no começo trouxeram um que lhe devia milhões de moedas de prata. Mas o empregado não tinha dinheiro para pagar. Então, para pagar a dívida, o seu patrão, o rei, ordenou que fossem vendidos como escravos o empregado, a sua esposa e os seus filhos e que fosse vendido também tudo o que ele possuía. Mas o empregado se ajoelhou diante do patrão e pediu: “Tenha paciência comigo, e eu pagarei tudo ao senhor.”O patrão teve pena dele, perdoou a dívida e deixou que ele fosse embora. O empregado saiu e encontrou um dos seus companheiros de trabalho que lhe devia cem moedas de prata. Ele pegou esse companheiro pelo pescoço e começou a sacudi-lo, dizendo: “Pague o que me deve!” Então o seu companheiro se ajoelhou e pediu: “Tenha paciência comigo, e eu lhe pagarei tudo.” Mas ele não concordou. Pelo contrário, mandou pôr o outro na cadeia até que pagasse a dívida. Quando os outros empregados viram o que havia acontecido, ficaram revoltados e foram contar tudo ao patrão. Aí o patrão chamou aquele empregado e disse: “Empregado miserável! Você me pediu, e por isso eu perdoei tudo o que você me devia. Portanto, você deveria ter pena do seu companheiro, como eu tive pena de você.” O patrão ficou com muita raiva e mandou o empregado para a cadeia a fim de ser castigado até que pagasse toda a dívida. E Jesus terminou, dizendo: — É isso o que o meu Pai, que está no céu, vai fazer com vocês se cada um não perdoar sinceramente o seu irmão.

INVICTUS - O poder do Perdão

http://www.youtube.com/watch?v=211tsGoram8