"Temos esta Esperança como âncora da alma, firme e segura, a qual adentra o santuário interior, por trás do véu, onde Jesus que nos precedeu, entrou em nosso lugar..." (Hebreus 6.19,20a)
Mostrando postagens com marcador dor. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador dor. Mostrar todas as postagens

domingo, 10 de janeiro de 2021

NÃO DESPERDICE SEU CÂNCER por John Piper

16 de Fevereiro de 2006


1. Você desperdiçará seu câncer caso não creia que isto foi planejado por Deus


Não diga que Deus apenas usa nosso câncer, mas que não o planeja. O que Deus permite, ele o faz por uma razão. E está razão é sua vontade. Se Deus prevê desenvolvimentos moleculares tornando-se cancerígenos, ele pode deter isto ou não. Se não, ele tem um propósito. Por ser infinitamente sábio, é correto chamar este propósito de plano. Satanás é real e causa muitos prazeres e dores. Mas ele não é a causa última . Assim, quando ele atacou Jó com úlceras (Jó 2:7), Jó atribuiu-as a Deus (2:10), e o escritor inspirado concorda: “e o consolaram de todo o mal que o Senhor lhe havia enviado” (Jó 42:11). Se você não crê que seu câncer lhe foi planejado por Deus, você o desperdiçará.


2. Você desperdiçará seu câncer caso creia que ele é uma maldição, e não uma bênção


“Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Romanos 8:1). “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós” (Gálatas 3:13). “Contra Jacó, pois, não há encantamento, nem adivinhação contra Israel” (Números 23:23). “Porquanto o Senhor Deus é sol e escudo; o Senhor dará graça e glória; não negará bem algum aos que andam na retidão.” (Salmos 84:11).


3. Você desperdiçará seu câncer caso procure conforto em suas chances em vez de procurá-lo em Deus


O plano de Deus em relação ao seu câncer não é treiná-lo no cálculo de chances racionalista e humano. O mundo consegue conforto em estatísticas, os cristãos não. Alguns contam seus carros (porcentagens de sobrevivência) e outros contam seus cavalos (efeitos colaterais do tratamento), mas nós confiamos no nome do Senhor, nosso Deus (Salmos 20:7). O plano de Deus é claro em 2 Coríntios 1:9: “portanto já em nós mesmos tínhamos a sentença de morte, para que não confiássemos em nós, mas em Deus, que ressuscita os mortos”. O objetivo de Deus relativo ao seu câncer (entre várias outras coisas boas) é derrotar a autoconfiança em nosso coração para podermos descansar completamente nele.


4. Você desperdiçará seu câncer caso se recuse a pensar na morte


Todos nós morreremos caso Jesus não retorne em nossos dias. Não pensar sobre como seria deixar esta vida e encontrar Deus é tolice. Eclesiastes 7:2 diz: “Melhor é ir à casa onde há luto do que ir à casa onde há banquete; porque naquela se vê o fim de todos os homens, e os vivos o aplicam ao seu coração”. Como você pode aplicar esta verdade a seu coração se não pensa nela? Salmos 90:12 diz: “Ensina-nos a contar os nossos dias de tal maneira que alcancemos corações sábios”. Contar seus dias significa pensar sobre quão poucos eles são e que terminarão. Como você conseguirá um coração sábio se você se recusa a pensar nisto? Que desperdício, caso não pensemos sobre a morte.


5. Você desperdiçará seu câncer caso pense que “vencê-lo” significa sobreviver e não aproximar-se de Cristo


Os planos de Deus e os planos de Satanás para seu câncer não são os mesmos. Satanás deseja destruir seu amor por Cristo. Deus planeja aprofundá-lo. O câncer não vencerá se você morrer, apenas se falhar em aproximar-se de Cristo. O plano de Deus é privá-lo do alimento do mundo e satisfazê-lo com a suficiência de Cristo. Isto tem o objetivo de ajudá-lo a dizer e a sentir: “tenho também como perda todas as coisas pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor”. E saber, portanto, que “o viver é Cristo, e o morrer é lucro” (Filipenses 3.8; 1.21).


6. Você desperdiçará seu câncer caso gaste muito tempo lendo sobre o câncer e não o suficiente a respeito de Deus


Não é errado ler sobre o câncer, ignorância não é virtude. Mas, o desejo de saber mais e mais, e a falta de zelo pelo conhecimento contínuo de Deus é sintomático no incrédulo. O objetivo do câncer é acordar-nos para a realidade de Deus, colocar sensações e força no mandamento “Conheçamos, e prossigamos em conhecer ao Senhor” (Oséias 6:3), acordar-nos para a verdade de Daniel 11:32 : “O povo que conhece ao seu Deus se tornará forte, e fará proezas”, tornar-nos carvalhos indestrutíveis e firmes : “antes tem seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e noite. Pois será como a árvore plantada junto às correntes de águas, a qual dá o seu fruto na estação própria, e cuja folha não cai; e tudo quanto fizer prosperará”(Salmos 1:2,3). Que desperdício lermos dia e noite sobre o câncer e nada a respeito de Deus.


7. Você desperdiçará seu câncer caso se isole em vez de aprofundar seus relacionamentos manifestando afeição


Quando Epafrodito trouxe os presentes enviados pela igreja de Filipos para Paulo, ele ficou doente e quase morreu. Paulo diz aos filipenses: “porquanto ele tinha saudades de vós todos, e estava angustiado por terdes ouvido que estivera doente”(Filipenses 2.26). Que reação maravilhosa! Não diz que estavam angustiados porque Epafrodito estava doente, mas que ele estava angustiado porque os filipenses ouviram que ele estava doente. Este é o tipo de coração que Deus pretende criar com o câncer: o coração profundamente afetivo e preocupado com as pessoas. Não desperdice seu câncer voltando-se para si mesmo.


8. Você desperdiçará seu câncer caso se entristeça como quem não tem esperança


Paulo usa esta expressão para designar pessoas cujos entes queridos haviam morrido: “Não queremos, porém, irmãos , que sejais ignorantes acerca dos que já dormem, para que não vos entristeçais como os outros que não têm esperança” (1Tessalonicenses 4:13). Existe tristeza na morte. Mesmo para o crente que morre, há uma perda temporária — a perda do corpo, de entes queridos e do ministério terreno. Mas a tristeza é diferente — é permeada pela esperança: “desejamos antes estar ausentes deste corpo, para estarmos presentes com o Senhor” (2 Coríntios 5:8). Não desperdice seu câncer ficando triste como quem não tem esta esperança.


9. Você desperdiçará seu câncer caso trate o pecado tão normalmente quanto antes


Seus pecados frequentes permanecem tão atrativos quanto antes de você ter câncer? Se a resposta for afirmativa, então você está desperdiçando seu câncer. O câncer foi planejado para destruir o apetite pelo pecado. Orgulho, ganância, luxúria, ódio, falta de perdão, impaciência, preguiça, procrastinação — todos estes são adversários que o câncer deve atacar. Não pense apenas em lutar contra o câncer. Pense também em usá-lo. Todas estas coisas são piores que o câncer. Não desperdice o poder do câncer para esmagar estes adversários. Deixe a presença da eternidade tornar os pecados temporais tão fúteis como eles realmente são. “Pois, que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, e perder-se, ou prejudicar-se a si mesmo?” (Lucas 9:25).


10. Você desperdiçará seu câncer caso falhe em utilizá-lo como meio de testemunhar a verdade e a glória de Cristo


Os cristãos nunca se encontram em determinado lugar por acidente. Existem razões para as quais somos levados onde estamos. Considere o que Jesus diz sobre circunstâncias inesperadas e dolorosas: “Mas antes de todas essas coisas vos hão de prender e perseguir, entregando-vos às sinagogas e aos cárceres, e conduzindo-vos à presença de reis e governadores, por causa do meu nome. Isso vos acontecerá para que deis testemunho” (Lucas 21:12-13). Assim também é com o câncer. Essa será uma oportunidade para testemunhar. Cristo é infinitamente digno. Aqui está uma oportunidade de ouro para mostrar que Jesus vale mais que a vida, NÃO a desperdice.
Lembre-se de que você não foi deixado sozinho; terá a ajuda necessária: “Meu Deus suprirá todas as vossas necessidades segundo as suas riquezas na glória em Cristo Jesus” (Filipenses 4:19).
 
Pastor John
Revisão: Rogério Portella
Extraído de: monergismo.com
Por John Piper. © Desiring God. Website: desiringGod.org
Tradução: Josaías Júnior
Estou escrevendo estas palavras na véspera da cirurgia do câncer na minha próstata. Creio no poder de Deus para curar — por meio de um milagre e da medicina. Sei que é certo e bom orar pelos dois tipos de cura. O câncer não é desperdiçado ao ser curado por Deus. Ele recebe a glória — e isto porque o câncer existe. Então, não orar pela cura pode desperdiçar seu câncer. Mas a cura não é o plano de Deus para todos. E existem muitas outras formas de desperdiçar seu câncer. Estou orando por mim e por você, para que não desperdicemos esta dor .


quinta-feira, 3 de outubro de 2013

O SOFRIMENTO por Ariovaldo Ramos

Quando Herodes percebeu que havia sido enganado pelos magos, ficou furioso e ordenou que matassem todos os meninos de dois anos para baixo, em Belém e nas proximidades, de acordo com a informação que havia obtido dos magos. Então se cumpriu o que fora dito pelo profeta Jeremias:
"Ouviu-se uma voz em Ramá, choro e grande lamentação; é Raquel que chora por seus filhos e recusa ser consolada, porque já não existem".
Mateus 2:16-18

Mais uma vez Deus se adianta à história humana: Ele sabe o que vai acontecer!

Mas, desta vez, a onisciência, que comunicou a forma, para evitar que o mal impedisse o avanço da história da salvação, agora, comunica o absurdo e a dor.

No texto, a nação de Israel, representada pela alusão à Raquel, esposa amada por Jacó, como a mãe da nação, é avisada do choro inconsolável.

Por que o Todo-poderoso nos informa da angústia, em vez de, simplesmente, impedi-la?

Por que tantos não culpados são abatidos pela maldade? O que acontece?

Antes da humanidade romper com a Trindade, viver, se o fruto da árvore da Vida fosse digerido, era para ser um fim em si mesmo. Viver viria a ser manifestar a imagem de Deus, para a glória de Deus. Nasceríamos para expressar Deus, e, portanto, para viver todo o crescimento e aventura que o conceito encerrava.

Depois da queda, viver passou a ser um meio; não é mais um fim em si mesmo. 

Depois da queda, nasceríamos para morrer, e sem nenhuma garantia ou previsão, sobre quanto tempo viveríamos. A morte estaria, desde o nascimento, em nós e fora de nós. A morte, que é sempre uma tragédia, é a inimiga que passaríamos a enfrentar diariamente.

A vida, após a queda, é um ambiente de sofrimento!

A vida, após a queda, é, de fato, o meio no qual Deus alcança os seres humanos, é o ambiente onde a salvação, em relação ao que a queda provocou, é oferecida; e, se recebida, a salvação inocula, no salvo, a vida que é um fim em si, cuja plenitude se dará na ressurreição do corpo.

Portanto, no que chamamos de nossa história de vida, enfrentamos e sofremos a maldade que, graças à nossa ruptura com o Deus do Universo, passou a fazer parte de nossa realidade, porque a maldade se tornou o princípio ativo da natureza humana.

Enfrentamos a maldade em nós, na realidade manipulada pelas mãos humanas, e naqueles que não enfrentaram a maldade em si.

A Trindade foi a primeira a ser atingida pela realidade da maldade, porque a Bíblia diz, que o sangue do Filho é conhecido, e efetivo, desde antes da fundação do mundo (1Pe 1.19-20).

Antes de tudo, e para que tudo pudesse existir, o Filho assumiu a cruz para enfrentar e vencer a maldade, que viria a ser a tônica da humanidade. E, graças a esse sacrifício, manifesto, na história, no Calvário, a Trindade pôde criar, manter e resgatar a sua criação. E, por isso, pôde, nesse ambiente, emprestar parte de sua bondade, para que a maldade não fosse o único tom da nossa vivência (At 14.17).

Esse sacrifício da Trindade, por meio do Filho, é uma ação do Deus, por sua graça. Esse ato divino, por sua graça, garante que a vida voltará a ser um fim em si mesma, isto é, voltará a ser o exercício da expressão da imagem do Deus.

Entretanto, enquanto o final não chega, sofreremos e enfrentaremos a maldade, que, por nossa queda, trouxemos à realidade.

A maldade não conseguiu, nem conseguirá interromper a história da salvação, o que era o seu objetivo; mas, sempre cobrará vítimas. Isto se tornou parte da condição humana. Muito inocente tombou até que o Cristo viesse, e muito inocente ainda tombará até que o Cristo volte.

Certo é, que, nenhum, dos que tombaram ou tombarão, viveu ou viverá em vão; ainda que tenha morrido, ou venha a morrer precocemente.

E o que foi e será vitimado pela maldade, de alguma forma, faz parte de todo o gemido da criação pela salvação da humanidade, pela redenção cósmica do Cristo (Rm 8.22).

Não quer dizer que a morte do inocente tenha sido necessária; ou que a vítima tenha sido salva por perecer de tal morte, pois, só o sacrifício do Cristo salva o ser humano. Quer dizer que o desfecho, de sua vida, teve a ver com tudo o que aconteceu na história da busca divina pelo que se havia perdido; porque fez parte do enfrentamento da maldade, capitaneado pelo Cristo.

A maldade, em nós, é, portanto, fruto do mau uso do arbítrio humano. A maldade é o ônus da humanidade em estado de queda.

O ato mau é consequência do livre curso da maldade.

Em cada um de nós, a maldade deve ser detida pela bondade que Deus, por sua graça, para garantir sobrevida à humanidade, nos emprestou; enquanto Deus faz avançar a historia da salvação, que culminará em novos céus e nova terra, onde habita a justiça.

Na sociedade, os homens bons devem enfrentar os homens maus. O efeito da maldade, a partir do ato humano, é proporcional ao poder permitido a este ser humano.

A Trindade não veio a nós para deter os homens maus, mas, para erradicar a maldade no ser humano, por meio do novo nascimento.

Enquanto a maldade não for erradicada da humanidade, homens bons e homens maus se defrontarão, quando os homens maus vencem, a injustiça prospera, quando os homens bons vencem, o que prospera é a justiça.

Homens bons não são pessoas destituídas da maldade, nem gente que não precise nascer de novo, mas, seres humanos que, por causa da deferência de Deus, por sua graça, procuram dar lugar à bondade emprestada por Deus.

Ao mencionar a profecia sobre o choro de Raquel, Deus não estava falando da inexorabilidade do mal, mas, do descaso para com os avisos de Deus.

Deus enviara os magos para despertar Israel, e toda a Jerusalém o soube, e se alvoroçou (Mt 2.3), mas, nada fez, e deixou o Cristo e os demais infantes à deriva da maldade, pondo em risco a história da redenção. Ecoou a fala de Deus à Isaías (Is 53.1): “Quem creu em nossa pregação?”

Provavelmente, a Jerusalém, alvoroçada, tenha sido dissuadida pelos líderes vaidosos, que não admitiam que Deus falasse, senão por eles. E os homens bons deram ouvidos aos homens maus.

Deus, então, salvou o Cristo e a história da salvação.
http://ariovaldoramosblog.blogspot.com.br/